A oferta parece boa. Um milhão de dólares para Hugh Hefner, o chefão da Playboy, aparecer no Carnaval Brasileiro. A tradução é: no camarote da cerveja Devassa, que o apelidou de "Mestre da Pegação".
O suspense durou pouco. Muita gente logo descobriu que seria ele.
Seria. Porque não será mais. Alegando motivos de saúde ( compreensível, ele tem 85 anos ) Hefner cancelou sua viagem ao Brasil. Vai mandar o filho, Cooper Hefner (deposite sua piada com Cooper feito aqui, grata).
Ricardo Teixeira deve cair em breve. Talvez hoje, no início do carnaval. Seria uma folia. O texto de Cosme Rímoli em seu blog explica tudo. Dá vergonha. Por tudo mesmo. Não sou de comentar futebol, assunto que desconheço profundamente, nem casos como o de Ricardo Teixeira. Mas dessa vez a coisa chegou num plano que até eu consigo entender.
Internet e a mudança de comportamento.
Muitas relações interpessoais que ficariam num âmbito privado, familiar, agora são jogadas para discussão pública. É a nova ágora.
Pensa numa banda que surgiu do nada e fez MUITO sucesso. Que viralizou. Certo, a Banda mais bonita da cidade, de Curitiba, que tomou a Internet de assalto com o vídeo da música 'Oração', feito em plano sequência que subiu pro YouTube em 17 de maio de 2011. No dia 29 de maio eles estavam no Fantástico.
Veja o pico de sucesso nas buscas do Google pelo nome da banda no Google Trends.
O primeiro resultado é do Paraná. Um pico em maio, uma curva que cai ao longo dos meses.
Agora pense numa garota que foi comentário geral na Internet. Digite Luiza Canadá no Google Trends. Veja o gráfico nos últimos 30 dias.
Primeiro lugar, Paraíba. Luiza é de João Pessoa. Aconteceu mais ou menos no dia 11 de janeiro. Veja o gráfico. Um pico e... a curva cai.
Pense em outros memes.
Rebecca Black com Friday.
Pôneis malditos
Não vou ficar aqui colando gráficos pra sempre. O fato é que cada meme, cada viral é um pulso. Como um raio que cai, como uma notícia nova, como quase tudo na vida. É uma onda que se ergue no ar. Vem do nada e, para o nada, volta. De vez em quando vem alguém e ressuscita a coisa. Mas, em geral, é assim. Um pico, pulso. Depois não fica mais nada. Não é um sucesso construído, uma coisa duradoura. É só por um momento. E depois, passa.
A mídia vive de procurar picos assim, as novidades de momento, as modinhas. Talvez o povo tenha absorvido isso da mídia, talvez sempre tenha sido assim. Mas, é importante lembrar que não é preciso dar tanta importância pras coisas. Nem se irritar vale a pena. Deixa passar. É só aprender a esperar.
Taí uma coisa difícil.
Esse seria o perfil no Facebook de um cara chamado Tomy Jordan.
Esse suposto pai, de Albemarle, NC, teria ficado chateado ("Chatiado", na linguagem web) com um post de sua filha Hannah, de 15 anos, publicado no FB. Ele então fez o seguinte: gravou um vídeo falando do caso, lendo o post da filha no Facebook e atirando com sua arma num laptop e subiu pro YouTube. Isso foi na 4a. feira passada (uma semana hoje). O vídeo já tem 24 milhões de views. Viralizou loucamente.
Como todo mundo avisa, aviso também que "o vídeo pode ter conteúdo levemente ofensivo".
O vídeo atraiu a atenção de todo o mundo. E da mídia.
Ele diz que não dá entrevistas. Mas tem um site com uma suposta entrevista (olha eu aqui, só escrevendo SUPOSTA, SUPOSTO) para um jornal de Toronto, replicada aqui.
O Huffington Post diz que ele não ser arrependeu e que faria o vídeo de novo.
O "Today" da NBC fez uma enquete com leitores e 74% concordaram com a atitude do pai.
Na enquete do Mashable, a maioria dos leitores disse que Hannah vai continuar magoada, só que sem laptop.
É verdade? É hoax? Mentira? É tudo inventado? Ou será que o vídeo dele é real e o dessa garota é fake? Qual combinação será a verdadeira. Não sei. A do pai parecer ser verdadeira, embora eu não entenda bem a intenção original. O vídeo da filha pode ser qualquer coisa.
O fato é que estamos acompanhando, como se fosse um novelity show, mistura de Novela com Reality Show, em que os personagens mostram seus pontos de vista em vídeos. Tudo vai virando novela. Até o julgamento de Lindemberg/Eloá.
Novela (de novel, romance, história de ficção) é a principal plataforma de entendimento. Porque é Storytelling, contação de história. E isso qualquer pessoa consegue compreender. Se todas as notícias fossem contadas como histórias, a gente poderia saber o que acontece no mundo inteiro.
Agora que eu mais ou menos contei sobre essa história, vou pesquisar melhor pra saber se essa menina é mesmo a filha dele. Me ajuda?
Muito prazer, Rosana Hermann.
Sou jornalista, radialista, redatora, roteirista, escritora, blogueira, twitteira e tenho orgulho de incluir na minha carreira o fato coerente de saber fazer tricô. Tenho bacharelado em Física pela USP, e fiz pós em Física Nuclear, também pela USP. Dou aula de Roteiro na FAAP, sou jurada do prêmio The Bobs da Deutsche Welle e faço o blog da Skype no Brasil. Sou gerente de criação e inovação no R7, onde também mantenho este blog. E dou palestras sobre Criatividade, Redes Sociais, no Brasil e no exterior. Isso é o que eu faço.
Mas se você pretende saber quem eu sou não será necessário entrar no meu carro e passear pelas curvas de Santos. Eu posso lhe dizer: visite este blog frequentemente e você terá uma certa ideia do que eu sou e faço na vida. Caso você precise de alguma coisa mais oficial, visite o farofa.com.br, leia o texto e clique nos vídeos. Eu sou muito mais do que aquilo, mas um pouco daquilo, sou eu.
Será um prazer conviver aqui com você, querido leitor. A melhor coisa do mundo é interagir com as pessoas. Será um prazer conhecer você.