Rosana Hermann

imageedit 3 9515316739 A morte de Eduardo Campos e a vida a que estamos condenados

Logo cedo soubemos da notícia do avião que caiu em Santos. Ou explodiu. Ou bateu num helicóptero. Era mesmo um avião? Caiu numa casa? Numa academia? E as vítimas?

As notícias eram imprecisas. Como sempre, os fatos eram poucos, os comentários, boatos e invenções, muitos. Os portais e emissoras de rádio e TV contaminaram-se pelo clima Chacrinhesco da Internet que veio pra esclarecer, com as redes sociais pilotadas por pessoas que vieram pra confundir.

Enquanto nos desinformávamos sobre o acidente da 'aeronave' em Santos começaram os comentários sobre o 'sumiço' de Eduardo Campos. A rota entre Rio e Guarujá que coincidiam. O prefixo do avião que era o mesmo. A possibilidade dele estar a bordo. Com ou sem a família. A falta de contato com ele via celular. Outros afirmavam que ele estava no avião, mas não confirmavam sua morte. Alguns publicavam que ele havia morrido no acidente a partir de possibilidades.

Enquanto cada órgão de imprensa seguia suas próprias regras e divulgava o que podia, o povo das redes  dava início a outro ritual: o concurso de piadas a qualquer preço, em busca de pontos sociais no ranking da relevância.  E, como a toda ação corresponde uma reação de mesma intensidade em sentido contrário, o grupo das pessoas (de bom senso) que acham de péssimo gosto fazer piada com tragédias também começou a se manifestar, junto com a turma que baixa discografia de recém-falecidos (no caso, pessoas que iriam votar no candidato falecido).

Eduardo Campos era jovem demais pra morrer, 49 anos. Pai de cinco filhos, incluindo um bebê de quatro meses. Dói no coração da gente. Estava em terceiro lugar no ranking das intenções de votos para a presidência, o que faz o destino parecer ainda mais irônico e injusto. Estava ONTEM à noite ao vivo no Jornal Nacional, o que nos assusta ainda mais, porque prova que 'para morrer basta estar vivo' e que sim, podemos morrer do nada, inesperadamente, sem aviso, de uma hora pra outra.

Uma tragédia como esta assusta todos os vivos e cada um reage de uma maneira. Os sensíveis se identificam com o pai de família e sofrem. Os oportunistas fazem a leitura de interesses que lhes cabe. Os idiotas encontram no súbito foco coletivo pelo tema uma chance de se fazerem visíveis, ainda que com comentários cruéis ou piadas inadequadas.

Mas é preciso lembrar também que cada um é o que é e que, em vez de sairmos atirando e apontando dedos pra todos os que julgamos errados, poderíamos aproveitar a ocasião para vermos o estado atual do nosso mundo, da nossa rede, das nossas relações.

E como está o mundo?

Eu vejo um mundo onde todos têm câmeras para revelar  imagens, mas todos só conseguem tirar fotos de si mesmos, porque o self é o único interesse.

Eu vejo um mundo onde tantos têm megafones nas mãos, voz ampliada pra todo planeta, mas não têm nada para dizer.

Eu vejo um mundo de pessoas desesperadas por atenção, mesmo sem saber o que vão fazer quando estiverem no centro do palco.

Como todo mundo, também tiro selfies. Também me perco, me confundo. Também sou cruel e faço bobagens. E me arrependo depois. Ao falar do mundo que vejo não me isento, sou parte dele.

Só acho que estamos ansiosos demais, buscando demais, preocupados demais. Ninguém se importa tanto com a gente. Ninguém se importa com sua roupa, sua pinta, seus quilos a mais, ninguém.  Ninguém se incomoda com sua unha lascada, com a cor do seu cabelo. É tudo loucura da nossa cabeça. Do nosso ego que quer ser maior do que somos. Aqui, um parêntese: eu só consegui deixar de engordar sem parar quando descobri que eu queria ser MAIOR do que eu sou. Mais famosa, mais rica, mais inteligente, mais bonita, mais mais e mais. E essa GULA por se mais me fazia ter sucesso em uma única coisa: pesar mais. Eu fiquei maior, mas em largura.

Essa coisa de querer ser maior não é errada. E nem quer dizer que temos que nos conformar com o que somos, com o status em que nascemos e ficarmos presos a ele como numa casta do sistema social Indiano. Normal querer subir na vida. Mas subindo ou não, felicidade é contentar-se com o que se tem a cada momento, mesmo desejando ampliar os horizontes. Essa coisa de querer ter mais dinheiro do que sabemos usar, mais amigos do que podemos administrar, mais fama do que somos capazes de  suportar é só gula. Ambição desmedida. Não rola.

Por isso, acho que podemos sofrer sim com a morte de Robin Williams, do garoto do Hermes e Renato, do Chorão, da namorada do Mick Jagger, do Phillip Seymour Hoffmann, do Mandela, do Eduardo Campos. Podemos comentar, podemos escrever #RIP e sentir o quanto é bom ter pessoas com as quais compartilhar sentimentos. Mas não é preciso usar TUDO, até os mortos, para competir. Para ser mais. Para ser maior.

Porque, olha, se a morte serve pra alguma coisa é pra dar um toque pra quem está vivo de que isso aqui tudo é efêmero demais. Incontrolável. Inapreensível. A gente não sabe o que acontece depois da morte, não sabe de onde veio, nem pra onde vai. Não sabe quando nem como vai morrer. E por tanto que não sabemos, poderíamos pelo menos ter uma certa leveza em aproveitar o que temos enquanto temos a vida. E deixar os outros viverem também.

Eu não conhecia Eduardo Campos. Eu não tinha resolvido votar nele. Mas eu sofro com a morte dele, do fotógrafo que estava a bordo, dos pilotos, das crianças de Gaza, dos meninos judeus que foram assassinados. Eu sofro como qualquer um sofre com a dor do outro. Porque se a dor do outro é possível ela pode acontecer comigo também. Isso é empatia.

Eduardo Campos morreu. Uma tragédia.
A nossa vida continua.
A nossa vida vai ser, enquanto ela durar, do jeito que a gente quiser.
Ela vai ser o que a gente fizer dela.
E, se a gente tiver consciência e parar um pouco com essa loucura de querer ser amado por todos, aceito por todos, reconhecido e aplaudido por todos, talvez possamos fazer das nossas vidas um coisa leve e prazerosa.
Porque se continuarmos nessa picuinha de brigar, discutir, condenar, proliferar idiotices, apontar, acusar, xingar, brigar (como eu faço de forma tão errada com tanta frequencia) nós vamos ser condenados a ficar nessa vida besta, policiando os outros.

E, se é pra viver com as opções  de sermos carrascos da vida alheia, piadistas de tragédias, julgadores de costumes e divulgadores de imbecis, talvez seja melhor morrer mesmo.

 

 

 

 

11 de agosto de 2014 às 18h38

Homens marrentos cariocas. Conhece?

Hoje cedinho fui correr na ciclovia aqui na Barra, Rio de Janeiro, Brasil.

A ciclovia é, bem, uma ciclovia. Para bicicletas.

Na minha cabeça a lei é assim: você corre na contramão dos veículos, de frente. Porque ai a bicicleta vê você e você vê a bicicleta. Se você corre no mesmo sentido que a bike, por exemplo na frente da bike, ela vê você, mas você não a vê. Ai, se ela for ultrapassar pela esquerda e você, SEM VER A BIKE ATRAS, desviar de algo pra esquerda, ela atropela você. Mesmo pra carro. Você corre na estrada vendo os carros de frente. Essa é a lógica.

Mas lógica não anda em alta.

Assim, pessoas correm na ciclovia no mesmo sentido das bicicletas ou pior, andam, caminham com amigos em formato de MURINHO, ocupando a pista toda.

Pois bem, fui correr na ciclovia, do meu jeito. Na contramão das bicicletas. E, quando vejo uma bike, pulo pra calçada pra não atrapalhar, depois volto.

Cedinho tem mais gente que bicicleta. Então estava tudo certo.

Estava até eu cruzar com pelo menos TRES homens marrentos. Eles correm e, quando me vêem vindo na mesma faixa, na contramão, recusam-se a desviar!

Impressionante!

Um bateu de frente comigo, no meu ombro, quase me machucou. E ainda me xingou. Xinguei MUITO de volta. Bom xingar fora do twitter, viu.

Outro veio vindo, eu me espremi bem de ladinho e ele NAO Desviou. Veio em cima, dizendo que não ia sair. Que isso gente?

Um senhor que passava, me deu a mão e disse:

-não liga pra esse burro.

E teve mais um encontrão.

Gente, quem são esses caras, esses corredores marrentos da ciclovia carioca que não desviam dos outros?

Alguém me explica?

Porque olha, taí uma coisa esquisita que estou levando do Rio comigo.

De resto, tudo maravilhoso!

Comi bem na Bélgica. Sabe, é o melhor chocolate do mundo e a vida é pra ser vivida. Comi chocolate belga da melhor qualidade. Em Bruges, em Antuérpia. Comemos muito bem em Knokke. Tomamos vinhos, experimentamos sobremesas.

Em Amsterdam fomos a restaurantes maravilhosos, tomamos cerveja, comemos aqueles biscoitos recheados de caramelo. Fiz café da manhã no nosso apartamento alugado em frente a um lindo canal.

E aí, Paris. Comi sorvete italiano AMarino, sobremesas como profiterole com calda de chocolate, degustamos champagne em pequenos copinhos. Fizemos um tour gastronômico. Comi macarons de vários sabores. Comi bolinho de pistache, tortinha de chocolate, embutidos. Todos os dias comíamos altos queijos e baguetes em casa. Cozinhei em casa.

Mas além de tudo isso, andamos muito a pé e de metrô. Subimos infinitas escadas. 300 degraus no Arco do Triunfo, 700 na Torre Eiffel, milhares no metrô o dia inteiro.

E corri pelo canal Saint Martin, vários dias. Dez, onze quilômetros.

Eu vivi.

Não fiquei fazendo dieta, nem contando calorias, nem seguindo regras como 'dia de proteína pura', 'almoço de gala', 'tomar água de berinjela' ou coisas assim.

E depois de tudo, voltei pra casa, me pesei e... nada. Tudo igual. Não engordei nada. Zero.

Como? Por que? Porque eu realmente fiz reeducação alimentar. Vai fazer dois anos que estabilizei meu peso. Aliás, eu cheguei ao peso que eu queria em outubro de 2012 e, desde então, diminui mais uns 2 ou 3 quilos depois que comecei a correr. E agora estabilizou pra valar.

Eu aprendi a comer. Sem me privar e sem me fartar. Sem descontar problemas na comida, sem ser gulosa e também sem ser neurótica. Eu como bem e gasto bem. Escolho o que vou comer, me preparo, planejo minhas refeições. Seleciono até os excessos. Eu como de forma consciente, da mesma forma como faço quase tudo. Prestando atenção, optando.

E eu me movimento o tempo todo. O corpo foi feito pra se mexer. Morrer é ficar totalmente parado. Viver é movimentar-se.

Nunca pensei que fosse possível, mas é. Pra quase todo mundo, talvez pra todo mundo salvo exceções. Não é apenas 'força de vontade', mas de ter informação e compreensão de como a gente funciona. Do que é a vida, a energia, o alimento, do fluxo.

Acho que, finalmente, amadureci.

A partir do que me descobri, inventei uma vida para viver.
A vida que escolhi, a melhor que pude fazer de onde parti.
E, a cada dia, faço outras opções, questiono as escolhas que já fiz.
E assim vou.
Consciente.
Sempre em frente.
No flow.

<3

8 de agosto de 2014 às 14h22

As outras malas chegaaaaram!!

Ok, ok. sei que esto sendo mala e monotemática.
Mas queria atualizar a novelinha: as malas do meu filho e meu marido chegaram.

Entre as 300 malas que vieram de Roma para São Paulo, estavam as duas que faltavam.

Ontem à noite eu já estava na cama, deitada, de pijama, quando o interfone tocou. Pulei e vi que tinha um carro na frente do prédio com as malas!

Fui de pijama até a rua, peguei a minha mala e a da minha filha. Que alegria!

Hoje, voltando da FAAP depois de dar aula, vi um carregador com as duas malas que faltavam. Corri, agarrei as duas e trouxe-as pra casa.

Depois de tantas lições, acho que aprendi: coisas essenciais e queridas ficam na malinha de mão. Viajam COMIGO.

Agora, com licença, vou lá catar as coisas que eu tinha colocado na mala do maridão. icon smile As outras malas chegaaaaram!!

Twitter / rosana: As outras malaschegaaaaram!! ....

8 de agosto de 2014 às 08h49

O importante é a mala sobre todas as coisas

Se você acompanha o blog deve ter lido sobre minhas duas semanas de férias de aniversário, a viagem pela Alitalia e o sumiço das 4 malas da família. O posto completo está aqui. 

Pois bem, ontem, quando eu já estava na cama dormindo, o interfone tocou: era a minha mala voltando pra mim.

A minha mala e a da minha filha voltaram. A do meu marido e do meu filho ainda não. Mas já foram localizadas e devem voltar entre hoje e amanhã. Hopefully.

A imagem que não sai da minha cabeça é essa fila de pessoas que chegaram sem suas malas de Roma:

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Minha filha Anita Efraim tirou essa foto no aeroporto. 210 pessoa que chegaram sem algumas ou todas as malas. Numa fila imensa, bem cedinho, com dois funcionários atendendo, usando formulários copiados com Xerox e preenchidos com papel carbono. Carbono, lembra? Não é nenhum nome de aplicativo, é aquele papel que faz cópias por impressão manual à força.

Mas agora eu quero falar do processo para encontrar ar malas.

O funcionário que preencheu o famigerado PIR, o relatório de problemas com a bagagem, não me deu um código. O papel não tinha NADA, só dados nossos. Não tinha um número de protocolo nem nada. Pois deveria ter um código alfanumérico com 5 letras GRUAZ e 5 números.

Sem esse número eu não podia trackear as malas nem me referir ao documento de queixa. Eu tinha um PIR sem código, as 4 etiquetas das malas (que fotografei com o celular) e os documentos do voo. Mais nada.

No formulário, preenchi por minha conta, no verso, a descrição precisa de TODAS as malas.

DICA: SEMPRE fotografe sua mala, saiba seu modelo, identificação e tudo mais.

A partir dai eu fiquei ligando sem parar. Liguei para o telefone do SITE da Alitalia, que estava fora do ar, liguei para a empresa terceirizada do aeropoto de cumbica, a PROTEGE, liguei para a assessoria de imprensa da PROTEGE. FAlei com jornalistas. Liguei no 0800 da Alitalia, que me disse que tinha um telefone de emergência para este problema das malas.

Liguei na emergência, liguei pra Italia pelo Skype.

E ai eu comecei a conversar com o perfil da @alitalia_br no TWitter. Foi o que fez tudo dar certo.

A partir dai passei os tickets por imagem, o PIR, o problema e, depois de muitas tentativas, falei com duas moças MUITO gentis, Priscila e Patrícia, que me atenderam por telefone e me ouviram, me ajudaram. Localizaram as malas, ligaram pra minha casa. Com essas três pessoas, RAfael, Priscila e Patrícia, o problema teve solução. 180 malas foram embarcadas de Roma pra São Paulo com o final da greve branca dos carregadores.

Ontem, bem tarde da noite, uma Fiorino veio trazer duas das quatro malas. O motorista disse que tem gente que tinha 6 malas e só recebeu uma, mas que todas vão chegar.

Eu acho que com TANTOS aplicativos, o sistema de bagagem tem que ser modernizado!

Tudo tem que ter chip rastreável. Não é possível que pessoas em viagem, que afinal só tem as MALAS e seus conteúdos pra viver, fiquem sem elas! Contendo tudo, desde roupas, sapatos, maquiagem, a carregadores, remédios, acessórios. Até meus tokens de banco estavam na mala! Não pude nem mexer nas minhas contas bancárias (O Safra não tem token por SMS, ok? Bradesco e Itau, sim)

Enfim, chorei ao ver minha mala. Já guardei uma parte, botei o resto pra lavar.

Agora vou aguardar as malas do filho e do marido.

Espero que tudo acabe bem. E que o sistema todo seja mais inteligente.

Boa sorte a todos que estão na mesma situação.

Se você já viveu esse pesadelo, relate pra gente.

 

6 de agosto de 2014 às 15h09

Ganhei presenteeeeeeee!

Não tenho mala, mas o blog tem leitores queridos.

Cheguei em casa e encontrei um presente múltiplo: o querido leitor Paschoal Cioffi , comprou o livro do meu ídolo Ronnie Von, escrito por meus amigos queridíssimos Luiz Pimentel e Antônio Guerreiro!!!

 

Obrigada, Paschoal, vou devorar  livro!

 

livrodopaschoal1 640x480 Ganhei presenteeeeeeee!

6 de agosto de 2014 às 14h58

Cordei. Cadê mala?

Chegamos de viagem.
Infelizmente não podemos dizer o mesmo das nossas malas. Nenhuma das 4 malas chegou ao Brasil.
Status de momento: desespero.

Acompanhe a novelinha:

corridasaintmartin.jpg 640x500 Cordei. Cadê mala?

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Aproveitei para usar o 3G restante do pacote de dados comprado na SFR e o resto da bateria e acompanhei meu voo por um aplicativo. Estava tudo certo. Uma maravilha.

 

IMG 36551 360x640 Cordei. Cadê mala?

Estávamos tranquilos porque o voo Paris-Roma pela Alitalia, operado pela Air France sairia 18:25 e chegaria em Roma 2 horas e 5 minutos depois, ou seja, 20:30h. Nosso voo Roma-São Paulo, AZ 674 sairia às 22:00 horas. Ou seja, com a bagagem já despachada teríamos 1 hora e meia para chegar do terminal 1 para o 3 e voltar pra casa.

Eis que... minha filha olha o painel e vê o aviso: voo 327 atrasado. Saida prevista. 20:00 horas. Aí bateu o frio na barriga. 20 horas? Chegando às 22:00? Mas ai o avião Roma-Sao Paulo já teria partido! Todo mundo correu para o balcão da Air France. Uma mulher grossíssima despachava as pessoas desesperadas sem nenhuma compaixão. Pegamos uma mulher com um pouco mais de boa vontade, que ficou mais de 40 minutos ligando pra vários lugares sem resposta nenhuma. Finalmente ela nos deu o seguinte parecer:

- Todos os vôos em Roma estavam atrasados. Com o atraso do nosso, o voo seguinte também atrasaria. Então, teríamos a chance de tentar pegar o nosso voo e embarcar. Caso contrário, a Alitalia teria que pagar hotel e comida, dormiríamos em Roma e tentaríamos embarcar na 4a. (hoje) para o Brasil. Só tem UM voo Roma-São Paulo por dia na Alitalia. Ficamos aflitos, junto com dezenas de outras pessoas em situação semelhante. A mulher GARANTIU que as malas iriam nos seguir. Se embarcássemos, elas embarcariam. Se ficássemos em Roma, elas ficariam.

Olhei o aplicativo e, de fato, o voo AZ 674 Roma-SP, estava com 1 hora de atraso.
IMG 3658 360x640 Cordei. Cadê mala?

Fomos para a fila de embarque e... o atraso foi atrasando. O tempo foi encurtando e não sabíamos se conseguiríamos pegar o voo. Finalmente, o avião decolou às 20:40. Mas estava cheio de gente e gente dá problema. Gente lerda, gente brigando por assento, gente botando mala em cima do banco. Pra vc ter uma IDEIA da situação, o avião já estava taxiando e quase na PISTA de decolagem e tinha passageiro em pé discutindo.

Decolamos, o piloto acelerou e chegamos em Roma às 22: 35.  Tínhamos 25 minutos para sair da ULTIMA FILEIRA com o avião lotado de gente, passar pela imigração (fila), ir do terminal 1 para o 3, achar o portnao G5 e embarcar. Foi uma L-O-U-C-U-R-A. Descemos e saimos correndo. Correndo como não corri nem no Venus10K. O tempo previsto a pé era de 11 minutos de caminhada. Corremos, pegamos a fila, passamos pela imigração. Corremos, corremos e... tinhamos que pegar o maldito TREM. Pegamos o trenzinho interno, corremos, corremos e embarcamos faltando 5 minutos pras 23:00 horas.  E ai, o avião atrasou mais UMA HORA e ficamos sentados esperando até meia noite. Enfim, o avião decolou, foi tudo bem. Comemos, dormimos e cedinho, desembarcamos no novo terminal de Guarulhos. Achei LINDO. Enorme, com dezenas de novas esteiras.
IMG 36614 594x640 Cordei. Cadê mala?

 

Mas havia um porém. As malas eram poucas pra tanta gente esperando. Começamos a estranhar. Nenhuma mala chegava. Esperamos, esperamos e esperamos. Nós e todo mundo. As malas foram escasseando e pararam.


IMG 36621 480x640 Cordei. Cadê mala?

Eis que uma funcionária da Alitália grita algo como: as malas acabaram. 210 passageiros estão sem malas.

E foi aquela correria pro balcão de Malas Perdidas. Gente chorando, crianças de colo, estrangeiros com conexão pra outras cidades, empresários nervosos. Um CAOS. Milha filha tirou uma foto da fila que se formou.

BuWS1HmIcAAyUxl Cordei. Cadê mala?

Eram DOIS funcionários atendendo (obrigada pela paciência com todos, Emerson), usando PAPEL CARBONO para anotar as queixas de malas perdidas. Na fila, pelo Twitter, comecei a compreender o que estava acontecendo: GREVE de carregadores de mala da Alitalia. Gente do mundo todo que há 3, 4 dias está com as bagagens perdidas. VEja a situação:

 


 

Não comprei quase nada. Mas é o que LEVAMOS que é o problema. Meus remédios, toda minha maquiagem, meus pincéis, meus DOIS tênis de corrida, TODAS as minhas roupas de corrida, toda minha lingerie, todos os vestidos que levei mais os que comprei, minhas bijuterias, carregadores, bolsas. Enfim, TUDO o que levei, usei, comprei em 15 dias de viagem. Vezes QUATRO pessoas mais os presentes. Muito triste chegar sem nada.

Li agora que talvez a greve acabe. VAmos ter fé que todas as malas voltarão.

A parte boa? O que vivemos, o que aprendemos, o que sentimos, ninguém pode tirar da gente.
Foi muito legal.
Muito mesmo.

Agora é ter fé que as malas vão voltar.

E rir ao pensar no ditado 'há malas que vem pra Belém', como diria a Magda.

Bom dia!

UPDATE - ESPErança! Parece que a greve acabou.

Essas foram as duas fotos mais bacanas de ontem. O painel com "eu te amo" em 300 línguas em Montmartre e a vista da cidade do 56o andar da torre de Montparnasse, que os franceses odeiam por ser horrorosa, mas que proporciona uma vista majestosa de Paris.

Hoje ainda vamos passear. Amanhã é dia de começar a jornada de volta.

A meteorologia não acerta uma. Toda vez diz que vai chover e não chove. Carrego guarda chuva e capinha pra todo lado e nada. Ai a gente vai dormir e chove. Melhor assim.

Daqui a pouco vamos ao Quartier Latin, Sorbonne e Museu de Plantas.

Até logo mais. Ou melhor, a bientôt.

2 de agosto de 2014 às 17h18

Comida, roupa barata e coisas bonitas

A comida em Paris é muito boa. Até quando é uma coisa simples é boa. Uma salada pronta. Boa. Um pão com manteiga. Bom. E os doces? Socorro. É tanto doce lindo, tanta tortinha, bolo, tanto macaron, sorvete, chocolate. Cada pouco volto pro mercadinho pra ficar namorando prateleiras de queijos, defumados e embutidos, sabores diferentes. Por exemplo, o iogurte de figo. Não que seja uma maravilha, mas é um sabor novo. E bem bom.

Algumas vezes comemos fora, outras vezes faço alguma coisa pra comer aqui em 'casa' (é uma casa alugada, ok). Tem tudo. Os ingredientes são ótimos. Então, é só juntar, temperar e voilà, comida boa.

Além de tantas coisas interessantes pra provar, tem as liquidações. Não sou de muito comprar, mas hoje não resisti às ofertas de blusinhas básicas a DOIS euros na Forever21. Gente, DOIS EUROS. Sabe aquelas camisetinhas de usar por baixo de camisa, brancas, pretas, coloridas? Então, 2 euros e você leva. Também comprei blusinhas por 5 euros e coisas assim. Dá até raiva de lembrar que no Brasil a roupa é tão cara. É muito imposto, minha gente!

E tem as coisas bonitas de ver, os passeios, as pessoas do mundo todo, as línguas faladas. Viajar é bom porque você fica o tempo todo na rua, convivendo com seres humanos diversos. Tem o senhor cansado que fala sozinho, as moças lindas que parecem ser croatas, a criança que chupa pirulito no metrô, toda feliz porque a língua está azul. Tem a senhora magrinha e elegante lendo livro, o senhor na mesinha com seu jornal. Os músicos russos no metrô, a senhora estranha cantando no vagão com microfone e caixa de som.

E, ao mesmo tempo que você convive com tanta gente, você também se descobre, se testa. Se coloca em situações fora do seu dia a dia, pra ver como você mesma reage.

Adoro viajar. Mas, sabe, a partir de amanhã eu já começo a esperar com ansiedade a hora de voltar pra casa. Saudades da minha vida, das pessoas, de tudo.

É Paris. Mas como dizia Dorothy, there's no place like home.

 

30 de julho de 2014 às 18h59

Tour Gastronômico por Paris, ulálá!

Hoje foi um dia muito intenso e interessante. Começamos bem cedo, 7 da manhã, com uma corrida ao longo do canal Saint Martin. O canal é longo e bem agradável. Corri 10 km ao todo, 5 de ida e 5 de volta.

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Passei pelo parque La Vilette. Deu vontade de deitar na grama. Pelo que me contaram, é o Ibirapuera de Paris.

Terminada a corrida, voltei pra casa e tomei um café bem leve, porque o passeio da manhã era um Tour gastronômico por Paris, com a chef brasileira que mora em Paris, Karen Goldman, colunista do Conexão Paris.

Começamos o roteiro na Fauchon, degustando queijos e apreciando a beleza dos doces e aprendendo sobre sua história.

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Da Fauchon fomos para a Maison Maille, uma loja só de mostardas, que data de 1747. Ficamos impressionados com a degustação de mostardas. Compramos uma com mel que é simplesmente divina. 

Nunca imaginei que existiam tantos tipos diferentes.

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Da Maison Maille fomos para a Maison Prunier, o primeiro a descobrir que existiam esturjões na França. Sim, fomos degustar caviar e salmão defumado, numa câmara gelada. O caviar derrete na boca. O salmão Balik vem da Noruega e é defumado na Suiça.

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Findo o caviar, trufas. Sim, trufas brancas e negras, aquelas que custam 22 mil euros o quilo.

Degustamos azeite de trufas brancas e negras e compramos mostarda trufada. O retrogosto durou horas. Uma maravilha mesmo.

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A última etapa salgada foi numa charcuterie que eu simplesmente amei, Pierre Oteiza. A lojinha é pequena, mas o que provamos lá dentro era grandioso. Pato defumado com geleia de cebola, por exemplo, incrível. Queijos com geleia, embutidos, tudo estava realmente especial.

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E ai fomos comer os macarons do Perre Hermé. Olha, sei nem o que dizer.
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Pensa que acabou? Non , non, non.

Em seguida fomos provar a torta de chocolate amargo do Jean Paul Hevin, considerada uma das 100 melhores sobremesas do mundo.
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Simplesmente perfeita. Textura, equilibrio de doce, tudo. Obrigada, Monsieur Hévin.

Pra encerrar os doces fomos provar o Financier de Pistache.ÂEWxrZb5 Tour Gastronômico por Paris, ulálá!

Derrete na boca. Uma explosão de Pistache, da boulangerie Eric Kayser.

Terminamos o passeio com a Kusmi Tea (aromas indescritíveis!) e numa cave só de Baunilhas! E especiarias do mundo todo, Olivier Roellinger.

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Encerramos o passeio numa loja de panelas e produtos para cozinha, a A.Simon, onde comprei gabaritos para cortar ravioli.

E foi assim que passamos as mais saborosas 3 horas das nossas vidas! Muito obrigada, querida Karen Goldman, que deixei seu bebê de 1 mês e meio pela primeira vez para nos acompanhar. <3<3

Depois de tudo isso, fomos a Les Halles, voltamos para casa, saimos de novo, compramos chips para os celulares, saimos de novo e...fomos jantar no Chez Gladines, orientados pelo Fábio que mora aqui e é leitor do blog. o Chez Gladines serve comida basca francesa e fica perto do Quartier Latin. Aproveitamos para dar uma volta por Notre Dame, cruzar o Sena, tirar fotos.

Foi um looooongo dia gastronômico!

Amanhã acordo cedo porque tem mais correria!

beijos a todos,

obrigada pela companhia!

 

R.H.

 

 

 

 

 

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