Rosana Hermann

17 de junho de 2014 às 14h05

Eu sei o que você vai ser quando crescer

Um dos clichês mais usados quando se fala em nutrição é o famigerado "você é o que você come".

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Tem um fundo de lógica, já que boa parte de tudo o que você ingere vira ''você", fisicamente falando. Mas, claro, não se pode descartar toda a carga genética e influência do seu meio ambiente na determinação do que você é e será. Dois bebes gêmeos que são separados e adotados por famílias diferentes, em ambientes totalmente diversos como uma tribo de aborígenes na Austrália, uma família de aristocratas  protestantes ingleses, um mosteiro de monges budistas no Tibete ou uma família de muçulmanos ricos do Oriente Médio, terão muito em comum em termos biológicos, mas podem se tornar diametralmente opostos em termos de religião, ideologia, cultura, gostos pessoais.

De uma forma muito mais geral do que apenas o alimento do corpo, podemos dizer que você é o que você consome. No sentido mais amplo. A cultura que você consome, a comida que você come, o ar que você respira.

1403024373 3fc31e0e 240e Eu sei o que você vai ser quando crescer

 

Mas o que você consome também pode mudar em diferentes momentos da sua vida. O que fica de verdade, o que vai moldar você, é o que você REPETE. O que se torna hábito. É aquilo que vai atravessar as décadas com você e vai definir o que você vai ser.

O que aprendi é que não é apenas o que você é, de onde veio, de onde saiu, mas o que você se TORNA. E você  se TORNA  O QUE VOCE PRATICA.

Se você pratica esportes, você vai ser atlético. Vai pensar e viver como um atleta. Se você pratica filantropia, você vai ser uma pessoa que ajuda os outros. Sempre. Se você pratica religião de forma dedicada, você vai ser uma pessoa religiosa em primeiro lugar. É a prática, aquilo que você faz sempre, que vai definir você.

 
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E é por isso que acho tão assustador vem o comportamento de uma parte da população nas redes sociais. Pessoas que praticam o linchamento estão se tornando linchadores. Pessoas que praticam o ódio diariamente tornam-se haters. Pessoas que praticam a solidariedade, por outro lado, tornam-se solidários.

Pense.

Você se TORNA o que você PRATICA.

E, como a prática leva a perfeição, quem pratica idiotice vai se tornar, um dia, um perfeito idiota.

 

 

 

 

17 de junho de 2014 às 13h44

Uma meta: deixar de ser besta

Quando eu era besta eu achava que a coisa mais bacana do mundo era ser original.

Eu criava coisas, pensava coisas e achava que estava produzindo algo realmente sem precedentes na história da humanidade.

Aí eu pesquisava e descobria que outras pessoas já tinham feito a mesma coisa em outros tempos e outros lugares. E ficava puta da vida ao descobrir que eu não era a única.

E então eu comecei a fazer terapia para tentar ser uma pessoa melhor. E deixar de ser besta.

Continuei pensando e criando e fazendo coisas. Exatamente da mesma forma. Mas com uma atitude totalmente diferente.

Agora, quando eu faço alguma coisa que eu acho legal, interessante, busco e vejo que muita gente já fez também, eu fico feliz porque sei que não estou sozinha. Que tenho colegas humanos que pensam e criam exatamente como eu.

Quando eu era besta eu achava que as ideias saiam da minha cabeça para o mundo.

Daí comecei a deixar de ser tão besta (ainda sou) e aprendi que, por ser um ser humano legal, as ideias do mundo me procuram, visitam minha cabeça.

Deixar de ser besta. Não é uma ideia original, mas é, de fato, a única opção que melhora o mundo.

 

 

17 de junho de 2014 às 00h17

Schumacher e a interpretação das notícias

Seria maravilhoso que tudo fosse simples. Mas não é.

Hoje, muita gente no Twitter comentava que `Schumacher acordou do coma e foi para outro hospital' como se ele tivesse levantado, dando tchau e sorrindo para a galera.

As fotos de Schumacher tal qual ele era antes do acidente também induzem as pessoas a essa conclusão.

Ele não saiu do coma e levantou, como nas novelas ou nos filmes. Ele foi retirado do coma induzido, do estado gravíssimo em que se encontrava, deu sinal de alguns momentos de consciência e deu resposta a certos estímulos. O processo de reabilitação será longo, talvez leve anos. Não se sabe se ele vai se recuperar 100%.  A transferência ocorre em busca de mais privacidade.

No hospital onde Schumacher estava duas pessoas tentaram tirar fotos dele (para vendê-las?).

Schumacher não está mais respirando por aparelhos e responde a estímulos de vozes e percebe o 'ambiente'. Mas daí a interpretar as notícias no Brasil como uma recuperação mágica há um longo caminho.

Vamos torcer muito por ele. Mas sem confundir realidade com sonho. Ele saiu do coma, o que é uma maravilha, um grande passo num longo caminho.

 

Eu gosto de correr. Sempre gostei. Me alegro com a liberdade, o vento, a sensação boa de vigor físico e me entretenho com os gadgets modernos que traqueiam o exercício.

Por exemplo. Minha corrida mudou depois que passei a ver o mapinha do trajeto.

De repente, me ocorreu que eu sou a corredora e sou também a "ponta" do lápis de cor virtual que desenha o percurso.

Minha mente voa como um drone, vendo de cima meu corpo correndo pelas linhas.

E foi assim que ontem, bem cedo, tentei fazer um presente para o Isaac, um presente para o dia dos namorados (hoje).

Eu precisava de um lugar aberto, uma área grande, pra correr "desenhando".

Achei que o melhor lugar seria na frente do estádio do Pacaembu, mas teria que ser um dia SEM feira livre.

Ontem fui até lá e corri tentando desenhar. Não deu pra fazer perfeitamente porque tem uns canteiros altos no meio do estacionamento.

Fiz o que pude.

Depois tirei o print do percurso, flipei e... ficou assim.

Feliz Dia dos Namorados para todos os que estão apaixonados pela vida, pela saúde, pela prática esportiva.

 

photo1 1 360x640 Como fazer um presente para o dia dos namorados durante a corrida na rua

Percurso em frente ao Pacaembu .

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A imagem devidamente flipada para ver o coração que corri para o Isaac <3

 

PS - o Isaac adorou o coração corrido

10 de junho de 2014 às 17h01

A copa das unhas decoradas

viaA copa das unhas decoradas with images · rosana · Storify.

Conheça a revista R7Bacon com matérias sobre o alimento idolatrado pelos internautas - Vídeos - R7.

Adoro blogs de viagem. Adoro blogs. Adoro blogs BONS. Feitos por gente bacana, competente e esforçada. Gente comprometida com a prestação de serviço, com o outro. E, só pra encher o outro pratinho da balança, detesto todo tipo de blog feito só pra aparecer, pro blogueiro ser cultuado, pra fazer sucesso.

Tenho sido feliz com todos os blogs de viagem que frequento. Mas acho que é preciso responde primeiro a esta pergunta:

 

QUAL O FORMATO DA CIDADE?

MEU EXEMPLO:

PARIS, UMA FATIA DE ROCAMBOLE

parisrocambole 640x312 Como os blogs de viagem deveriam ser, de acordo com minha cabeça problemática

 Procurei uma fatia de rocambole até encontrar uma que mostrasse o que eu quis dizer. Achei. Veja se não explica perfeitamente. São 20 'arrondissements" ou distritos, enrolados a partir do centro e terminando com La Défense. Feito o mapa da fatia de rocambole na sua cabeça, você colocar o aeroporto no canto superior direito, Orly do outro lado, a Torrei Eiffel e coloca o Rio Sena. Pronto. Você tem Paris na cabeça.

A partir daí começam as explicações. Qual o lado mais comercial, o residencial, o mais perigoso, o que fica perto da estação de trem, os melhores e piores para se hospedar.

Porque, como é que eu vou escolher um hotel numa cidade sem entendê-la? Se você fizer isso às cegas, você pode escolher um hotel ótimo num lugar horrível ou vice-versa.

Os blogs de viagem deveriam começar a apresentar a cidade assim. Depois, pelas áreas, depois pelos detalhes e, por fim, pelo histórico por trás de tudo isso.

Amsterdam, por exemplo, é um colar de seis voltas em torno do centro velho. Cada volta do colar é um canal.

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Enfim, eu acho que é preciso sempre dar uma noção geral pra vc compreender a geografia da cidade para onde você vai. Certeza que com essas comparações qualquer pessoa entenderia melhor o lugar para onde ela vai.

9 de junho de 2014 às 14h29

Talvez num tempo da delicadeza

1. O MUNDO DE GAME OF THRONES

Eu já comecei a ver o seriado várias vezes. Ainda vou assistir inteiro. No fundo é um classicão à la cantora `Rosana como uma deusa`, uma vida  entre o Amor e o Poder. O problema é que eu não curto muito a parte da violência. Sou muito bossa nova pra curtir decapitações, muito hippie pra me alegrar com enforcamentos. Estou vendo outra série, Da Vinci's Demons e, olha, não recomendo para vegetarianos. Mas se você faz dieta de proteínas, vai fundo. O problema é que os seriados ambientam histórias em cenários que reproduzem o mundo real. O mundo que já foi real, com uma crueldade que, infelizmente, ainda existe. Por que?

2. JÁ ESTAVA ASSIM QUANDO EU CHEGUEI

Olhando pra trás a gente nota que os seres humanos orbitam em torno das mesmas questões, das individuais às mais filosóficas. Perguntas como 'de onde viemos, para onde vamos' só são possíveis de serem feitas quando você tem um teto garantido pra passar a noite, está com o estômago cheio e não corre perigo. A pergunta 'qual o sentido da vida' pode ser a última caso um urso veja você como resposta para outra pergunta, a clássica ' o que tem para o almoço'.  Além das dúvidas existenciais, a criatura homem sempre buscou mais do que a mera sobrevivência e descendência, como prazer e poder. Prazer significa sexo e privilégios e poder significa riquezas e terras. Simples assim. Os ambiciosos sempre quiserem dominar o mundo e subjugar os outros. A ideia básica é não fazer nada, ser atendido e servido por todos, ter todos os desejos realizados. Como um bebê bem cuidado. Mas...será que sempre foi assim? Todo mundo quer ser rei e rainha, como nas picaretagens de vidas passadas?

3. SOBREVIVER OCUPA A AGENDA TODA

Vou contar a história da humanidade em alguns toques. O ser humano surgiu na Terra e viu que a natureza não era brincadeira. Sentia fome, sede, sono, medo, dor de barriga, uma confusão. Pra cada desejo ou necessidade tinha que arrumar uma solução. Passou a procurar comida, água, caverna. Descobriu como fazer fogo, caçar. Inventou a roda. Era duro, não tinha YouTube com canal de culinária fácil nem tutorial pra desossar mamute. Infelizmente, ainda hoje, milhares de anos depois, ainda tem MUITA gente na Terra que ocupa a vida com a tarefa de sobreviver mais um dia.  Triste demais. Mas voltemos : na busca pela sobrevivência o homem  ia de um lugar pra outro sem parar. Viajar é bom, mas voltar pra casa é melhor. Problema é que nômade não tem casa porque não tem garantia de comida nos arredores. Lembre-se, não havia delivery nessa era. O homem então descobriu que plantando tudo dava, dominou a arte da agricultura e, enfim, pôde arrumar um cantinho pra chamar de seu. A agricultura (garantia de comida) permitiu que o ser humano sossegasse o rabo e, enfim, pudesse sentar em volta da fogueira enquanto esperava seu churrasco de javali selvagem ficar no ponto, enquanto olhava as estrelas. E, claro, de olhar as estrelas, as sombras, o sol, foi criando e pensando e ... começou a civilização.

4. PIRAMIDE, ESSE SUCESSO

Olhar pro céu, pra sombra, pra tudo foi uma boa. O homem acabou criando a astrologia, a astronomia, a geometria (sim, misturei tudo). Tudo isso era necessário pra fazer a coisa que o ser humano mais ama: pirâmides. Não sei se eram os deuses astronautas, mas muito antes das grandes pirâmides do Egito, povos na américa já tinha aderido ao formato piramidal. Acredita que tem pirâmide no Peru, que data de 4 mil anos antes de Cristo?? Veja aqui, pirâmide de Caral. Quer dizer, depois de garantir casa e comida num mesmo lugar, o homem construiu não apenas cidades para os seus, mas grandes templos megalomaníacos para suas divindades. Impressionante como a ostentação já era sucesso antes do funk. Beleza, então, agora o homem já tem família e um lugar pra chamar de seu. Sabe o que acontece com isso?

 

5. A COISA DA  IDENTIDADE

Agora vou fazer um angu geral, pular na linha do tempo, enfim. Só pra dizer que, até ficar minimamente civilizado o homem não tinha identidade. Não tinaha nome, sobrenome, CIC, RG, passaporte. Não sabia quem era porque não era ninguém. O conceito de ser alguém nem existia, suponho. Mas a partir do momento que o pessoal tinha moradia fixa mesmo antes de inventarem o conceito de endereço, passou a ter identidade. A identidade pode se dar em vários planos, como mostram os `sobre nomes`. Você pode se identificar pela cidade onde você nasceu. Tales, de Mileto. Galileu, da Galiléia. (localidade). Você pode definir-se pela atividade profissional, como Ferreiro (Smith), o Ouvires (Goldsmith), o alfaiate (Schneider), Becker (padeiro), Sobrenomes de Ocupação. E, principalmente, pela família. Muitos sobrenomes que conhecemos no mundo moderno mostram isso. Sempre é fulano, FILHO DE beltrano. JohnSon. Filho do João. (Sobrenomes  Patronímocos) Sabe o Mac dos escoceses e o poulos dos gregos? Significa filho de, assim como TODOS os ians Armênios. Ou seja, você se identifica por uma referência de atividade, filiação, pátria. Tem também os sobrenomes de características físicas. Ou seja, durante séculos a identidade da pessoa já estava praticamente decidida quando ela nascia. Já nascia em um lugar, filho de alguém, que herdaria uma atividade. Mas.... corta pra agora. TUDO ISSO MUDOU.

 

6. AI, ZYGMUNT, SEU LINDO

Zygmunt Bauman, o filósofo polonês usou uma poderosa metáfora para falar da pós-modernidade em que vivemos: líquida. Tudo o que foi estabelecido durante séculos, foi derretendo, se liquefez. Hoje, boa parte da sociedade de consumo está ocupada DEFININDO uma identidade. Não é quem você é, mas quem e como você quer ser. Você não precisa morar onde nasceu, nem viver colado na família, nem seguir a carreira dos pais, nem ficar com a mesma cor de cabelo ou religião. Você pode mudar seu nome, sua língua, o que você quiser. E, embora isso nos traga liberdade, também traz insegurança. Bauman afirma que insegurança e liberdade são variáveis incompatíveis. Quando mais liberdade você, menos segurança, quanto mais você mantém tudo seguro, menos liberdade tem. Essa geração fluida, líquida, que não permanece num lugar, num emprego, numa relação, que se conecta e desconecta, que dá on e off, follow e unfollow sem parar, é a pós-modernidade.

Além da fluidez da vida líquida de Bauman, tem também o conceito de rejeição a qualquer narrativa longa, concieto do Jean-François Lyotard. Ninguém quer nada complexo nem longo.

Ou seja:

Nosso mundo hoje:

- todo mundo só pensa em si mesmo, pois estão ocupados em construir uma identidade. Não sabem quem são, nem vão ser. Não sabem o que querem, só o que não querem

- tudo é rápido e descartável e impaciente

-tudo precisa ser barulhento e escandaloso, todos querem ser vistos mesmo não tendo nada pra mostrar, todos querem ser ouvidos mesmo não tendo nada a dizer

- o excesso de comunicação gera falta de assunto, que descamba inevitavelmente no 'contar intimidades sobre si mesmo' - sério, é como nos reality shows. As pessoas não tem conhecimento, não tem repertório, não sabem falar de temas, nem discutir história, literatura, nada. Então em 3 semanas tá todo mundo falando de seus orificios e comentando o cocô. A intimidade está escancarada porque as pessoas querem ficar falando e se expondo 24 horas por dia e não têm estofo pra tanta exposição.

 

7. RESULTADO...

Sem nome, sobrenome, origem e ocupação os novos patrimônios são fama, fortuna, corpo e ostentação.

Sem rumo, sem ideal, sem ideologia sem noção cultuamos tudo o que é tosco, porque não nos ameaça. Em relação ao tosco, somos todos superiores como sempre sonhamos

Sem solução, mas com voz, sem conhecimento, mas com acesso, sem autoestima, mas em grupo, compartilhamos aos berros nosso descontentamento, mascarando nossa solidão com risos incessantes. A vida não pode ser feliz e equilibrada? Vamos tranformá-la numa eterna piada.

 

8. O FUTURO  segundo profeta Hermann

Estamos líquidos.

Estamos entrando em ebulição.

Já já o KiSuco vai ferver.

Uma nova ordem vai precipitar no fundo do caldeirão da bruxa.

Não sei se vai ser melhor ou pior.

Só sei que se demorar mais de 3 décadas não estarei mais aqui pra ver.

Pra você que, certamente é mais jovem que eu, boa sorte!

 

beijos da tia

 

 

9 de junho de 2014 às 05h58

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