Rosana Hermann

É só clicar e assistir. Não perca  essa parte:

"Fui puta, morei no sem terra, caguei muito na latinha, passei fome. Eu sou do cu riscado." Mulher incrível. http://www.youtube.com/watch?v=UHJmUPeDYdg#t=870

16 de janeiro de 2014 às 13h09

Rolezinho e a paixão geral por palavras novas

Mensal todo mundo sabe que é referente a 'mês'. Mas depois que inventaram o termo mensalão a mídia nunca mais parou de falar no assunto. A política, aliás, sempre traz termos novos que são usados à exaustão, como foi o caso também de 'dosimetria' associada à definição das penas dos condenados do mensalão.

O mundo do fitness também tem suas modinhas e novos termos, como barriga negativa, bikini bridge e outros quetais. É só parar dois minutos que você certamente vai lembrar de mais meia dúzia.

Há alguns anos surgiu o conceito de 'bullying' que virou tão genérico que perdeu a força contida em seu sentido original. Parou-se de discutir o problema real do bullying para fazer piadas com bule e justificar qualquer coisa como bulén. Uma pena quando isso acontece. Mas acontece.

Agora a palavra nova do momento é rolezinho. Sim, rolê existe há muito tempo, sinônimo de voltinha, passeio, giro por aí. Mas o rolezinho é novo. E desde o final do ano passado não se fala em outra coisa.

O rolezinho tem todos os ingredientes para ser sucesso midiático. Envolve assuntos quentes  como redes sociais, jovens, sociedade de consumo, luta de classe, direito de ir e vir, a linha entre o público e o privado, etc.

Minha opinião pouco importa no contexto geral, nenhum rolezinho vai acontecer ou deixar de acontecer por conta do que eu penso. Mas, como estou no meu blog e tenho pensado sobre o assunto, aproveito a carona do post sobre palavras novas e o acontecimento.

Sou uma ignorante no assunto. Não sei se o rolezinho começou por acaso ou se foi uma ação ideológica planejada. Não sei se existe algum grupo com alguma intenção ou se é são só pessoas que usam suas redes pra marcar uma visita a um shopping, realmente não sei. Já ouvi muito especialista, teórico, estudioso pitacando sobre o tema, dizendo que são 'jovens que cultuam o modo de vida da ostentação buscando os templos da ostentação'. Cada um teoriza da forma que melhor lhe convier.  Na minha visão o rolezinho é só mais uma manifestação coletiva do novo deus social, o consumo de luxo.

Hoje, todo mundo quer ser rico, bonito e famoso. Porque ser rico tem valor financeiro, ser bonito tem valor sexual e ser famoso tem valor social. A sociedade que somos valoriza isso.

Ninguém quer ser sábio, ninguém quer ser culto. Nunca vi uma massa de pessoas lutando pelo direito de estudar mais e melhor. Talvez porque não tenhamos as coisas básicas como transporte e saúde, não sei.  Só sei que hoje o maior valor é o da aparência. Se não der pra ser bonito, parecer que é bonito serve. Se não ser pra ser rico, parecer que é rico pela ostentação de peças caras também serve. Já em relação a cultura ninguém quer nada, porque nós, como sociedade não valorizamos o conhecimento. Provavelmente porque o conhecimento não é visível e vivemos a era da imagem. Só o que parece e aparece é que conta.

O rolezinho é um fato. E é um fato importante porque questiona muita coisa na nossa vida. Acho importante questionar, acho importante discutir a ocupação dos espaços, acho essencial conhecer os nossos direitos. A polícia não pode reprimir um grupo pacífico só porque resolveu ocupar um local de forma simultânea e coletiva. Agora é possível, agora se faz.

O problema, na minha opinião, é quando a palavra é usada de forma tão intensa que descola de seu sentido original. A gente fica com aquela sensação de que sabe porque ouviu muito, mesmo sem nada saber. Daí você cola um 'sou contra, sou a favor' no termo e fim de caso. Encerramos a questão sem tê-la sequer compreendido.

Pra mim faz todo sentido que jovens questionem tudo, ocupem, discutam, causem mobilizações. É o job description de quem tem menos de 20 anos, empurrar limites mesmo.

Se os jovens querem ter bermudas de mil reais, se precisam afirmar a existência por bonés americanos, é decisão deles. Nâo tenho nada com isso. Sempre vou lamentar que o consumo seja mais importante que o conhecimento e que uma nádega valha mais que um hemisfério cerebral, mas lutarei sempre para que cada um faça as coisas do jeito que achar melhor, sem repressão.

No fundo, desde que o mundo é mundo todo mundo que é jovem só quer uma coisa: sexo. E se hoje, pra conseguir sexo é preciso ostentar roupas de marca, correntes de ouro, fama e poder, serão esses os meios que o humano jovem buscará. Pergunte pra qualquer rapaz de 18 anos se ele prefere uma bolsa pra fazer mestrado ou comer todas as gostosas da vizinhança. A gente busca os meios pra conseguir o que quer, pra realizar nossos desejos.

E, olha, se um dia a poesia esteve em alta, provavelmente era porque com poesia dava pra comer mais gente.

Se rolezinho dá moral, se ostentação tem valor,  mais rolezinhos vão acontecer.

Se forem pacíficos, que venham.

 

 

 

 

16 de janeiro de 2014 às 08h01

Janeiro, seu lindo

Não era a a lua, mas era o mar da tranquilidade. A praia em Barra do Una foi um presente, uma dádiva nesses dias finais de 2013 e primeiras semanas de 2014.  Uma piscina transparente, uma gelatina de limão pra todo mundo brincar. A casa estava cheia, o coração totalmente feliz. Passei dias vivendo tudo aquilo que a gente deseja pros outros na passagem de ano, com saúde, paz, amor.

Desde o natal do ano passado estou correndo todos os dias. 10 km por dia, às vezes um pouquinho mais. Hoje, retomo a corrida nas ruas de São Paulo, vamos ver como vou me sair sem a paisagem praiana e com a tensão das ruas.

Além das coisas de fiz, como ler, cozinhar, cuidar da casa, correr, fazer tricô, andar de bicicleta, nadar e tomar sol, esses primeiros dias também foram marcados pelo que não fiz.  Não postei no Facebook, quase não escrevi aqui no blog, tweetei pouquíssimos, postou raras fotos no Instagram, não comecei a ver Big Brother.

Agora voltei pra São Paulo, para o trabalho e estou pronta para retomar aquele ritmo puxado. Pra me preparar fisicamente vou sair pra correr agora.

Ainda tem muita coisa pra viver até o dia 31, mas passada a primeira metade do primeiro mês do ano novo, acho que já posso agradecer e dizer:

- Janeiro, seu lindo!

Muito obrigada pela vida até aqui.
E vamos pra correria.

 

9 de janeiro de 2014 às 17h52

A mulher do doodle do Google

Hoje, quando entrei no Google, vi um doodle da Simone de Beauvoir. Cliquei e descobri que a data comemorava 106 anos de nascimento da escritora. Curiosamente quando fui pegar o screenshot da página neste momento ele não estava mais, pelo menos não no google.com . Tive que ir para o google.fr para encontrar Simone novamente. Ei-la:

simone 640x430 A mulher do doodle do Google

E ai eu me perguntei: será que as pessoas conhecem Simone de Beauvoir? Já leram? Ouviram falar? Sabem de sua parceria de vida com Sartre? E, como o Google indexa tudo, fui procurar  resposta no Google Trends. E não deu outra, Simone está em quinto lugar entre os termos mais pesquisados no Brasil. 

quemesimone A mulher do doodle do Google

Achei isso muito legal. Porque mostra o quanto a curiosidade serve de estímulo para o conhecimento. E como a influência do Google é grande e, com isso, pode gerar interesse em novas informações. A pessoa vê a figura, não decodifica, não sabe de quem se trata, mas percebe que deve ser alguém importante, a ponto de ter sido homenageada. Imediatamente vai procurar no Google (se bem que é só clicar no doodle q a pesquisa já está hyperlinkada).

Agora, o que eu não entendi é como LOTOFACIL está em primeiro lugar no Google Trends. Ontem era CORREIOS. Perguntei no TWitter e todo mundo me disse que eram consumidores trackeando pacotes de natal. Mas... lotofacil? Em primeiro lugar nas pesquisas do Google no Brasil?

Isso, nem Simone de Beauvoir explica.

9 de janeiro de 2014 às 08h26

Braggie, o Instagram Ostentação

Braggie vem do verbo to brag, gabar-se, exibir-se, mostrar que está em lugares bacanas e tem coisas finas. Porque não basta se expor fazendo bico de pato no espelho, é preciso causar inveja nos outros!
A pesquisa foi feita pela hotels.com no Reino Unido.

31 de dezembro de 2013 às 10h18

2013, o ano que não entendemos nada

Nunca fiquei uma semana sem postar. Olhei agora o último post datado de 25 de dezembro e me surpreendi. Mas talvez não devesse, porque é a reta final de um ano que foi mesmo diferente de tudo. Não ouso reclamar de nada, porque não tenho motivos. Mas foi um ano difícil de entender, como aquelas matérias de escola que a gente não compreender,mas copia e decora pra passar de ano. Hoje, vamos todos passar de ano assim.

Viajei muito, foi uma benção. Sempre foi um sonho da minha vida poder viajar. Agradeço tanto por essas oportunidades, um verdadeiro tesouro pra mim.

Parte das viagens foi por causa de trabalho, mas outras foram pra ver minha filha Anita, que passou um ano em Israel. Faltam 7 dias para ela voltar. Imagine a alegria com que vamos recebê-la nesse começo de 2014, o ano que trouxe nossa filha de volta, madura e mudada. Ainda mais linda, humana e amada.

O trabalho também foi diferente. Uma mistura de altos e baixos, de conquistas e perdas, de presenças e ausências, mas todas conscientes e vividas. Até os problemas foram importantes porque não foram contornados, mas atravessados. Por várias vezes me senti honrada, recebendo aquele reconhecimento pelo qual se espera a vida inteira. Ser jurada do Prêmio Jabuti pela primeira vez, em 3 categorias, despedir-me dos 5 anos como jurada do Prêmio The Bobs da Deutsche Welle, que me levava todo ano para Berlin, ser convidada para uma palestra de uma agência das Nações Unidas em Estoril, ter feito parte do sucesso do Vai Que Cola, as incontáveis semanas ao lado do Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News, a amizade e o clima de brincadeira das manhãs no Hoje em Dia com Cris, Zuca, Edu, ao lado de Fábio, Miguel e Lelê, as conversas estratosféricas e criativas com Guerreiro.

Fiz muitos cursos online, li bastante, assisti Breaking Bad.

Há tanto para lembrar e agradecer, mas um dos momentos mais marcantes foi certamente reencontrar minha amiga Virginia, em Veneza, depois de 40 anos, que me mostrou que a vida é uma longa história, cujo roteiro só termina quando paramos de respirar. Enquanto há vida, há mudança.

De tudo porém, dos momentos com a família e os amigos, das coisas que aprendi e vivi, a mais importante aconteceu num plano mágico, fora do cotidiano que postamos no Instagram ou descrevemos em posts.

Foi numa fonte.

No centro da cidade medieval e murada de San Geminiano, joguei todas as moedas que tinha e fiz um desejo. Não para mim, mas para nossos filhos. Pedi que o universo desse a cada um a oportunidade de encontrar um amor.Porque o amor é o que realmente justifica nossa passagem por aqui. Desejei mais vida para minha mãe, porque estar saudável aos 81 é amor também.

E, pouco tempo depois, todos os desejos se realizaram. Todos estão em estado de amor, acasalados, felizes e atravessarão o ano, cada um em um lugar, com o coração pulsante de paixão.

Agora, falta só desejar, à meia-noite, que o amor aconteça para todos nesse mundo.

Feliz ano novo.
Obrigada por 2013.
Se aprendemos e vivemos tanto neste ano de manifestações, imagina na Copa.

icon smile 2013, o ano que não entendemos nada

25 de dezembro de 2013 às 10h34

Blog na era da rede social e um Feliz Natal

Estou em Águas de São Pedro. Escrevo esse post no conjunto iPad velho + teclado The Brydge que ajudei a financiar pelo Kickstarter.  Estou sentada no lugar tradicionalmente do Isaac à mesa de almoço. A visão que tenho é a do carro estacionado lá fora esperando a hora de voltar para São Paulo.  Não faz sol, ao contrário, está garoando bem fininho e é dia de Natal. Esse intervalo de tempo em que escrevo este parágrafo é um patrocínio do arroz com restos de peru que estou cozinhando para os cachorros. Daqui posso ouvir o barulho da água fervendo. E tudo isso que conto aqui só é possível ser contado porque estou num blog.

Sim, se eu fatiasse o texto em cubinhos eu poderia tuitá-lo. E se eu quisesse ficar presente enquanto as pessoas comentassem, quase que supervisionando a reação dos leitores em tempo real, eu poderia também escrever no Facebook.

Mas estou no Querido Leitor, hospedado no R7.com e  publicado pela plataforma WordPress. E o tempo o blog é o tempo de quem escreve, levando em conta o tempo de quem lê, tudo sem pressa e com a intimidade que esta relação oferece, a de duas pessoas que se comunicam. Sem grupos interagindo, sem conversar paralelas. Um diálogo.

As rede sociais são incríveis, acontecimentos que alteraram as relações entre pessoas físicas e jurídicas. Mas é broadcast,  intenso, barulhento e veloz. O blog, não. O blog ainda é uma conversa que faz a gente pensar, que ainda leva em conta pequenos processos como ouvir antes de falar e pensar antes de responder. Ainda gosto do blog e se não tenho postado tanto é muito mais pela confusão pessoal de uma vida complexa do que pelo sentimento que tenho por este tipo de comunicação.

Nos últimmos anos muitos blogs passaram a fazer o papel de colunas de opinião, comentaristas falando de acontecimentos da mídia. Alguma coisa intensa acontece, todo mundo corre pra postar. A diferença é que agora não apenas coomentamos as notícias da TV e portais, mas fatos das nossas próprias redes sociais. Ainda assimm, são ondas de opinião.

Há também os blogs de notinhas. São canapés apimentados que ora trazem novidades, ora alfinetam pessoas, ora fofocam. Todos têm grande repercussão pois terceirizam a culpa das coisas que queremos saber, mas cuja autoria (e processos) preferimos deixar para outros.

E há os blogs de resistência, que seguem suas vidas literárias, técnicas, generalistas, didáticas, cumprindo missões, defedendo causas ou apenas compartilhando vivências.

E assim o Querido Leitor completou 13 anos em dezembro. Vivendo um ano sabático que se encerra em uma semana. É hora de recomeçar, renascer, com a calma recuperada e os aprendizados um ano de muita mudança, viagens, percepções.

Pela companhia nessa jornada, meu muito obrigada.

Há vida e luz lá fora.
Vamos nos iluminar.

19 de dezembro de 2013 às 21h52

Receita de macarons de um jeito diferente

Chego em casa e encontro um presente da Deezer na minha mesa.  Tiro o papel abro a caixa e...

E aí eu fui procurar a receita no YouTube e achei lindo esse jeito de mostrar como fazer sem ninguém falando nada, só com vídeo bem editado e lettering.

Que coisa delicada e saborosa.
E criativa.
Porque os macarons empilhados são justamente o logo da Deezer, né.

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