serra kassab José Serra vem aí? É a volta da velha novela

Caros leitores,

como o Heródoto Barbeiro já antecipou ontem à noite no "Jornal da Record News", viajo daqui a pouco com a família para pegar um pouco de frio na Alemanha, terra da família de minha mãe aonde não vou a passeio faz mais de 20 anos. Volto dia 26.

Até lá espero que a novela tucana com o vai-não-vai de José Serra já tenha terminado, e o prefeito Gilberto Kassab, finalmente, decidido com quem quer casar.

Bom Carnaval a todos.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Não deu outra. Sai eleição, entra eleição, a velha novela se repete com o mesmo suspense: José Serra vai ou não vai ser o candidato tucano?

Pode ser eleição municipal, estadual ou presidencial, não importa. O eterno candidato sempre começa dizendo que não quer, ainda não sabe o que fazer, pede um tempo para decidir, comunica "oficialmente" que não será, depois aceita conversar, e assim vai deixando os tucanos cada vez mais agoniados.

Desta vez, não foi diferente. Depois que Serra recusou a candidatura, o PSDB decidiu marcar prévias para o dia 4 de março, com quatro pré-candidatos que estão em campanha há seis meses, mas um fato novo fez Serra desistir de desistir da candidatura a prefeito para ir à luta novamente.

O fato novo chama-se Gilberto Kassab, até outro dia seu protegido e fiel aliado, que resolveu pular a cerca e, diante da indecisão dos tucanos, começar um namoro firme do PSD com o ultrainimigo PT.

Com isso, o prefeito, que não tem candidato viável e está no fundo do buraco em termos de popularidade, conseguiu rachar os dois maiores partidos da cidade. Metade do PT não quer esta aliança com o PSD de Kassab e metade do PSDB insiste nas prévias que, obviamente, Serra não quer.

Para se ter uma ideia do reboliço causado por Kassab na campanha eleitoral paulistana, a notícia de que Serra aceitaria ir para o sacrifício para tirá-lo do colo dos petistas, rachou a direção tucana já na segunda-feira.

"Há chances concretas de Serra ser candidato", proclamou o presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini, confirmando o noticiário de que José Serra vem aí novamente.

"Acabar com as prévias agora é assinar o atestado de óbito do PSDB. Mesmo que os quatro pré-candidatos desistam, ainda assim ficaremos numa espécie de UTI", respondeu o presidente estadual, Pedro Tobias.

Entre os dois, postou-se em cima do muro o governador Geraldo Alckmin, que passou a bola para Serra. "Se ele quiser ser, é um ótimo candidato. Essa é uma decisão pessoal do Serra que nós devemos aguardar".

O problema é que nenhum dos quatro pré-candidatos deu sinais de que pretende abrir mão das prévias deixando o caminho livre para Serra, como ele impôs ao governador Geraldo Alckmin como pré-condição para aceitar a candidatura.

"As prévias são irreversíveis, estão aí, e sou pré-candidato. Espero ganhar. O Serra se inscreve e segue o procedimento", avisou José Anibal, secretário de Energia do governo do Estado.

"Vou até o fim", anunciou o deputado Ricardo Tripoli. Até o serrista Andrea Matarazzo não parece disposto a abrir mão da pré-candidatura: "Ele tem dito que não é candidato, mas as coisas não são fixas. Precisa ver o que ele decide, o que o governador decide e o que o partido decide".  Só o alckmista Bruno Covas não disse nada.

kassab lula José Serra vem aí? É a volta da velha novela

A aproximação de Kassab com o PT deixou José Serra numa encruzilhada diante de três hipóteses, nenhuma delas boa para seus planos de uma nova candidatura presidencial em 2014:

# Se sair candidato a prefeito, e ganhar, não poderá deixar o cargo de novo, no meio do mandato, como já fez em 2006.

# Se perder, não terá condições políticas nem ânimo para se candidatar a mais nada, só lhe restando encerrar melancolicamente a carreira.

# Se ficar sem mandato até 2014, corre o risco de sumir do cenário fazendo política só pelo Twitter, cada vez mais isolado no partido.

Desde o início desta nova fase da velha novela, Gilberto Kassab deixou bem claro para todos que só não faria a aliança com o PT de Lula se Serra fosse o candidato do PSDB _ na certeza de que o amigo não seria candidato.

E agora? Como fica o prefeito? Ao ser perguntado sobre a possível candidatura Serra, ele disse que ficaria numa situação "desconfortável".

Mais do que isso, Kassab não poderá ficar eternamente jogando dos dois lados. A brincadeira tem prazo para acabar. Lula já anunciou que quer antecipar a aliança com o PSD para março.

Também de olho em 2014, Serra agora tem pressa. Em conversa com tucanos, segundo o noticiário da Folha, Serra avaliou que seria "um desastre" para qualquer projeto político do PSDB uma aliança entre o PT e o PSD.

Ou seja, para evitar o desastre tucano, só tem um jeito de segurar Kassab: se Serra for o candidato a prefeito.

Ainda outro dia escrevi aqui que esta campanha eleitoral em São Paulo promete fortes emoções. Não percam os próximos capítulos. Estamos só no começo.

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Lúcio Flávio Pinto Jornalista ameaçado: somos todos Lúcio Flávio

Reprodução Facebook

Caros leitores e colegas jornalistas,

trabalhei durante muitos anos com um jornalista excepcional: Lúcio Flávio Pinto, um paraense de notável coragem, que dedicou toda sua vida pessoal e profissional a divulgar e defender a sua terra e a sua gente. É o maior especialista em Amazônia do jornalismo brasileiro.

Lúcio é, acima de tudo, um estudioso, um trabalhador incansável, que não se conforma com as injustiças e as bandalheiras de que são vítimas a floresta e o povo que nela habita. Por isso, foi perseguido a vida toda pelos que ameaçam a sobrevivência desta região transformando as riquezas naturais em fortunas privadas.

Agora quem está ameaçado é o próprio Lúcio Flávio, na sua luta solitária contra dezenas de processos movidos pelos poderosos na Justiça para impedí-lo de continuar denunciando os assassinos da floresta.

Quem sempre esteve ao seu lado foi Raul Martins Bastos, nosso chefe no "Estadão", que me enviou na noite de segunda-feira a mensagem transcrita abaixo. É um libelo não só em defesa do grande jornalista, mas da nossa profissão permanentemente ameaçada nos tribunais.

Onde estão nesta hora as poderosas entidades patronais da mídia, como a ANJ e o nstituto Millenium, e seus arautos sempre tão preocupados na defesa da liberdade de imprensa e de expressão?

Lúcio está fora da grande imprensa há muitos anos, sobrevivendo com o seu  "Jornal Pessoal", um quinzenário que produz sozinho. Talvez por isso não mereceça a atenção dos editorialistas dos jornalões e das entidades que costumam se manifestar nestas horas, como a OAB e a CNBB.

Cabe, portanto, a nós, jornalistas, sair em sua defesa como propõe o mestre Raul Bastos e sermos todos Lúcio Flávio nesta hora.

***

"A indignidade que estão fazendo contra o jornalista Lúcio Flávio Pinto" é o título do texto-apelo de Raul Bastos:

"Peço que você não deixe de ler esta nota. É a história de uma injustiça. Uma indignidade.

Lúcio Flavio Pinto é um jornalista de Belém do Pará que há quase vinte anos edita uma publicação chamada Jornal Pessoal. É um profissional excepcional e fonte obrigatória quando for ser escrita a verdadeira história da região dos anos 70 para cá. Trabalhou, entre outros lugares, na Realidade, no Correio da Manhã e, por longos anos, no O Estado de S.Paulo como principal repórter da região e coordenador geral da cobertura dos correspondentes da Amazônia. Nesse período teve vida acadêmica e deu cursos sobre a Amazônia em universidades dos Estados Unidos e da Europa.

O Jornal Pessoal ele faz sozinho, da apuração à edição. Não tem publicidade. Evidentemente, o jornal luta para se manter. Mas esse é o menor problema da vida do Lúcio Flávio.

O grande problema é a pressão sistemática que ele sofre dos poderosos da região por publicar matérias que denunciam indignidades e incomodam justamente os poderosos da região. Tentam calá-lo de várias maneiras, da intimidação à agressão, e ele tem resistido bravamente.

Tentam sufocá-lo e calá-lo com 33 processos. Um deles está para ser concluído e tudo indica que poderá ser desfavorável.

Qual o "crime" do Lúcio Flávio Pinto?

O Lúcio publicou denúncias comprovadas de que estava ocorrendo uma enorme grilagem de terras na região. Com isso impediu que o empreiteiro CR Almeida fizesse na Amazônia a maior grilagem da história do Brasil. Em represália, foi processado por CR Almeida sob a alegação de ter sido chamado de pirata numa das matérias do Lúcio Flávio, o que julgou ofensivo.

Foi indo, foi indo e, agora, anos depois e por incrível que pareça, o caso está terminando assim:

Com o CR Almeida não aconteceu nada.

Com o Lúcio, se avizinha uma condenação. Com essa condenação, a perda da primariedade, uma porta aberta para a intimidação absoluta.

Os amigos do Lúcio Flávio,entre os quais com muito orgulho me incluo, decidiram que ele não pode e nem vai ficar sozinho.

Vamos batalhar para tentar esgotar todas as possibilidades jurídicas do caso.

Vamos batalhar para que o caso ganhe espaço na imprensa e nas redes sociais. Vamos chamar a atenção da imprensa especializada e internacional para o caso.

Vamos batalhar, se por acaso ocorrer o pior, para que ele tenha recursos para enfrentar a situação.

O objetivo deste email é dar conhecimento do que está acontecendo e da nossa disposição de não deixar continuar acontecendo.

O objetivo deste email é pedir a sua ajuda. Primeiro, divulgando o que está acontecendo no seu veículo de comunicação, na sua coluna, nos sites, redes sociais. Depois, nos ajudando nas ações nas áreas da comunicações e mobilização que tomaremos diante de cada circunstância.

Para quem quiser mais informações do que aconteceu e do que está acontecendo ler o texto abaixo do próprio Lúcio.

Contando com você, muito obrigado e um abraço do Raul Bastos".
***

O texto de Lúcio Flávio Pinto:
O Grileiro vencerá?

Em 1999 escrevi uma matéria no meu Jornal Pessoal denunciando a grilagem de terras praticada pelo empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida, uma das maiores empreiteiras do país, com sede em Curitiba, no Paraná.

Sem qualquer inibição, ele recorreu a vários ardis para se apropriar de quase cinco milhões de hectares de terras no rico vale do rio Xingu, no Pará, onde ainda subsiste a maior floresta nativa do Estado, na margem direita do rio Amazonas, além de minérios e outros recursos naturais. Onde também está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, para ser a maior do país e a terceira do mundo.

Os 5 milhões de hectares já constituem território bastante para abrigar um país, mas a ambição podia levar o empresário a se apossar de área ainda maior, de 7 milhões de hectares, o equivalente a 8% de todo o Pará, o segundo maior Estado da federação brasileira. Se fosse um Estado, a "Ceciliolândia" seria o 21º maior do Brasil.

Em 1996, na condição de cidadão, ajudei a preparar uma ação de anulação e cancelamento dos registros das terras usurpadas por C. R. Almeida, com a cumplicidade da titular do cartório de registro de imóveis de Altamira e a ajuda de advogados inescrupulosos. A ação foi recebida e todos advertidos de que aquelas terras não podiam ser comercializadas, por estarem sub-judice, passíveis de nulidade.

Os herdeiros do grileiro podem continuar na posse e no usufruto da pilhagem, apesar dessa decisão, porque a grilagem recebeu decisão favorável de dois desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado. Deve-se salientar que essas foram as únicas decisões favoráveis ao grileiro.

Com o acúmulo de informações sobre o estelionato fundiário, os órgãos públicos ligados à questão foram se manifestando e tomando iniciativas contra o golpe. O próprio poder judiciário estadual interveio no cartório de Altamira e demitiu todos os serventuários que ali trabalhavam, inclusive a escrivã titular, por justa causa.

Todos os que o empresário processou na comarca de São Paulo foram absolvidos. O juiz observou que essas pessoas, ao invés de serem punidas, mereciam era homenagens por estarem defendendo o patrimônio público.

A justiça de São Paulo foi muito mais atenta à defesa da verdade e da integridade de um bem público ameaçada por um autêntico "pirata fundiário", do que a justiça do Pará, com jurisdição sobre o território esbulhado. C. R. Almeida considerou ofensiva à sua dignidade moral a expressão, "pirata fundiário",  e as duas instâncias da justiça paraense sacramentaram a sua vontade.

Mesmo tendo provado tudo que afirmei fui condenado. A cabulosa sentença de 1º grau foi confirmada pelo tribunal, embora a ação tenha sido abandonada desde que Cecílio do Rego Almeida morreu, em 2008.

Depois de enfrentar todas as dificuldades possíveis, meus recursos finalmente subiram a Brasília em dezembro do ano passado. O recurso especial seguiu para o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler, graças ao agravo de instrumento que impetrei (o Tribunal do Pará rejeitou o primeiro agravo; sobre o segundo já nada mais podia fazer).

Mas o presidente do STJ, em despacho do último dia 7, negou seguimento ao recurso especial. Alegou erros formais na formação do agravo: "falta cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante do pagamento das custas do recurso especial e do porte de retorno e remessa dos autos".

A falta de todos os documentos apontada pelo presidente do STJ me causou enorme surpresa. Vou tentar esclarecer a situação, sabendo das minhas limitações. Não tenho dinheiro para sustentar uma representação desse porte. Muito menos para arcar com a indenização.

Desde 1992 já fui processado 33 vezes. Nenhum dos autores exerceu o legítimo direito de defesa. O Jornal Pessoal reproduz todas as cartas que recebe, mesmo as ofensivas, na íntegra. Todos foram diretamente à justiça, certos de contarem com a cumplicidade daquele tipo de toga que a valente ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, disse esconder bandidos, para me atar a essa rocha de suplícios, que, às vezes, me faz sentir no papel de um Prometeu amazônico.

Apesar de todas essas ações e do martírio que elas criaram na minha vida nestes últimos 20 anos, mantenho meu compromisso com a verdade, com o interesse público e com uma melhor sorte para a Amazônia, onde nasci. Não gostaria que meus filhos e netos (e todos os filhos e netos do Brasil) se deparassem com espetáculos tão degradantes, como o que vi: milhares de toras de madeira de lei, incluindo o mogno, ameaçado de ser extinto nas florestas nativas amazônicas, nas quais era abundante, sendo arrastadas em jangadas pelos rios por piratas fundiários, como o extinto Cecílio do Rego Almeida.

Depois de ter sofrido todo tipo de violência, inclusive a agressão física, sei o que me espera. Mas não desistirei de fazer aquilo que me compete: jornalismo. Algo que os poderes, sobretudo o judiciário do Pará, querem ver extinto, se não puder ser domesticado conforme os interesses dos donos da voz pública.

Decidi escrever esta nota não para pressionar alguém. Não quero extrapolar dos meus direitos. Decisão judicial cumpre-se ou dela se recorre. Se tantos erros formais foram realmente cometidos no preparo do agravo, o que me surpreendeu e causou perplexidade, paciência: vou pagar por um erro que impedirá o julgador de apreciar todo meu extenso e profundo direito, demonstrado à exaustão nas centenas de páginas dos autos do processo.
Terei que ir atrás da solidariedade dos meus leitores e dos que me apoiam para enfrentar mais um momento difícil na minha carreira de jornalista, com quase meio século de duração. Espero contar com a atenção das pessoas que ainda não desistiram de se empenhar por um país decente.

Belém (PA), 11 de fevereiro de 2012

LÚCIO FLÁVIO PINTO
Editor do Jornal Pessoal

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Bem que a presidente Dilma Rousseff já gostaria de ter concluído sua minirreforma ministerial para poder se dedicar apenas a melhorar a gestão de governo, o seu grande objetivo para 2012, mas as mudanças estão emperradas pela falta de bons e confiáveis nomes no mercado partidário.

Numa conversa que tivemos antes do início da campanha presidencial de 2010, quando ainda era ministra-chefe da Casa Civil, Dilma queixava-se exatamente da falta de quadros para compor a equipe de governo.

O que dificulta ainda mais a escolha de substitutos para os ministros que estão balançando nas cadeiras é a necessidade de contemplar os partidos no esquema de capitanias hereditárias adotado pelo "presidencialismo de coalizão".

Já está decidido que as próximas trocas deverão ocorrer em Transportes, Trabalho, Igualdade Racial e Cultura, mas a presidente não está conseguindo conciliar os interesses partidários com um perfil adequado para unir na mesma pessoa competência profissional com conduta ética.

Faço uma pergunta aos leitores: qual nome do PR vocês indicariam para o lugar do interino Paulo Passos no Ministério dos Transportes, que é da cota do partido de Valdemar Costa Neto?

Da mesma forma, qual seria o candidato natural do PDT de Carlos Lupi para ocupar o Ministério do Trabalho?

Ana Holanda, da Cultura, assim como Luiza Barrios, da Igualdade Racial, também só continuam em seus postos porque Dilma ainda não encontrou ninguém para substituí-las. Neste caso, o problema não é partidário, mas achar alguém que não signifique trocar seis por meia dúzia, como já aconteceu no Ministério das Cidades, por absoluta falta de opção.

Enquanto não conclui a reforma no primeiro escalão, Dilma vai discretamente substituindo por técnicos da sua confiança nomes antes indicados pelos partidos para ocupar áreas estratégicas como a Conab, o Dnocs e a Casa da Moeda, e em diretorias do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

PEC-300 vai para a geladeira

Em semana aparentemente tranquila, uma coisa é certa: agora, depois da greve na Bahia e da ameaça no Rio de Janeiro, é que o governo federal não vai mesmo apoiar a PEC-300, que estabelece piso salarial nacional para os policiais. Seria ceder às chantagens dos grevistas.

Caberá ao Ministério da Justiça encontrar alguma outra solução para acalmar os funcionários públicos fardados e armados que se mobilizaram nacionalmente e ameaçam fazer novas paralisações.

Fernandos esquecidos

E não se fala mais nos ministros da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que chegaram ao final de 2011 como as bolas da vez.

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"... e você acha que o Kassab pode aparecer nesta festa de aniversário do PT"?, interrompeu-me o colega Heródoto Barbeiro, com seu habitual bom humor de monge que já viu de tudo na vida, ao final do meu comentário de quinta-feira no Jornal da Record News.

Como nunca sei se ele está falando sério ou brincando, respondi que sim, isto poderia acontecer, porque hoje em dia tudo é possível na nossa política. E não é que aconteceu?  Até outro dia principal adversário do PT na política paulistana, o prefeito Gilberto Kassab não só compareceu, como foi recebido com festas, vivas e abraços pelos dirigentes reunidos na grande mesa montada no palco da celebração.

Em compensação, tomou uma tremenda vaia da platéia de militantes, que o recebeu aos gritos de "fora Kassab!", mas permeneceu até  o final da festa ao lado da presidente Dilma Rousseff e de vários ministros, e ainda foi embora no mesmo carro junto com o candidato petista Fernando Haddad, que não quis se manifestar sobre o noivado do PT com o PSD e a bronca da ex-prefeita Marta Suplicy, que nem foi à festa.

Seria uma cena inimaginável quatro anos atrás, quando Marta perdeu a eleição municipal após uma feroz disputa com Kassab, o candidato da aliança demotucana patrocinada por José Serra.

Na véspera, Marta já tinha desabafado que a aliança com Kassab seria para ela um pesadelo e se limitou a mandar uma carta para o partido, na qual lembrou que "é fundamental continuarmos avançando nas conquistas sociais, sem abrir mão de nossos princípios".

O que aconteceu em Brasília na noite de sexta-feira é uma amostra do que aguarda a campanha de Fernando Haddad em São Paulo: apoio da cúpula à parceria com Gilberto Kassab, que teria o direito de indicar o vice da chapa, mas uma tremenda hostilidade das chamadas bases do partido, inconformadas com esta guinada dos dirigentes petistas.

Os comentários dos leitores do Balaio publicados no post anterior ("Marta bate o pé e não quer saber de Kassab") deixam isto muito claro. A maioria bate duro em Kassab e defende Marta.

Principal mentor da aliança do PSD com o PT em São Paulo, o ex-presidente Lula não foi liberado pelos médicos para ir à festa em Brasília. Pela primeira vez na história do partido, ele não ocupou o principal lugar à mesa.

Quando terminar seu tratamento para combater o câncer na laringe, na próxima semana, Lula terá um enorme desafio pela frente para convencer não só Marta, mas a velha militância petista, a se engajar na campanha de Haddad tendo ao lado dele o prefeito Kassab.

Os próximos lances da campanha em São Paulo prometem fortes emoções. A começar pelas prévias do PSDB, marcadas para o começo de março, já contestadas por lideranças ligadas a José Serra, que continua no-vai-não-vai, deixando os tucanos aflitos para saber que rumo vão tomar nestas eleições  _ se é que o PSDB ainda tem algum rumo.

Façam suas apostas, caros leitores/eleitores. Que bicho vai dar?

 

 

Bom fim de semana a todos.

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marta suplicy ok Marta bate o pé e não quer saber de Kassab

Marta em Brasília/Foto: Wilson Pedrosa/AE

A ex-prefeita Marta Suplicy não poderia ter escolhido melhor o dia e o lugar para mostrar toda sua mágoa com a direção do PT que a impediu de tentar mais uma vez voltar ao cargo de prefeita de São Paulo.

Em Brasília, após a reunião do diretório nacional e na véspera da festa de 32 anos do partido, Marta tinha todas as câmeras e microfones à sua disposição para detonar a aliança que o PT paulistano está costurando com o PSD do prefeito Gilberto Kassab.

Era o álibi que Marta esperava para justificar sua notada ausência na coordenação da campanha de Fernando Haddad, o ex-ministro da Educação escalado por Lula para defender a camisa do PT em São Paulo.

Antes de perder a vaga, Marta liderava todas as pesquisas de intenção de voto, mas seus índices de rejeição também eram altos, principal argumento utilizado pelos que não queriam sua candidatura.

Fez biquinho, engoliu em seco e tratou de garantir mais um ano na vice-presidência do Senado, rifando o acordo de revezamento que havia feito com o senador cearense José Pimentel.

Garantida no trono ao lado de Sarney, foi contemplada também com a indicação de seu ex-secretário Jilmar Tatto para novo líder do PT na Câmara.

Lula e o PT se empenharam para fazer agrados e trazer Marta de volta ao ninho, mas a decisão de abrir negociações com Gilberto Kassab, seu maior inimigo político na cidade, ao lado do ex-aliado José Serra, foi demais para o orgulho e o estômago da ex-prefeita.

Marta resolveu chutar o balde em Brasília, comparando a aliança com Kassab a um pesadelo. "Corro o risco de acordar de mãos dadas com Kassab no palanque", disparou, descartando qualquer acordo com o prefeito.

Afinal, nas últimas eleições paulistanas, em 2008, Marta enfrentou uma campanha duríssima contra Kassab, Serra e Alckmin, na época da aliança PSDB-DEM (hoje rebatizado de PSD).

Após pesada troca de acusações e insinuações, Kassab acabou vencendo no segundo turno e procurou de todas as formas desqualificar a administração petista.

Na Câmara Municipal, os vereadores do PT passaram os últimos quatro anos batendo duro no prefeito, qualificando sua gestão de elitista e higienista.

Como explicar agora aos militantes e aos eleitores, principalmente os da periferia, que sempre acompanharam Marta nas eleições, esta estranhíssima aliança com Kassab, que já chamei aqui de casamento de jacaré com rinoceronte?

Claro que o PT não está conversando com Kassab sobre afinidades programáticas nem projetos para melhorar a vida de quem mora nesta cidade, nem mesmo está atrás dos votos dele, até porque o prefeito tem altíssimos índices de rejeição.

Também não é por causa do tempo do PSD na televisão, que não passa de um minuto ( o partido ainda tenta conseguir mais alguma coisa no TSE).

Os olhos de Lula e Dilma miram não a eleição deste ano, mas a de 2014, tanto no plano federal como no estadual, em que o maior objetivo do PT é isolar o PSDB e, principalmente, José Serra, que levou Kassab para a prefeitura como vice em 2004.

Além disso, o prefeito oferece um respeitável dote político, dono da terceira maior bancada na Câmara. O PSD poderá ser muito útil para quebrar 20 anos de domínio do PSDB em São Paulo e ajudar na reeleição de Dilma, se algum dos atuais partidos aliados roer a corda.

Para Kassab, já que não tem candidato para ganhar as eleições, melhor mesmo é se aliar ao PT e assim escapar de ver sua administração bombardeada durante a campanha eleitoral.

Resta saber se vale a pena perder o apoio de Marta, tão necessário para apresentar Fernando Haddad ao eleitorado paulistano, para andar por aí de mãos dadas com Kassab, e correr o risco de confundir o eleitorado em outubro.

Virgem em campanhas eleitorais, como Dilma Rousseff era em 2010, Fernando Haddad conta com o apoio decidido de Lula, mas carrega também um passivo de ex-ministro envolvido nos rolos do Enem, polêmicos livros didáticos e de um tal de "kit-gay", que já está atiçando seus adversários na campanha.

Por enquanto, ainda não está definido quem será o candidato anti-PT desta vez. Se Kassab indicar mesmo o vice de Haddad e romper a velha aliança com os tucanos, Alckmin terá dificuldades para carregar um candidato sozinho, qualquer que seja.

Por ironia do destino, sem ser candidata, Marta poderá ser o fiel da balança desta campanha municipal ainda absolutamente indefinida na maior cidade do país. E ela sabe disso para valorizar o seu passe. Acima de tudo, Marta é Marta.

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Derretendo de calor enquanto escrevo na varandinha do meu apartamento (não suporto ar-condicionado, nem tenho em casa), fico pensando o que está acontecendo com este nosso mundo, um mundo muito louco.

Que se passa? Temperaturas acima de 40 graus no Brasil e, no mesmo dia, os termômetros marcando até 50 graus negativos na Europa. Entre uma e outra região do mesmo mundo, dão 90 graus de diferença. Quem aguenta?

Não sei se em alguma outra época já aconteceu isso, mas o fato é que o nosso corpo não suporta tamanhas oscilações do tempo. Para uns, o mundo está aquecendo; para outros, esfriando, e nós no meio, sem saber para onde correr.

Me apavoro só de pensar que, daqui a uma semana, embarco numa excursão familiar para a Alemanha, terra dos meus antepassados maternos, onde não vou a passeio faz uns 20 anos. Vamos no Carnaval para aproveitar que os netos estarão sem aulas e para que eles conheçam a neve, algo raro nos nossos tórridos trópicos.

alemanha Muito frio, muito calor, um mundo muito louco

Mulher atravessa praça do teatro de Dresden, na Alemanha, coberta pela neve

Só não podíamos imaginar que pegaríamos uma frente fria siberiana, o pior inverno dos últimos 100 anos, segundo as notícias alarmantes dos jornais. Voos atrasados e cancelados, estradas interditadas, mais de 400 mortos no frio, nevascas implacáveis que deixam as pessoas presas em suas casas _ o cenário que nos aguarda, digamos, não é muito animador.

Por toda parte há transtornos, a começar pelos congestionamentos a caminho do aeroporto e dentro do próprio. Filas monstruosas no check-in, filas nas alfândegas, filas no check-in e check-out dos hotéis, trens e aviões superlotados, praias e estações de esqui coalhadas de gente, filas nos restaurantes _ para onde você vai, tem gente demais, carros demais, confusão demais.

Fazer o que? Não sair mais de casa e ficar vendo pela televisão  o mundo se derretendo ou congelando? Afinal, todo mundo tem direito a um lugar ao sol ou na neve. Só que há cada vez menos lugares para cada vez mais gente. Já somos 7 bilhões de terráqueos, temos mais de 7 milhões de carros circulando apenas aqui em São Paulo, os aviões disputam um lugar no céu e nas pistas dos aeroportos, os navios poluem os mares.

Alguma coisa não deu certo na louca corrida pelo progresso a que todos, pessoas e países, têm direito. Estas mudanças climáticas mais radicais registradas a cada ano são uma consequência desta nossa necessidade de querer e fazer sempre mais, tudo sempre mais, viajar mais, trabalhar mais, comprar, comer e beber mais, poluir mais o mundo.

Aí prédios desabam, ruas explodem, mares avançam sobre as cidades, policiais trocam de posição com bandidos, hospitais e necrotérios ficam superlotados, dinheiro público se transforma em privado, leis são aplicadas ao gosto do freguês, governos se desmancham.

Não quero parecer apocalíptico, nem assustar ninguém, mas não posso fechar os olhos para o mundo, deixar de ler e ver o noticiário, escrever sobre o que acontece, até porque vivo disso. O ofício de repórter é bom, eu gosto, mas tem este problema: somos obrigados a viver dentro da realidade que nos cerca e contar o que está acontecendo.

Do jeito que está o calor nestes últimos dias em São Paulo nem uma cerveja geladinha resolve. Dá vontade de entrar na geladeira e esperar que o mundo tome juízo. É mais ou menos o que vou fazer na semana que vem... Ou alguém ainda acha melhor passar o Carnaval na Bahia?

praia Muito frio, muito calor, um mundo muito louco

Hoje estou cheio de perguntas... Se os caros leitores do Balaio tiverem alguma ideia melhor, contem para nós, por favor. Ainda tem jeito ou a previsão do calendário maia é que está certa? Aguardo respostas.

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dilmacomafaixa gd1 e1328711302228 Exclusivo – Nunca Antes..., o filme: de Lula para Dilma

Paulo Whitaker/Reuters

Durante os oito anos de seu governo, Lula teve duas sombras permanentes: a cabeleira do fotógrafo oficial Ricardo Stuckert e a careca do general Gonçalves Dias, chefe da segurança presidencial. Onde um estava, sempre estavam os três.

Desde a véspera da primeira posse, em 1º de janeiro de 2003, Stuckert registrou cada movimento de Lula em milhares e milhares de fotos. No segundo mandato, passou também a filmar em vídeo digital os eventos oficiais, todas as viagens e o dia a dia do ex-presidente. Os três ficaram muito amigos.

Esta semana, enquanto Lula continuava fazendo radioterapia para tratar do câncer da laringe, e o general conhecido por GDias comandava as forças federais durante a greve da PM em Salvador, Stuckert finalizava a montagem do documentário "Nunca Antes..." nos estúdios da produtora Casablanca, em São Paulo.

Em meio ao temporal de terça-feira, o fotógrafo reuniu um grupo de amigos do ex-presidente no cineminha da Casablanca para mostrar o filme de 32 minutos, que registra todos os momentos públicos e cenas de bastidores da festa de transmissão do cargo do ex-metalúrgico Lula para a economista Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente da República do Brasil.

alencar lula2 mat Exclusivo – Nunca Antes..., o filme: de Lula para Dilma

Presidência

No mesmo dia, 1º de janeiro de 2010, já sem faixa e sem terno, mas ainda acompanhado de Stuckert e GDias, Lula desembarcou em São Paulo, e foi direto para o hospital Sírio-Libanês, onde estava internado o ex-vice presidente José Alencar, que viria a morrer em março do ano passado.

Já bastante debilitado após 18 cirurgias, Alencar tinha sido proibido pelos médicos de ir a Brasília para a posse de Dilma e descer a rampa junto com Lula, como tantas vezes prometeu.

As imagens da conversa entre os grandes amigos Lula e Zé Alencar nas primeiras horas fora do poder, fazendo um balanço da vida e do governo, renderam os momentos mais emocionantes do filme.

Os dois estavam felizes e pareciam realizados com os resultados alcançados pelos seus oito anos no comando do país. Sempre segurando a mão direita de Alencar ao lado da cama no hospital, Lula quase não falou. Só ficou ouvindo seu vice fazer um comovente balanço do governo que terminou naquele dia com 87% de aprovação popular.

O momento de descontração ficou por conta de dona Mariza, a mulher do vice, quando ela contou para Lula que foi obrigada a ameaçar com a separação, depois de 53 anos de casamento, se Zé Alencar insistisse em ir para Brasília naquele dia.

Como já tinha acontecido infinitas vezes durante o seu governo, a certa altura Lula soltou um "nunca antes na história deste país", que acabou se tornando o bordão preferido do ex-presidente e escolhido por Ricardo Stuckert para batizar o documentário concluído esta semana.

Lula e Dilma ainda não viram o filme. Stuckert pretende marcar o lançamento para o Teatro Nacional de Brasília e depois exibí-lo em escolas e sindicatos por todo o país.

Focado no dia da posse de Dilma e da despedida de Lula, "Nunca Antes..." registra os principais trechos dos discursos da nova presidente e os últimos momentos de Lula com sua mulher, Marisa, no gabinete presidencial, quando ela coloca nele a faixa presidencial. O documentário exibe também imagens da festa que prepararam para Lula na chegada de volta a São Bernardo do Campo.

De fato, nunca antes na história deste país tivemos um operário e uma mulher na presidência da República e uma parceria pessoal e política feita da mais absoluta lealdade e confiança mútua como a do operário pernambucano Lula com o empresário mineiro José Alencar.

Nem o mais criativo roteirista seria capaz de inventar uma história como esta e muito menos encontrar personagens como Lula, Dilma e Alencar, três brasileiros incomuns que fizeram e continuam fazendo História.

Faltam poucos dias

Falei rapidamente por telefone com Lula sobre o filme na manhã desta quarta-feira, durante mais uma sessão de radioterapia no Sírio-Libanês, e ele gostou do título escolhido.

Esta é a fase mais difícil do tratamento, que deve terminar na sexta-feira da próxima semana. O ex-presidente continua com dificuldades para falar e ingerir alimentos. Já perdeu uns cinco quilos e não vê a hora de voltar às suas atividades normais.

Afinal, já são quase quatro meses longe dos microfones e das platéias, dividindo seu tempo apenas entre a casa e o hospital. Após o encerramento da radioterapia, os médicos que cuidam dele farão mais uma bateria de exames para avaliar a evolução do tratamento.

Paciente e médicos estão otimistas, mas dificilmente Lula poderá ir, como tanto queria, ao desfile da escola de samba "Gaviões da Fiel", cujo enredo o homenageará este ano.

Valeu, Lula, agora falta pouco. Aguenta firme.

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dilma ministro A melancólica posse do novo ministro: mais do mesmo

Dilma Rousseff e o novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, durante cerimônia de posse - Foto: José Cruz/ABr

Foi-se o tempo em que a posse de um novo ministro de Estado representava um importante evento político no Palácio do Planalto, com o pátio do aeroporto de Brasília lotado de jatinhos. No governo de Dilma Rousseff, a queda e a posse de ministros transformou-se numa modorrenta rotina burocrática que nem merece mais manchete de jornal. Virou notícia de pé de página.

Entre outros motivos, esta desimportância da cerimônia de mudança de ministros deve-se ao fato de que nada muda no quadro político e muito menos nas nossas vidas saber quem sai e quem entra porque uns e outros pertencem aos mesmos partidos e adotam as mesmas práticas.

No caso de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), 42 anos, empresário, engenheiro e administrador, um obscuro deputado federal em primeiro mandato, que foi empossado por Dilma no Ministério das Cidades na segunda-feira, provavelmente nem mesmo a presidente o conhecesse antes de ser indicado para o lugar de Mário Montenegro por Francisco Dornelles, o presidente do PP.

Levado para o PP pelas mãos de Paulo Maluf, filho de tradicional família do semi-árido paraibano, que se notabilizou no combate aos líderes camponeses, a única novidade na sua posse foi o fato de ele já chegar ao governo cercado de denúncias e desconfianças sobre a sua atividade política e empresarial. Como disse o cientista político Rubens Figueiredo, com Aguinaldo Ribeiro a presidente Dilma "inaugurou o Ministério porta-bandeira: o sujeito já entra balançando". Poderia acrescentar que se trata do típico ministro "Matte Leão", aquele que já vem queimado.

Com dois processos pendentes no STF, depois da sua nomeação soube-se que o novo ministro é dono de emissoras de rádio registradas em nome de laranjas e de empresas de construção civil não declaradas à Justiça Eleitoral, além de ser adepto do nepotismo e do velho hábito de destinar verbas públicas a familiares e amigos.

Nada de novo, portanto, no horizonte do Ministério das Cidades. Em seu discurso de posse, feito apenas de declarações de boas intenções, sem apresentar qualquer proposta concreta de trabalho, Ribeiro reclamou da rigidez dos orgãos de fiscalização e já se queixou das dificuldades: "É tudo assim tão complicado que chega em alguns momentos a ser desestimulante para o gestor". E ouviu uma cobrança da presidente Dilma, que pediu a ele uma "postura rigorosamente republicana", algo que não tem sido muito comum na atual equipe de governo, e levou à demissão de ministros como Mário Negromente.

Antes mesmo de começar o seu trabalho, Aguinaldo Ribeiro já sofreu sua primeira derrota política e viu seu poder esvaziado: foi obrigado a nomear a petista Inês Magalhães para a Secretaria Executiva de Cidades, seguindo a política adotada por Dilma em outros ministérios: colocar técnicos da sua confiança em cargos-chave.

Já que não consegue se livrar das amarras do "presidencialismo de coalizão" em nome da tal da "governabilidade", entregando a nomeação de ministros aos partidos, o que leva a indicações temerárias como a de Aguinaldo Ribeiro, a presidente pretende melhorar a gestão de governo mantendo um rígido controle sobre as áreas técnicas e financeiras.

Ao mesmo tempo em que o pepista tomava posse, o governo anunciava outra troca, desta vez na Secretaria das Mulheres: sai a petista Iriny Lopes, que vai se candidatar a prefeita de Vitória, e entra a petista Eleonora Menicucci, que foi companheira de cela de Dilma nas prisões da ditadura militar. Em sua primeira manifestação, a futura ministra defendeu a liberação do aborto, tema que marcou a última campanha eleitoral e pode criar novas dores de cabeça para a presidente.

Como previsto aqui no Balaio, logo no começo do ano, a anunciada reforma ministerial foi assim reduzida à troca de alguns nomes no esquema seis por meia dúzia, mantendo nos ministérios os mesmos esquemas político-partidários. Quem esperava "um novo ministério Dilma" a partir do segundo ano de governo pode ir tirando o cavalinho da chuva. Teremos mais do mesmo.

Que grande diferença existe, afinal, entre o perfil do demissionário Negromonte e o do novato Ribeiro? A melancólica e pouco prestigiada cerimônia de posse no Palácio do Planalto, que entrou de raspão nos telejornais da noite em dia de conflitos na Bahia e privatização de aeroportos, constitui o melhor retrato de um tempo em que a política já não emociona nem entusiasma mais ninguém. Vida que segue.

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gre pm bahia6 g 20120206 Bahia em pé de guerra às vésperas do Carnaval

Lucio Távora/Agência A Tarde/AE

Em lugar de blocos e trios elétricos, há tanques e tropas desfilando pelas ruas de Salvador. Na semana que antecede o Carnaval, sua maior festa popular, a Bahia continua em pé de guerra e não há nenhum desfecho pacífico à vista para a greve da Polícia Militar deflagrada terça-feira passada, quando o governador Jaques Wagner estava em Cuba.

Até a hora em que começo a escrever, 10h desta segunda-feira, 89 pessoas já foram assassinadas e cerca de 450 escolas da rede privada no Estado continuam sem aulas. A tropa de choque da PM acaba de se juntar às tropas do Exército, da Força Nacional e da Polícia Federal no cerco ao prédio da Assembleia Legislativa da Bahia, onde se homiziaram os revoltosos, e que pode ser invadido a qualquer momento.

Não se sabe ao certo o número dos que estão lá dentro, muitos deles armados. Doze lideres do movimento estão com prisão decretada pela Justiça e até agora só um deles foi preso.

Pouco antes, um grupo de policiais militares acompanhado de familiares tentou furar o bloqueio a bordo de um jipe e foi contido com balas de borracha e gás de pimenta pela tropa de paraquedistas do Exército.

O prédio da Assembleia Legislativa pode ser ocupado a qualquer momento pelas forças federais. O líder dos policiais rebelados, ex-soldado Marco Prisco Caldas Nascimento, mandou avisar, por meio do seu porta-voz, Waldeck Filho, que a ordem é resistir até o fim. "Vai acontecer uma chacina aqui e o responsável é Jaques Wagner", disse o assessor aos jornalistas.

O impasse continua. Em entrevista à Folha publicada na edição de hoje, Jaques Wagner não admite reabrir negociações com os grevistas que rejeitaram o aumento de 6,5% e reivindicam um salário de R$ 2.685 (ganham atualmente R$ 2.173), além de anistia para os líderes do movimento e diversas gratificações.

Sou velho amigo de Wagner desde a primeira campanha presidencial de Lula, em 1989, sei das dificuldades que está enfrentando, mas não dá para deixar de criticá-lo por permitir que a situação tivesse chegado a este ponto.

Ex-líder sindical, não é possível que o governador não estivesse informado sobre o barril de pólvora armado pelos policiais militares às vésperas do Carnaval quando embarcou para Havana, acompanhando a presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira passada. No dia seguinte, a assembleia dos policiais decretou greve, que já conta com o apoio de um terço da categoria.

O governador só voltou na madrugada do dia 2, quinta-feira, quando Salvador já tinha se transformado numa praça de guerra. "Não vou dar anistia nem negociar com PM bandido", garante Jaques Wagner, no que pode ter todas as razões do mundo, mas não resolve o problema.

Deveria ter negociado e tomado providências antes, como bem sabe por sua formação sindical e a experiência de 2001, quando houve a primeira grande rebelião da PM. Naquela época, Wagner estava na oposição e ajudou a negociar o final da greve, como lembrou na entrevista.

Outros Estados já enfrentaram o mesmo problema de policiais em greve nos últimos meses, mas sem chegar à gravidade da situação na Bahia. "Esse movimento tem esse caráter nacional: tem uma direção nacional, uma cartilha cujo objetivo é a votação da PEC-300" (emenda que estabelece um piso salarial nacional para a polícia).

Se isto é correto e já era sabido, mais um motivo para que se evitasse a greve. De nada adianta agora lembrar que o principal líder dos revoltosos, Marco Prisco, que tem até porta-voz, foi expulso da PM após a greve de 2001 e agora é filiado ao PSDB. Em outros tempos, como bem sabe Jaques Wagner, os líderes grevistas eram ligados ao PT. Parece aquela velha história do feitiço que se virou contra o feiticeiro.

Que fazer agora que já se ouve o batuque dos tamborins? Os baianos e os forasteiros que chegam assustados a Salvador querem mais é que esta guerra acabe logo para que a grande festa possa começar. Faltam poucos dias.

Saravá!

Veja a cobertura completa da onda de violência na Bahia

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Foram praticamente unânimes os aplausos na imprensa para a corregedora Eliana Calmon pela vitória que conquistou esta semana no STF em sua batalha contra o corporativismo e a impunidade dos magistrados. Tanto nos comentários dos leitores deste Balaio como em outros sítios, os brasileiros comemoram a coragem desta mulher que resolveu abrir a caixa-preta da Justiça.

Em comentário enviado  às 6h59 deste domingo ao blog do meu colega Ricardo Noblat, no portal Globo.com, que reproduziu no sábado meu post de sexta-feira sobre o julgamento do CNJ no STF ("6 a 5: a sofrida vitória de Eliana Calmon"), o leitor Julio Cezar Noia Mattos levantou uma interessante questão, na qual também já vinha pensando:

"Poderiam aproveitar o clima para criar um orgão de controle externo para a imprensa, derrubando mais uma caixa preta, pois é mais que um direito dos cidadãos receber as informações sem manipulações e partidarismos".

Por uma feliz coincidência, poderiam aproveitar até a mesma sigla do CNJ da Justiça criando o Conselho Nacional de Jornalismo. Foi mais ou menos essa a reivindicação que os presidentes da Federação Nacional dos Jornalistas e de 26 sindicatos estaduais levaram ao então presidente Lula, em 2004, quando eu era o Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República.

Na época, os mesmos órgãos da grande mídia, que agora defendem o controle externo do Judiciário, uniram-se contra a proposta dos jornalistas, acusando o governo de querer censurar a imprensa.

Enviado ao Congresso Nacional em forma de projeto de lei, a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalistas acabou sendo retirada pelo próprio governo pouco tempo depois, após um verdadeiro massacre promovido por colunistas e editorialistas dos jornalões, que não admitem qualquer regulamentação da atividade, hoje transformada numa terra de ninguém.

A formação deste CNJ da imprensa poderia ser feita nos mesmos moldes e com os mesmos objetivos do CNJ, encarregado de fiscalizar o Judiciário, ou do Conar, o órgão de autorregulamentação da publicidade, criado há mais de 30 anos e integrado por representantes de veículos, agências e anunciantes.

Por que não? As entidades patronais, hoje reunidas no Instituto Millenium, nem sequer admitiram discutir o projeto ou qualquer outro que proteja a sociedade dos abusos cometidos por veículos e jornalistas. No ano passado, o projeto de lei apresentado em 2004, com algumas modificações, voltou a ser debatido no Congresso Nacional e esta é uma boa oportunidade para estendermos ao chamado quarto poder os mesmos instrumentos de regulação e fiscalização que defendemos para o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Trata-se de um assunto que interessa a toda a sociedade e não apenas aos diretamente envolvidos na atividade jornalística. Fica a sugestão do leitor Julio Cezar Noia Mattos, que eu endosso.

Precisamos urgentemente de uma Eliana Calmon também para a imprensa.

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