topo LG G6   Top de linha sem frescuras #review

Direto ao ponto: o ano de 2016 não traz lá boas lembranças para a LG, por isso a marca sul-coreana tratou de deixar o G5 e a ideia de smartphone modulares de lado. Apresentado em Barcelona e lançado no Brasi há pouco menos de um mês, o LG G6 prova que a companhia fez o certo e voltou ao básico para desenvolver um ótimo celular.

Durabilidade, uma telona para consumir conteúdo, um conjunto de câmera capaz de ótimas fotos e um design que agrade os olhos. O LG G6 entrega todas essas características em um aparelho que é um dos melhores Android lançados nesse ano. Quer dizer que esse é o aparelho perfeito? Não, ainda há alguns escorregões da LG. No entanto, vale a pena manter esse modelo no seu radar se você está de olho em um top de linha. Depois de passar as últimas semanas testando o G6, essas são as minhas impressões.

Design

A primeira coisa que chama a atenção no LG G6 é a sua construção. O smartphone conta com uma bela tela de 5,7 polegadas, mas não é um tijolo. O display tem proporção de 18:9 (2:1) o que o torna “mais alto e fino” do que a maioria dos smartphones. Ao apostar em bordas mínimas, o LG G6 tem um aproveitamento de tela de mais de 78% da frente do aparelho.

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A versão que eu testei é a preta, que tem um aspecto clássico. O smartphone também está disponível na cor prata. Apesar de ser bonito, o LG G6 passa uma primeira impressão de que é um aparelho resistente e bem construído.  Tudo graças a um acerto na escolha de design da LG: não prejudicar a durabilidade ou a ergonomia do celular.

O aparelho combina uma armação de alumínio com vidro Gorilla Glass 3 na frente, protegendo um painel de IPS LCD e Gorilla Glass 5 na traseira. Essa dobradinha torna o celular atraente, ao mesmo tempo que mantém uma impressão de construção sólida. Por falar em construção, a LG trouxe pela primeira vez a certificação IP68 para um de seus smartphones, protegendo o G6 de água (pequenos e rápidos mergulhos) e poeira.

A empresa mantém algumas decisões que deram certo no passado, como o botão de ligar e desligar a tela/sensor de impressão digital na parte traseira do aparelho. O que ajuda a garantir mais espaço para a tela. A única decisão que eu confesso me incomodou foi a de colocar a entrada de fone de ouvido na parte de clima do G6. Mas, não é nada que vá mudar a rotação do planeta Terra, né?

Confesso que fiquei tentado a reproduzir esse momento aqui do vídeo de lançamento do aparelho. Basicamente, a LG aponta o G6 como "ingrediente de bolo", mas achei que a sujeira não valia a pena...

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Levando em conta que o smartphone é, provavelmente, o objeto que mais seguramos o dia inteiro, o G6 me parece mais preparado para “aguentar o tranco” do seu dia a dia e até eventuais quedas, ao contrário de um de seus principais concorrentes (isso, aquele de com as belas bordas curvas).

Tá na hora de falar da tela!

A tela maior oferece mais espaço para você consumir boa parte dos conteúdos (redes sociais, mensagens, vídeos). Esse é o grande diferencial do LG G6 em relação a quase todos os outros tops disponíveis no momento. Frente a frente com um iPhone 7 Plus, por exemplo, o aproveitamento de tela do top da LG é absurdamente melhor/maior. Enquanto o modelo da LG tem 78,6%, o da Apple fica com apenas 67,7% da frente ocupada pelo display.

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O display de IPS LCD tem resolução de 2.880 x 1440px (com uma densidade de 565ppi) e conta com tecnologia HDR 10, o que significa que você não vai passar vergonha na hora de curtir seu Netflix. Por outro lado, a tela do aparelho consegue um bom contraste, apesar de não ser tão brilhante quanto os displays de seus dois principais concorrentes.

A proporção de 18:9, também chamada de FullVision pela marca, permite – além do espaço extra e da reprodução wide de filmes – que a tela seja dividida em dois quadrados, o que facilita na hora de usar dois apps ao mesmo tempo, por exemplo. A interface “quadradinha” também serve para otimizar o aplicativo de câmera. Mas esse é o assunto do próximo tópico...

Antes disso! Vale lembrar que, deixando as especificações técnicas de lado, o LG G6 entrega ótimas imagens e qualidade mais do que suficiente para aproveitar todo tipo de conteúdo. O recurso de display Always On também aproveita bem a tela bloqueada para notificar novidades para você, sem que você precise ficar todo o tempo acendendo o celular à toa.

Agora sim, as câmeras

O LG G6 faz bonito no quesito câmera. O top de linha da marca para 2017 oferece duas câmeras de 13 MP na traseira uma com ângulo de 71º (abertura de f/1.8) e outra lente mais aberta, com um ângulo de 125º (abertura de f/2.4). Quer algumas mostras do que ela pode fazer, dá uma olhada nessas fotos que eu fiz no evento da própria LG:

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Agora, uma foto que tirei do mesmo lugar, só que com a lente com abertura maior:

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Outras fotos que eu consegui tirar no dia a dia com o LG G6:

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Já a câmera frontal tem 5 MP (abertura de f/2.2) e permite que você tire fotos com um ângulo de 100º, para fazer “todo mundo caber na foto”. Essa é uma das opções que “subiram” dos modelos mais populares para os tops de linha e isso é legal para caramba, na minha opinião.

Square Camera

Além de otimizar a interface do app de câmera, a LG lançou para o G6 um widget chamado Square Camera, que traz quatro novas possibilidades para o sensor do smartphone. Os recursos são interessantes e podem interessar quem vive no Instagram.

Snapshot – que divide a tela e mostra suas últimas fotos enquanto você focaliza os próximos cliques

Grid shot – que combina quatro fotos... Tipo assim:

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Match shot – que combina duas fotos para que você faça “montagens” automáticas. E que eu não consegui pensar em nada tão divertido quanto as imagens promocionais da marca.

Guide shot – que mostra uma camada com uma foto sua para você consiga “repetir” o clique. Serve para quem gosta de tirar fotos de comida, ao que parece.

Resumindo, a câmera do G6 faz um ótimo trabalho e é capaz de tirar fotos com cores vibrantes e não deixa a desejar frente aos concorrentes. A possibilidade de incluir mais conteúdo ou pessoas nas suas fotos com uma lente grande angular é um diferencial. Já o Square Camera é algo divertido, apesar de não ser tão divertido assim no cotidiano.

Ah, e dá um baita trabalho achar esse ícone quando você apaga o atalho sem querer, justamente porque ele está listado como widget na interface e não como um app separado. O que também me deixou perguntando porque não incluir direto na interface da câmera um atalho para esses modos?

Interface

Por falar em interface, faz um bom tempo que eu reclamo da interface dos celulares da marca. Para ser mais preciso, no meu primeiríssimo review de celular aqui para o R7, ainda em 2012, eu já dava essa singela “cutucada”. Sim o LG Optimus 4X HD, veio antes dos smartphones da linha G. Enfim, toda essa história é apenas para dizer: bom trabalho, LG!

Sim, pela primeira vez a interface do top de linha da sul-coreana está limpa e bonita. O G6 roda uma versão customizada (claro) do Android 7.0 (Nougat) e permite que alguns aplicativos aproveitem o espaço extra na tela quando você usa o celular na horizontal. De forma geral, dá para perceber que os “designers” da LG passaram pela interface, mas ela está mais leve e prática (ainda acho feio a tela “esticar”, mas passa).

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Outra opção que mostra o avanço dessa edição do top de linha da LG é a possibilidade de acrescentar botões ao lado dos botões de sistema do Android (home, voltar, apps recentes). Além disso, também é possível personalizar a interface para colocar os aplicativos na tela ou visualizar todos os seus apps por meio do menu.

É notável que as fabricantes estão cada dia mais focados em entregar produtos mais simples de usar e ofereçam opções sem prejudicar a experiência dos usuários. Claro, isso também é reflexo da evolução visual e funcional do sistema operacional do Google. Ah, por falar neles, o LG G6 chega com o Google Assistant, serviço da gigante das buscas que faz as vezes de assistente virtual.

E o desempenho?

Ao contrário do ano passado, o LG G6 chega ao Brasil em versão praticamente idêntica com a lançada no exterior. O smartphone tem um processador Snapdragon 821 com 2.35GHz (mesmo que faz o Google Pixel funcionar), que não é o “último modelo”, mas faz um trabalho muito bom e não apresentou nenhum travamento durante nenhum dos testes.

O aparelho ainda tem 4 GB de memória RAM e 32 GB de armazenamento, que pode ser expandida até 2TB via cartão microSD. O aparelho não dá suporte para dois chips, o que pode ser considerado um pequeno deslize por alguns usuários no Brasil. No meu caso, realmente não faz nenhuma falta, mas é uma crítica compreensível.

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Bateria dura o dia todo? Sim! A bateria de 3230 mAh tem um desempenho bastante honesto. Para ilustrar, ela segurava dia inteiros de uso intenso e me convenceu até mesmo nos meus dias mais longos (que incluem viagens com o GPS ligado para Campinas), de uso intenso mesmo. O aparelho suporta carregamento Quick Charge 3.0, por conta do processador da Qualcomm.

Preço, estratégia e uns pitacos

A experiência de usar um LG G6 foi ótima. O celular passa segurança, ao mesmo tempo que tem um dos designs mais bonitos de 2017. A LG acertou a mão em um aparelho que cumpre o que promete no quesito desempenho. Com 4 GB de RAM, é praticamente impossível você fazer o celular travar. Sério!

Algumas críticas que são feitas e eu acredito que fazem sentido: a versão do aparelho que chega ao Brasil tem 32 GB de espaço. Não é absurdo, mas está ficando cada dia mais claro de quem oferece mais espaço leva vantagem na briga contra a concorrência. Ainda nesse assunto, recursos como o carregamento sem fio também não fariam mal ao aparelho.

A decisão estratégica da marca de posicionar seu smartphone na faixa de R$ 3.999 também pode afastar os consumidores. O que é uma grande pena. Afinal, todas as pessoas que viram o LG G6 nas minhas mãos comentaram o quanto ele é bonito. A tela grande com um tamanho de celular compacto também é um diferencial que mostra o futuro dos smartphones. Vale a pena “ver com as mãos” o design e a qualidade do LG G6. Principalmente, se você quer um top de linha para chamar de seu em 2017.

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Definitivamente, a LG escutou os consumidores e comprova que pode fabricar aparelhos notáveis, mesmo que não sejam os mais inovadores do mundo. Até porque, no fim do dia, todo mundo quer fazer as mesmas coisas: mandar mensagens, tirar fotos, jogar e curtir conteúdo na sua “tela de mão”. Mais do que isso, o LG G6 pode não ser o top de linha que mais agradou em 2017 por conta do seu preço brasileiro, mas certamente mostra que a gigante sul-coreana encontrou um caminho para seguir e pode brigar nesse mercado premium de igual para igual com Apple e Samsung.

Gostou? Para os mais animados, a LG oferece a possibilidade de dar o seu smartphone como entrada por meio de uma parceria com a Trocafone e acrescenta um bônus de R$ 750 para facilitar sua compra. Sem falar nos pontos do sistema Multiplus.

Se você ainda não pode desembolsar quase R$ 4.000 para ter um smartphone, mas gostou do que leu e viu por aqui, acho que uma ótima dica é esperar alguns meses, já que os varejistas costumam fazer promoções e oferecer aparelhos desejados por preços um pouco melhores com o passar do tempo.

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