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13 outubro 2009

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Quem cedo madruga…

Publicado por: Vinicius Costa

"Tem é que tirar essa gurizada bem cedo da cama, mesmo que estejam de férias". Era isso que eu ouvia - antes das 6h da manhã - quando dormia na casa de um tio em Julio de Castilhos, interior do Rio Grande do Sul. Não importava se era inverno, se chovia ou se havia ameaça de congelamento da cidade.

Com todas as janelas e portas abertas e um barulho de trator ao fundo ele se explicava -- "Quem dorme até muito tarde fica preguiçoso pra sempre". Ele tinha seus motivos: era agricultor. E naquela hora já se preparava pro segundo lanche do dia.

Soube dia desses que o dono de uma comunidade muito frequentada no Orkut vendeu os direitos para uma empresa de internet. Ganhou nessa quase vinte mil reais por ter criado "Odeio acordar cedo". A idéia foi boa. O lucro melhor ainda.

Pular da cama antes do sol é rotina pra muito trabalhador. Obrigação, claro. Mas tem aqueles que levantam na madruga por opção. Há quem saia pra correr. Pra pedalar. Pra escrever. Puro prazer, acredito. Todos os brasileiros já saltaram da cama pra fazer festa. Era 30 de junho de 2002. Quase 9h20 da manhã e vibramos com o primeiro gol de Ronaldo, lá no Japão. Craque que faz gol até de madrugada. Já era tarde, sim, mas a preparação para o jogo comecou às 7h. A Copa do Mundo daquele ano tinha jogos às 3h30, a 1h da manhã ...

Semana passada conheci duas senhoras que pegam no batente por volta desse horário. Saem de casa a meia-noite pra começar a vender antes das 2h. São comerciantes da Feira da Madrugada que funciona no Brás, em São Paulo. Um enorme camelódromo estrategicamente aberto neste horário para atender centenas - ou milhares nos meses de novembro e dezembro - de ônibus de turismo. Gente que vem para comprar nas lojas de roupas do bairro e que faz um "aquecimento" da gastança. Cheguei na feira só às 6h da manhã pra conversar com as personagens. Dona Graça é sorridente mesmo naquele horário. Daquelas senhoras empolgadas que fala a toda hora "vamos em frente". Depois de uma hora e meia de conversa e gravação, percebi que Dona Graça sequer bocejava. Pra compensar, minha equipe e eu já havíamos chegado ao recorde panamericano de abrir a boca.

Talvez pura coincidência, mas as vendedoras do Brás mudaram de vida junto com o horário do despertador. Coisa de cinco anos atrás, elas vendiam nas ruas um punhado de sutiãs e garrafinhas de água por R$ 1. Evidentemente houve muito empenho e inteligência pra chegar até onde estão. Uma delas dona de confecção onde desenha e produz roupas femininas. A outra gerencia três depósitos de lingerie que abastecem o estande onde vende.

As duas são exemplos de superação, esforço e um tantinho de inimizade com as roupas de cama. Contam com filhos, sócios e funcionários nos negócios quem mantêm. Mas ainda assim programam os relógios para horários em que televisão ainda transmite os gols de Ronaldo pelo Campeonato Brasileiro. Pra elas verem isso, só em outras Copa no Japão.

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