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17 fevereiro 2010

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Longe de casa

Publicado por: Adriana Bittar

Longe de casa
Há mais de uma semana
Milhas e milhas distante...

Agora já estou levantando acampamento para voltar para o Brasil. Estive no escritório da Record, em Nova York, durante um mês e meio, substituindo a minha xará Adriana Araújo, de quem sou fã. Ela volta de férias e eu me despeço dessa cidade incrível.

Claro que a saudade de casa aperta o peito. Aperta todos os dias. Aperta cada vez que falo com meus pais no telefone (minha mãe quase sempre chora). Aperta quando meu marido conta as novidades e coloca nosso vira-lata no skype (sim, eu converso com o meu cachorro!!). Aperta quando falo com o pessoal da redação do Esporte pelo Nextel e quando recebo email dos amigos.

Sinto falta do Brasil, mas também sentirei de Nova York, do trabalho, da energia da cidade, da equipe aqui do escritório que me recebeu com carinho. Cada experiência é um aprendizado diferente e posso dizer que aprendi muito nesses dias. Estar fora do próprio país e conhecer um pouco mais sobre outra cultura tem um valor inestimável. Ajuda a abrir a mente, expandir horizontes e derrubar certos preconceitos.

adriana bittar ny blog Longe de casa

Bati muita perna por aí. Tive contato com alguns nova-iorquinos. Pude reparar um pouco mais no american way of living. E o jeito de viver americano segue dois princípios básicos: praticidade e liberdade.

Bem-vindo ao mundo do auto-serviço, das compras online, do faça você mesmo e dos produtos que você nem imaginava que existiam. Bem-vindo à cidade onde você pode sair na rua de pijama ou com um modelito pra lá de descombinado e ninguém vai lançar aquele olhar reprovador, sabe? Típico de quem se acha expert em moda.

Aqui ninguém se incomoda com o que os outros fazem (desde que não interfira na vida alheia). Aliás, ninguém sequer olha para você na rua. Me deu até a impressão de ser meio invisível. Só aqui, nos Estados Unidos, pude perceber que no Brasil a gente repara demais em quem está do lado e esquece de focar no próprio umbigo.

Em Nova York, casais gays caminham de mãos dadas na rua. Livres, leves, soltos. Acima de qualquer julgamento. Aqui, as diferenças se esbarram na faixa de pedestres. Lado a lado estão árabes ou judeus. Negros, brancos ou asiáticos. Mulheres de burka ou de micro-saia. Ns ruas, nos táxis, nos restaurantes e nas grandes empresas sotaques se misturam.
Mexicanos, haitianos, gregos, cubanos, chineses, panamenhos, marroquinos, indianos, italianos ... ah ... e americanos! Ser estrangeiro é ser mais um compondo essa torre de Babel que é Nova York.

A tevê americana também me chama a atenção, sempre. Os jornais da manhã são muitas vezes embalados por um rock na volta do intervalo. O apresentador se permite até balançar o corpo e entrar no ritmo antes de mudar o tom a falar sobre o recall da Toyota. Companheiros de bancada tiram onda, mandam recados para os colegas de outros jornais, fazem vídeos bem-humorados para serem exibidos de surpresa durante o jornal. Os âncoras, muitas vezes discordam entre si, sem que isso cause qualquer desconforto. Afinal de contas, cada um é livre pra ter seu ponto de vista.

Os Estados Unidos estão longe de ser o paraíso. Têm problemas sim. Mas têm muito a ensinar. Aqui, as coisas simplesmente funcionam. Há segurança. Você pode atravessar a rua sem achar que vai ser atropelado. O transporte público é eficiente. O patrimônio púbico é preservado. Os deficientes e idosos têm acesso fácil para todos os lugares. E há uma série de outros exemplos.

Acontece que Nova York é solitária demais. Uma cidade onde as pessoas lutam a cada minuto pela sobrevivência e acabam perdendo referências importantes. Cansei de entrar nos elevadores, dar bom dia e não ter resposta. Não há tempo para a simpatia e pequenas, minúsculas gentilezas. E isso, para nós brasileiros é muito esquisito.

Pode até ser clichê falar do nosso calor humano, mas é a pura verdade. Nesse inverno gelado dos Estados Unidos o mais frio, com certeza, não foi a temperatura.

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