A lamentável história de um estudante indiano-americano da Universidade de Rutgers, Dharun Ravi, que em 2010 usou uma webcam para espionar e gravar imagens de um colega de quarto, Tyler Clementi, que mantinha uma relação homossexual. Tyler acabou se suicidando. Dharun foi considerado culpado por invasão de privacidade e crime de ódio. Sua pena pode chegar a dez anos de prisão.
Em setembro de 2010 o estudante Dharun Ravi, então com 18 anos, gravou seu colega de quarto, também de 18 anos, durante um encontro íntimo com outro homem. Depois de gravar as imagens com a webcam, ele mostrou o vídeo para amigos. Dharun sabia que aconteceria outro encontro e avisou seus amigos pelo Twitter para assistirem uma transmissão ao vivo de sua webcam, pelo iChat. Dharun também contou com a ajuda de uma aluna chamada Molly Wei.
No dia 19 de setembro, Dharun Ravi tweetou:
"Roommate asked for the room till midnight," read the post from Dharun Ravi, 18. "I went into Molly's room and turned on my webcam. I saw him making out with a dude. Yay."
Pouco tempo depois Dharun Tweetou novamente:
"Anyone with iChat, I dare you to video chat me between the hours of 9:30 and 12. Yes it’s happening again."
Três dias depois, Clementi postou em sua página no Facebook - "Jumping off the gw bridge sorry." E suicidou-se saltando da George Washington Bridge no dia 22 de setembro de 2010.
O caso levanta a necessária discussão sobre bullying, privacidade, crueldade humana, responsabilidade.
São muitos os casos de adolescentes que se suicidam porque não conseguem suportar a pressão do bullying, ainda que online. Em 2008, uma garota de 13 anos, Megan Meier, suicidou-se depois que um garoto (fake) disse que o mundo ficaria melhor sem ela. Mais tarde, foi descoberto que o perfil falso do garoto era, na verdade, de uma mulher de 49 anos que criou a página no MySpace para ver se a menina estava enganando ou traindo a amizade de sua filha, colega da garota que se matou.
Nossa vida hoje não tem distinção entre o on e offline. Estamos sempre ONELINE, em linha com todas as redes. Tudo é vida real, sem distinção. Tudo o que acontece nas redes, tudo o que nos é dito, feito, nos AFETA. Esse impacto é real, mesmo que venha de um perfil falso.
O veredito de Ravi foi muito questionado, embora não tenha sido considerado culpado da morte do colega. Para muitos, foi um ato cruel de um garoto imaturo, arrogante e talvez, homofóbico, que acabou tendo consequências drásticas. Fato é que o caso faz a gente pensar na crueldade humana, na invasão de privacidade, no excessivo interesse que existe pela vida do outro, pela fofoca, pela bisbilhotice. O Facebook, não é exatamente a consagração da bisbilhotice pela vida alheia?
Um caso pra se pensar.
PS - Leia mais, em inglês, aqui.