eduardo gianetti Não percam a entrevista de Eduardo Giannetti

Esta nota do blog é só uma dica: vai ao ar na noite deste domingo, a partir das 22 horas, na Record News, o programa Brasil em Discussão, com a entrevista do economista, sociólogo e filósofo Eduardo Giannetti da Fonseca, uma das melhores de que já participei na minha vida.

Ao final de uma hora de conversa na gravação feita sexta-feira (e transmitida ao vivo pelo portal R7), saí do Estúdio A da TV Record, na Barra Funda, de alma leve, mais otimista e de bem com a vida.

Com a moderação de  Heródoto Barbeiro, participaram também da entrevista meus colegas Nirlando Beirão e Marco Antonio Araújo, do R7, que eu não conhecia pessoalmente, e para mim foi uma grata revelação.

Giannetti falou de todos os problemas que o mundo enfrenta nas mais diferentes áreas, da crise econômica mundial ao consumismo que detona o meio ambiente, com conhecimento, sabedoria e bom humor.

Ao mesmo tempo, apresentou soluções inovadoras para trocarmos os indicadores do PIB, o Produto Interno Bruto, pelas novas medidas do FIB, a Felicidade Interna Bruta.

Para saber do que se trata, só vendo. Se você anda desanimado da vida com o noticiário da nossa imprensa, achando que ninguém presta e nada tem mais jeito, revoltado com o circo armado na CPI e a cara de pau dos nossos políticos, o papo com este professor que gosta de dar aulas parecendo que está só batendo um papo, pensando em voz alta, o programa é uma injeção de esperança.

Não percam.

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No grande circo em que se transformou a CPI do Cachoeira em suas cinco primeiras semanas de funcionamento, não se avançou um passo sequer nas investigações já feitas pela Polícia Federal sobre a organização criminosa para esclarecer seus vínculos políticos, empresariais, jurídicos e midiáticos.

A única novidade até agora foi o aparecimento de novas estrelas de CPI, alguns destes tipos que rompem o anonimato e sempre aparecem quando se acendem os refletores da televisão para transmissões ao vivo, com a sala da comissão repleta de jornalistas.

Uma destas atrações é o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), delegado licenciado da Polícia Federal, que está em seu primeiro mandato. Nesta quinta-feira, ele teve seu dia de glória ao bater boca com o relator da CPI, Odair Cunha (PT-SP), e ameaçar sair na porrada com o deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que tomou as dores do colega.

fernando ok CPI vira circo e está exibindo novas atrações

Caminhando pela CPI com o peito estufado e o paletó aberto, como se estivesse num "saloon" do velho oeste americano, e pudesse sacar uma arma a qualquer momento, o deputado-delegado partiu para o confronto com o relator, utilizando um linguajar típico de porta de cadeia:

"Quando fala do sr. Agnelo Queiroz, o relator é tchuchuca; quando fala do Marconi Perillo, ele vira o tigrão".

Embora seja do Paraná, o principal objetivo de Francischini desde o início da CPI é denunciar a ligação de Agnelo Queiroz, governador petista de Brasília, com o esquema de Carlinhos Cachoeira.

Por isso, ele não gostou da insistência do relator em fazer perguntas apenas sobre Perillo, governador tucano de Goiás, ao depoente Wladimir Garcez, um ex-vereador goiano apontado como braço político de Cachoeira.

Adversário de Francischini na política paranaense, Dr. Rosinha, que assim é conhecido por ser um médico bastante franzino, não se levantou da cadeira quando o tucano o desafiou a resolver o problema no tapa.

Graças à turma do deixa disso, que também faz parte de toda CPI, o rebuliço ficou só no bate- boca, com ofensas mútuas. Foi a cena que ganhou mais destaque nos telejornais da noite e na imprensa de papel desta sexta-feira.

Na semana passada, durante o não depoimento de Carlinhos Cachoeira, o deputado já tinha avisado seus seguidores pelo twitter que estava aparecendo ao vivo na televisão. Imperdível...

Correndo por fora entre as atrações mais midiáticas da CPI, está com bom ibope meu velho amigo Miro Teixeira (PDT-RJ), que ganhou espaço ao se apresentar como fervoroso porta-voz dos interesses das grandes empresas de comunicação, em nome da liberdade de imprensa.

Na entonação da voz de locutor, no pentado caprichado e no gesto de colocar e tirar os óculos, está parecendo muito com outro amigo, o Galvão Bueno. De estilo semelhante, o onipresente senador Álvaro Dias (PSDB-PR) acabou ofuscado pelo seu conterrâneo Francischini, que assumiu no grito o comando da tropa de choque tucana.

Diante deste cenário, a valente senadora Kátia Abreu (PSD-TO) desabafou outro dia: "Senhores, estamos aqui fazendo papel de bobos". Modéstia da senadora. Os bobos somos nós que acreditamos na seriedade desta CPI.

Enquanto isso, mais uma vez era adiada pelo relator Odair Cunha a decisão sobre a convocação dos governadores Agnelo, Perillo e Sérgio Cabral, e a quebra de sigilo da empreiteira Delta. Acordo entre as lideranças dos três maiores partidos na CPI, o PT, o PMDB e o PSDB, deixou para a próxima terça-feira a votação destas questões.

Se estivessem mesmo interessados em levar a sério o trabalho, longe de câmaras e microfones, suas excelências poderiam passar o final de semana trancados na sala-cofre, onde estão guardados a sete chaves os documentos sobre as investigações da PF.

Além do vasto material que lá já estava à disposição dos membros da CPI, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, mandou ontem mais nove DVDs, com cerca de mil horas de conversas gravadas pela PF na Operação Monte Carlo.

Quem se dispõe a ouví-las para, finalmente, dar início às investigações?

Mestre Raul, 70

Vira e mexe, escrevo aqui sobre os meus mestres no jornalismo. É que tive muitos... Um dos que mais me ensinou na carreira e na vida foi Raul Martins Bastos, genioso e genial jornalista autodidata, que montou no velho  "Estadão", na segunda metade do século passado, a maior rede de sucursais e correspondentes da imprensa brasileira _ hoje, infelizmente, desativada.

Sempre discreto, falando baixo na cozinha das grandes redações por onde passou, mestre Raul formou e comandou equipes de profissionais que até hoje se destacam em várias regiões do país. Continua firme e forte no batente, como diretor de planejamento da agência DM9DDB.

Escrevo sobre a figura porque, na semana passada, ele completou 70 anos, e esta noite parentes e amigos vão lhe oferecer um jantar. Raul não gosta destas coisas. Por isso, vai ser um "jantar surpresa". Por favor, não contem a ele. É capaz do mestre se entocar e não aparecer na festa dele...

Parabéns, velho Raul, grande jornalista brasileiro!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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greve5 g 20120523 Greve e caos: quem vai pagar pelo dia perdido?

"No ano passado, não teve eleição, não teve greve. Este ano tem eleição, tem greve. Será que é só mera coincidência?", indagou placidamente o governador Geraldo Alckmin, garantindo que estava tudo sob controle, em meio ao caos em que São Paulo vivia desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira, paralisada pela greve de trens e do Metrô que desaguou em conflitos e no recorde de congestionamento das manhãs paulistanas, com quase 250 quilômetros.

Respondendo ao governador, seria bom lembrar que a última greve dos metroviários aconteceu em 2007 , um ano não eleitoral. E tivemos, sim, eleições em 2008 (para prefeitos) e 2010 (presidente e governadores), anos em que não foram registradas greves da categoria.

Para os mais de três milhões de paulistanos que ficaram sem transporte e outro tanto que ficou parado nas ruas congestionadas, tanto faz. Pouco importa que o governador tenha colocado a culpa na ação de "um grupelho radical, com motivação político-eleitoral". O fato é que a cidade parou antes que o governo cedesse o aumento de 6,17% aos metroviários.

O que todo mundo quer saber é quem vai pagar pelos prejuízos que milhões de trabalhadores, estudantes, comerciantes e empresários, todos nós, enfim, tivemos durante as 12 horas de greve e caos na cidade.

Para evitar a paralisação, a Justiça do Trabalho impôs fortes restrições aos sindicatos. Ameaçou com multa diária de R$ 100 mil em caso de desobediência, e o governador achou que isto seria suficiente. Enganou-se, mais uma vez, já que o movimento teve a adesão de mais de 90% dos 8.600 pessoas que trabalham no Metrô.

Mesmo que o Ministério Público cobre esta multa dos sindicatos abrigados no conglomerado Conlutas, liderado por setores radicais do PSTU e do PSOL, como e quem vai dividir estes R$ 100 mil entre os milhões de prejudicados? Não dá nem para pagar uma folha de alface para cada um acalmar os nervos.

Desde a redemocratização do País, temos eleições de dois em dois anos. As eventuais greves no setor servem apenas para tornar ainda mais flagrante e dramática a falência do sistema público de transportes, com seus ônibus, trens e Metrô permanentemente superlotados, enfrentando problemas de manutenção e falta de investimentos.

Por isso é que o sonho de todo mundo é ter seu transporte particular. E o governo federal acaba de lançar novos incentivos para a compra de mais carros, que vão apenas aumentar os congestionamentos, multiplicando as horas perdidas por todos nós no trânsito, qualquer que seja o meio utilizado.

Não falo em causa própria. Ontem, passei a maior parte do dia trabalhando em casa e só acompanhando a confusão pela internet. Na contra-mão da maioria, em lugar de comprar carro novo, vendi o meu no ano passado. Pela primeira vez na vida, sou um sem-carro e não me queixo. Ando até menos nervoso.

É impossível, no entanto, ficar indiferente ao sofrimento de tantas pessoas que vi nos telejornais da noite, desesperadas por não conseguir chegar ao trabalho, com medo de perder não só o dia, mas o emprego. Até quando veremos estas cenas?

Belo primeiro ano do

Jornal da Record News

Com várias entradas ao vivo e depoimentos das vítimas da greve, mostrando como fica a cidade sem trens e Metrô, ouvindo todos os lados da história e procurando explicar o que aconteceu, o Jornal da Record News, onde eu também trabalho, como comentarista político, completou na noite de quarta-feira (23) um ano no ar, mais de 300 horas do melhor jornalismo produzido na televisão brasileira na minha modesta opinião.

Faço este registro não só pelo orgulho de trabalhar na equipe de Heródoto Barbeiro, o monge da notícia, mas por ter a oportunidade de participar de um projeto que realmente procura fugir dos padrões estabelecidos em nome da audiência para mostrar algo novo e útil aos telespectadores, na tentativa diária de ajudá-los a entender este louco mundo em que vivemos.

No JRN não tem assunto proibido nem obrigatório. Só vai ao ar aquilo que e equipe de jornalistas escolheu como o mais importante do dia, com absoluta independência editorial, compondo a bancada com comentaristas e entrevistados capazes de olhar além dos fatos do dia.

Ao lado do veterano Heródoto, que parece um garoto no novo programa, está a competente Andrea Beron, uma jovem que já parece veterana no domínio dos assuntos tratados.

herodoto andrea Greve e caos: quem vai pagar pelo dia perdido?

O primeiro entrevistado da noite, depois da novela da CPI e suas cachoeiras, foi Audálio Dantas, um ícone do jornalismo brasileiro, falando sobre o momento delicado vivido pela imprensa brasileira, cujo trabalho nunca foi tão discutido e contestado. Acho que dificilmente Audálio encontraria outro espaço para falar ao vivo, em horário nobre, tudo o que pensa, com toda liberdade _ e este é o grande diferencial do JRN.

Da mesma forma, a colega Rosana Hermann, feliz da vida por fazer parte deste time, também pode falar tudo o que pensa sobre novas mídias e tecnologias, redes sociais e descobertas do mundo internético, assim como o professor Alexandre Uehara, especialista em relações internacionais, teve todo o tempo necessário para nos contar o que significam estas primeiras eleições livres no Egito.

Com 75 minutos de duração, o telejornal vai ao ar de segunda a sexta, às 9 da noite, mantendo a mesma característica: liberdade na escolha e no tratamento dos fatos a serem analisados, sem pressa, por quem entende do assunto, sem partidarismos nem preconceitos de qualqur espécie.

Para mim, a mais grata surpresa desta edição de primeiro aniversário foi a estupenda reportagem especial produzida por Adriana Bittar, nossa correspondente na África do Sul, que foi a Mali para mostrar a dura vida das famílias de garimpeiros nas minas de ouro.

Adriana começou a carreira comigo, quando eu dirigia o jornalismo do Canal 21 da TV Bandeirantes, no final do século passado. Tornou-se repórter e logo depois âncora (ao lado de Celso Zucatelli, hoje estrela da Record) do principal telejornal da emissora, e não parou mais de crescer na profissão.

Sua reportagem me fez lembrar das que fiz no lendário garimpo de Serra Pelada, ao longo dos anos 1980, com uma grande diferença: em Mali, vimos o trabalho degradante também de crianças e mulheres, cuja entrada era proibida no garimpo do sul do Pará, onde reinava um certo major Curió.

Em lugar de um destes ecochatos que infestam nossas emissoras de televisão, quem falou da Rio + 20 foi a atriz Beth Goulart, nossa comentarista de cultura. Para tratar de meio ambiente e sustentabilidade, tema da conferência que começa em poucos dias, nada melhor do que mostrar uma reportagem com cenas reais de projetos que já estão dando certo no Rio de Janeiro.

Para dar uma ideia da qualidade desta equipe, onde encontrei o melhor ambiente de trabalho em meus quase 50 anos de carreira, basta dizer que os comentaristas de medicina e saúde são os doutores Adib Jatene e David Uip. Aos 82 anos, firme na lida diária, Jatene ontem não fez seu comentário semanal: estava no hospital se recuperando de um pequeno infarto, e virou notícia.

Antes do número musical ao vivo que sempre encerra o telejornal, com novos e também consagrados nomes da música popular brasileira, o JRN ainda tratou de Olimpíadas, o grande acontecimento esportivo do ano, que será transmitido com exclusividade pela Record em televisão aberta, e dos cafezais urbanos de São Paulo.

Não dá para mudar de canal. Até me esqueci que já tinha começado o jogo do meu time...

 


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montagem1 Dilma decide Código Florestal esta semana

Enquanto o Congresso Nacional e a imprensa se dedicam a discutir os rumos da CPI do silencioso Cachoeira, ou o nome e objetivo que cada um queira dar à comissão, a presidente Dilma Rousseff está mergulhada na questão do Código Florestal, que quer resolver até o final desta semana.

Esta é a grande prioridade do momento para o governo federal, o que levou a presidente a convocar ministros para reuniões de trabalho no Palácio da Alvorada até no sábado e domingo.

Nesta manhã de quarta-feira, Dilma tem novo encontro com a ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, para definir os decretos e medidas provisórias que deverão subsitituir o projeto aprovado na Câmara e que será vetado pela presidente.

A questão central é a anistia para os grandes desmatadores, que ela não quer de jeito nenhum, e a proteção dos pequenos agricultores, que deverão ter um tratamento diferenciado. Dilma quer definir pessoalmente até pequenos detalhes como a largura da mata ciliar a ser preservada às margens dos rios.

A disputa entre ambientalistas e ruralistas chegou a um ponto de ebuliçãpo em que, qualquer que seja a decisão do governo, Dilma sabe que os dois lados vão reclamar, por mais que busque uma solução conciliadora.

O importante para o governo é ter um novo Código Florestal antes da abertura da Rio + 20, que começa no dia 13 de junho, a conferência internacional sobre o meio ambiente que vai trazer ao Brasil mais de 50 mil pessoas do mundo inteiro.

***

No momento em que escrevo esta nota, a manchete do R7 nos alerta que já temos quase 250 quilômetros de congestionamentos na cidade, o recorde do ano, por causa da greve do Metrô e dos trens metropolitanos anunciada há várias semanas.

O caos no transporte público paulistano acontece na mesma semana em que o governo federal anunciou várias medidas para piorar ainda mais a situação: redução dos impostos e aumento dos prazos para a compra de carros novos.

Vão circular aonde? Por mais precário que seja o sistema público, a greve serve para provar  que as ruas de São Paulo já não suportam mais carros em circulação. Quando todo mundo tira seu automóvel da garagem, a cidade simplesmente dá um nó, para tudo.

E o pior é que nenhum dos pré-candidatos à prefeitura de São Paulo apresentou até o momento qualquer proposta, projeto ou solução para o problema da mobilidade urbana que se torna cada vez mais grave na maior cidade do país.

Está ruim, mas só pode píorar.

 

 

 

 

 

 

 

 

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ok CPI da Delta ou CPI da Veja? Por que não as duas?

A revista Veja e seus aliados na oposição e na imprensa, abrigados no Instituto Millenium, o clube dos barões da imprensa montado para defender sua própria "liberdade de expressão", querem porque querem transformar a CPI do Cachoeira na CPI da Delta, a empreiteira que tem como seu maior cliente as obras do PAC do governo federal.

De outro lado, setores do PT e da imprensa, que não fazem parte do clube, querem fazer da CPI do Cachoeira a CPI da Veja para investigar as relações da revista com o contraventor goiano reveladas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal.

Por que, então, não investigar, ao mesmo tempo, tanto a Delta de Fernando Cavendish como a Veja de Roberto Civita? Afinal, as empresas de ambos aparecem nas investigações sobre o capo do crime organizado, que fez parcerias nas mais variadas áreas, da polícia ao judiciário, das empreiteiras à imprensa, sempre com a ajuda do seu braço político, o quase ex-senador Demóstenes Torres.

Já está mais do que provado que, assim como os negócios de Cachoeira com a Delta não se limitavam ao centro-oeste, o alvo da CPI, as relações da equipe do contraventor com o diretor de Veja em Brasília, Policarpo Júnior, iam muito além do que habitualmente ocorre entre fonte e repórter.

Havia interesses comuns: o "empresário de jogos" usava a revista para plantar notícias contra quem pudesse prejudicar seus negócios, e o repórter se aproveitava do aparato de arapongas de Cachoeira para fazer suas matérias "investigativas" contra membros do governo petista, o eterno alvo de Civita.

Dos dois lados, bombeiros entraram logo em ação para limitar as investigações e blindar governadores, políticos em geral, empresários e jornalistas. "Você é nosso e nós somos teus" — como escreveu Vaccareza, o Cândido, para o governador Sérgio Cabral, aquele da turma do guardanapo — é a frase que melhor resume o momento político do País.

Apenas um mês depois de instalada, a CPI do Cachoeira começou a fazer água e os dois protagonistas do início da história, o "Doutor" e o "Professor", correm o risco de virar figurantes de um espetáculo mambembe que ameaça terminar antes mesmo de começar.

Como disse o marqueteiro João Santana, em encontro de comunicação do PT, semana passada, em Porto Alegre, "política é teatro, mas não ficção". Há controvérsias. Nem o mais alucinado ficcionista, é verdade, seria capaz de criar uma história tão mirabolante com personagens tão inverossímeis como estes que desfilam na chamada CPI do Cachoeira, dirigidos por advogados da melhor qualidade, que só trabalham para clientes inocentes, como já disse um deles.

Que diferença faz, a esta altura do campeonato, se Carlinhos Cachoeira vai ou não sair da cadeia para comparecer à CPI, na tarde desta terça-feira, se vai ou não abrir a boca? Depois de todos os crimes denunciados com provas no inquérito da Polícia Federal, tanto o "Professor", como seu amigo "Doutor", que ainda passeia como um fantasma pelo Congresso Nacional querem apenas ganhar tempo, aproveitando-se das brechas do Código Penal, das prerrogativas constitucionais e dos regimentos da Câmara e do Senado.

Para ir mais fundo e revelar como funcionam as engrenagens do poder no Brasil, os interesses que ligam personagens de diferentes setores da sociedade com o crime organizado e qual o papel de cada um deles nesta história, a CPI teria que acabar com todas as blindagens, convocar quem tiver que ser convocado para prestar depoimentos e encaminhar suas conclusões para as devidas providências do Poder Judiciário.

Quem ainda acredita nisso? Talvez esta desesperança esteja na raiz de um clima de mal estar generalizado, um sentimento difuso que se espalha em diferentes ambientes, no momento em que o STF se prepara para colocar em julgamento o processo do mensalão, a inflação e o dólar sobem, o PIB cai, a Comissão da Verdade já começa dividida e falando demais, os militares voltando ao noticiário, a crise sem fim da Grécia que ameaça levar o mundo junto — e ainda tem esta danada da gripe que não vai embora...

Se o caro leitor tiver uma notícia boa para espantar o baixo astral, por favor conte para a turma do Balaio. Estamos precisando.

Atchiiiim!

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tarso A imprensa nos tempos de Tarso de Castro

Nada acontece por acaso. No auge das discussões sobre o papel de profissionais e veículos de mídia nas atividades do contraventor Carlinhos Cachoeira, só agora caiu nas minhas mãos, por uma especial gentileza do autor, o jornalista Tom Cardoso, um livro lançado em 2005 pela editora Planeta, que nos ajuda a entender os rumos da imprensa brasileira.

Tom me ligou dias atrás para fazer uma entrevista sobre o jogador Sócrates e, ao final da conversa, me perguntou se eu já tinha lido seu livro sobre Tarso de Castro, um dos maiores jornalistas com quem já trabalhei. Respondi-lhe que não e, no dia seguinte, o livro já estava em casa sobre a pilha de obras de (ou sobre) amigos que ainda não consegui ler.

O título é tão grande quanto o personagem: 75 Kg de Músculos e Fúria: Tarso de Castro _ a vida de um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros.

Levei-o comigo para São Sebastião neste final de semana e não consegui parar de ler enquanto não chegasse à última página. Por isso, passei dois dias sem atualizar o blog. De vez em quando, a gente precisa parar de escrever para poder ler um pouquinho...

Mais do que traçar um alentado perfil com as rocambolescas venturas e desventuras de Tarso, que morreu aos 49 anos, em 1991, o livro-reportagem de Tom Cardoso nos leva para um agradável e pedagógico passeio pela imprensa brasileira e seus personagens das décadas de 60, 70 e 80 do século passado.

Naquela época não bastava saber escrever e ser bem informado para ser jornalista. Era preciso também ter coragem, colocar em risco a própria vida para contar o que estava acontecendo. Os que hoje tanto falam em liberdade de imprensa, embora alguns deles tenham colaborado para o golpe militar de 1964, deveriam ler este livro para ver o que era bom para a tosse, o que era censura.

Tarso levou tudo a extremos: seu engajamento político contra a ditadura, brizolista até a alma, suas paixões enlouquecidas pelas mais belas mulheres da época, solteiras ou casadas, de Leila Diniz a Candice Bergen, as noitadas sem fim com os amigos, a ousadia para criar confusões e novas publicações, cada vez que uma delas fechava as portas.

Criado na melhor escola de Samuel Wainer, na Última Hora de Porto Alegre, depois de começar a carreira aos 11 anos no jornal do pai, O Nacional, de Passo Fundo, o gaúcho Tarso de Castro veio bem jovem para o Rio. Em poucas semanas, tornou-se o mais carioca dos cariocas, mestre na arte do bem viver sem pensar no dia de amanhã. Não apenas cobria, mas participava dos fatos ao lado de seus protagonistas, contemporâneo de grandes artistas e políticos nacionais.

A primeira vez que encontrei a figura foi no apartamento do hotel onde Leonel Brizola passou seu último dia no exílio, na Nova York de 1979, às vésperas da sua volta para o Brasil. E quem acompanhava a distinta figura do jornalista que estava lá como amigo do ex-governador?

Pois é, ninguém mais, ninguém menos do que Candice Bergen, uma das grandes estrelas de Hollywood na época, cheia de amor para dar. Não era cascata dele, como muitos amigos mangavam. Ficção e realidade por vezes se confundiam na vida do jornalista.

Tarso já havia ficado famoso como criador e editor do semanário de humor O Pasquim, a mais duradoura e bem sucedida publicação alternativa dos tempos da censura, uma das muitas que ele colocou para circular.

No ano seguinte, nos reencontramos na redação da Folha de S. Paulo _ ele editor do Folhetim e eu na reportagem do jornal _ e fizemos boas parcerias juntos. Era um tempo em que ninguém ligava muito para prazos ou custos _ o importante era descobrir e contar uma boa história que ninguém contou antes, surpreender o leitor. Quem bancava tudo e nos dava plena liberdade para criar e escrever era Octavio Frias de Oliveira, o dono do jornal.

Foi assim também em 1984, quando Tarso já era o principal colunista da Folha. Viajamos juntos o país de ponta a ponta, na cobertura da Campanha das Diretas. Tarso vivia a vida tão intensamente, com tanta pressa, que parecia saber não ter muito tempo pela frente.

"Prefiro viver pela metade por uma garrafa de uísque inteira, do que passar a vida inteira bebendo pela metade", costumava dizer, quando os amigos o alertavam que estava bebendo muito, começando pelo café da manhã, sem hora para parar. E assim foi.

A última lembrança que tenho do amigo foi a sua entrada triunfal no "sujinho" ao lado da Folha, o bar do Mané. José Trajano, eu e outros maus elementos do jornal resolvemos dar uma passadinha ali antes de fazer uma visita ao Tarso na clínica onde ele estava internado. Só que o gaudério deu mais uma das suas escapadas, e foi mais rápido no gatilho: chegou antes ao bar do que nós à clínica.

A nova geração, que não ouviu falar de Tarso nas faculdades, não frequenta mais os "sujinhos" ao lado da redação, mas também não fala com seus chefes e patrões de igual para igual, defendendo até o fim suas ideias e seus princípios, sem medo de perder o emprego.

Em tempos de pensamento único e paus mandados, das fitas e gravações clandestinas oferecidas de bandeja para o "jornalismo investigativo", não fosse pela bebida, Tarso teria morrido de desgosto. Sem querer ser nostálgico, a verdade é que não existe mais lugar para jornalistas como Tarso de Castro, jornalistas com redação própria, como se dizia...

 

 

 

 

 

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Hadad ExPres Lula Pres Dilma CAPA 1024x601 O bacalhau com Dilma e Lula entre amigos

Se não fosse pela presença de alguns homens vestidos de preto, em pé, no fundo do salão,  seguranças da Presidência da República, e fotógrafos à porta, quem entrasse para almoçar nesta sexta-feira no restaurante Bacalhau, Vinho & Cia, na Barra Funda, em São Paulo, poderia pensar que se tratava apenas de uma confraternização entre amigos às vésperas do fim de semana.

E era isso mesmo, com o detalhe de que estavam à mesa grande, frente a frente, traçando um belo bacalhau a doré com alho e legumes, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, ao lado de ministros, prefeitos e velhos companheiros petistas, reunidos em torno do ex-ministro Fernando Haddad, o candidato do partido em São Paulo.

A iniciativa foi de Lula, que aproveitou uma vinda de Dilma a São Paulo, para ver a exposição de Candido Portinari no Memorial da América Latina, ali ao lado do restaurante, e depois fazer uma visita a D. Paulo Evaristo Arns, na semana em que foi instalada a Comissão da Verdade, para sinalizar a entrada dos dois na campanha de Haddad.

Pela primeira vez desde a posse de Dilma, presidente e ex-presidente se encontraram para almoçar juntos no restaurante que Lula frequentava durante a campanha presidencial de 1994, quando o seu comitê funcionava na mesma rua.

Lula tinha acordado bem cedo para fazer mais uma bateria de exames, a partir das 6 horas da manhã, no Hospital Sírio-Libanês, e os primeiros resultados o deixaram bem tranquilo. Embora ainda não esteja 100% em forma, queixando-se de algumas sequelas do tratamento contra o câncer na laringe, o ex-presidente está louco para entrar em campo na campanha eleitoral.

Dividido entre a necessidade de cuidar da saúde e a vontade de ajudar seu candidato a desencantar dos 3% nas pesquisas, Lula permaneceu um tempão em pé conversando com amigos ao lado de Haddad, e de sua mulher, Ana Estela. Na hora marcada, pouco depois da uma da tarde, foi com o casal Haddad e Marisa esperar Dilma à porta do restaurante.

Apesar da movimentação de assessores e seguranças quando Dilma e Lula caminharam até a mesa, a freguesia que lotava o restaurante continuou almoçando tranquilamente, como se fosse a coisa mais normal do mundo encontrar os dois por lá numa sexta-feira. Poucos se levantaram das mesas para pedir um autógrafo ou tirar foto ao lado deles, tudo muito civilizado.

A cena me deu uma sensação de normalidade da vida, do sentimento entre iguais numa democracia vitoriosa, conquistada a duras penas por gente como estes dois brasileiros que governam o país faz quase uma década.

Acompanhada de três ministros, Aloizio Mercadante, Gilberto Carvalho e Helena Chagas, a presidente mostrava-se bem à vontade e feliz naquele ambiente, cercada de amigos, e até aceitou uma taça do vinho verde Alvarinho. Lula só tomou água.

Difícil saber o que estava melhor, se o bolinho de bacalhau ou a alheira frita servidos de entrada, mas todos elogiaram bastante o bacalhau, que foi oferecido pela família dos proprietários deste antigo restaurante, orgulhosos de receber tão ilustres fregueses em sua casa.

A um canto da mesa, ao lado da ministra Helena Chagas, Maria Inês Nassif e Clara Ant, assessoras de Lula, não ouvi as conversas da presidente — e se as tivesse ouvido não poderia contar, porque também estava ali como amigo, e não repórter. Havia alguns colegas jornalistas na entrada do salão, mas todos respeitaram a hora do almoço da presidente, que chegou e saiu sem dar entrevistas.

Do restaurante, Lula e Dilma foram juntos ver as obras de Portinari no Memorial da América Latina. A presidente ainda faria uma visita a D. Paulo Evaristo Arns num convento em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, onde ele vive desde que foi aposentado como cardeal arcebispo de São Paulo.

Dilma fez questão de marcar esta visita a D. Paulo, mentor e editor responsável, junto com o pastor Jaime Whright, do livro Brasil Nunca Mais, o mais completo relato sobre vítimas de torturas e agentes torturadores durante o regime militar, um trabalho do qual participei, que certamente servirá de base para os trabalhos dos membros da Comissão da Verdade, empossados pela presidente esta semana.

Para quem gosta do Brasil e da vida, esta foi uma bela e intensa semana, destas que a gente não esquecerá tão cedo.

 

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sda Alckmin e Kassab em apuros, azar de Serra

De uma hora para outra, os paulistanos descobriram que existem sérios problemas no funcionamento do metrô, responsabilidade do governo do Estado, assim como ficamos sabendo que há um esquema de corrupção montado há anos para a liberação de imóveis na Prefeitura.

O governador Geraldo Alckmin, do PSDB, e o prefeito Gilberto Kassab, do PSD, agora unidos no apoio ao tucano José Serra na sucessão municipal (os dois se enfrentaram na eleição de 2008), raramente aparecem no noticiário, a não ser em inaugurações de obras e articulações políticas.

É como se São Paulo fosse uma ilha de paz e beleza, onde tudo funciona e o povo vive feliz, cercada por um país chamado Brasil, cheio de problemas e sempre em crise.

Depois de várias paralisações e transtornos nas últimas semanas, o grave acidente do Metrô na quarta-feira, que deixou mais de 100 feridos, revelou o descaso da administração estadual, que reduziu, ao invés de aumentar, os investimentos no sistema.

Reportagem da Folha desta quinta-feira denuncia que, de 2010 para 2011, o governo reduziu em 20,4% os recursos ( de R$ 236 milhões para R$ 188 milhões) destinados à manutenção da Linha 3 - Vermelha, onde ocoreu o acidente, que transporta 41% dos passageiros de toda a rede.

Como já me alertava um dos técnicos responsáveis pelo controle de tráfego do Metrô, em encontro com amigos no final do ano passado, o Metrô paulistano estava à beira de entrar em colapso, não só pela queda dos investimentos em manutenção, mas também pela implantação atabalhoada de um novo sistema automático.

A falha técnica, apontada como causa do acidente em que dois trens se chocaram na zona leste, é apenas consequência da relapsa administração do Metrô paulistano, também envolvida em denúncias de desmandos e irregularidades nas licitações. Pequenos acidentes são comuns e nós nem ficamos sabendo, disse-me o técnico.

Como se não fosse com ele, bem ao estilo tucano, o governador Geraldo Alckmin desandou a falar de investimentos numa nova linha do Metrô na zona norte, a Linha 6 - Laranja, no mesmo momento em que eram recolhidos os feridos entre as estações Penha e Carrão. Alckmin mandou ao local seu secretário dos Transportes, Jurandir Fernandes, e continuou calmamente dando entrevistas sobre os seus planos.

Na mesma semana em que os paulistanos descobriram a gravidade da situação do Metrô, multiplicam-se as denúncias sobre o esquema montado na Secretaria Municipal de Habitação por Hussain Aref Saab, homem de confiança de Kassab e Serra, ex-diretor responsável pela liberação de construções de imóveis em São Paulo, que construiu um patrimônio de mais de R$ 50 milhões nos últimos sete anos em que comandou o setor.

Um grupo do Ministério Público de São Paulo especializado em lavagem de dinheiro agora abriu inquérito para investigar a origem dos bens de Aref, que comprou 106 imóveis de 2008 para cá, com um salário bruto de R$ 9 mil.

Mais do que a evidente suspeita de corrupção em larga escala e por tempo prolongado, são incalculáveis os prejuízos causados à cidade pela liberação de obras em áreas de preservação, fora dos limites impostos pela legislação, que causam novos problemas ao já caótico trânsito paulistano.

Os repórteres Rogério Pagnan e Evandro Spinelli, da Folha, que revelaram o escândalo mantido, aparentemente, em segredo de Justiça pela Corrgedoria Geral do Município, acionada por Kassab depois de receber uma denúncia anônima contra Aref, em fevereiro, a cada dia trazem novas revelações sobre o esquema.

A mais estarrecedora até agora é que Aref recebeu de graça seis apartamentos num prédio em frente ao Parque do Ibirapuera como pagamento por serviços de consultoria prestados por sua empresa, a SB4.O problema é que o contrato é de 2006 e a empresa só foi criada dois anos depois.

Na verdade, houve uma troca. O ex-diretor ganhou os apartamentos como pagamento para liberar o funcionamento do centro de convenções WTC, processo que estava parado há mais de um ano, empresa dos mesmos donos da construtora que lhe deu os apartamentos.

Com Kassab e Alckmin em apuros, a conta vai sobrar para a campanha de José Serra, que reage olimpicamente diante destes fatos, como se não tivesse sido prefeito e governador de São Paulo até recentemente.

Em campanhas eleitorais, aparece sempre o imponderável. A quatro meses e meio da abertura das urnas eletrônicas, os apuros de Alckmin e Kassab podem influenciar negativamente na campanha do favorito José Serra, assim como, no Rio, as fotos da farra de Sergio Cabral com Fernando Cavendish em Paris certamente não ajudam seu candidato, o também favorito Eduardo Paes.

Que novas surpresas nos aguardam?

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dilma e presidnetes O Sujinho, a Comissão da Verdade e a vida que segue

Estava fazendo exames médicos no hospital na manhã desta quarta-feira durante a cerimônia em que a presidente Dilma Rousseff deu posse aos sete membros da Comissão da Verdade, no Palácio do Planalto, ao lado dos quatro antecessores vivos, e fiquei contente por poder testemunhar pela televisão este momento histórico na vida do nosso país.

Só de estar vivo, acho que já valeu a pena tudo o que passamos naqueles anos de trevas da ditadura militar, que agora, finalmente, serão revelados.

Mais contente ainda fiquei lendo na matéria de Marina Marquez, do R7, em Brasília, que Dilma, logo no início do seu discurso, citou meu amigo Ulysses Guimarães, o "Sr. Diretas", que abriu caminho para a Constituinte de 1988 e para a redemocratização do país, ao lembrar que a verdade é fundamental para a democracia.

"O Brasil não pode se furtar a conhecer a totalidade da sua história. Trabalhemos juntos para que o país conheça e se aproprie da totalidade da sua história. A ignorância da história não pacifica, mantém latentes mágoas e rancores".

Tomara que os parlamentares integrantes da CPI do Cachoeira leiam este discurso de Dilma e também façam a sua parte, sem receio de investigar a fundo todos os personagens envolvidos nas bandalheiras desta quadrilha de mil tentáculos, as verdades e as mentiras da nossa história recente, que a imprensa criou ou omitiu em plena democracia.

Nós que enfrentamos a ditadura dos militares, correndo risco de vida, para que um dia pudéssemos voltar a viver num regime democrático, não podemos agora admitir que a ditadura dos barões da mídia queira reescrever a história, transformando em heróis os que ontem apoiaram o golpe e hoje querem posar de paladinos da liberdade de imprensa.

O ato presidido por Dilma Rousseff esta manhã no Palácio do Planalto pode ser um divisor de águas para separar a verdade da mentira, dar nomes aos bois, esclarecer episódios nebulosos, jogar luzes sobre o passado e ao mesmo tempo clarear o nosso futuro.

Mais do que um gesto de grandeza, ao convidar para a cerimônia os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, por ordem de entrada em cena, Dilma fez justiça ao papel de cada um na construção da Comissão da Verdade.

O principal objetivo da presidente nesta cerimônia foi simbolizar que se tratava de um ato de Estado e não de governo, acima de divergências partidárias ou doutrinárias, sem qualquer outro interesse que não o de resgatar a nossa história. "O Brasil merece a verdade", como ela disse.

Por um destes acasos da vida, fui almoçar depois no "Sujinho", velho boteco que serve a melhor bisteca da cidade, antigamente chamado de "Bar das Putas", um lugar que lembra como eram os tempos sem lei em que nossos amigos "desapareciam", ninguém podia escrever a verdade sobre o que acontecia e todos se sentiam ameaçados, até mesmo dentro de suas casas.

Daquela turma que ia para lá depois de sair das redações sob censura, varando a madrugada, muitos já se foram. Para os que ficaram, a Comissão da Verdade pode não mudar muita coisa, mas certamente servirá para que nossos filhos e netos nunca permitam que a história se repita.

Vida que segue. Tortura nunca mais! Viva Dilma!

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Rui Falcão CPI derrapa nas águas sujas do Cachoeira

Rui Falcão, presidente do PT: tudo ao contrário do planejado

Se o objetivo do PT com a criação da CPI do Cachoeira, como anunciou publicamente seu presidente, o deputado estadual paulista Rui Falcão, era denunciar a "farsa do mensalão" às vésperas do julgamento do processo, os últimos acontecimentos (ou falta de) em Brasília apontam para um tiro n´água, ou melhor, no próprio pé.

Até agora, aconteceu tudo ao contrário do planejado. Ao mirar na imprensa e no procurador-geral Roberto Gurgel, o autor da denúncia do "mensalão", os petistas e seus aliados conseguiram apenas unir os adversários, que formaram uma frente única para pressionar como nunca antes o Supremo Tribunal Federal. Querem agora não só apressar o julgamento como exigem a condenação dos denunciados.

Antes mesmo da instalação da comissão, alertei aqui no Balaio que, pela correnteza das águas do noticiário. se dependesse da imprensa, a CPI do Cachoeira seria transformada na CPI da Delta, a principal empreiteira das obras do PAC, mirando as investigações no governo federal.

Desde o início, a presidente Dilma e o ex-presidente Lula tinham visões diferentes sobre a oportunidade da instalação desta CPI, por iniciativa dos líderes governistas, um fato inédito, já que estas comissões geralmente são de interesse da minoria parlamentar.

O governo até agora manteve-se convenientemente distante dos embates no Congresso Nacional, e a impressão que se tem de fora é que a base governista, com ampla maioria na comissão, já não tem uma estratégia comum sobre que rumos tomar na CPI.

Por um momento, após a divulgação na TV Record das gravações feitas pela Polícia Federal mostrando as relações delicadas da maior revista semanal do país com a quadrilha de Cachoeira, para a produção de "reportagens investigativas", parecia que os trabalhos poderiam desaguar numa CPI da Veja.

Os chamados barões da mídia, no entanto, reagiram prontamente e em bloco, disparando editoriais em defesa da liberdade de imprensa, como se ela estivesse ameaçada, só porque um dos seus poderia ser convocado para prestar depoimento na CPI, a exemplo do que aconteceu recentemente com o magnata Rupert Murdoch no parlamento ingles.

A grande imprensa brasileira pode não mais ter o poder de eleger ou derrubar presidentes da República, como gostaria, mas ainda tem muita força no Congresso Nacional, e são poucos os parlamentares dispostos a comprar esta briga. A bancada da mídia, liderada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), mostrou as suas garras e ganhou espaço na cobertura.

Da mesma forma, já não se pensa mais na convocação do procurador-geral Roberto Gurgel e da sua mulher, a sub-procuradora Cláudia Sampaio, responsáveis por interromper, em 2009, as investigações da Operação Vegas, que já mostrava as ligações de Cachoeira com o crime organizado, empreiteiras, o senador Demóstenes Torres e outros políticos de Goiás.

A polêmica agora se resume a versões diferentes da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal sobre o que aconteceu três anos atrás, na origem das denúncias que levaram à Operação Monte Carlo.

A sub-procuradora Cláudia Sampaio diz que resolveu, em comum acordo com o delegado da PF responsável pelo inquérito, Raul Alexandre Marques Souza, paralisar as investigações da Operação Vegas, por não haver "elementos suficientes para a instauração de investigação no STF". O delegado e a Polícia Federal negam o acordo.

Um dos dois lados está mentindo publicamente, o que é grave, e só uma acareação promovida pela CPI poderia mostrar quem está falando a verdade. Mas, a esta altura do campeonato, quem acredita que a CPI terá coragem de tomar esta iniciativa?

Para completar, o STF suspendeu o depoimento de Carlinhos Cachoeira marcado para esta terça-feira, atendendo a um pedido da defesa, que alegou falta de conhecimento das acusações que existem contra o contraventor. Só ele não deve saber... Como quase todos os dias vazam novas denúncias sobre o esquema criminoso, o mesmo argumento da defesa poderá ser utilizado indefinidamente.

Assim, a "CPI do submundo", que muda a cada semana de nome e objetivos, criada para passar o país a limpo e investigar todo mundo, vai derrapando nas águas sujas do Cachoeira, sem avançar um milímetro em relação a tudo o que já foi apurado nas investigações feitas pela Polícia Federal desde março de 2008.

 

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