Rosana Hermann

Eu gosto do Uruguay. Gosto do José Mujica. Gosto da seleção uruguaia. E, como boa ignorante em futebol,não conhecia o Suárez até a famigerada mordida no jogador italiano.

Eu achei a punição excessiva. Tem que punir, claro, mas não consigo entender que a FIFA tenha ingerência sobre o direito de ir e vir do jogador, a ponto de impedir que ele frequente estádios de futebol durante 4 meses. Quer dizer, a FIFA é DONA da vida futebolística dos jogadores? Me parece inconstitucional, antes de mais nada.

A pergunta é: por que a FIFA puniu de forma tão dura o jogador se na história das copas outras agressões de maior intensidade não sofreram a mesma condenação?

Primeiro porque mordidas não são frequentes no futebol. A não ser as que o próprio Suárez aplicou em duas ocasiões anteriores. Tudo o que parece 'novo' ou diferente, chama a atenção da mídia. E a mídia é o grande gatilho que deflagra as reações populares. Antes mesmo das imagens em vídeos que provaram a mordida (negada erroneamente pela defesa uruguaia) o povo já fazia montagens com o ocorrido. E, você sabe, cada vez que uma imagem é replicada, mais 'verdade' ela se torna.

O segundo motivo é que a FIFA quis compensar outros erros com esse. Sabe quando existe um déficit de justiça em geral, com pênalties marcados que não aconteceram ou vice-versa, falhas que precisam ser respondidas? Isso fez a FIFA. Tipo briga de relacionamento conjugal. Quanto tem pendências emocionais represadas, no primeiro motivo real que o outro dá o que se sente injustiçado pega todas as queixas acumuladas e vomita em cima do outro. Feio dizer, feio de fazer, frequente de acontecer.

Por último, a culpa é de todos nós, incluindo eu, você e o Suárez. Claro que foi ele que deflagrou tudo, mas a nossa sede de sempre ter um Cristo pra crucificar é impressionante. Com ou sem copa, com ou sem mordida, jogo, assunto, todo santo dia tem alguém sendo linchado nas redes sociais. Porque as pessoas PROCURAM anônimos que tenham feito coisas absurdas no FAcebook, sem parar. Todo dia, alguém vai lá e cavoca uma opinião errada, um preconceito horroroso, joga na roda e todo mundo malha. É um hobby, um esporte, uma distração no coliseu moderno.

Por que? Porque precisamos disso. Porque diariamente o ser humano muda, o mundo muda e queremos realinhar nossas crenças e opiniões, reafirmar nossos princípios ou buscar novos. E usamos tudo e todos para esse balizamente. Se é bom ou ruim, não tenho como provar, mas assim é.

No caso do Suárez o incômodo é grande porque a injustiça não foi proporcional ao ato dele, mas ao BARULHO que todos nós fizemos. E, nesse caso, os responsáveis por punição tão desproporcional é nossa também.

Sempre sofro com injustiças em geral, mas as injustiças desproporcionais doem ainda mais. No limite, a maior dor que pode existir é a punição de um inocente. Suárez não é inocente, mas foi o culpado útil da vez.

O próprio mordido, Chiellini, acha que a punição foi excessiva, gente!

A gente tem que ter medo é das mordidas da FIFA, que arrancam pedaços da nossa liberdade.

Desse jeito, em breve, a FIFA vai arbitrar até em brigas de casal.
Vai vendo.

PS - O Trauma? Eu mordi minha irmã quando tinha dois anos. Fiquei quatro meses sem mingau de maizena e fui obrigada a ficar fora da caixa de areia pra brincar por quatro meses...

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25 de junho de 2014 às 08h13

Faxina por dentro e por fora

Quando estou bem, feliz, faço faxina e mudo tudo de lugar. Foi o que fiz no útimo jogo do Brasil com Camarões. Logo cedo, depois das atividades físicas, olhei pro meu lugar de trabalho aqui em casa e vi que a bagunça tinha tomado conta de tudo.

Gosto de criar meio ao caos, mas tem limite pra tudo. E o limite estava me dando oi todos os dias.

Baixou o caboclo arrumador e eu comecei a limpeza.

Pra você ter ideia da profundidade da faxina, fui até o nível caneta bic, testando todas as pontas e jogando fora as que não passavam no teste do rabisco.

Comecei separando tudo por categorias. Papel, eletrônicos, cosméticos, material de escritório, tudo em caixas ou sacolas. Fui tirando tudo do lugar e separando. Rearranjei livros, documentos e resolvi mudar todos os fios de lugar. TV, PC, Mac, gadgets, mesa de trabalho, tudo. Enquanto limpava ia jogando coisas no lixo. Foram sacos e sacos de lixo, cheios de caixas vazias, embalagens, contas antigas. Temo ter jogado coisas importantes fora, mas se vivi sem elas até aqui, dane-se.

Tirei pó, lavei, limpei, uma coisa interminável. Parei pra comer alguma coisa e voltei. Lavei as mãos uma 40 vezes, sem brincadeira.

Assisti o jogo durante a faxina. Meu marido entrou no escritório, olhou e perguntou indignado:

- O que aconteceu?!?!

- Faxina.

- Boa sorte.

A coisa foi indo, indo. Anoiteceu e eu continua arrumando as coisas, porque ai virou ponto de honra deixar tudo lindo e mais próximo possível da perfeição, o que incluia consertar coisas, pregar pregos, trocar lâmpadas. O problema era a distração. De repente eu achava alguma coisa interessante e parava tudo pra ler, ver, rever.

Acho que terminei tudo lá pelas 11 da noite, depois de várias tentativas estéticas de achar o lugar certo para os cabos, carregadores, capinhas de celular.

E então resolvi organizar todos os meus novelos de lã. Olha, não acabava nunca!

Mas eu venci o caos, temporariamente, já que a entropia está ai pra provar que ela sempre se aprimora e eu não.

Dividi o escritório em duas partes, digital e analógica. Na digital, bem, ficam todos os gadgets. Na mesa ao lado, papel, canetas e tudo o que pertence ao mundo analógico. O macbook fica solto para transitar entre os dois mundos.

Ontem comprei algumas caixas plásticas para organizar os novelos de lã e linha por cor. Ainda não terminei essa parte.

Mas estou muito feliz. Vou começar uma nova fase da minha vida assim, totalmente arrumada, com a casa linda.

Tão bom mudar.

Muda Brasil!

Muda querido leitor!

 

 

 

23 de junho de 2014 às 08h21

Por que amamos gatos na Internet?

l2LoeDX Por que amamos gatos na Internet?

O vídeo é curto, mal explica alguma coisa.
Mas duas coisas fazem sentido pra mim, explicando gatos e Internet. Primeiro porque cachorro a gente tem que levar pra passear no mundo 3D, lá fora. Gato, não. Assim, no espaço da Internet, gatos fazem mais sentido. Eles estão com a gente nesse mundo que não precisa ir 'lá fora', um mundo fechado em si mesmo, o mundo do lugar onde você estiver, seja em casa ou em qualquer ambiente, porém 'fechado na sua tela conectada'.

Segundo, pra mim, é que o gato tem esse 'layer' místico que o cachorro não tem, as "sete vidas". Que ser humano não queria ter 7 vidas pra viver? Talvez por isso, a gente se projete e fale através deles, das expressões deles. A gente queria ser gato. Livre, elegante, independente, lindo, flexível, expressivo.

Gatos representam nosso mundo ideal e nossa ilusão.

Miau.

When the mooooooon is in the seventh house and Jupiter aligns with Mars...

Sei quase todas as letras do musical Hair e simplesmente amo o tema Aquarius. Infelizmente sou muito tonta e não sei direito o que é a Era de Aquário. Vou Googlar qualquer hora dessas pra saber. Só sei que a gente está esperando há eras.

Bota Era de Aquário on hold e vamos abrir o arquivo Nova Ordem Mundial.

Novamente, sou uma mula. Porque também não sei direito o que significa Nova Ordem Mundial. Minha relação mais verdadeira com ela é a canção do Caetano Veloso, aquela que diz que alguma coisa esta fora da coisa. Quando eu for googlar por Era de Aquário vou dar um rolê por Nova Ordem Mundial.

Magicamente porém, juntando duas coisas que eu não entendo, sai uma terceira coisa como resultado dessa adição química: o momento da mudança já começou. E está bombando nessa Copa do Mundo.

Gana jogando com a Alemanha. Pfff. Alemanha ganha, claro.

Claro? Não sei se ganha ou não porque estou vendo o jogo enquanto escrevo esse post. Mas essa clareza suposta apenas não existe. Ou não existe mais. O time de Gana não teme a Alemanha em campo. A Alemanha pode ser o que ela quiser, o que tiver sido, o que vier a ser em vários quesito. Mas quem disse que no Futebol a querida Deutschland não pode perder para Gana, por exemplo?

E Argentina e Iran? Bom, dadas as circunstâncias atuais do país, não vou torcer pro Iran de jeito nenhum. Mas olha que não foi fácil o Messi chegar naquele gol, hein? E quem esperava isso? Poucos.

O que eu quero dizer é que muita gente deve estar errando o bolão da firrrrrrma. Queria muito saber as estatísticas, ter acesso a uma gama de dados para poder analisar o que estou intuindo. Acho que vai ter bolão sem ganhador em 2014. Porque são muitos resultados inesperados até aqui. E se é inesperado, óbvio, é porque ninguém espera. E se ninguém espera que algo aconteça é porque a maioria acha que o que elas imaginam (que, em geral, corresponde a forma como as coisas 'sempre foram' no passado), acontecerá. E aí a realidade se mostra e deixa claro que não é ela que está errada, ela apenas é. Nós é que não estamos enxergando-a direito. E, se não enxergamos a realidade, não é por falta de capacidade visual e sim, por medo de encará-la. E por que temos medo de encarar a realidade? Porque temos medo que ela não corresponda ao que a gente ESPERA ver!

A Copa do Mundo não permite que a pessoa não veja. A gente tem que ver. A copa, os jogos, os lances são todos exibidos, reexibidos, mostrados em slow, decupado em detalhes. A realidade é a grande vitoriosa do Copa do Mundo. Ela vai lá e se esfrega na cara de milhões, ao vivo, com transmissão mundial. Dane-se seu bolão, seu palpite, o que você achava que deveria acontecer, a justiça ou injustiça que você decretou. A realidade é essa. Aceita que dói menos.

A Era de Aquário, seja lá o que for exatamente, encontrou a Nova Ordem Mundial, pegaram uma bola e resolveram entrar em campo.

Tudo está mudando. Tudo sempre esteve. Tudo sempre estará.

Mas agora temos a chance de ver isso.

Temos a chance, as ferramentas, a linda oportunidade.

Muita gente vai ter medo de ver, de encarar. Outros, felizardos, aceitam na hora e já sabem brincando, batendo bola pra gol.

Viver é mudar constantemente.

Não é só o conceito de sociedade que é líquida, elegantemente descrita pelo querido Zygmunt Bauman,  tudo flui. Repito: t u d o   é  f l u i d o. Tempo E espaço.

Por isso amo tanto o Twitter. Ele é um rio quântico, feito de tweets discretos. Que passa. Que fui sem parar.

E nessa realidade fluida a gente tem que aprender a nadar, mergulhar, boiar para poder sobreviver.

A Copa do Mundo é nossa. Nossa grande chance de conhecer a realidade atual, absorvê-la e seguir adiante com a bola, pronto pra marcar muitos gols.

 

Olé.

Dizem que ACME é um acrônimo para

"A Company Manufacturing Everything".

Mas é mentira.

De acordo com o site que registrou o domínio acme.com , ACME seria uma das marcas in-house da rede americana Sears-Roebuck.

 

Prova disso é um anúncio publicitário de 1902, do catálogo da Sears, que vendia uma BIGORNA da marca ACME.

 

EQJH7dN Sabe aquela sigla genérica para qualquer empresa de desenho, a ACME?

Segundo o mesmo site a Warner Brothers teria usado o nome da marca da Sears e usado como a empresa que entregava produtos via correio nos cartoons do Coyote. (  Wile E. Coyote )

 

Ainda se usa ACME em algum lugar ou isso ficou no passado?

17 de junho de 2014 às 14h05

Eu sei o que você vai ser quando crescer

Um dos clichês mais usados quando se fala em nutrição é o famigerado "você é o que você come".

1403024084 622d385b 1c59 Eu sei o que você vai ser quando crescer

Tem um fundo de lógica, já que boa parte de tudo o que você ingere vira ''você", fisicamente falando. Mas, claro, não se pode descartar toda a carga genética e influência do seu meio ambiente na determinação do que você é e será. Dois bebes gêmeos que são separados e adotados por famílias diferentes, em ambientes totalmente diversos como uma tribo de aborígenes na Austrália, uma família de aristocratas  protestantes ingleses, um mosteiro de monges budistas no Tibete ou uma família de muçulmanos ricos do Oriente Médio, terão muito em comum em termos biológicos, mas podem se tornar diametralmente opostos em termos de religião, ideologia, cultura, gostos pessoais.

De uma forma muito mais geral do que apenas o alimento do corpo, podemos dizer que você é o que você consome. No sentido mais amplo. A cultura que você consome, a comida que você come, o ar que você respira.

1403024373 3fc31e0e 240e Eu sei o que você vai ser quando crescer

 

Mas o que você consome também pode mudar em diferentes momentos da sua vida. O que fica de verdade, o que vai moldar você, é o que você REPETE. O que se torna hábito. É aquilo que vai atravessar as décadas com você e vai definir o que você vai ser.

O que aprendi é que não é apenas o que você é, de onde veio, de onde saiu, mas o que você se TORNA. E você  se TORNA  O QUE VOCE PRATICA.

Se você pratica esportes, você vai ser atlético. Vai pensar e viver como um atleta. Se você pratica filantropia, você vai ser uma pessoa que ajuda os outros. Sempre. Se você pratica religião de forma dedicada, você vai ser uma pessoa religiosa em primeiro lugar. É a prática, aquilo que você faz sempre, que vai definir você.

 
1403024529 6e446896 73ec Eu sei o que você vai ser quando crescer

E é por isso que acho tão assustador vem o comportamento de uma parte da população nas redes sociais. Pessoas que praticam o linchamento estão se tornando linchadores. Pessoas que praticam o ódio diariamente tornam-se haters. Pessoas que praticam a solidariedade, por outro lado, tornam-se solidários.

Pense.

Você se TORNA o que você PRATICA.

E, como a prática leva a perfeição, quem pratica idiotice vai se tornar, um dia, um perfeito idiota.

 

 

 

 

17 de junho de 2014 às 13h44

Uma meta: deixar de ser besta

Quando eu era besta eu achava que a coisa mais bacana do mundo era ser original.

Eu criava coisas, pensava coisas e achava que estava produzindo algo realmente sem precedentes na história da humanidade.

Aí eu pesquisava e descobria que outras pessoas já tinham feito a mesma coisa em outros tempos e outros lugares. E ficava puta da vida ao descobrir que eu não era a única.

E então eu comecei a fazer terapia para tentar ser uma pessoa melhor. E deixar de ser besta.

Continuei pensando e criando e fazendo coisas. Exatamente da mesma forma. Mas com uma atitude totalmente diferente.

Agora, quando eu faço alguma coisa que eu acho legal, interessante, busco e vejo que muita gente já fez também, eu fico feliz porque sei que não estou sozinha. Que tenho colegas humanos que pensam e criam exatamente como eu.

Quando eu era besta eu achava que as ideias saiam da minha cabeça para o mundo.

Daí comecei a deixar de ser tão besta (ainda sou) e aprendi que, por ser um ser humano legal, as ideias do mundo me procuram, visitam minha cabeça.

Deixar de ser besta. Não é uma ideia original, mas é, de fato, a única opção que melhora o mundo.

 

 

17 de junho de 2014 às 00h17

Schumacher e a interpretação das notícias

Seria maravilhoso que tudo fosse simples. Mas não é.

Hoje, muita gente no Twitter comentava que `Schumacher acordou do coma e foi para outro hospital' como se ele tivesse levantado, dando tchau e sorrindo para a galera.

As fotos de Schumacher tal qual ele era antes do acidente também induzem as pessoas a essa conclusão.

Ele não saiu do coma e levantou, como nas novelas ou nos filmes. Ele foi retirado do coma induzido, do estado gravíssimo em que se encontrava, deu sinal de alguns momentos de consciência e deu resposta a certos estímulos. O processo de reabilitação será longo, talvez leve anos. Não se sabe se ele vai se recuperar 100%.  A transferência ocorre em busca de mais privacidade.

No hospital onde Schumacher estava duas pessoas tentaram tirar fotos dele (para vendê-las?).

Schumacher não está mais respirando por aparelhos e responde a estímulos de vozes e percebe o 'ambiente'. Mas daí a interpretar as notícias no Brasil como uma recuperação mágica há um longo caminho.

Vamos torcer muito por ele. Mas sem confundir realidade com sonho. Ele saiu do coma, o que é uma maravilha, um grande passo num longo caminho.

 

Eu gosto de correr. Sempre gostei. Me alegro com a liberdade, o vento, a sensação boa de vigor físico e me entretenho com os gadgets modernos que traqueiam o exercício.

Por exemplo. Minha corrida mudou depois que passei a ver o mapinha do trajeto.

De repente, me ocorreu que eu sou a corredora e sou também a "ponta" do lápis de cor virtual que desenha o percurso.

Minha mente voa como um drone, vendo de cima meu corpo correndo pelas linhas.

E foi assim que ontem, bem cedo, tentei fazer um presente para o Isaac, um presente para o dia dos namorados (hoje).

Eu precisava de um lugar aberto, uma área grande, pra correr "desenhando".

Achei que o melhor lugar seria na frente do estádio do Pacaembu, mas teria que ser um dia SEM feira livre.

Ontem fui até lá e corri tentando desenhar. Não deu pra fazer perfeitamente porque tem uns canteiros altos no meio do estacionamento.

Fiz o que pude.

Depois tirei o print do percurso, flipei e... ficou assim.

Feliz Dia dos Namorados para todos os que estão apaixonados pela vida, pela saúde, pela prática esportiva.

 

photo1 1 360x640 Como fazer um presente para o dia dos namorados durante a corrida na rua

Percurso em frente ao Pacaembu .

corricoracao.jpg 360x640 Como fazer um presente para o dia dos namorados durante a corrida na rua

A imagem devidamente flipada para ver o coração que corri para o Isaac <3

 

PS - o Isaac adorou o coração corrido

10 de junho de 2014 às 17h01

A copa das unhas decoradas

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