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27 outubro 2009

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Exemplo da raça corinthiana

Publicado por: Bruno Piccinato

jucilei Exemplo da raça corinthiana

Sem pai.

Perdeu a mãe quando era criança, trabalhou na juventude como servente de pedreiro... E depois de tudo isso alcançou um sonho.

Esse é Jucilei, jogador de 21 anos que tem todos os requisitos para se tornar idolo da nação corinthiana!

Independentemente de torcidas (não estamos aqui julgando quem tem mais raça), mas Jucilei tem a cara do Corinthians e mostrou isso durante uma entrevista super descontraida, em que contou ao programa Esporte Fantástico todas as dificuldades que passou na vida.

Um carioca que cresceu sem pai - que sumiu quando ele nasceu – e que, aos 13 anos, perdeu a mãe repentinamente.

Com roteiro de tragédia, o garoto apoiado pelos tios e avós não desistiu.

Seguia sonhando em ser jogador profissional de futebol. Mas antes de ter chegado lá, ele tem orgulho de dizer que trabalhou como servente de pedreiro.

Uma história emocionante e muito divertida: durante a entrevista, Jucilei topou relembrar os velhos tempos, ir a uma construção e por a mão na massa literalmente.

Se você quer ver o Jucilei em ação numa obra, não perca o Esporte Fantástico deste sábado, a partir da uma da tarde.

Sendo corinthiano ou não, vale a pena conhecer esse cara.

Muitas vezes o jogador passa uma imagem mas a gente nem imagina o que ele já viveu. Por trás de muitas carreiras de sucesso existem histórias impressionantes... E Jucilei está apenas começando a construir a dele!

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22 outubro 2009

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“OLHA O WINDOWS 7 AÍ, BARATINHO, BARATINHO!”

Publicado por: Ogg Ibrahim

Eles são muito mais rápidos que os próprios fabricantes. Fico imaginando a estratégia dos camelôs de São Paulo para conseguir ser mais ágeis que um monstro da tecnologia como a Microsoft. Digo isso porque essa semana, fiz matéria sobre a pirataria com o Windows 7.

O programa foi oficialmente lançado na terça-feira (20) e colocado a venda nas lojas a partir da meia-noite. Mas uma semana antes, cópias piratas já estavam a venda nas bancas de rua da Santa Efigênia.

Compramos uma cópia com câmera escondida para mostrar na matéria se funcionava bem (cópia que já foi devidamente destruída, lógico). Entregamos a um técnico da nossa informática e, de cara, o que já esperávamos: era uma cópia da versão "release-candidate", que a Microsoft distribui para milhares de usuários em todo o mundo, meses antes do lançamento para que seja testada. Só que estas cópias tem prazo de validade.

Quem pagar dez reais na rua, daqui a alguns meses vai ter na sua tela uma mensagem tipo "Hahaha, o camelô te enganou! A partir de hoje não funciono mais!".

Conversei com um dos diretores da Microsoft durante a coletiva de lançamento e ele disse que é impossível combater a pirataria. O que as empresa têm feito é incrementar a tecnologia nos programas para que seja difícil copiá-los. Difícil mas não impossível, como vemos com o Windows 7, que segundo os desenvolvedores é um dos mais protegidos contra pirataria.

Fico pensando: baixar os impostos e, consequentemente, o preço dos softwares não seria uma boa medida contra a pirataria? Porque acaba saindo mais barato você ir comprando cópias piratas cada vez que elas vencem do que pagar 700 reais por uma pacote original.

Pelos cálculos dá pra você ficar uns bons 3 anos usando as cópias. Baixar o preço seria uma decisão sensata que permitiria mais pessoas terem acesso aos programas originais.

Outra dúvida que pulula em minha cabeça: como é que a Apple consegue vender um super pacote de sistema operacional a 130 reais e a Microsoft nesse preço absurdo? Quem sabe os deuses da tecnologia podem explicar!

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18 outubro 2009

comentarios-icon153 Comentários »

Povo-fala, tarefinha complicada!

Publicado por: Ogg Ibrahim

Nosso dia-a-dia tem algumas coisas que realmente dão um trabalhão danado pra fazer. Quantas vezes já vi na redação uma colega repórter, super chique, chegando de tailleur e scarpin novo e receber uma pauta para cobrir enchente. Pense numa mulher chique de mau-humor! Mas a gente não consegue prever estas coisas. Por isso adotei uma tática: vou de sapato esporte e calça jeans, quase diariamente. Dependendo da pauta, saco meu "kit-repórter" no camarim, composto de terno completo, gravata e sapato social, e vou à luta. Muitas vezes é só a parte de cima social e a de baixo no estilo "churrasco de domingo". E, de acordo com o assunto, a gravata também fica na gaveta. Vai só o paletó.

Mas não tem coisa mais chata pra gente fazer do que o tal do "povo-fala". Já cansei de torcer e ver gente torcer o nariz quando o produtor coloca lá, na pauta:
- 14:00 entrevista com fulano de tal;
- 16h personagem
- 17:30 povo-fala (ai meu Deus!)

Pra quem não sabe o que é, "povo-fala" são as entrevistas que a gente faz na rua para perguntar para as pessoas que passam o que elas acham de um assunto que muitas vezes elas não têm o mínimo conhecimento. Pense você na Avenida Paulista, Às seis da tarde, aquela correria danada de gente que tá louca pra pegar o ônibus e ir embora. E aí chega um repórter para perguntar, por exemplo, sobre o que elas acham do Rio de Janeiro ter sido escolhido para ser a sede das Olimpíadas de 2016. Primeiro, nós temos que correr atrás dos entrevistados, porque nunca vi gente ter tanto medo de microfone na rua como algumas pessoas que cruzamos por aí. Às vezes, me sinto um assaltante, com uma metralhadora na mão, pronto para fuzilar alguém na calçada. Elas ficam driblando a gente como atacante num jogo decisivo do Campeonato Brasileiro. Mas sempre encontramos alguém disposto a falar (dos 354 que tentamos parar). Aí você pergunta:

- Voce acha que no lugar do Rio, São Paulo, por exemplo, poderia sediar as Olimpíadas de 2016 por ser uma cidade maior, com mais estrutura e que poderia dar mais segurança a equipes que vão disputar as provas?

- Não!

Ai você paira o microfone no ar, esperando que a resposta tenha uma continuidade para que possa ser usada. Silêncio sepulcral! Ai você lasca um "Por quê?".

- Porque não!

Nova eternidade de silêncio. E quando você respira fundo para perguntar algo mais, a pessoa diz: "Olha, tô atrasada, tá?". E vai embora.

Vamos lá tentar de novo. Novos dribles, novos "Agora não posso, tô com pressa!" e, duas horas depois para outra pessoa.

- Você acha que... (aí, antes que eu termine a pergunta...)

- Olha, eu queria falar que a Record precisa ir lá no meu bairro porque tem um buraco enorme na frente da minha casa que enche toda vez que chove. Inclusive caiu um elefante lá dentro e tão procurando até hoje. Blá blá blá...

Ou, senão, a resposta daquele caridoso cidadão que parou pra você é: "Desculpa, mas não estou a par do assunto". Grrrrrrrrr!!!

Chega a ser engraçado, mas de cada 10 entrevistas que a gente faz, conseguimos aproveitar umas duas. Aí você chega na redação e o editor fala: "Nem vamos usar porque o tempo do VT tá curto". Pensa num repórter com ataque de ira em plena redação. Mas só por dentro, pra não fazer barraco. Vou sugerir até para mudarem o nome disso. Devia chamar "povo-não fala".

Mas deixando a ironia de lado, muitas vezes são essas opiniões, colhidas na rua, que dão vida à matéria. Afinal, é a opinião de quem nos assiste, de quem viveu a situação que abordamos, de quem tem algo de importante a falar. Obrigado a quem já parou para me dar entrevista na rua. Mesmo na pressa, na correria, ajudou a tornar meu trabalho melhor.

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16 outubro 2009

comentarios-icon50 Comentários »

Uma tempestade no Pacífico

Publicado por: Andrea Beron

 Uma tempestade no Pacífico

 Malekula, uma ilha de Vanuatu, quase perdida no Oceano Pacífico. Início de tarde.
 
Não sei como você chamaria isso, mas acho que tive uma intuição antes de entrar no barco. Era uma sensação estranha de desconfiança. Parecia que eu sabia que algo não sairia bem.
 
Ainda em terra firme, perguntei ao barqueiro se podíamos navegar com aquele tempo. Começava a chover, ventava muito e o mar estava revolto. A resposta do homem foi certeira: "sim, não há problema".
 
Foi aí que a nossa sorte virou...
 
O que nós não sabíamos é que naquele momento uma tempestade se formava à nossa frente. À medida que o barco se afastava da costa, o oceano se agitava ainda mais. Não havia coletes salva-vidas, nem equipamentos de segurança. O pequeno motor do bote parecia vencido pelas ondas.
 
O trajeto de uma hora ficou bem mais longo: 5 horas em alto-mar!
 
As ondas batiam com força contra o barco e encharcavam nossas roupas. Era quase impossível ficar no lugar. Manter a nossa câmera ligada por muito tempo significava correr um risco enorme de perder o equipamento. Ou seja: TODA a gravação da reportagem para o Câmera Record estaria em risco.
 
Eu estava sentada à frente do repórter cinematográfico Markus Bruno. Não trocamos uma palavra sequer. Nossa comunicação por olhares, no entanto, dizia tudo: "Corremos sério perigo neste barquinho". Em alguns momentos, o Marcão piscava para mim como quem diz: "Tudo vai ficar bem". Confesso que a tentativa dele - apesar de amigável - não teve efeito.
 
Enfrentamos centenas de vagalhões - muralhas de água que se formam em alto-mar -, que lançavam o barco para cima com uma força descomunal. A queda era ainda mais cruel. Nosso barco - literalmente - despencava.
 
A violência do impacto quase nos arremessou para fora mais de uma vez. Eu me segurava em uma tábua que servia de banco. A fúria do mar era assustadora.
 
Não sei exatamente o que disparou este mecanismo, mas, na hora, transformei pânico em estratégia de sobrevivência. Eu tinha tudo planejado. Estava preparada para saltar na água quando o barco virasse.
 
E, naquele momento, eu não tinha dúvida: o barco iria naufragar!
 
Desamarrei os cadarços da bota que usava para me livrar do peso com mais facilidade quando estivesse no mar. Pensei: "Vou arrancar as botinas, me agarrar ao banco de madeira e nadar até a praia."
 
Claro que eu tentava esquecer dos tubarões que habitam o Pacífico. O mar é tão transparente que lembro de ter visto muitos peixes e uma cobra-do-mar, serpente de veneno mortal. Fomos empurrados para cima e para baixo durante muito tempo.
 
No programa que desta sexta-feira à noite, exibimos apenas um pequeno trecho de um grande sufoco. Sem exagero!
 
Era fim de tarde quando o destino resolveu ajudar: a tempestade perdeu força e chegamos até um vilarejo.
 
Não havia água quente, luz ou uma cama para repousar o corpo, mas pisar outra vez em terra firme foi a melhor sensação para todos nós.

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16 outubro 2009

comentarios-icon9 Comentários »

Uma lição de vida através do esporte

Publicado por: Bruno Piccinato

“Eu moro perto do pico da Jaraguá aue aue aua..

 Eu moro perto do pico do Jaraguá e eu vou lá aue aue aua"

Ao som dessa musiquinha, as crianças das favelas de Pirituba viajam dentro de uma Kombi caindo aos pedaços.

Sorridentes e entusiasmadas, por um tempo pelo menos esquecem da infância humilde, das limitações, deixam de ser excluídas. E passam a fazer parte de um projeto social!

Com tacos, luvas e uma bolinha de beisebol elas encantam.

O responsável por toda essa felicidade, por esse projeto maravilhoso, é um ex-assaltante, ex-drogado, ex-perdido!

Aguinaldo Veríssimo chegou a ser internado 4 vezes na Febem. Mas, como um guerreiro, ele se recuperou e fundou o “Pirituba Warriors” (Guerreiros de Pirituba).

Numa luta diária, ele tenta fazer com que essas crianças não passem pelo que ele passou nas ruas. Mais de 4000 garotos participaram do projeto no campo de beisebol onde Aguinaldo mora.  

Isso mesmo! Ele mora no campo, embaixo das arquibancadas!

Vive o beisebol e o amor pelas crianças 24 horas por dia! 100% de seu tempo.

A história é linda, mas vista de perto impressiona ainda mais!

Se um dia tiverem a oportunidade de conhecer o Aguinaldo e o projeto dele, não hesitem! Vocês não vão se arrepender.

Na rua, nas reportagens muitas histórias nos emocionam nos trazem lições, nos ensinam!

Mas essa, com certeza, foi a que mais mexeu comigo!

Depois dessa matéria eu e minha equipe voltamos melhores.. Mais humanos, mais esperançosos com o futuro.

“Aguinaldo”

“Me falam pra eu largar o beisebol porque não dá dinheiro! Mas eu não me importo com dinheiro, faço o que amo. Me realizo! E, mais do que isso, essas crianças precisam de mim”

E nós precisamos de mais Aguinaldos!

A matéria vai ao ar no próximo sábado no Esporte Fantastico às 13h. Vale a pena!

E se você conhece algum belo exemplo como o do Aguinaldo, por favor, mande as informações pra gente! Abraços

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15 outubro 2009

comentarios-icon42 Comentários »

Ritual macabro numa tribo de canibais

Publicado por: Andrea Beron

Era fim de tarde quando chegamos à aldeia dos Small Nambas, em Malekula. A pequena ilha fica no arquipélago de Vanuatu, um país praticamente perdido no Oceano Pacífico e que ganhou destaque nas últimas semanas por causa de terremotos submarinos e de um alerta de tsunami.

Depois de dias de viagem - entre a saída do Brasil e minha primeira refeição "decente", foram 40 horas - e de muito suor para vencer a subida de uma montanha, eu estava cansada, sem ar e apreensiva.

crânio Ritual macabro numa tribo de canibais

Os Small Nambas têm um histórico de canibalismo. Ficaram conhecidos por comer carne humana em rituais de poder. Rivais mortos em batalhas eram sacrificados e engolidos pelos chefes e feiticeiros da tribo.

Eu sabia que o costume não era mais tão forte entre os nativos, mas não estava segura do que iria encontrar. Você confiaria num ex-canibal?

A aldeia ficava no topo de uma montanha e tivemos que subir com o peso das mochilas nas costas. A cada passo, pensava: "não vou me separar do Marcão". Markus Bruno é repórter cinematográfico e a essa altura seguia meus passos para registrar as imagens do sufoco da escalada. Ter alguém por perto é essencial nesse tipo de reportagem!

Minha ansiedade aumentava à medida que me aproximava da tribo. Passei a ouvir gritos e o som de tambores. Um chefe negociava conosco. Queríamos gravar um ritual que envolve sacrifícios, exatamente como os ancestrais faziam com seres humanos, num passado recente. Também pedimos para conhecer a Montanha dos Crânios, um lugar sagrado para os nativos e assustador para quem vem de fora.

Se conseguimos acompanhar o costume primitivo deste povo? Bom, você vai saber nesta sexta-feira, no Câmera Record, que começa às 23h.

Não perca!

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14 outubro 2009

comentarios-icon6 Comentários »

Personagens incríveis

Publicado por: Ogg Ibrahim

 Personagens incríveis

Pegando carona no post  da minha colega Cris Gomes, aproveito para contar a história de um personagem fantástico que tive o prazer de entrevistar.
 
Eu ainda estava em Santa Catarina e fui para Canoinhas, interior do estado, fazer uma matéria sobre um mestre cervejeiro que ainda comandava a cervejaria que tinha sido do pai - provavelmente a mais antiga do Brasil. Detalhe: ele tinha, na época da matéria, três anos atrás, 89 anos.
 
Seu Rupprecht Loeffler, nome difícil de pronunciar, era um homem incomum para a sua idade. Ele acordava por volta das sete da manhã e abria a cervejaria todos os dias, religiosamente. Nem uma gripe ou mal estar qualquer atrapalhavam sua rotina. Às onze horas parava para almoçar, impreterivelmente, e retornava  uma da tarde para continuar seu trabalho. Pontualmente às cinco baixava as portas. Nossa equipe também deveria obedecer a esses horários para fazer a matéria.
 
Na cervejaria em Canoinhas, fundada em 1908, trabalham apenas seu Rupprecht e mais dois funcionários. São produzidas ali apenas 1500 garrafas de cerveja por ano, sempre no período de agosto a outubro, que eram vendidas a consumidores que vinham de todas as partes do país.
 
Seu Rupprecht era uma figura. Mal conseguia caminhar, apoiado numa bengala e com o corpo curvado por causa de um problema de coluna. Eu perguntei se ele bebia."Desde os sete anos de idade quando comecei a trabalhar aqui", respondeu, com um largo sorriso no rosto. "Meu pai sempre dizia pra minha mãe: na falta de leite, dá cerveja preta pra essa piazada que faz bem", completou rindo da própria situação.
 
É o próprio velhinho quem cuida da produção - escolhe o lúpulo, a cevada e os demais ingredientes da sua cerveja e mistura tudo, a olho, confiante na experiência que a idade lhe confere. Não deixa ninguém mais por a mão. Os dois funcionários apenas cuidam do funcionamento dos tonéis e panelões de cozimento, tudo artesanal.
 
Perguntei se ele hoje, aos 89 anos, ainda bebia. "Diminuí muito. Já cheguei a tomar 5 litros de cerveja por dia. Hoje são só dois litros". "Por dia?", insisti. "É... mas só da preta, por recomendação médica!". A mulher do velhinho ainda confirmou que ele nunca ficou doente na vida, nem gripado. E de vez em quando ainda a "incomodava". Nem perguntei como.
 
Um brinde ao seu Rupprecht!

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14 outubro 2009

comentarios-icon11 Comentários »

Feiticeiro

Publicado por: Cris Gomes

Alguns entrevistados nos marcam pela genialidade. É gente tão inteligente e original, que saio do encontro com a sensação de que fui premiada. Aquela conversa me abastece como quem sai de uma churrascaria: alimentado. Mas acontece pouco. Pessoas muito cultas, fora da curva, quase não aparecem na tv.

Outros entrevistados chamam atenção pelo empenho em contribuir para a reportagem. Facilitam o que for possível para a nossa equipe, ficam horas à nossa disposição, nos acompanham mesmo quando não é mais preciso. Esses se destacam pelo esforço. E nesse hall, um certo professor foi imbatível.

A série de reportagens para o Jornal da Record era sobre homens empreendedores. Os tais self-made men. A história do professor, que começou com aulas particulares e hoje tem uma rede de curso de idiomas, estava entre as selecionadas. Eu precisava contar a trajetória de sucesso com imagens também, premissa básica da televisão.

O  professor chegou para entrevista numa Mercedes daquelas... Não sei o modelo, mas era tão vistosa, que deixa de ser carro para ser um baita símbolo de poder. Perguntei a ele que carro tinha quando começou a dar aulas. Um fusquinha verde. Tem ainda? Não, guardava como recordação, mas havia vendido, não muito antes, para um agricultor. Parece que o comprador ia usar como galinheiro em algum canto por aí. Puxa, lá ia a minha idéia de gravá-lo dentro do fusca, imagem-símbolo de "antes do poder", e depois fazer a compração com a Mercedes. Eu lamentei, expliquei a ele qual era minha intenção com o fusquinha e pedi, assim mesmo, para filmá-lo dentro da Mercedes, dando uma volta no quarteirão.

No dia seguinte, mais uma etapa da reportagem.  O professor me aparece com um DVD na mão. "É para você, senhora repórter. Aqui estão as imagens que você queria". Ele explicou. Resumindo: naquela manhã, antes do nosso segundo encontro, o professor havia contratado uma equipe de filmagem, alugado um fusca verde velhinho igual ao que ele tinha, entrado no carango e dado uma volta do quarteirão. Gravou tudo, com qualidade professional (betacam), e me entregou pronto. Ele fez acontecer o que eu, no dia anterior, lamentei não ter podido fazer. Não acreditei. Sem alarde, sem me prevenir, ele fez parte do meu trabalho por mim.  A reportagem ficou muito melhor com aqueles cenas que ele providenciou, e claro ele sabia disso. Valoriza a história dele. Agradeço até hoje. E carrego a certeza de que nossos produtores escolheram o personagem certo para a série "Empreendedores".

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13 outubro 2009

comentarios-icon7 Comentários »

Quem cedo madruga…

Publicado por: Vinicius Costa

"Tem é que tirar essa gurizada bem cedo da cama, mesmo que estejam de férias". Era isso que eu ouvia - antes das 6h da manhã - quando dormia na casa de um tio em Julio de Castilhos, interior do Rio Grande do Sul. Não importava se era inverno, se chovia ou se havia ameaça de congelamento da cidade.

Com todas as janelas e portas abertas e um barulho de trator ao fundo ele se explicava -- "Quem dorme até muito tarde fica preguiçoso pra sempre". Ele tinha seus motivos: era agricultor. E naquela hora já se preparava pro segundo lanche do dia.

Soube dia desses que o dono de uma comunidade muito frequentada no Orkut vendeu os direitos para uma empresa de internet. Ganhou nessa quase vinte mil reais por ter criado "Odeio acordar cedo". A idéia foi boa. O lucro melhor ainda.

Pular da cama antes do sol é rotina pra muito trabalhador. Obrigação, claro. Mas tem aqueles que levantam na madruga por opção. Há quem saia pra correr. Pra pedalar. Pra escrever. Puro prazer, acredito. Todos os brasileiros já saltaram da cama pra fazer festa. Era 30 de junho de 2002. Quase 9h20 da manhã e vibramos com o primeiro gol de Ronaldo, lá no Japão. Craque que faz gol até de madrugada. Já era tarde, sim, mas a preparação para o jogo comecou às 7h. A Copa do Mundo daquele ano tinha jogos às 3h30, a 1h da manhã ...

Semana passada conheci duas senhoras que pegam no batente por volta desse horário. Saem de casa a meia-noite pra começar a vender antes das 2h. São comerciantes da Feira da Madrugada que funciona no Brás, em São Paulo. Um enorme camelódromo estrategicamente aberto neste horário para atender centenas - ou milhares nos meses de novembro e dezembro - de ônibus de turismo. Gente que vem para comprar nas lojas de roupas do bairro e que faz um "aquecimento" da gastança. Cheguei na feira só às 6h da manhã pra conversar com as personagens. Dona Graça é sorridente mesmo naquele horário. Daquelas senhoras empolgadas que fala a toda hora "vamos em frente". Depois de uma hora e meia de conversa e gravação, percebi que Dona Graça sequer bocejava. Pra compensar, minha equipe e eu já havíamos chegado ao recorde panamericano de abrir a boca.

Talvez pura coincidência, mas as vendedoras do Brás mudaram de vida junto com o horário do despertador. Coisa de cinco anos atrás, elas vendiam nas ruas um punhado de sutiãs e garrafinhas de água por R$ 1. Evidentemente houve muito empenho e inteligência pra chegar até onde estão. Uma delas dona de confecção onde desenha e produz roupas femininas. A outra gerencia três depósitos de lingerie que abastecem o estande onde vende.

As duas são exemplos de superação, esforço e um tantinho de inimizade com as roupas de cama. Contam com filhos, sócios e funcionários nos negócios quem mantêm. Mas ainda assim programam os relógios para horários em que televisão ainda transmite os gols de Ronaldo pelo Campeonato Brasileiro. Pra elas verem isso, só em outras Copa no Japão.

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13 outubro 2009

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Sorte ou predestinação?

Publicado por: Ogg Ibrahim

Até hoje, com 22 anos de profissão, não sei direito como acabei virando jornalista. Era uma coisa que contrariava todas as minhas expectativas e anseios profissionais. Aos 22 anos eu trabalhava em banco, seguia uma carreira como gerente auxiliar e estudava arquitetura. Mas antes tinha prestado vestibular para engenharia naval e civil. Como gostava de escrever, pensava em ser escritor mas só conseguia escrever músicas para participar de festivais (e até ganhei alguns).

De repente larguei o banco, a faculdade de arquitetura em São Paulo e fui ser gerente de livraria lá no "quiprocó da balaiúda". Pra quem nunca tinha pego mais de 300 km de estrada antes, Campo Grande, em Mato Grosso do Sul (a mil km), era o lugar mais longe pra onde eu já tinha viajado - era o c... do mundo! Mas foi lá que, sem querer, descobri minha vocação.
 
Eu já estava morando há uns oito meses. Estavam procurando um novo apresentador para o telejornal local da afiliada da Globo (que eu nunca tinha assistido). Uma das divas da bancada era uma amiga minha, Carmem Cestari. Um dia ela bebeu soda cáustica misturada com chumbo derretido e achou que eu serviria para ocupar o lugar ao seu lado. Hehe!

Olhei para os lados e perguntei onde estava a câmera da pegadinha. Eu que de televisão só entendia de mudar de canais com o controle remoto? "Tá louca! Vai se tratar" disse a ela! Mas Carmem insistiu tanto que, pra me livrar daquele convite sem propósito, topei a parada.
 
Acho que não tinha mais ninguém disputando a vaga pois nada mais explicaria a minha convocação. E olha que nem me esforcei no teste. Outro dia vi a gravação de 1987 e pensei olhando pra mim mesmo na bancada: "Putz, esse cara não serviria pra apresentar nem bingo de quermesse, quanto mais um telejornal". Mas como aquelas coisas que acontecem e a gente passa a vida sem saber porquê, fui escolhido e tô nessa até hoje. É claro que melhorei bastante!
 
O pior é que quando sentei pela primeira vez numa bancada de telejornal fui invadido por uma magia inexplicável. Foi como se tivesse tomado uma picada de algum inseto estranho e me contaminado com essa "cachaça" chamada jornalismo. Só aí fui perceber que eu tinha nascido pra coisa. Não me considero o jornalista fanático e doente que vive a profissão 25 horas por dia, mas amo o que faço e procuro fazer da melhor forma. E tem mais, não sei fazer nada fora disso. Nas vezes em que tentei, me ferrei de verde e amarelo e acabei voltando pro reduto.
 
Até hoje não sei se encontrei o jornalismo ou o jornalismo me encontrou, mas uma coisa é certa: isso que corre nas minhas veias não sobreviveria longe do agito das redações, das ilhas de edição e dos estúdios. Bendita seja "dona" Carmem que me jogou um script na cara e disse "vai aprender a ler isso e aparece lá na TV amanhã, sem falta!".

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