13 outubro 2009
Sorte ou predestinação?
Publicado por: Ogg IbrahimAté hoje, com 22 anos de profissão, não sei direito como acabei virando jornalista. Era uma coisa que contrariava todas as minhas expectativas e anseios profissionais. Aos 22 anos eu trabalhava em banco, seguia uma carreira como gerente auxiliar e estudava arquitetura. Mas antes tinha prestado vestibular para engenharia naval e civil. Como gostava de escrever, pensava em ser escritor mas só conseguia escrever músicas para participar de festivais (e até ganhei alguns).
De repente larguei o banco, a faculdade de arquitetura em São Paulo e fui ser gerente de livraria lá no "quiprocó da balaiúda". Pra quem nunca tinha pego mais de 300 km de estrada antes, Campo Grande, em Mato Grosso do Sul (a mil km), era o lugar mais longe pra onde eu já tinha viajado - era o c... do mundo! Mas foi lá que, sem querer, descobri minha vocação.
Eu já estava morando há uns oito meses. Estavam procurando um novo apresentador para o telejornal local da afiliada da Globo (que eu nunca tinha assistido). Uma das divas da bancada era uma amiga minha, Carmem Cestari. Um dia ela bebeu soda cáustica misturada com chumbo derretido e achou que eu serviria para ocupar o lugar ao seu lado. Hehe!
Olhei para os lados e perguntei onde estava a câmera da pegadinha. Eu que de televisão só entendia de mudar de canais com o controle remoto? "Tá louca! Vai se tratar" disse a ela! Mas Carmem insistiu tanto que, pra me livrar daquele convite sem propósito, topei a parada.
Acho que não tinha mais ninguém disputando a vaga pois nada mais explicaria a minha convocação. E olha que nem me esforcei no teste. Outro dia vi a gravação de 1987 e pensei olhando pra mim mesmo na bancada: "Putz, esse cara não serviria pra apresentar nem bingo de quermesse, quanto mais um telejornal". Mas como aquelas coisas que acontecem e a gente passa a vida sem saber porquê, fui escolhido e tô nessa até hoje. É claro que melhorei bastante!
O pior é que quando sentei pela primeira vez numa bancada de telejornal fui invadido por uma magia inexplicável. Foi como se tivesse tomado uma picada de algum inseto estranho e me contaminado com essa "cachaça" chamada jornalismo. Só aí fui perceber que eu tinha nascido pra coisa. Não me considero o jornalista fanático e doente que vive a profissão 25 horas por dia, mas amo o que faço e procuro fazer da melhor forma. E tem mais, não sei fazer nada fora disso. Nas vezes em que tentei, me ferrei de verde e amarelo e acabei voltando pro reduto.
Até hoje não sei se encontrei o jornalismo ou o jornalismo me encontrou, mas uma coisa é certa: isso que corre nas minhas veias não sobreviveria longe do agito das redações, das ilhas de edição e dos estúdios. Bendita seja "dona" Carmem que me jogou um script na cara e disse "vai aprender a ler isso e aparece lá na TV amanhã, sem falta!".











