Rosana Hermann

29 de novembro de 2012 às 14h18

Sabe aquele filme que faz você ficar pensando?

Nilton Bonder perguntou na segunda aula de seu curso se alguém na plateia tinha visto o filme As Palavras. Eu não tinha visto. Dois dias depois minha coach perguntou na sessão de terapia se eu tinha visto o filme As Palavras. Achei que, enfim, eu tinha que assistir ao filme. No mesmo dia, ontem, já havia marcado para ir à noite de autógrafos da Clara Averbuck no Shopping Higienópolis às 7:30 da noite. Coincidentemente, o filme As Palavras estava passando no mesmo shopping. Tomei banho, me arrumei, comprei o ingresso e fui ver o filme. Eu adorei.

Adorei porque escrevo e o filme fala sobre criação, ética, ficção e realidade, literatura e porque o roteiro é muito bom, mesmo que pareça ter algumas coisas que não fazem sentido. Pra mim, fizeram. E, pra coroar a glória das coincidências, numa determinada cena um personagem está sentado num banco do Central Park lendo o livro favorito de Clara Averbuck, Pergunte ao Pó do John Fante.

Voltemos ao filme. A estrutura básica do filme é aquilo que você vai ler em todas as resenhas: uma história dentro de uma história dentro de uma história, mas não tem nada a ver com Inception. o filme conta a história de um autor que está lendo seu novo livro para uma plateia. Seu romance conta a história de um escritor fraco que um dia encontra um manuscrito, rouba a autoria e publica-o como se fosse seu. E vira um sucesso.

Um dia esse autor ladrão encontra o verdadeiro autor do original encontrado. E então este velho passa a contar sua história para o ladrão e vemos essa história sendo contada também.

Vamos voltar só pra esclarecer os 3 níveis da tela, as sequências que você vai ver:

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1. O ator Dennis Quaid, no papel do autor do livro The Words, Clay Hammond, contando sua história para uma plateia num evento de lançamento de seu livro e sendo provocado por uma jovem estudante chamada Danyella (Olivia Wilde)

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2. Bradley Cooper, no papel de Rory Jansen, personagem do livro The Words que é um autor que publica um manuscrito que não é seu como se seu fosse, chamado "Window Tears", casado com a personagem Dora Jansen (Zoe Saldana)

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3. O velho (Jeremy Iron) e verdadeiro autor do texto roubado, que passa a contar a história vivida e descrita nesse romance publicado como "Window Tears", um caso de amor e dor entre ele jovem (vivido por Ben Barnes) e sua jovem mulher Celia (Nora Arnezeder), para Rory Jansen.

Ou seja, nós temos 3 níveis de ~ficção~

1. O filme The Words
2. O livro The Words contando a história do livro Windows Tears, cuja autoria foi roubada
3. A história vivida do autor ~verdadeiro~ de Windows Tears

Acontece que você vê tudo isso na tela do cinema, histórias dentro de histórias sendo contadas por seus narradores/autores. Só que, né, tudo isso é uma ficção do roteirista do filme, que é quem manda em todas as histórias, porque ele concebeu tudo isso. Assim, ele tem que ESCREVER o roteiro como ele e como os personagens/autores que ele inventou! Por isso, quando ele está 'escrevendo' pelo personagem que é um autor ruim, fraco, ele TEM que escrever como um autor fraco!

Não quero produzir nenhum spoiler (se bem que eu acho que pra quem não viu o filme nada está fazendo muito sentido mesmo, nem tem como atrapalhar), mas li o texto de um crítico que dizia que havia uns 'erros de roteiro' quando o ladrão que publicou Windows Tears foi pra Paris e tal. Só que... essa história estava sendo contada DENTRO do livro The Words, ou seja, pelo PERSONAGEM De Dennis Quaid! Quem cometeu o erro, o furo, portanto, não foi o ROTEIRISTA DO FILME sem querer!

Bom, o filme é incrível, primeiro trabalho de longa metragem de Brian Klugman e Lee Sternthal como diretores e roteiristas e eu não posso falar mais porque senão estraga. É uma obra que fala o tempo todo sobre o que é realidade e ficção, do quanto as suas decisões geram suas histórias e como você terá que conviver com elas.

A pergunta é...será que o filme é uma história de como todos nós contamos nossas próprias histórias, sempre baseadas nas decisões que tomamos quando jovens? Será que Dennis Quaid é o velho que ele se tornou, contando sua autobiografia ficcionada? Será que carregamos todas as histórias dentro das nossas histórias pra toda nossa vida? Será que podemos roubar essa história para nossas vidas também?

PS - Depois que você tiver visto o filme, volta aqui pra gente conversar? Só achei fraca a parte da moça Daniela com o personagem principal autor de The Words. Vamos falar sobre isso. Podemos falar também sobre o fato de ninguém ter gostado do filme e eu, sim.

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6 Comentários

"Sabe aquele filme que faz você ficar pensando?"

29 de November de 2012 às 14:18 - Postado por rosana

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Comentários
  • ricardo
    - 10 10UTC dezembro 10UTC 2012 - 2:55 PM

    gostei muito do post sobre o filme As Palavras, gosto de filmes inteligentes que nos fazem re/pensar ,e , interagir com nos proprios, saiba que se achou o filme ruim ainda bem e ,é dele que você mais vai lembrar ,meio sem sal ,disconvincente é destes que todo mundo conta e faz como nos um grupo seleto de criticos. muito bom manda mais filme que o circuito comercial ignora,valeu

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  • Ricardo
    - 2 02UTC dezembro 02UTC 2012 - 5:49 AM

    Achei que a mensagem do filme é quase um clichê, mas que cada um é responsável ou mesmo vítima de sua escolhas. Por exemplo o personagem do autor do livro, escolheu deixar a esposa que amava porque esta perdeu sua única obra prima para viver uma vida de fracaçado. O escritor medíocre escolheu roubar o livro, mas com isso nunca vai ter certeza se suas outras obras originais são boas ou se as pessoas o respeitam pelo sucesso do primeiro livro. Só não entedi por que a jovem seduziu o personagem de Dennis Quaid para saber do restante do livro(era só comprar e ler!) Achei que eles iriam revelar no final que ele é algum parente(filho talvez) do escritor medíocre e ela talvez filha da francesa.

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