2 de janeiro de 2013 às 10h01
Primeiro dia de mau humor
Humores são fluidos e pouco se pode fazer para controlá-los quando jorram. Hoje eu acordei de mau humor. Isso mesmo, no segundo dia do ano novo, de férias, na praia, de barriga cheia. Não peguei a senha na fila, não esperei minha vez, não tirei a carteirinha que me dá direito a ficar de mau humor num mundo onde tem gente passando fome e sofrendo injustiças. Fiquei de mau humor assim mesmo, na contravenção, ilicitamente.
Muita gente pensa exatamente assim, que pra ter mau humor você precisa de uma espécie de licença da prefeitura da vida. Acontece que o mau humor acontece, não é uma decisão. Você não acorda pela manhã e diz, Ah, que lindo dia para ficar de mau humor!
Você acorda e ele já está ali, resmungando pra você levantar, incomodado com a dobra do tapetinho, puto da vida porque não acha o outro pé do chinelo, implicando com a torneira na hora de escovar os dentes.
Não sou uma pessoa mal-humorada naturalmente e, por isso, não sei muito bem o que fazer com ele. Já levei o bichinho pra dar um rolê de bike a procura de pão. Não tem pão de nenhuma espécie em Barra do Una desde ontem. Agora vou levar meu mau-humor para dar uma volta. Quem sabe ouvindo música. Se ele não der o braço a torcer, vou tentar outros caminhos. Vou ler pra ele, vou molhá-lo na chuva, deixá-lo de molho na salmoura, esticá-lo na areia pra secar ao sol. Vou distraí-lo com lãs e linhas e trabalhos manuais.
Quem sabe ele se distraia e se perca, quem sabe ele desista de mim e pule como um mico no ombro de outra pessoa.
O mau humor acontece, sem avisar e sem predir licença.
Hoje você pode ficar tranquilo, querido leitor.
Todo o mau humor do mundo está aqui comigo.
Bom dia.











