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2 outubro 2009

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Histórias, encantos e prostituição na Tailândia

Publicado por: André Tal

No último mês de julho estive por 15 dias na Tailândia para gravar reportagens para o Esporte Fantástico e o Domingo Espetacular. Foi minha primeira experiência no sudeste asiático. E lá vi e vivi coisas mágicas, mas também passei por situações bizarras.

A parte mais legal da viagem foi visitar um templo budista nas montanhas do norte do País para conhecer o principal monge da região, Nhan Chang. O sacerdote é também um mestre do Muay Thai (o boxe tailandês) ancestral, o mesmo dos antigos guerreiros. O treino começa com uns tambores gigantes e antigos. Os alunos do monge tiram som desses tambores com chutes e socos. Outros dançam com facas, espadas. Enfim, um espetáculo.

Quando seguimos para um ringue rústico, todo de madeira, na parte de baixo do templo, percebi que não teria vida fácil. O monge foi com a minha cara e achou que eu tinha que aprender a lutar com o principal aluno dele. Um meninão de 16 anos, alto, sem qualquer gordura no corpo e ágil demais para os meus 31 anos.

No começo, ele me ensinou alguns golpes básicos, eu tava gostando, mas de repente, começou a me mostrar um técnica de empurrar o pescoço do adversário pra baixo. Ele não falava inglês, eu não falo tailandês. Foi uma confusão só. O menino me puxava pra baixo, eu tentava sair, não conseguia, não entendia o que era pra fazer. Resultado, saí do ringue exausto, com o pescoço travado, mas uma matéria incrível gravada.

No último dia da viagem, Henry e eu estávamos em Chiang Rai, uma província no norte do país. A cidade parecia bonita, vários barzinhos, restaurantes ocidentais, turistas. A gente se animou e foi conhecer a cidade a pé. Mas, de repente, descobrimos uma Tailândia bem menos exótica e bonita.

Sabe a famosa "massagem tailandesa"? Então, vem de lá. A massagem tailandesa tradicional não tem sacanagem, é terapêutica e muito comum no país. Mas, claro, que tem as "genéricas", onde meninas de pouco mais de 18 anos, quem sabe até menos, se oferecem para te massagear com o próprio corpo e sem roupa.

A gente andava na rua, passava por um exército dessas meninas na porta de uns bares sinistros e ouvia elas todas nos chamando. Massage... Thai Massage... Welcome... Come here. Elas tentavam nos puxar pelo braço, mas não era bem o que eu estava procurando. No dia seguinte ia voltar para casa e encontrar a minha bela Michelle.

Mas o pior da noite estava por vir. Vimos um anúncio de lutas de Muay Thai e seguimos para um lugar escuro, onde havia um ringue improvisado. Uma enorme lençol branco era a entrada do ringue. Lá dentro estava lotado de turistas e nativos. Comecei a achar estranho porque a luta era de garotos de 14 anos. Todos gritavam e incentivavam a pancadaria entre os adolescentes. Ao redor do ringue, havia vários botecos. Sentamos num deles e percebemos que todas as garçonetes eram travestis. Os chamados Lady Boys da Tailândia. Tem uma história de que muitas famílias tailandesas incentivam o filho mais novo a virar travesti quando não conseguem ter filhas. Confesso que não sei se é bem assim, mas tem travesti por todo o canto.

Estava muito calor e o Lady Boy resolveu parar na nossa frente e ficar nos abanando enquanto olhávamos o cardápio. Pedimos uma cerveja pra garçonete, ou garçom, sei lá. Ela chegou quente e o Lady Boy perguntou: Do you want some ice (quer gelo)?, com aquela voz máscula mas aguda. Prefirimos a cerveja quente mesmo...

No intervalo da luta, a caixa de som começou a tremer com um hit francês e quando olhei para trás, os Lady Boys executavam uma coreografia ensaiada, que deveria ser sensual. Os gringos adoravam e tiravam fotos. Depois da segunda luta, olhei para o Henry e não precisei dizer nada. Levantamos e voltamos rápido para o hotel.

E aí pensei. Muito estrangeiro também deve se sentir desnorteado quando vê cenas parecidas com essas no Brasil. Assim como o nosso país, a Tailândia é maravilhosa e bagunçada ao mesmo tempo.

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