9 de fevereiro de 2013 às 18h57
Como o Foursquare me salvou de um problema
Foursquare nao eh so pra vc dizer que esta num lugar bonito e fazer inveja pros outros, nao!
9 de fevereiro de 2013 às 18h57
Foursquare nao eh so pra vc dizer que esta num lugar bonito e fazer inveja pros outros, nao!
9 de fevereiro de 2013 às 10h37
Estou encantada com Tibau do Sul, especialmente a praia de Pipa, tudo.
Sempre quis conhecer e agora entendo que o coração estava certo. Paisagens selvagens e incríveis, gastronomia perfeita, um clima de sol e brisa, gente trnquila. Em 24 horas de Pipa já fiquei zen.
Já conheci o centrinho de Pipa, a vida noturna, as lojinhas, a praia do Madeiro e suas escadarias, já avistei golfinhos, comi lagosta e camarão. Hoje vamos fazer um passeio de barco para ver golfinhos de perto.
Praia da Pipa, Rio Grande do Norte. Um destino a ser incuido nas suas viagens e nos seus sonhos.
Fotos

Consegui tirar uma foto de um golfinho pulando, na Praia do Madeiro

Foto de ontem, meus filhos fazendo caiaque, cruzando um barco.

Placa bem humorada na escadaria de acesso do restaurante TErra Mar até a praia de Pipa.
7 de fevereiro de 2013 às 08h41
Recebi emails muito gentis avisando que sou finalista do prêmio Troféu Mulher Imprensa. Ao mesmo tempo que acho muito bacana ser indicada para um prêmio profissional, morro de vergonha de fazer campanha pedindo votos. Já pedi aqui no blog, em outro post, o que transforma a réplica do pedido numa vergonha ao quadrado.
Se você quiser votar em mim, muito obrigada!
São duas categorias, Mídias Sociais e Colunista de TV (Record News, com Heródoto Barbeiro)
P/ votar -Troféu Mulher IMprensa (Mídias Sociais) - trofeumulherimprensa.com.br/9edicao/votaca…e Colunista de TV - trofeumulherimprensa.com.br/9edicao/votaca…
— rosana hermann(@rosana) February 7, 2013
6 de fevereiro de 2013 às 15h55
Obrigada desde já.
6 de fevereiro de 2013 às 14h26
Adorável.
E um peixinho dourado com deficiência que ganhou uma 'cadeira de rodas' pro aquário
6 de fevereiro de 2013 às 14h21
Se quiser adiantar o acontecimento (e a dimensão da coisa), corra para os 3 minutos e pouco e veja até o final.
E o vídeo fofo do dia
5 de fevereiro de 2013 às 12h35
Influenciada pelo vídeo-compilação dos 10 cachorros mais culpados da Internet (os poodles, demais cara!)
gravei um vídeo com Otto, meu mini schnauzer, emulando as broncas que as donas dão em seus cães quando fazem algo errado. TAdinho do Otto, fiz tão bem meu papel de megera que ele ficou todo reprimido. Mas depois eu também me senti culpada e, arrependida, cobri-o de mimos e beijos.
Com vocês, Otto culpado.
5 de fevereiro de 2013 às 10h25
Não, não vai acabar. Não assim, não agora. O título do post é só o tema. Um dia, claro, tudo vai acabar. Enquanto isso, estou comprando vestidos novos na liquidação.
4 de fevereiro de 2013 às 19h28
Eu não tenho Crocs. Nunca tive. Meus filhos já tiveram. Acho que meu marido não. Não morro de amores pelo sapato, mas reconheço a inteligência de sua usabilidade. É como um chinelo que não foge do pé, não escorrega, não aperta e resolve problemas para os pés em várias ocasiões: quando você está doente, no hospital, na piscina, quando a pessoa tem dificuldade pra andar e precisa de calçados leves. Enfim, eu acho bom que os Crocs existam.
Tá, não é elegante. Nem lindo. E tem gente que consegue usar de forma tão obtusa que quase dói. Outro dia vi um homem de camisa polo vermelha, bermuda branca com cinto bege e crocs vermelhos, pra combinar com a polo. Achei um terror. Mas e daí? Vai que ele é um bom advogado, pedreiro, bom pai, bom filho ou cientista da NASA?
Na Internet, especialmente no Twitter, onde resido, muita gente gosta de falar mal de Crocs.
Procurei imagens de usos que não para sapatos e encontrei Crocs infláveis gigantes, casinhas de cachorro e outros quetais. Aceite. Crocs existem. E podem até ser legais.

(Casinha de cachorro. Parece quentinha)

Arte Crocs -Portfoloio Emily Shaw
Voltarei a falar no assunto quanto eu encontrar um Crocs com cristais Swarovski.
Mas o de Lego é fofo.
4 de fevereiro de 2013 às 12h24
É difícil decorar um nome próprio numa língua muito diferente da sua. Dá pra ir até Gwyneth Paltrow, num Ban Ki-moon ou até num Mahmoud Ahmadinejad (ai, odeio esse cara). Mas bastou aquele vulcão islandês entrar em erupção para notar como é frágil nosso poder de comunicação. Sabe, o lindo do Eyjafjallajökull? Se você ficou com muita vontade de aprender a pronúnica correta, ei-la, ensinada em inglês por um Islandês nativo.
Por isso é tão bom que exista a 'alcunha'. A alcunha substitui bem um nome próprio, com palavras de referência. A alcunha também resolve o problema de não confundir homônimos. Quando digo Alexandre, o Grande, você já sabe que não estou falando de Alexandre, o Frota.
A história é repleta de alcunhas e referências explicativas. Era o fulano filho de beltrano (e daí todos os sobrenomes com 'filho', como JohnSon, Jackson, as atividades do pai, cidade de origem (Tales de Mileto). Fico triste de ser ignorante em história universal para poder citar dezenas de exemplos sem recorrer ao Google. De cabeça, além do Alex, posso citar Átila, o Huno ; Maria, a Louca; Catarina, a Grande; Conan, o Bárbaro. Haggar, o Horrível. Acho isso tudo muito interessante. Vale ler o verbete da Wikipedia que fala da formação de sobrenomes:
Formação dos sobrenomes ou apelidos em geral
Os nomes de família chegaram até nós de diferentes maneiras. A grande maioria dos sobrenomes evoluiu de cinco fontes principais:
Ocupação: John, sendo carpinteiro, cozinheiro, moleiro, alfaiate, chamar-se-ia em inglês, respectivamente, de: John Carpenter, John Cook, John Miller e John Taylor. Um ferreiro, se chamaria em inglês de Smith, um dos sobrenomes mais comuns. Toda vila tinha os seus Smiths (ferreiros), Millers (moleiros), Taylors (alfaiates) e Carpenters (carpinteiros), Gardners (jardineiros), Fishers (pescadores), Burke ou Burgie (tem a ver com castelos ou fortes), Hunters (caçadores), sendo que os Millers de uma vila não tinham necessariamente qualquer relação com os Millers de outra vila.
Localidade: O John que morava numa colina/montanha (hill, em inglês) pode ter ficado conhecido por John Overhill (over, considera-se "em cima"). O John que morava perto de um riacho poderia ser chamado de John Brook (brook=arroio, ribeiro). Pode-se dizer que, em inglês, um sobrenome deriva de um local quando, por exemplo, termina em:
-hill (em inglês) ou -berg (em alemão), ambos significam montanha, monte;
-ford (um leito de rio);
-wood (floresta, bosque);
-brook (arroio, ribeiro);
-well (poço).
E o que tudo isso tem a ver com 2013?
Tudo.
Basta ver que hoje o ~jornalismo de celebridades~ é feito assim. Gente sem nome que só se conhece pela referência, como toda a família de mulheres-fruta e mais:
.A peladona de Congonhas
.O mendigo gato de Curitiba
.A mulher do Google Tradutor
.A moça do Avast (atualização do antivirus)
.A mãe loira (loura) do Funk
Os exemplos são infinitos, porque enquanto estamos fazendo a lista novos apelidos estão surgindo outros. Acabei de ler que Minas Gerais é o estado que mais bota apelido nos outros. Li também que Cláudio vem de claudicante, manco. O senta lá Cláudia começa a fazer sentido.
Ah, sim. Antes de partir, queria muito compartilhar o fato de que existe uma pequena cidade no Pais de Gales chamada Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch. Por razões facilmente dedutíveis ela é carinhosamente chamada de Llanfair. Para o Querido Leitor Incrédulo, o mapa.
Beijos, Leitor, o Querido.
da Rosana, a Hermann
4 de fevereiro de 2013 às 08h54
No sábado agora, antes de ontem, fiz uma apresentação no Cubo de Conteúdo da Campus Party, com curadoria da querida Bia Granja. A ideia era selecionar um playlist de vídeos para serem exibidos e comentados em público. Fiz uma seleção com vários temas. Um deles incluia aulas de inglês, mencionando aquelas aulas loucas da China com centenas de milhares de pessoas repetindo frases. Em seguida, ilustrei a importância de entender a letra das músicas em inglês, usada num comercial europeu (Da Young & Rubicam) de forma hilária. Uma família bem tradicional, caretíssima, entra no carro, liga o rádio e se alegra com uma canção que apenas se chama 'I wanna fuck you in the ass'.
E, na vida, você sabe, as coisas só se materializam quando você interage. Da mesma forma que uma semente no saquinho não é nada e pode virar uma sequóia quando plantada na terra, uma opinião, palestra, ppt, vídeo, poema, canção ou qualquer obra de arte só ganha vida quando você a apresenta para as pessoas e elas respondem.
Pois bem, o Gustavo Kondo mandou dois tweets dizendo que ao ver aquela apresentação e o vídeo que mostrei ele lembrou de um momento IDENTICO que aconteceu num programa da Xuxa em 1995. Uma banda chamada Gilette cantou a singela canção 'Don't want no short dick man' para crianças. Veja o vídeo com legendas e tudo.
@rosana e quando vc mostrou o video do comercial do curso de inglês, eu lembrei da banda Gillete que cantou DONT WANT NO SHORT DICK MAN (+)
— Gus K. (@gustavokondo) February 4, 2013
@rosana (+) no programa da xuxa (e um monte de crianças dançando)!!!!1! já viu esse video?
— Gus K. (@gustavokondo) February 4, 2013
Eu não tinha visto, mas aqui está ele no YouTUbe. É assim que acontece, gente. Uma enorme cadeia de pessoas passa pelos absurdos e ninguém vê o erro e ele, finalmente, cai no mundo e atinge as pessoas. Perigo isso, viu. O pior é que na cadeia de desatentos, quando UM aponta o erro os outros dizem que ele é 'chato'.
Have a nice day!
_______________________________________________
E mais: colaborações sensacionais de queridos leitores
1. Do Daniel Peres - Apresentação da banda gaúcha Cascavelletes no programa Clube da Criança. Repare na cara das crianças pequenas ouvindo 'eu quis comer você'.
2. Da Valéria Gimenez - "HAHAHAHAHHAHA lembrei de uma cliente que trouxe o vídeo do aniversário de 5 anos do filho pra editar e queria que eu fizesse um clipe do menino com uma música do Akon, que dizia assim: I wanna fuck you, you already know, girl"
3. Do Márcio - Bizarro é usar no vídeo do casamento essa música: http://youtu.be/9ayUHLRp7uM - ( Fuck what I said , you burned bitch! ahahahaha - don't want you back, do Eamon)
3 de fevereiro de 2013 às 18h00
Cada um tem seus critérios de leitura. Livro bom pra mim é aquele que, em primeiro lugar é muito, mas muito bem escrito. Que tem um texto apaixonando. O texto é a primeira exigência que tenho. A segunda é o conteúdo. Não há conteúdo por melhor que seja que sobreviva a um texto ruim. Assim como tem gente que tem um texto ótimo, mas não sabe construir histórias ou criar ficção. Criar ficção não tem nada com saber escrever um bom texto. Na minha opinião.
Além disso um livro bom pra mim é aquele que me traz alguma coisa nova, um ensinamento, vocabulário, reflexão, informação, qualquer coisa que me impacta ou emociona, que adiciona algo pra minha vida.
Acabei de ler agora um livro assim, O Caderno de Maya, de Isabel Allende.

Gosto muito de ler Isabel Allende, desde que conheci há muitos e muitos anos a obra prima 'A Casa dos Espíritos', um dos meu favoritos de todos os tempos.
Maya é filha de mãe Dinamarquesa com pai Chileno, criada pelos avós norte-americanos. Cresceu na Califórnia, fez um monte de bobagens na adolescência e foi parar numa ilha chamada Chiloé no Chile. A história se passa principalmente nesta ilha, com memórias dos outros lugares. As histórias vão se fundindo e se explicando. O livro é muito legal de ler, envolvente, maravilhoso. E tem aquela coisa que AMO em qualquer autor excelente, como Allende ou Ruy Castro: tem horas que leio construções e descrições tão sensacionais que tenho vontade de jogar o livro na parede, de amor, inveja e dor. Dois exemplos do que estou falando:
"Pela mesma abertura que entra o amor, se infiltra o medo".
"...essas experiências de ___ devem ser tratadas com o mesmo cuidado e delicadeza que requer seu aneurisma, porque estão encapsuladas numa bolha de memória que, se estourar subitamente, poderá aquililá-lo."
Quem pensa que pelo mesmo lugar que entra o amor, entra o medo de amar? Que lembranças dolorosas ficam encapsuladas numa bolha como um aneurisma mortal ao se romper? Coisa linda. O livro é todo assim.
O livro também me ensinou coisas que não sabia, como La Minga, por exemplo. Esse conceito antigo de 'minga' é um trabalho cooperado em que vizinhos se unem para uma determina tarefa que culmina com uma grande festa. Em Chiloé a minga mais famosa é a puxada, que consiste em transportar uma casa de lugar puxada por touros e bois, muitas vezes, levando a casa pelo mar, rebocada por barcos.
Quando li o trecho que descreve a casa com água até as janelas quase não acreditei. Graças à maravilhosa Mãe Internet e Santo Google e São YouTube, pude VER essa coisa pitoresca.
Aqui tem uma 'tiradura de casa' por terra e, abaixo, pelo mar.
(Aguente a musiquinha e as legendas horríveis, porque a imagem vale a pena)
A história também descreve uma refeição social preparada na brasa de pedras num buraco de um metro de diâmetro no chão, chamada Curanto. Parece uma paella com batatas e mariscos, recoberta por folhas, um assado de chão.
Recomendo demais o livro, apesar do preço. É caro, tem mais de 400 páginas, mas vale a pena.
Antes de terminar o post, uma confissão bem idiota da minha parte. NA orelha do livro tem uma foto de Isabel, recente. Ela está com aquela cara de mulher madura que fez uma plástica no rosto sem muito sucesso. Plástica só é boa quando você olha, sente que tem algo diferente, mas não sabe dizer o que é. Se você olha e diz 'ah, plástica', então não foi boa. Mas, né, quem sou eu na fila do pão pra dizer o que ela deve ou não deve fazer? Só sei que sou cheia de opiniões, sobre livros, cirurgias estéticas e tudo mais. E, no caso, o livro é imperdível. A cirurgia, dispensável.
2 de fevereiro de 2013 às 22h47
31 de janeiro de 2013 às 17h40
É oficial! Psy, do hit "Gangnam Style", se apresentará no Rio e em Salvador > Música | Omelete.
E vamos começar tudo de novo, Sexy Lady! ahahah
30 de janeiro de 2013 às 11h23
Acabei de ver que sou finalista no Trofeu Mulher IMprensa deste ano, obrigada aos envolvidos!
29 de janeiro de 2013 às 13h29
Comecei o dia pegando um táxi porque é dia do rodízio do meu carro e eu tinha que chegar no Hoje em Dia às 9. Dentro do táxi percebi que meu celular ficou em casa. E tweetei.
Esqueci o celular em casa num dia de agenda cheia. parabens pra mim
— rosana hermann(@rosana) January 29, 2013
Recebi um comentário-padrão da voz representativa do lumpemproletariado atacando a burguesia, o famoso 'classe média sofre'.
Fui pra o estúdio, com Fábio Arruda e Lelê. Tweetamos de lá. Sempre um exercício de comunicação.
o victor não entendeu a pergunta da @rosana. tá ruço.
— Lele (@alesie) January 29, 2013
Voltei pra minha mesa no R7 e recebi:
1. Um pedido de apoio para uma manifestação contra esta charge inoportuna e desagradável:
@rosana Rosana, vamos fazer um twitaço de repudio a @zerohora pelaPublicação sem sensibilidade alguma desta charge: twitter.com/NinaDalmaso/st…
— Marina Dalmaso (@NinaDalmaso) January 29, 2013
2. Um pedido de 'forcinha' para alguém que está em busca de reconhecimento do seu talento.
@rosana Se puder dar uma forcinha pra um Não Famoso... ♫ AINDA TÔ NO ORKUT youtube.com/watch?v=LPMNwn…
![]()
— Daniel Santos (@OindignaLdo) January 29, 2013
3. Uma notícia quentíssima via Victor Calazans sobre o perfil fictício Irmã Zuleide que usou a foto de uma professora de Campinas.
Assuntão de hoje -> via @victor_calazans - casa caiu pra Irmã Zuleide -twitter.com/victor_calazan…
— rosana hermann(@rosana) January 29, 2013
4. Uma denúncia de vazamento de um suposto roteiro da minissérie José do Egito
@rosana Sabe se isso é real? Roteiro do episodio de Jose do Egito... twitdoc.com/1RCX
— Martinho Clebson (@martinhoclebson) January 29, 2013
E, claro, tem o Belo e a Gracyanne despejados, finesse pura.
Agora, com licença que eu tenho um almoço de trabalho e depois, gravação.
28 de janeiro de 2013 às 16h20
28 de janeiro de 2013 às 11h34
Domingo de manhã, na hora do café, quando soube do incêndio na boate Kiss em Santa Maria, comecei a chorar e a pensar e a sentir e a lamentar e a refletir e não consigo parar desde então. Como tanta gente no Brasil e no mundo, meus olhos se voltam para os jovens que morreram, meu coração se despedaça com os depoimentos dos pais e parentes que ficaram, meu espírito se agita com o medo de que coisas assim possam voltar a acontecer. É uma carga intensa demais de dor para a gente administrar, um sofrimento que não cabe. A gente tem que falar, compartilhar, lamentar e vivenciar esse rito doloroso, para que ele se incorpore. Por fim, para que a gente se conforme e aceite tamanha tragédia, é preciso tirar alguma coisa, uma lição, um aprendizado, que fique ao menos como uma homenagem a tantas vidas perdidas.
E é aí que começa a reflexão sobre você, eu, todos nós, especialmente nessa era de redes onde nosso pensamento coletivo e o comportamento social delata o estado de alma em que estamos.
Estamos confusos, isso é certo.
Se um dia tivemos valores dados pelo senso comum, pelos avós e antepassados, todos nascidos num mundo mais pacato que o atual, perdemos boa parte deles. O respeito pelos mais velhos, dar lugar para mulheres grávidas no transporte público, não roubar, não falar mal dos vizinhos, não jogar lixo na rua, são apenas os exemplos mais corriqueiros de ensinamentos que se perderam nas confusas estruturas sociais e, pior, tornaram-se' coisa de babaca'.
A Lei de Gérson não apenas nos definiu, como 'pegou' e não há meio de revogá-la. Sobre nossa natureza do jeitinho nacional, somou-se a Gersonificação da vantagem individual, potencializada pela opinião coletiva de que ser certinho é ser idiota e uncool.
A situação de momento no Brasil (e não falo do mundo porque não tenho autoridade ou vivência pra falar de outros paises) é assim:
1. Todo mundo que faz tudo certinho, que obedece à lei, que não transgride e não se corrompe é xingado e apontado como babaca, caga-regras, pela maioria conivente e tolerante com tudo o que é errado e corrupto
2. Na hora que dá alguma merda, a mesma maioria conivente e tolerante com o errado e corrupto posa de certinha e aponta dedos para todos os que erraram, com ou sem dolo, em busca de crucificação e linchamento público dos envolvidos para expiar a própria culpa da conivência e tolerância com o errado durante uma vida.
Vamos olhar a tragédia insuportável que estamos vivendo.
Os especialistas em acidentes de avião dizem sempre que toda tragédia é uma sucessão de erros, não é uma coisa isolada. Sim, tem algo que começa, um gatilho que dispara, mas a reação em cadeia que leva a perdas de vidas só acontece porque tem uma ~massa crítica~ de erros no caminho. E, muitas vezes, nossa leitura dos fatos também é imprecisa. Exemplo? Todo mundo acha que muitos carros batem nos postes. E aí começam a elaborar teorias sobre 'a atração entre postes e carros', como se um poste inanimado tivesse um magnetismo que leva os carros a baterem nele. Não, né. A gente vê muitos carros batidos em árvores, postes e muros, porque dentro TODOS os carros que se acidentem, ou quase se acidentam, todos os que não deram PT ou não chegaram a bater, foram embora. Os que ficam são aqueles que encontraram um anteparo, bateram e, por isso ficaram parados lá. Aí a gente vê os que ficaram parados e tira conclusão do todo pelas ocorrências em particular.
Pois bem. O bom senso nos diz que acender fogos de artifício em lugares fechados não faz sentido. Fogos de artifício já não fazem muito sentido nem do lado de fora, embora sejam lindos. Mas indoor realmente não parece ser sensato. Só que MUITA gente faz. E MUITA gente aceita. E acha normal. E acha OK. E acha bonito. E só quando acontece uma tragédia é que vai apontar dedos para quem o fez.
As mesmas pessoas que querem crucificar o garoto da banda que acendeu o sinalizador, muito provavelmente até OUTRO DIA não se importavam com o fato e nem tomaram nenhuma atitude para impedir que isso acontecesse.
O material da boate era todo inflamável, ao que parece. Assim como são feitas tantas casas noturnas, fantasias de carnaval, barracões de escolas de samba e tudo mais. Se está tudo errado e é perigoso, temos que fiscalizar e multar e obrigar todo mundo a fazer certo. Mas, você percebe que nós, como sociedade, somos os mesmos que culpamos todo mundo depois e não cobramos nada antes?
E os seguranças da boate? Bom, eu não sei o que aconteceu de fato. Mas, o que é que faz um segurança da boate? Ele cuida da segurança do usuário ou da boate? Bom, em tese, ele cuida da boate primeiro, impedindo que pessoas saiam sem pagar, que não tumultuem ou criem problemas. E cuidam para que o usuário se comporte dentro do esperado. Eu nem sei se teve algum segurança morto no incêndio, mas pelo que entendi, foi tudo tão rápido e o lugar era tão labiríntico, que levou um tempo até que os seguranças entendessem o que estava acontecendo.
As portas de emergência fechadas, isso realmente não tem explicação. Se a porta é de e para emergências, o que adianta tê-las se na hora da emergências elas estão trancadas?
E tem o alvará vencido, os extintores que supostamente não funcionaram. Tanta coisa irregular. Errada, criminosa. Mas a gente só vai enxergar isso lá e agora? Por que você não vai olhar o extintor de incêndio do seu carro, do seu prédio, do seu trabalho pra ver se ele tem espuma dentro, se funciona, se serve pra alguma coisa?
É, querido leitor, é tudo muito chocante e doloroso. Desabei em vários momentos, como as ligações perdidas dos pais e mães nos celulares dos jovens mortos, o pai que perdeu duas filhas no mesmo incêndio, os caminhões frigoríficos usados para empilhar e transportar corpos que horas antes eram jovens cheios de futuro e de vida. Mas até essa dor não impede que eu enxergue a hipocrisia na qual estamos todos mergulhados como sociedade.
Claro que existem responsáveis, claro que é preciso apurar tudo, que não podemos apenas dizer 'ah, aconteceu'. Mas até nessa hora é preciso ter bom senso para esperar resultados, compreender, sem sair crucificando tudo e todos. Tem gente que culpa até as vítimas, até os que correram pra se salvar.
Porque, repito, neste texto longo, catártico, que tenta dar conta do silêncio de dias no blog com essa verborragia interminável, as pessoas que apontam culpados a torto e a direita agora, cobrando perfeição e lisura de tudo e de todos são as MESMAS que transgridem, que corrompem, que toleram o erro, que são coniventes com a corrupção pequena que os beneficia. Essas pessoas somos nós, os brasileiros.
E mais, os brasileiros, quando se deparam com alguém que faz tudo certo, OFENDEM essa pessoa. A pessoa que faz tudo pela lei é maltratada e temida, porque ela esfrega a corrupção alheia na cara da sociedade. E, nossa sociedade endemicamente corrompida, que expulsar todo elemento perigoso a essa rede implantada de pequenas contravenções, porque ele nos expõe.
É hora de parar e pensar com nossa consciência o que realmente somos. Se pagamos o guarda para liberar a multa, se pagamos o despachante pra comprar a carta, pra passar no exame, se pedimos ao contador para alterar o imposto de renda, se não declaramos os bens que temos, se compramos drogas do traficante, se baixamos torrentz sem pagar, se também fazemos incontáveis irregularidades (muitas vezes porque a lei é mesmo burra e o mercado injusto) sem LUTARMOS para que as coisas sejam certas, temos que ter a decência de, PELO MENOS não apontar culpados que não são melhores nem piores do que nós.
Diante do que é certo, você tem que escolher o lado em que vai ficar.
Mesmo que você ao longo da vida mude lado.
Mesmo que você tenha que pedir ajuda para decidir o seu lado.
Só não dá é pra ficar do lado onde tantos tentam ficar, do lado de fora.
Assistindo tudo de camarote, no conforto de sua cadeira diante das telas vivas das redes, apontando culpados sem conhecimento, condenando sem julgamento, criticando obras prontas, ofendendo os que têm boa intenção, difamando os que agem de forma correta. Pulhas que ficam sempre do lado de fora, apoiados em seus provérbios vencidos, em seus valores escusos, em seus dogmas mal interpretados, usando a razão como advogada de sua crueldade.
Você precisa escolher o lado que vai ficar.
E não ter medo de mudar de lado se o coração mandar.
Porque cobrar do outro uma perfeição que você não tem é estar do lado de fora da raça humana.
24 de janeiro de 2013 às 11h24
Cada pessoa tem um jeito. Você tem o seu, eu tenho o meu, meu marido tem o dele. Às vezes a pessoa além de um jeito, tem um ~jeitinho~.
O jeito de ser de cada um tem muitos ingredientes. Alguns atávicos, outros genéticos, culturais, ambientais, adquiridos por contato e tudo mais. E, como em toda lista de ingredientes, tem coisas boas pra saúde e alguns aditivos que deixam a gente de cabelos em pé, tanto no caso de produtos quanto no caso de pessoas.
Meu marido, por exemplo, é muito controlador.
O lado bom é que ele provê tudo que é preciso em casa, cuida bem de todo mundo, é super correto em todos os seus compromissos e não perde um detalhe de nada. Todo mundo tem defeitos, por isso, o mais sensato é ter uma atividade profissional que se adeque não só às suas virtudes, mas aos seus problemas também. Não é uma maravilha ter, por exemplo, uma dermatologista detalhista?
O lado ruim de ser controlador é que, bem, ele controla tudo. Todo e qualquer detalhe. E exige explicações. A mente dele precisa completar a história para poder funcionar com tranquilidade, como no caso de uma caixinha de fio dental, por exemplo.
Temos duas cubas na mesma pia do banheiro, lado a lado, uma pra cada um. O espaço da direita é das coisas dele, o da esquerda é das minhas e no meio temos as coisas em comum, como pasta de dente e fio dental.
Outro dia tinha 3 caixinhas de fio dental, de tipos diferentes. Escovei os dentes, passei o jato de água e peguei o fio dental antes do bochecho com meu amado Scope. Assim que peguei a caixinha do fio dental e puxei, senti que o fio tinha acabado. O pedaço que veio na mão era pequeno, quase insuficiente para a higiene. Usei aquela tática de enrolar bem e aproveitar ao máximo, mania que adquiri ao longo de mais de trinta anos de economia por força da dureza financeira. Fiz o bochecho e joguei a caixinha no lixo do banheiro. O lixinho do banheiro foi pro lixo master e, no final do dia, já estava no caminhão da prefeitura.
À noite meu marido chegou em casa do trabalho, foi para o banheiro lavar as mãos antes do jantar e sua linda mente controladora tocou o alarme. Duas caixinhas de fio dental?!?!?! WTF? Mas de manhã eram três!
No comando das pernas, a mente de Isaac levou-o até meu encontro na sala de almoço com aquele olhar indignado de quem tem um mistério escabroso para resolver. Ele entrou na sala e atacou:
- Cadê a caixinha de fio dental?
- Tá na pia do banheiro.
- Não, não está. Tem só duas. Hoje de manhã eram três. Tem uma faltando.
- Ah, acabou.
- Como assim 'acabou'?
- Acabou, não tinha mais fio. Sabe, tipo, tudo acaba, o fio dental, as caixinhas, a vida? Acabou.
- Mas acabou mesmo? Tem certeza?
- Acabou, meu bem. Eu peguei o fim do fio, nem era suficiente pra limpar todos os dentes. Aí eu peguei a caixinha e joguei fora. Meu bem, por que você tá fazendo um big deal dessa história? Acabou, joguei fora, fim da história. Podemos comer?
Ele sentou pra comer, mas era visível sua indignação. Eu sei como funciona. Ele sai, tem 3 caixinhas. Volta e tem só duas. Se eu o conheço bem ele deve ter procurado a 3a. caixinha vazia olhando na lixeirinha do meu espelho. Sabe, não é maldade, é uma coisa da mente controladora da pessoa. Tem uma coisa faltando, ela não viu, ela não se conforma, não aceita.
Eu, por minha vez, sou muito implicante. E não gosto de ter que dar explicações de todos os detalhes da minha vida. E é aí que o amor entra. Porque não é uma questão de lógica, mas de afeto, tolerância e compreensão.
Já entendi como as coisas acontecem e sei que pra que ele seja feliz, ele precisa saber das coisas, precisa aplacar essa ansiedade. E é pra isso que estamos juntos, para sermos felizes.
E foi assim que aprendi como lidar com isso. Agora, quando vou usar o fio dental, verifico se está no final. Se estiver e for acabar na minha vez, eu uso outro. Ou pego só um pedaço, calculando para que termine sempre NA VEZ DELE.
Agora mesmo fui escovar os dentes para sair e vi que a pasta de dentes estava no talo, quase no final. Espremi tudo o que eu pude até pegar aquele restinho de gel azul que costuma cair em todas as minhas roupas. Caiu de novo. Fiquei sem pasta. Fui tentar de novo, não deu. Peguei uma outra pasta, mas não joguei a que estava usada no lixinho. Deixei lá. Sei que quando ele chegar ele vai tentar interrogá-la, torturá-la, até que ela entregue mais um pouquinho de pasta. Não é mesquinharia, é hábito. E, quando ele notar que não tem mais jeito mesmo, ele vai jogá-la no lixo. Assim ele vai saber o final da história e vai arquivar o caso. Porque, pra mente do Isaac, não ter essa informação, não conviver com o término da pasta, do fio, de qualquer coisa, é como ler um livro até o fim e descobrir que alguém arrancou as últimas páginas. Meio que invalida toda a história. Sentia isso quando era estudante e alguém pedia a última mordida do sanduíche. Parece que fica faltando alguma coisa.
Aos poucos, com amor, carinho, compreensão e sem julgamento, vou conversando com ele sobre esses detalhes de personalidade, meus e dele. Hoje já conseguimos andar pela areia da praia e chegar ao outro lado e voltar sem que ele precise tocar a mão numa pedra no final da baía. Antes ele não conseguia. Se a gente resolvesse dar meia volta a alguns metros do paredão, ele corria até as pedras pra ~bater a mão~. Dependendo do meu humor eu vou até lá encostar na pedra, apesar de achar isso uma bobagem sem tamanho. Dependendo do humor dele ele abre mão do ritual.
O que conta, afinal, não é a lógica, mas o amor.
O amor prescinde de bom senso. O amor é absoluto. O amor aceita. Com alegria. E sem reclamar.
Um dia eu chego lá.^
Por enquanto eu só aprendi que sem sentido é viver sem conseguir amar.
23 de janeiro de 2013 às 22h10