LM Pesquisa Data Folha indica queda de popularidade de Dilma Rousseff 280720150001 300x180 Governo Dilma 2 caminha para a autodestruição

Não, o caro leitor não se enganou: o título acima está entre aspas porque é exatamente o mesmo do texto que publiquei aqui no dia 2 de fevereiro de 2015, às 10h01 _ quase sete meses atrás, portanto, quando a crise que vivemos hoje estava apenas começando.

Reproduzo abaixo alguns trechos:

"Pelo ranger da carruagem desgovernada, a oposição nem precisa perder muito tempo com CPIs e pareceres para detonar o impeachment da presidente da República (...) O governo Dilma-2 está se acabando sozinho num inimaginável processo de autodestruição".

"Isolada, atônita, encurralada, sem rumo e sem base parlamentar sólida nem apoio social, contestada até dentro do próprio partido, como estará se sentindo neste momento a cidadã Dilma Rousseff, que faz apenas três meses foi reeleita por mais quatro anos? Ou, o que seria ainda mais grave, será que ela ainda não se deu conta do tamanho da encrenca em que se meteu?"

"É duro e triste ter que escrever isso sobre um governo que ajudei a eleger com meu voto, mas é a realidade. É preciso que Dilma caia nesta realidade e mude radicalmente sua forma de governar, buscando e não arrostando apoios, ouvindo pessoas fora do seu núcleo palaciano, como prometeu no discurso da vitória, antes que seja tarde demais".

***

Neste meio tempo, a situação do governo e do país só fez se agravar a cada dia, até entrarmos em recessão econômica, em meio a uma guerra política, sem ninguém poder prever o que virá pela frente.

Tem horas em que gostaria de estar errado. Neste caso, infelizmente, estava certo. Como sempre digo, não posso, no meu ofício de repórter, brigar com os fatos.

 

 

 

 

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Até meus amigos mais politizados não aguentam mais ouvir falar em crise. Nem eu. Nos últimos dias, notei que estão evitando tratar de política e voltaram a falar de futebol, embora neste campo também não possamos esperar nenhuma maravilha tão cedo. Pelo menos, é um jeito de mudar de assunto para não estragar os papos de fim de tarde no boteco da esquina.

Um tema que provocou muita polêmica esta semana é tão antigo quanto o futebol: técnico pode ganhar jogo? Depende do técnico. Se for o Tite, do Corinthians, o Marcelo Oliveira, do Palmeiras, ou o Dorival Júnior, do Santos, a minha resposta é que pode, sim.

Tite é, de longe, o melhor técnico do futebol brasileiro, e já faz algum tempo. Deveria ter sido chamado para o lugar de Felipão logo após o vexame da Copa no Brasil. Preparou-se para isso, foi estudar nos centros mais desenvolvidos do mundo, voltou mais atualizado e com novas ideias, mas a CBF decidiu insistir com o Dunga,que nunca foi técnico na vida, para deixar tudo como está e não atrapalhar os negócios de Marco Polo e Cia. Ilimitada.

Mesmo perdendo alguns dos seus principais jogadores, tendo que remontar a equipe em pleno campeonato, Tite conseguiu manter o espírito do futebol compacto e continuar competitivo como no ano passado. Não à toa, o Corinthians virou o turno na liderança e é favorito para a conquista do título.

Marcelo e Dorival assumiram o comando de Palmeiras e Santos com o Brasileirão correndo, os dois times muito mal colocados na tabela, rondando a zona de rebaixamento e apresentando um futebol indigente para suas desanimadas torcidas. Em poucas semanas, praticamente com os mesmos elencos e promovendo juvenis, remontaram os times, definiram o esquema tático, encontram um padrão de jogo e devolveram a confiança às torcidas.

Dá gosto de ver estes três times jogando, independentemente dos resultados. Têm tudo para chegar juntos no G4 ao final da disputa, coisa que não acontece com o futebol paulista faz muito tempo.

É exatamente o contrário do que se passa com Vanderlei Luxemburgo, no Cruzeiro, e Juan Carlos Osório, no São Paulo, para provar que, assim como podem ganhar, técnicos também podem perder jogos e derrubar suas equipes.

O meu São Paulo, nas mãos do interino Milton Cruz, após a demissão de Murici, era vice-líder do campeonato quando a sua genial diretoria resolveu buscar Osório, um técnico cheio de diplomas e xavecos, no interior da Colômbia. Pois o tricolor só foi caindo na tabela e hoje ninguém sabe qual é o time titular, o esquema de jogo, o que o técnico quer fazer na próxima partida. Acho que nem ele.  A cada jogo, o técnico muda tudo. Não repetiu a escalação nenhuma vez até agora. Na mesma partida, pode colocar três laterais esquerdos em campo e usar três esquemas diferentes.

Depois de conquistar o bicampeonato brasileiro, o Cruzeiro promoveu o desmanche do time e perdeu seus principais jogadores, mas resolveu demitir o vitorioso Marcelo de Oliveira ao ser eliminado da Libertadores, como se ele fosse o culpado. Sorte do Palmeiras, pois o Cruzeiro trouxe de volta o milongueiro Luxemburgo e os dois clubes inverteram os papéis na tabela. Enquanto o Palmeiras luta para entrar no G4, o Cruzeiro ronda a zona de rebaixamento.

Em defesa de Osório, pode-se dizer que foi enganado pela diretoria do clube que promoveu uma liquidação do elenco após a sua chegada, mas ele também não ajuda. Depois de colocar o lateral esquerdo Carlinhos na ponta direita e zagueiro de área improvisado como centro-avante, só falta escalar Rogério Ceni na ponta esquerda e Alexandre Pato de lateral direito. Ou é um gênio que o mundo não conhecia, ou apenas mais um desses professores pardais que surgem de tempos em tempos querendo reinventar a bola.

No futebol, como na vida, tudo depende das pessoas. Com Tite, Marcelo e Dorival, destaques desta nova geração de técnicos que não inventam nada, mas sabem montar equipes e se fazer respeitados por jogadores e pelas torcidas, podemos ter esperanças de que o futebol brasileiro reconquiste o antigo prestígio dos pentacampeões mundiais.

Em tempo: esqueci de falar do Eduardo Batista, jovem técnico do Sport do Recife, que também vem fazendo uma belíssima campanha neste Brasileirão. É uma prova de que não se precisa gastar rios de dinheiro para montar elencos milionários. Basta saber contratar direito quem vai comandar o time e botar fé no taco de quem está começando.

 

 

 

 

 

 

 

 

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motoboy Como está difícil e perigoso andar em São Paulo

Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Faz mais de cinco anos deixei de dirigir. Vendi meu carro, guardei a carteira de motorista na gaveta e virei pedestre ou passageiro. Foi melhor assim para não colocar em risco a minha vida e a dos outros. Nunca fui um bom motorista e, com o tempo, fui piorando...

Com quase mil carros novos entrando em circulação todos os dias, rodando pelas mesmas ruas já congestionadas, faz algum tempo que se tornou mais difícil e perigoso ir de um ponto a outro da cidade, qualquer que seja o meio de locomoção, até mesmo a pé.

Nunca se falou tanto em mobilidade urbana, a expressão da moda dos modernos, e nunca tivemos tão pouca mobilidade. Quanto mais se mexe na malha viária, pior fica para todos. É pedestre brigando com ciclista, ciclista disputando espaço com motoristas e motociclistas, ônibus contra táxis e vice-versa, motoboys ameaçando a todos e correndo risco de vida para cumprir suas desumanas jornadas de trabalho.

Enquanto isso, sem um planejamento sério, sem consultar nem informar a população direito, a Prefeitura vai espalhando ciclovias e corredores exclusivos de ônibus por toda parte, reduzindo os limites de velocidade e o espaço dos carros, e multiplicando os radares da indústria de multas, a única que não para de crescer na maior cidade do país.

De uma hora para outra, tudo é feito para tirar os carros de circulação num país que nos últimos anos estimulou a venda de automóveis com descontos de impostos e estímulos às montadoras. Até sou a favor, desde que o poder público ofereça alternativas de transporte público de qualidade, o que não acontece. Ao contrário, só vemos obras do metrô parando, ônibus superlotados nos horários de pico, linhas de trem interrompidas quase todo dia.

Em lugar de mobilidade, o que temos na vida real é um nó cada vez mais apertado, que leva mais gente a fazer o trajeto entre a casa e o trabalho a pé,  transformando a vida numa verdadeira gincana, principalmente para os mais velhos.

Para completar o bumba meu boi urbano, é raro o dia em que São Paulo não tem que enfrentar também os congestionamentos provocados por protestos e manifestações de todo tipo, principalmente na avenida Paulista, o palco preferido dos revoltosos.

Nesta quarta-feira, um protesto com cerca de 5 mil motociclistas fechou os caminhos entre a avenida 23 de Maio e o Viaduto do Chá, onde fica a sede da Prefeitura, para pedir a volta de corredores exclusivos para eles,  entre outras reivindicações.

Um caso emblemático: no último dia 17, o aposentado Florisvaldo Carvalho da Rocha, de 78 anos, que estava atravessando a avenida São João fora da faixa de pedestres, foi atropelado e morto pelo ciclista Gilmar Raimundo de Alencar, de 45 anos, que estava pedalando na faixa dos ônibus ao lado da ciclovia.

Apenas 20 dias após inaugurar a ciclovia sob o Minhocão, a gestão Fernando Haddad está prometendo agora tomar providências para botar ordem nesta zorra e evitar novos acidentes. Com a velocidade máxima reduzida a 50 km/h em praticamente toda a área urbana, São Paulo vai parando aos poucos. E pensar que nós já fomos conhecidos como "a cidade que não pode parar" nos tempos em que os paulistanos tinham orgulho de ter nascido aqui.

E vamos que vamos. Para onde?

 

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1280px Gilmar Mendes 1024x732 No vazio, Gilmar assume o lugar da oposição perdida

Gilmar Mendes conseguiu. No vazio deixado pela oposição oficial, mais perdida do que nunca, o ministro do STF indicado por FHC assumiu o papel de principal adversário do governo petista, que já foi do todo poderoso Eduardo Cunha, presidente da Câmara, antes deste ser denunciado por corrupção pela Operação Lava Jato.

Os dois costumam atuar em sintonia, como no caso do financiamento privado de campanhas eleitorais, mas agora o magistrado assumiu o protagonismo e nem disfarça mais seu objetivo: anular o resultado das eleições presidenciais do ano passado.

Na tarde desta terça-feira, na mesma hora em que lideres do PSDB e do DEM cancelavam, "por falta de base legal", a reunião marcada com juristas para discutir um possível pedido de impeachment da presidente, Gilmar conseguia o apoio da maioria no plenário do Tribunal Superior Eleitoral para reabrir as investigações destinadas a cassar a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, o que permitiria a convocação de novas eleições, como quer Aécio Neves.

Enquanto o Tribunal de Contas da União não julga as contas do governo federal de 2014, outro front da oposição contra o governo, que poderia servir de base para o pedido de impeachment na Câmara, os tucanos chegaram à conclusão que não dependem só dos fatores políticos e jurídicos para embasar o pedido, mas matemáticos. Nas contas do próprio Aécio Neves, a oposição conta hoje com apenas 200 dos 342 votos necessários para atingir seu objetivo e, por isso, desistiu de liderar o movimento.

No TSE, as contas da chapa vitoriosa já tinham sido aprovadas por unanimidade, em dezembro do ano passado, mas o PSDB entrou com recurso, agora aprovado, que serviu de base para a manobra de Gilmar Mendes. Inconformados até hoje com a derrota de outubro, os tucanos já haviam pedido a recontagem dos votos e, depois, entraram com quatro ações no tribunal, denunciando abuso do poder econômico e o uso de recursos do petrolão para financiar a campanha da reeleição.

Antes da reunião do TSE, incansável na sua cruzada contra o PT, que já chamou de "sindicato de ladrões", Gilmar Mendes já havia pedido ao Ministério Público de São Paulo para abrir nova investigação sobre uma microempresa, que recebeu 29 transferências da campanha petista, e não teria comprovado a prestação dos serviços. O novo inquérito foi baseado num relatório encaminhado ao TSE pela Fazenda Estadual de São Paulo. A empresa teria sido criada apenas dois meses antes da campanha e não foi localizada no endereço indicado no registro.

No momento em que o palco principal da crise se desloca do parlamento para os tribunais, num ponto todos parecem estar de acordo: estamos vivendo o fim do ciclo político iniciado com a Nova República, como já escrevi aqui mesmo no dia 15 de março.

Só o que ninguém sabe é o que virá após o esgotamento deste moribundo sistema político-partidário do presidencialismo de coalização. Os dois partidos que dominaram este processo nas últimas duas décadas, o PT e o PSDB, estão cada vez mais rachados e enfraquecidos e, mais do que nunca, dependem do PMDB para formar maiorias. E o PMDB de Temer, Cunha e Renan ninguém sabe dizer para onde vai. É neste cenário nebuloso que cresce a figura de Gilmar Mendes, único que sabe aonde quer chegar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A cada dia se multiplicam assustadoramente nas ruas as placas de "vende-se", "aluga-se", "passa-se o ponto". Ao lado delas, enfileiram-se imóveis que simplesmente baixaram as portas, fazendo a festa dos vândalos pichadores, única atividade que não para de crescer. Nos comércios que ainda estão abertos, anunciam-se descontos de 70, 80 ou até 90%. Parece que o país todo está em liquidação.

À medida em que as portas se fecham, mais trabalhadores são colocados na rua, sem esperanças de encontrar outro emprego tão cedo. Em consequência, mais gente vai sendo demitida nas indústrias, que diminuem a produção, até chegar às padarias da esquina, com menos fregueses e, portanto, empregados. É uma bola de neve que vai crescendo morro abaixo, em todas as regiões e atividades econômicas do país, com exceção da agricultura.

A dimensão desta tragédia que assola desde o início do ano o mundo do trabalho foi dada nesta terça-feira, com a divulgação da nova Pesquisa Nacional da Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua pelo IBGE.

A taxa de desemprego chegou a 8,3% no segundo trimestre, a maior da série histórica da pesquisa, o que elevou o contingente total da população desocupada a 8,3 milhões de trabalhadores. Por trás destes números, convivem em cada casa brasileira o drama de quem já perdeu o emprego e o medo dos que ainda estão trabalhando, mas não sabem até quando.

Na comparação com o mesmo período de 2014, o aumento do desemprego foi de 23,5%. Em relação a julho desse ano, subiu 5,3% _ neste período, segundo o Ministério do Trabalho, foram fechados 158 mil postos de trabalho formal.  Em São Paulo, o desemprego ficou acima da média nacional, chegando a 9%. As maiores taxas de desemprego são registradas entre jovens e mulheres.

Ao admitir pela primeira vez, em conversa com jornalistas na segunda-feira, que subestimou a gravidade da crise econômica, a presidente Dilma Rousseff falou dos dois maiores problemas enfrentados pelo governo neste momento: "Nos preocupamos imensamente com duas coisas. Primeiro, é a queda no emprego. Segundo, é a inflação".

A inflação começou a ceder em agosto, como mostra a pesquisa IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor _ Semanal ) da Fundação Getúlio Vargas, também divulgada hoje, que registrou uma queda de 0,36% para 0,27% entre a segunda e a terceira semanas desse mês, mas o desemprego não para de crescer.

Evitar o fechamento de novos postos de trabalho, portanto, deveria ser o principal desafio a ser enfrentado não só pelo governo, mas por toda a sociedade brasileira, incluindo a oposição, uma vez que, com a diminuição da demanda e a queda do consumo provocadas pelo crescimento do desemprego, a inflação deve naturalmente cair. Deveria ser o tema central de todas as discussões políticas em Brasília e das propostas para fazer a economia voltar a crescer, mas não é isso que acontece.

Diante de tantos problemas e da luta pela sobrevivência a qualquer preço, acaba-se perdendo o foco do que é mais importante. E não há nada mais importante na vida do que ter trabalho para poder sustentar a família.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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temer1 E ainda falta uma semana para agosto acabar

Foto: José Cruz/20.03.2013/ABr

Em tempo: o R7 informou, às 15h06, que o vice presidente Michel Temer vai mesmo deixar a articulação política do governo.

 

A melhor notícia do dia é dada pelo calendário: agosto está terminando, sem nenhuma grande tragédia, mas muito cuidado: ainda falta uma semana. Pelo que vimos nesta segunda-feira, dia 24, pode parecer uma eternidade.

* O dia começou com a bolsa de Xangai caindo 8%, o que provocou imediata reação no mundo todo. Aqui, o índice Bovespa chegou a cair 6,31% antes do almoço, ao mesmo tempo em que o dólar subia 2%, chegando a valer R$ 3,55.

* Em Brasília, após a reunião da coordenação política do governo, dava-se como certa a saída do vice Michel Temer desta função, apesar dos apelos da presidente Dilma e do PT para que fique. A pressão de grande parte do PMDB para um rompimento do principal partido da base aliada com o governo pode ficar insuportável para Temer. O vice alegou ter cumprido sua missão de coordenador político com a aprovação do ajuste fiscal.

* O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, anunciou, depois da mesma reunião, o corte de 10 dos 39 ministérios, entre outras medidas de austeridade, para diminuir despesas públicas, mas não soube dizer quanto o governo vai economizar e nem como isso será feito.

* No Paraná, foi anunciada a formação de uma "Frente Nacional Popular e Democrática", com a participação de partidos da base do governo (PT, PMDB, PCdoB e setores do PSB), que marcou para a próxima sexta-feira, em Curitiba, um ato de protesto contra a política econômica do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. No PMDB e dentro do próprio Palácio do Planalto, Levy começou a semana sendo contestado por "esticar demais a corda" no seu ajuste fiscal ao barrar gastos com emendas parlamentares.

No Rio, em São Paulo e outras partes do país, espalharam-se protestos e manifestações pelos mais diferentes motivos _ entre eles, uma inusitada greve de mais de 550 prefeitos em Minas Gerais, que pedem aumento das verbas do Fundo de Participação dos Municípios.

Penso que há, na verdade, um único motivo para tudo o que está acontecendo no País neste final de agosto: a grana acabou. Em casa onde falta pão, como se dizia antigamente, todo mundo tem razão para reclamar, mas  isso não vai resolver o problema de ninguém.

Vida que segue.

 

 

 

 

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manifestacao Atos a favor e contra o governo: deu zero a zero

Poderia repetir aqui nesta sexta-feira a mesma pergunta que fiz no título do post publicado no domingo, logo após as manifestações contra o governo e o PT: "O que vai mudar no dia seguinte? Nada".

À parte a discussão sobre onde tinha mais gente _ sem dúvida, havia muito mais manifestantes no dia 16 nos protestos contra o governo _ o que sobrou de útil de todo este furdunço nas ruas nos últimos dias?

Hoje, só se fala de Eduardo Cunha (ver post anterior) e do que pode acontecer com ele após a denúncia da PGR. Entre o Fora Dilma e o Fica Dilma, nenhuma ideia nova, nenhuma proposta, nenhuma liderança surgiu para enfrentar os nossos grandes desafios do momento: o desemprego e a inflação.

Como escrevi antes, todos os nossos problemas na política e na economia não só continuam do mesmo tamanho, depois que o povo deixa as ruas, como se agravam a cada dia.

O resto é aquele Fla-Flu que não acaba nunca, disputado no Congresso Nacional, nos botecos, nos pontos de ônibus e até nos velórios, e entre os comentaristas deste blog, que já foram bem mais criativos e civilizados em outros tempos.

É desanimador  ter que escrever todos os dias sobre os mesmos assuntos, sem que nada aconteça de realmente novo capaz de sinalizar uma luz no fim do túnel. O perigo é pegar um trem na contra mão.

Protesto a favor é uma coisa que só tem no Brasil. Assim mesmo, teve uma parte dos manifestantes a favor da presidente Dilma que atacou o principal ministro do governo, Joaquim Levy, e o seu ajuste fiscal, defendido justamente pelos que desfilaram no domingo contra o governo. Vai entender.

Tanto faz quantos manifestantes apareceram num ato ou noutro, segundo os organizadores ou a PM. Nada disso muda o jogo nem a tabela do campeonato. A decisão não se dá nas arquibancadas, que só gritam, mas nos conchavos dos bastidores, em que todos falam baixo, tapando a boca. Estamos no popular salve-se quem puder, dane-se o resto. Só é feio perder.

Em tempo: último aviso

Se continuar a baixaria dos comentários enviados nos últimos dias para este Balaio, o que me levou a deletar a maioria deles, vou ser obrigado a fazer como muitos colegas de outros blogs: fechar a área de comentários.

Não tenho mais idade para ficar apartando briga de marmanjos e marmanjas que se ofendem mutuamente em defesa das suas verdades absolutas, sem nada acrescentar de bom ao debate livre e democrático que a internet nos oferece.

Me faz muito mal ter que ler todos os dias _ e eu leio tudo que enviam ao Balaio, não tenho ajudantes para fazer a moderação _ um monte de mensagens mal escritas, grosseiras, com denúncias levianas.

Claro que ainda há honrosas exceções, e a estes leitores peço desculpas pela generalização, mas chega um ponto que fico me perguntando se vale a pena perder várias horas do meu dia para continuar fazendo este trabalho, tirando-me o tempo que poderia dedicar aos netos e amigos ou a um bom livro.

Por muito tempo, os comentários dos leitores foram o esteio, a alma e a melhor parte deste blog, que vai completar sete anos no próximo dia 11 de setembro. Dava-me muito prazer cuidar da moderação.

Uma vez por ano, os participantes de uma filial do blog criado no Google, o saudoso Boteco do Balaio,  organizavam encontros com cachaça e churrasquinho, tornando real o mundo virtual, e muitos se tornaram amigos de verdade. Infelizmente, não há mais clima para isso.

Este é o último apelo que faço para a gente voltar ao convívio fraterno e enriquecedor daqueles bons tempos. Para os que chegaram mais recentemente, vale a pena pesquisar no arquivo do blog e ler os comentários antigos para ver como tudo mudou. Sei que não somos uma ilha, mas podemos pelo menos tentar preservar um mínimo de dignidade no nosso espaço neste inverno de 2015.

Vida que segue

Abraços,

Ricardo Kotscho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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cunha Em vez de se defender, Cunha só quer se vingar

Com o mesmo ar prepotente e desafiador dos seus tempos de todo-poderoso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, reagiu de forma irada à denúncia de corrupção contra ele protocolada no Supremo Tribunal Federal, no começo da tarde desta quinta-feira, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot:  em vez de se defender, só pensa em se vingar.

Desde que seu nome apareceu nas investigações da Operação Lava Jato, em julho, acusado de receber uma propina de U$ 5 milhões para facilitar negócios na Petrobras para a empresa Samsung Heavy Industries, fabricante de navios. Cunha simplesmente negou tudo e ameaçou botar fogo no País, acenando com a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Em reunião com sua tropa de choque na noite de quarta-feira, quando já era dada como certa a denúncia contra ele, o presidente da Câmara levantou a suspeita de um "acordão", envolvendo Dilma, Janot e o presidente do Senado, Renan Calheiros, também investigado pela Lava Jato.

"Se os petistas e Renan não entrarem nas denúncias, vai ficar muito claro que houve um acordão para me enfraquecer. É muito estranho este direcionamento pra mim, nessa primeira leva de denúncias. E Janot vai começar a ser questionado, porque depende do Senado e do governo para ter sua recondução aprovada no Senado", segundo relatos dos presentes à reunião ouvidos pelas repórteres Maria Lima e Isabel Braga, de O Globo.

Renan Calheiros já marcou a sabatina de Rodrigo Janot para o próximo dia 26. Até lá, Cunha e o ex-presidente Fernando Collor, também denunciado, dirigirão suas baterias ao procurador-geral na tentativa de impedir sua recondução ao cargo, para o qual já foi indicado pela presidente Dilma. Deputado federal eleito pelo PMDB-RJ, Cunha entrou na vida pública nos anos 90 levado pelas mãos de Paulo César Farias, ex-tesoureiro de Collor, já falecido.

O clima político em Brasília, que já estava muito pesado, sempre pode piorar.

 

 

 

 

 

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1900133 682060468519919 394992797 n FHC agora dá uma de radical para entrar na onda

Pegou muito mal. Sempre tão preocupado com sua biografia e de como vai passar para a História, mais do que com qualquer outra coisa, FHC deixou de lado o bom senso e a moderação habituais para dar uma de surfista radical ao pedir a renúncia da presidente Dilma Rousseff.

O que deu no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do alto dos seus 84 anos, para sair dos confortos das palestras e dos diagnósticos sociológicos, para entrar de cabeça na rinha política, onde já pontificam os Aécios, Cunhas, Bolsonaros e Caiados?

São muitas as possíveis razões para explicar esta guinada, mas a principal me parece ser o medo de perder o bonde, as manchetes e o controle do alto tucanato, mais dividido do que nunca.

Depois de lançar nas redes sociais o repto para a presidente renunciar ou reconhecer seus erros, FHC convocou Alckmin e Aécio para uma conversa em seu apartamento de Higienópolis, com o objetivo de "alinhar o discurso" do PSDB.

Missão impossível, já que as estratégias dos dois são opostas e quem conhece Dilma sabe que ela não é mulher de renúncias.

Inconformado até agora com a derrota nas eleições presidenciais, o senador mineiro Aécio Neves quer porque quer novas eleições já, seja a que pretexto for, para aproveitar o recall de outubro e a sua liderança nas pesquisas divulgadas este ano. Até saiu às ruas e subiu num carro de som no domingo para se apresentar como candidato desde já.

Mais mineiro do que ele, o governador paulista Geraldo Alckmin não tem pressa. Quer empurrar a procissão até 2018, na esperança de superar até lá as crises do seu governo nas áreas de segurança e abastecimento de água, mostrar serviço e tornar-se um nome nacionalmente conhecido.

Os dois pré-candidatos tucanos, na verdade, já estão em campanha, o que deixou FHC bastante preocupado com as divisões internas. Para completar, correndo por fora, o eterno candidato José Serra já anda abanando as asas para os lados do PMDB.

Num eventual governo Michel Temer, caso a crise se agrave ainda mais, ele estaria disposto a assumir o papel que foi do próprio Fernando Henrique Cardoso, como ministro da Fazenda, no mandato tampão de Itamar Franco, após a queda de Fernando Collor.

Desta vez, a presidente Dilma respondeu na lata, ao dizer que FHC e seus tucanões só querem "pegar carona" e "tirar proveito" das manifestações de rua.

Em outras ocasiões, o ex-presidente tucano até saiu em defesa da legitimidade do mandato de Dilma e da sua honra pessoal, argumentando que ela não é a principal responsável pela crise ética que estamos passando, mas apenas uma vítima das práticas do "lulopetismo".

Como se fosse um editorialista do Estadão e dos demais porta-vozes do Instituto Millenium na mídia amiga dele, FHC tenta afastar Dilma de Lula, que é o verdadeiro alvo do momento.

Tirar o ex-presidente Lula da vida pública e impedir que ele possa voltar nas eleições de 2018 é o único objetivo que une a oposição partidária e midiática, mais até do que o afastamento imediato de Dilma Rousseff.

Um possível terceiro mandato de Lula, hoje menos provável, é tudo o que FHC não quer nesta guerra particular que os dois travam para ver quem vai aparecer mais bonito nas fotos da História.

Em sua defesa, o tucano pode alegar que o petista fez a mesma coisa com ele, em 1999, no primeiro ano do seu segundo mandato, quando enfrentava índices de rejeição ao seu governo semelhantes aos de Dilma. Na mesma linha do que FHC faz hoje, disse Lula na ocasião, usando quase as mesmas palavras: "Renúncia é um gesto de grandeza e FHC não tem esta grandeza".

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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cisterna Quem ganha com a seca são só os caminhões pipa

Foto: Carolina Martins/09.05.2014/R7

Quem já nasceu numa casa com água nas torneiras, como eu e a grande maioria dos leitores, não tem ideia do que é enfrentar um período de seca no semiárido nordestino.

Desde o ano passado, aliás,  milhares de paulistanos também já sabem o que é viver sem água, um risco que todos ainda corremos na maior cidade do país, se não voltar a chover logo e muito.

Vi esta tragédia de perto nas dezenas de viagens a trabalho que fiz por sertões nordestinos para mostrar a luta pela sobrevivência de quem nunca teve água encanada em casa.

Esta paisagem começou a mudar nos últimos anos com a construção de 750 mil cisternas pelo programa  Água para Todos do governo federal.

Vocês não podem imaginar a alegria das famílias beneficiadas quando chega a água limpa que antes tinham que buscar a quilômetros de distância, e muitas vezes não encontravam nem nos açudes barrentos.

Numa destas longas viagens, junto com o fotógrafo Jorge Araújo, da Folha, e o pessoal do ASA (Articulação do Semiárido), um conjunto de entidades nacionais e estrangeiras que se dedicam a ajudar os sertanejos, acompanhei a vida de milhares de pessoas mudando. Era uma festa, como se todos tivessem ganho na loteria.

Pois agora a festa está acabando, e esta conquista civilizatória pode não beneficiar novas famílias. Do ano passado para cá, a verba do Água para Todos foi cortada praticamente pela metade (de R$ 333 milhões para R$ 174 milhões), no auge de mais uma seca brava que atinge quase todo o Nordeste.

"Esse é um tema que não pode sair da pauta do governo e da sociedade, nem ser alvo de cortes com o ajuste fiscal", adverte Valquíria Lima, uma das coordenadoras do ASA, ouvida por outro repórter da Folha, João Pedro Pitombo, certamente bem mais jovem do que eu, em mais uma reportagem sobre o drama da seca, tantos anos depois.

Quem ganha com isso, mostrou Pitombo, são os "pipeiros", os donos de caminhões-pipa que receberam R$ 2,4 bilhões do governo federal nos últimos três anos para abastecer as casas da zona rural do semiárido aonde ainda não chegaram as cisternas.

Quantas novas cisternas poderiam ter sido construidas com este dinheiro? Sobrevive, pois, para nossa tristeza, a tão falada "indústria da seca", que sempre rendeu muito dinheiro e votos, e eu imaginava ter acabado.

Só este ano, foram gastos R$ 453 milhões com esta solução de emergência que se eterniza. "Desistir, nunca. A gente sempre tem que caminhar nesta vida e não perder a fé em Deus", ensinou ao repórter o agricultor Gonçalo Vieira Ferreira, 71 anos, que está preparando a terra mais uma vez, em Juazeiro, no norte baiano, mesmo depois de perder a safra quatro anos consecutivos por causa da seca.

Enquanto Gonçalo ainda espera pela sua cisterna, 6.705 caminhões de "pipeiros" continuam circulando por 780 cidades nordestinas em situação de emergência desde 2012. Até quando veremos isso?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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