21 de dezembro de 2012 às 08h54
Porque Carly Rose não ganhou o XFactor
Qualquer pessoa que tenha dois ouvidos funcionando e um cérebro no meio, notou que Carly Rose é um fenòmeno. Se você não ouviu a voz da garota de 13 anos que chegou à final do XFactor USA, procure no YouTube. Aconselho levar um babador ou guardanapo. Ela é demais.
E, como o concurso pretende eleger a melhor voz, o melhor cantor e não a pessoa que borda mais depressa ou consegue ordenhar melhor uma vaca, ela era a candidata natural a vencer. Mas perdeu.
Ganhou um cantor country chamado Tate que não canta nem a metade dos últimos eliminados.
Por que?
Tenho uma teoria. Coitadismo. O coitadismo é uma tendência mundial.
Todo mundo se sente um pouco coitado, injustiçado e, por isso mesmo, se identifica com qualquer outro. TAte é adulto, enfatizaram várias vezes nos vídeos e comentários que pra ele é uma segunda chance. Ele representa o adulto que (bleargh) 'não desistiu dos seus sonhos' e resolveu tentar bla blá blá, com e sem acento.
Mas não era um concurso de VOZ?
Era, mas o coitadismo não conhece regras. É anterior a tudo. Quase uma questão de ordem existencial.
Veja no Brasil, Ídolos. Ganhou aquele rapaz sambista que parece a Alcione de chapéu com bandana. Ele é OK. Mas, né, não era O MELHOR.
Ganhou porque, bem porque é o mais coitadinho.
Lembra da Cida de um Big Brother? Mesma coisa. Era a mais pobrezinha. Então votaram nela.
E o fenômeno é geral. Como se, cansados de ver tanta injustiça, o povo passasse a usar qualquer votação, qualquer eliminação, qualquer campanha para fazer justiça com o próprio mouse.
Carly Rose é jovem ainda, pensam. Vai ter todas as chances da vida. Não precisa ganhar AGORA. Ele, não, pensam. Já é um senhor careca, a vida não vai dar outra chance. Então, veja a lógica, vamos premiar o que PRECISA mais (5 milhões de dólares, quem não precisa?).
Não vou mudar o mundo com um post nem vou estragar meu dia com o resultado.
Só sei que ontem, no XFactor, as pessoas perderam uma boa chance de premiar a melhor, Carly Rose.
E o mundo perdeu uma boa chance de acabar.
Sigamos.
Bom dia.











