Aécio baixa a bola e volta a ser mais Tancredo

Na reta final do segundo turno e após as eleições, o tucano Aécio Neves foi ficando cada vez mais radical, em nada lembrando o político cordato de outros carnavais. Partiu para o tudo ou nada contra Dilma _ e perdeu, mas não se conformou.

Aécio tinha um bom exemplo na família de político ponderado, que sabia ganhar ou perder. "Governo e oposição, acima dos seus objetivos políticos, têm deveres inalienáveis com nosso povo", ensinava Tancredo Neves, o ex-governador mineiro que foi presidente da República, sem nunca ter sido.

Em lugar de Tancredo, porém, Aécio preferiu adotar o modelito Carlos Lacerda dos anos 50 do século passado, adversário histórico do seu avô, um homem que lutou até o último dia ao lado de Getúlio Vargas contra os golpistas da UDN, os mesmos que chegariam com os militares ao poder em 1964. Estimulado pelo guru FHC e por blogueiros furiosos da velha mídia, o senador mineiro vestiu um figurino que não combinava com ele, e se deu mal.

Dois meses após a derrota, agora Aécio deu uma nova guinada nesta segunda-feira, em entrevista a Valdo Cruz e Daniela Lima, publicada na Folha. Deve ter pensado melhor sobre o que anda fazendo e falando. Sem deixar de desferir duras críticas à presidente reeleita Dilma Rousseff e ao seu governo, o candidato derrotado procurou se afastar do que chamou de "nossos black blocs", alguns companheiros de partido e de campanha que, em várias manifestações nas ruas e no Congresso, defenderam o impeachment e até a volta dos militares ao poder . "Fora da democracia, nada nos interessa", resumiu Aécio.

Melhor assim. Melhor para Aécio, para o seu partido e para o país. Na entrevista, o ex-governador mineiro se permitiu discordar até de FHC, que outro dia qualificou Dilma como uma presidente ilegítima.

"Não chego neste termo. Acho que é uma presidente apequenada pela forma como venceu as eleições e pela _ usando um termo adequado _ dependência da sua base. No momento em que era necessário um presidente que conduzisse o país, nós temos uma presidente conduzida. Ela começará o segundo mandato de uma forma pior do que termina o primeiro".

Em outro trecho, afirmou que "o governo vai provar do seu próprio veneno", ao falar da nova equipe econômica, que já anunciou a necessidade de aumentar impostos e cortar despesas. "Vamos conhecer o neoliberalismo petista..."

Quando os repórteres lhe perguntaram se existem elementos para o PSDB pedir o impeachment, discordou frontalmente de líderes do seu partido, como Carlos Sampaio, deputado federal paulista e uma espécie de advogado-geral dos inconformados, ao assumir o posto do impetuoso senador Álvaro Dias, do Paraná, que misteriosamente sumiu de cena.

No dia da diplomação da presidente reeleita, na sexta-feira, Sampaio chegou a apresentar um novo recurso ao TSE pedindo a cassação de Dilma e a entrega da faixa para Aécio. "Não, não trabalho com esta hipótese. Estamos fazendo aquilo que na democracia é permitido: acionar a Justiça pedindo investigação".

Aécio só não explicou o que exatamente deveria ser investigado, mas deixou claro que não pretende ir aos atos anti-Dilma que estão sendo programados até para a cerimônia da nova posse, dia 1º de janeiro, em Brasília.

Se Aécio prefere manter distância dos seus aliados sinceros mas radicais, resta saber o que dirão agora os líderes da tropa de choque oposicionista, comandada por figuras como o democrata Ronaldo Caiado, o ex-candidato a vice Aloysio Nunes, o ex-coordenador-geral da campanha presidencial José Agripino Maia, outro bravo democrata, o ensandecido capitão Jair Bolsonaro e o cantante Lobão, novo porta-voz do udenismo redivivo.

Esta turma e a banda de música da mídia panfletária vão ter que procurar outro líder. Que, certamente, não será Geraldo Alckmin, que até já confirmou presença na festa da posse de Dilma. Cada vez mais mineiro do que o próprio Aécio e mais moderado do que Tancredo Neves, o governador paulista, reeleito com expressiva votação no primeiro turno, já está perfilado para a corrida de 2018.

Para quem imaginava uma renhida disputa com Aécio para ver quem será o candidato tucano na sucessão de Dilma, a entrevista pode ter servido também de estímulo aos aliados de Alckmin. Perguntado se será candidato novamente em 2018, Aécio foi taxativo ao negar esta possibilidade:

"Não mesmo. Talvez já tenha cumprido o meu papel. O candidato vai ser aquele que tiver as melhores condições de enfrentar o governo. Meu papel é manter a oposição forte. O governador de São Paulo Geraldo Alckmin é um nome colocado e tem todas as condições".

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"O Brasil vive não somente uma crise moral, mas também a da razão. Talvez prepare o caminho para outra, maior e fatal. Algo é certo: o Brasil não está maduro para o jornalismo honesto".

(Assim termina a coluna de Mino Carta, na Carta Capital desta semana, publicada sob o título "Gigolette em Estocolomo", que vale a pena ler).

***

Algo de revolucionário anda acontecendo na relação entre produtores e consumidores de informações em nosso país. Esta semana, por exemplo, destaquei uma contradição entre o bombardeio sem tréguas desfechado pela velha mídia familiar contra Dilma Rousseff e o PT, ao mesmo tempo em que a aprovação e a popularidade da presidente subiam no Ibope.

Chamo de velha mídia familiar os grandes grupos de comunicação comandados pelos herdeiros de meia dúzia de barões, em contraposição à nova mídia livre que se tornou possível, e não para de crescer, desde o advento da internet, que permitiu a todo mundo se tornar, ao mesmo tempo, emissor e receptor de informações e opiniões.

Trata-se, enfim, da democratização da mídia, com a multiplicação de plataformas e agentes, acabando com o poder dos donos da verdade e seus porta-vozes, os antigos "formadores de opinião", hoje hospedados no Instituto Millenium. 

A primeira vez em que notei esta clara oposição entre a nova e a velha mídia foi na campanha presidencial de 2010, quando o então candidato tucano José Serra batizou todos os que se opunham a ele de "blogs sujos", certamente para diferenciá-los dos "blogs limpinhos" e seus donos, que o apoiavam.

Desta forma, os jornalistas não alinhados ao tucanato estariam condenados ao opróbio, blogueiros sem ccredibilidade, mas, com bom humor, muitos deles até adotaram a classificação nos encontros que passaram a promover para unir forças.

A divisão das mídias voltou a ser feita esta semana pelo jornal Folha de S. Paulo, ao divulgar os gastos com publicidade feitos pelo governo federal e as empresas estatais, no período entre 2000 e 2013.

Na divisão do bolo, segundo o próprio jornal, os grandes grupos da velha mídia ficaram com R$ 8,66 bilhões, restando cerca de 0,5% deste valor para o que a Folha definiu como "mídia alinhada ao governo", ou seja, chapa-branca. 

Diante desta disparidade colossal, Mino Carta, com a agudez de costume, comentou em sua coluna:

"Dirá o desavisado: alinhados e mal pagos (...). Ao listar os pretensos alinhados e não qualificar os demais, a Folha nos atribui o papel de jornalistas de partido e com isso fornece outra prova: como sempre, obedece aos seus naturais pendores e, no caso, manipula a informação e omite a qualidade dos demais, alinhados de um lado só, guiados pelo pensamento único enquanto, hipócritas inveterados, declaram sua isenção, equidistância, pluralidade. Ou seja, inventam e mentem".

Por mais que estejam perdendo audiência e circulação, estes veículos da velha mídia mantêm poder e faturamento, graças a uma sólida aliança construída nos últimos tempos com alguns representantes das mais altas instâncias do Judiciário a serviço do tucanato, como vimos no episódio do mensalão e se repete agora com o que chamam de petrolão. 

Na verdade, esta tabelinha entre os nobres da mídia e da Justiça ocupa o espaço deixado pela oposição partidária, agora mais destrambelhada e perdida do que nunca no combate ao governo petista, como já admitiu a própria Associação Nacional dos Jornais (ANJ).

Já não dá para saber se é a mídia que pauta o Judiciário, ou vice-versa, na mesma data. Nem é preciso citar nomes, para não fulanizar a questão, tão descarada é a atuação de alguns dos líderes desta aliança, que se autonomeou defensora da ética, do bem e dos "brasileiros decentes" (em alguns casos, parece até brincadeira...).

Ou alguém pode acreditar que eles estão mesmo preocupados em combater os fichas sujas da política (até o nosso eterno Paulo Maluf voltou a ficar com a ficha limpa, graças à Justiça) e os desmandos na Petrobras, já que o único objetivo é privatizar nossa maior empresa, de preferência nas mãos de empresas estrangeiras?

Como escrevi aqui na sexta-feira, não faço nenhuma questão de ter razão. Basta-me escrever o que penso sem pedir licença a ninguém.

Agora, abro este espaço para que os caros leitores do Balaio ocupem meu lugar e também digam o que pensam sobre o assunto. Não precisam concordar comigo. Mídia livre é isso: cada um pensa e diz o que quer. Manifestem-se!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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acude3 Açude cheio, terra molhada e pasto verde: a vida voltando

Em tempo (atualizado às 9h30 de sábado, 20.12):

Como previsto no final deste texto, veio mais chuva, e muita, a noite toda.

Acordei com o barulho do açude transbordando. Formou-se uma bela cachoeira e surgiu um rio cortando o pasto, que não existia ontem na paisagem.

Muares e bovinos estão até sorrindo novamente, como poderia cantar o Roberto Carlos...

As águas de março do Tom chegaram em dezembro, antes do Natal, como um presente dos céus.

Viva a vida!

***

PORANGABA (SP) _ Ao chegar, no final da tarde desta sexta-feira, aqui no Sítio Ferino, batizado assim pelo antigo proprietário, o Zeferino Vaz, só encontrei coisa boa de se ver e quero contar logo a voces.

O açude construído por minha família, que nunca tinha visto o nível d´água baixar tanto, já está cheio até a tampa, escoando pelo vertedouro. Terra molhada, pasto verde, gado sadio _ a chuva, enfim, voltou.

Em mais de três décadas de Porangaba, pequeno e antigo município do interior paulista, às margens do rio Bonito, aquele da obra clássica de Antonio Candido, ainda não havia enfrentado uma seca brava como essa.

Teve vizinho que chegou a comprar carro tanque para dar de beber ao gado.  Até um mes atrás, lagos, rios, corregos, tanques, açudes, tudo estava secando, definhando.

Agora dá para ver e sentir a vida voltando ao seu lugar, por todos os cantos, até aonde a vista alcança. É impressionante como a natureza e os bichos se recuperam rapidamente. Por que com a gente não poderia também acontecer rápido assim?

Verdade que algumas árvores secaram de vez e morreram, mas logo viraram lenha, pau de  cerca, banquinho na varanda. Sítio é bom por isso: na roça, nada se perde. Dá para aproveitar tudo sempre, até a bosta do gado que ajudou a ressuscitar minha horta e o pomar.

E vem mais chuva pela frente, basta olha para o céu, mas as nuvens negras já não assustam; ao contrário, só animam todo mundo a arar a terra, mesmo que a melhor época para o plantio já tenha passado.

Às vezes, é preciso sair de São Paulo, até para respirar um pouco, sem medo, e descobrir que o ar limpo e as notícias boas também existem, embora a televisão ligada na sala, e as revistas e os jornais esquecidos sobre a mesa do jantar, só falem de desgraças.

Porangaba está cheia de lojinhas novas e o velho açougue do Valdir agora virou um minisupermercado.  Não encontrei ainda, juro pra vocês, pessoas reclamando da vida, que segue.

Se algum leitor também tiver alguma noticia boa para contar, não se acanhe: mande para o Balaio.

Bom final de semana a todos.

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 The game is over: Toffoli manda PSDB se calar

Dias Toffoli e Dilma na diplomação da presidente

Até usei meu parco inglês no título para ver se consigo me fazer entender melhor. Em bom português, o presidente do Superior Tribunal Eleitoral, ministro Dias Toffoli, foi direto ao ponto para não deixar margem a dúvidas, e mandou um duro recado aos tucanos inconformados:

"Eleições concluídas são, para o Poder Judiciário Eleitoral, uma página virada. Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral. Que especuladores se calem. Não há espaço. Já conversei com a Corte e essa é a posição inclusive do nosso corregedor-geral eleitoral. Não há espaço para, repito, terceiro turno que possa vir a cassar o voto destes 54.501.118  eleitores".

Poucas horas antes da cerimonia de diplomação de Dilma Rousseff, na noite desta quinta-feira, para governar o país no período 2015-1018, os líderes do PSDB e seus advogados ainda fizeram mais uma tentativa de virar o jogo no tapetão, pedindo a cassação da presidente reeleita e a sua imediata substituição por Aécio Neves, o candidato derrotado nas urnas.

Pode parecer piada, mas foi exatamente isso que aconteceu, fazendo imaginar que Aécio já estava paramentado em casa, com seu melhor terno, só esperando o chamado para receber o diploma de presidente da República no lugar de Dilma.

Ao mandar os "especuladores" se calarem, o presidente do TSE procurou dar um fim à patética campanha desencadeada logo após a eleição pelas oposições partidário-midiáticas para impedir Dilma de assumir seu segundo mandato daqui a duas semanas.

No Jornal da Record News, transmitido também pelo R7, Heródoto Barbeiro lembrou bem que o papel da oposição é este mesmo, quer dizer, infernizar a vida do governo eleito, e que o PT também fez a mesma coisa quando os papéis eram invertidos, mas tudo tem sua hora e lugar. É verdade que alguns setores minoritários e radicais do PT lançaram uma campanha "Fora FHC" após a reeleição do tucano, no que foram prontamente desautorizados pela direção do partido. Só que isso aconteceu depois da posse dele no segundo mandato, não no ato da diplomação do presidente eleito, um ritual solene na democracia.

O recado embutido no discurso de Toffoli acabou sendo uma resposta ao pedido feito no mesmo dia pelo PSDB para a abertura de uma investigação judicial eleitoral contra Dilma, alegando supostos atos que teriam afetado a igualdade dos candidatos durante a campanha e acusando a presidente reeleita de utilizar a máquina pública e abusar do poder econômico.

Seria mais ou menos como se, no futebol, na festa da entrega das faixas ao campeão, algum advogado do time derrotado entrasse em campo com um pedido de liminar e simplesmente levasse o troféu para casa, alegando que o resultado foi injusto para seu clube.

Em seu discurso, a presidente Dilma não fez referência à apelação do PSDB e procurou contemporizar, propondo um "pacto nacional contra a corrupção". Para ela, "cumprir a vontade popular é uma missão generosa que, em vez de oprimir, liberta e, em vez de enfraquecer, fortalece".

No trecho central da sua fala, a presidente também mandou um conselho à oposição:

"Como uma eleição democrática não é uma guerra, ela não produz vencidos. O povo, na sua sabedoria, escolhe quem ele quer que governe e quem ele quer que seja oposição, simples assim. Cabe a quem foi escolhido para governar, governar bem. Cabe a quem foi escolhido para ser oposição, exercer da melhor forma possível o seu papel. Mais importante e mais difícil do que saber perder, é saber vencer".

Que assim seja.

***

Com este texto, encerro, quase dois meses após a proclamação dos resultados pelo TSE, a minha participação na cobertura das Eleições 2014, que me ocuparam a maior parte do tempo durante todo este ano.

Não faço nenhuma questão de ter razão, nem em casa, nem no trabalho, nem no debate político. Só quero mesmo é ser feliz, com a consciência tranquila do dever cumprido da forma mais honesta possível, só escrevendo e falando o que penso, mesmo que ninguém concorde comigo.

Apanhei, como de costume, dos dois lados envolvidos na disputa, mas não me queixo. A vida de repórter é assim mesmo. Entre ser feliz e estar com a razão, ficarei com a primeira alternativa, sempre.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sou do tempo em que ir a Cuba era proibido para os brasileiros. Os dois países não tinham relações diplomáticas e no nosso passaporte vinha um aviso: eraobama Fim da Guerra Fria: vai ser bom para todo mundo permitido viajar para qualquer país do mundo, menos para a ilha caribenha.

Ao retornar de uma viagem clandestina, você poderia ser interrogado e preso. A primeira vez que me arrisquei a viajar para Havana foi em 1980, para participar de um encontro de intelectuais latino-americanos (jornalista era considerado intelectual...), junto com uma comitiva bastante variada de representantes das várias áreas da cultura nacional.

Para chegar lá, era preciso fazer uma triangulação, com conexão em Lima, no Peru, pegar o visto na embaixada cubana e, depois, seguir até o Panamá, aonde finalmente pegamos o voo para Havana. Ao desembarcar, me lembrei da primeira vez que cheguei a Salvador, na Bahia, nos anos 1960. Era tudo bastante parecido: o povo mulato e festeiro, muita música, mojitos servidos à vontade, danças, roupas coloridas. Nada, enfim, que lembrasse uma terrível ditadura comunista, destas que comem criancinhas, como aprendi lendo os nossos jornais.

Voltaria a Cuba, onde fiz muitos amigos, várias outras vezes, a passeio ou a trabalho, e vi de perto as diferentes fases pelas quais a ilha passou neste período, da bonança à penúria. Por isso, como tanta gente pelo mundo afora, fiquei muito feliz com o anúncio do reatamento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, nesta tarde histórica de 17 de dezembro de 2014, dia do aniversário do papa Francisco, que completou 78 anos, e teve papel fundamental nas negociações que levaram a este desfecho.

A melhor notícia deste final de ano, que renova nossas esperanças de viver num mundo mais fraterno e menos belicoso, acabaria vindo de onde menos se poderia esperar, proclamada com orgulho pelos presidentes de dois países tão próximos e tão diferentes, inimigos até então irreconciliáveis, separados por apenas 200 quilômetros de mar.

"Todos somos americanos!", resumiu Obama, em bom castelhano, ao abrir os braços para o pequeno país de Raul Castro, com apenas 10 milhões de habitantes. Companheiro de muitas passagens por Havana, o amigo escritor Fernando Morais, um dos primeiros jornalistas brasileiros a desafiar a proibição de entrar em Cuba, ainda em 1975, no auge da ditadura militar brasileira, foi quem melhor definiu este acontecimento de grande repercussão mundial: "Não é só uma frase de efeito, mas a Guerra Fria acabou hoje, às 15h01".

De fato, a chamada Guerra Fria, que começou logo após o final da Segunda Grande Guerra, dividindo o mundo ao meio entre comunismo e capitalismo, perdeu sua razão de ser com a queda do Muro de Berlim, em 1989, mas veio se arrastando por mais 25 anos até os dias atuais, inclusive aqui no Brasil, como vimos ainda agora na última campanha eleitoral. "Vai para Cuba!", era um dos xingamentos mais comuns nas manifestações de tucanos contra a presidente Dilma Rousseff, acusada de ser amiga dos cubanos e de ter financiado o porto de Mariel, em Havana, com dinheiro do BNDES. Só falta agora chamarem Obama de comunista.

Pois agora, que a coragem dos presidentes Obama e Castro abriu caminho para o levantamento do embargo econômico contra Cuba, decretado pelos Estados Unidos 53 anos atrás, Mariel pode se tornar o símbolo de um novo tempo, em que a abertura dos portos possa ajudar a combater a intolerância ideológica que ainda inferniza boa parte do mundo. Vai ser bom para os Estados Unidos e para Cuba, claro, mas também para o Brasil e a América Latina, e o mundo todo que ainda sonha com a paz entre os povos.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilmanova Como explicar este fenômeno Dilma, que sobe no Ibope?

Para quem lê, vê e ouve diariamente os principais veículos da imprensa brasileira, a popularidade da presidente Dilma Rousseff deveria estar abaixo do res do chão. Depois de apanhar sem dó nem piedade feito cão sem dono da mídia familiar tucana, antes, durante e, principalmente, depois de ser reeleita presidente da República, eis que a pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira mostra que aconteceu tudo exatamente ao contrário do que a feroz oposição comandada pela dupla FHC-Aécio poderia esperar.

Como os analistas e especialistas de plantão irão explicar que a aprovação ao governo Dilma, em meio à enxurrada de denúncias de corrupção na Petrobras, não só não tenha caído, como ainda subiu dois pontos? Entre os entrevistados pelo Ibope, em pesquisa encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), o índice de "ótimo" ou "bom" passou de 38% para 40%, enquanto a avaliação negativa caiu de 28% em setembro para 27% em dezembro.

A aprovação pessoal da presidente subiu para 52% (era de 45% em setembro) e a desaprovação caiu de 46% para 41%. O índice dos que confiam em Dilma também cresceu: de 45% passou para 51%, e o dos que não confiam nela caiu na mesma proporção, de 50% para 44%.

A própria reeleição de Dilma, apesar de todos os ventos contrários, já poderia ser considerada algo entre o milagre e o fenômeno. Melhorar seus índices no Ibope, então, depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, em que a presidente não teve um único minuto de trégua, o que é?

Peço a ajuda dos caros leitores do Balaio para responder a esta pergunta intrigante, já que ela foge à minha pobre capacidade de análise. O mais incrível é que 44% dos entrevistados avaliaram que a maioria das notícias divulgadas neste período foram desfavoráveis a Dilma (este índice era de 32% em setembro).

Se, mesmo assim, a maioria aprovou a presidente, de duas uma: a imprensa já não está com essa bola toda, e a população encontrou outras formas para se informar fora da grande mídia, ou Dilma é mesmo um fenômeno de resiliência que ainda não foi explicado pelos livros dos nossos sábios cientistas políticos.

Como explicar?

 

 

 

 

 

 

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diretas Está faltando alguém como Dante de Oliveira

Se todos quisessem, poderíamos fazer deste grande país uma grande Nação.  

(Tiradentes, citado na epígrafe do meu livro Explode um novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas, Editora Brasiliense, 1984)

 

Na introdução deste livro, sob o título "A Travessia da Esperança", escrevi 30 anos atrás:

O sonho aconteceu em novembro de 1983. Vinha voltando para casa, depois de um almoço de domingo com a família no sítio do meu irmão, em Cotia, pertinho de São Paulo, e nem prestava muita atenção na conversa das três meninas no carro.

O ano estava chegando ao fim _ mais um ano, sem nenhuma perspectiva de mudança, sem esperanças, só lamentos por toda parte (...) Era preciso mudar tudo, começar de novo, virar o Brasil de cabeça para baixo. Mas de que jeito?

A única bandeira que pintava no horizonte escuro, acenando timidamente, era a das eleições diretas _ o primeiro passo, sabíamos todos, para a reconstrução deste rico e belo País, dilapidado, humilhado, torturado, quase dizimado pela ditadura dos últimos vinte anos, mas ainda de pé, com vergonha na cara. 

Chegando em casa, nem esperei para saber o resultado do jogo do meu time, e fui logo pra máquina escrever aquilo que tinha sonhado de olhos abertos: por que a Folha de S. Paulo, o último jornal liberal do país, não empunhava de uma vez esta bandeira das eleições diretas, como fazia a imprensa, antigamente, quando se apaixonava por uma causa?

***

Não se vive sem sonhos, mas também ninguém pode viver de ilusões. Nas voltas que a vida dá, estamos novamente vivendo um tempo desesperançado como aquele do final de 1983. Escrevi sobre isso no post anterior ("Clima está mais para fim de feira do que festa") e, por isso, fui muito criticado por alguns fieis leitores aqui do Balaio. Me acusaram de desencanto, pessimismo, desânimo, baixo astral.

Em resposta a eles, lembrei-me desta época cinzenta na travessia da ditadura para a democracia, quando buscávamos uma bandeira para unificar a luta pelo fim da ditadura _ e de tudo o que aconteceu depois. Em janeiro do ano seguinte, já havia milhares de pessoas nas ruas clamando por eleições diretas para presidente da República, algo que só aconteceria cinco anos mais tarde, em 1989.

Demorou, mas a semente estava plantada e, a partir daí, o país entraria no mais longo ciclo democrático e de pleno respeito às liberdades públicas da nossa jovem República. Devemos isso a milhões de pessoas  que inundaram as ruas e praças deste imenso país, sob a liderança de um homem chamado Ulisses Guimarães, que escreveu no prefácio do meu livro: "Poesia é encontrar uma árvore esquecida à beira de uma estrada e glorifica-la".

Quem descobriu esta árvore foi Dante de Oliveira, jovem deputado federal do Mato Grosso, em primeiro mandato, que apresentou um projeto de emenda constitucional propondo a volta das eleições diretas para presidente da República. A princípio, ninguém levou muito a sério a iniciativa do principiante, nem mesmo o seu partido. Achavam que Dante era muito sonhador, não botavam fé no seu projeto. Ao final desta travessia, porém, a emenda ganharia o seu nome e acabaria mudando a História do nosso país.

Pois agora, neste momento de crise que o país está vivendo, às vésperas de um novo ano e de um novo mandato presidencial, falta justamente uma bandeira capaz de mobilizar os desesperançados, e alguém como Dante de Oliveira para tomar a iniciativa de apresentar um consistente projeto de reforma política, disposto a convencer pelo menos o seu próprio partido de que esta é a única saída viável e democrática para o atual impasse político que dividiu o país ao meio.

Boto fé que logo poderá aparecer este jovem político sonhador e um líder do porte do doutor Ulisses para levar adiante algo que outros já tentaram, em várias propostas de reforma política, que repousam placidamente nos escaninhos do Congresso Nacional. A hora é agora.

Mais difícil será encontrar um veículo como a Folha de S. Paulo, aquela da campanha das "Diretas Já!" de 1984, para se tornar o porta-voz deste grande anseio nacional. Da minha parte, só me resta repetir o que tenho dito até cansar no Jornal da Record News. Só tem um jeito de continuarmos sonhando, sem desanimar e sem ceder às ilusões: reforma política já!

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Está feia a coisa. Dentro da margem de erro de 50 pontos para mais ou para menos, nossos astrólogos políticos e analistas econômicos de plantão são unânimes em prever que 2015 será um ano tenebroso, muito pior do que 2014. "Mas dá para piorar?", podem contestar os otimistas. "Sempre dá", responderão os urubólogos.

Uma coisa é certa: a duas semanas do final do primeiro governo Dilma e do início do segundo, o clima no país nesta passagem de ano está mais para fim de feira do que para posse festiva. Governo novo sempre significa uma renovação de esperanças, mas nunca vi tamanho baixo astral como agora.

Para completar, Brasília não tem a menor condição de receber visitas no dia 1º de janeiro, data marcada para a reposse de Dilma. De lá, informa meu velho amigo Valdo Cruz, um jornalista sério: "A capital do país está um caos. O mato toma conta do centro da cidade, e o lixo se cumula em algumas ruas. Servidores em greve fecham avenidas e causam enormes engarrafamentos. Falta medicamento em hospitais, e alunos perdem aulas em dia de provas (...) Ruas esburacadas, obras paradas, greve de ônibus tornando a vida de quem depende de transporte público um inferno".

Se, ao contrário das expectativas, vierem muitos mandatários ilustres do exterior neste feriadão universal, será um vexame. E aqui dentro, diante deste cenário desolador, quem vai se abalar a sair de casa e gastar uma nota preta para ir a Brasília só para ver Dilma passando a faixa para ela mesma?

A verdade é que, recolhida a um silêncio obsequioso e preocupante frente à brutal crise que derrete a Petrobras, a presidente Dilma Rousseff também não ajuda nada a melhorar este clima. A montagem do seu novo ministério é um verdadeiro anticlímax, com os nomes sendo anunciados a conta-gotas, repetindo os mesmos erros nos métodos de fatiamento do poder entre aliados cada vez mais famintos, sem levar em conta a qualificação dos nomeados e os interesses maiores do país, com a solitária exceção da equipe econômica.

No restante, vamos ter mais do mesmo, com o PMDB dando as cartas e controlando o jogo no comando do Congresso. Pelo jeito, não mudarão nem as moscas farejando os cofres públicos. Depois, não adianta reclamar, nem se queixar da imprensa. A presidente está plantando para o futuro os mesmos pepinos podres que vem colhendo agora, sem mudar a horta de lugar.

Só quem tem bons motivos para ficar muito satisfeitos e cheios de esperanças num futuro melhor são os de sempre: as excelências federais, estaduais e municipais, de todas as latitudes e poderes, que já garantiram um belo aumento salarial nos seus contracheques em 2015. Está para ser aprovado no Congresso Nacional um reajuste de 34,4% em relação a fevereiro de 2010, o que vai nos custar mais R$ 3,8 bilhões por ano para ter as autoridades mais bem pagas do mundo.

Como o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que recebem o teto do funcionalismo público, deve ir para R$ 35,9 mil, e os nobres parlamentares querem ganhar a mesma coisa, o efeito cascata vai beneficiar 16 mil desembargadores e juízes, igualmente promotores e procuradores, além do exército de 60 mil vereadores e mais de 1.000 deputados estaduais, entre outros. Entram na roda também os salários da presidente Dilma Rousseff, do vice Michel Temer e dos seus 39 ministros.

Temos nós algum motivo para comemorar? A única "notícia boa" desta segunda-feira em São Paulo, só para se ter uma ideia da inhaca, é que a Sabesp foi autorizada a retirar mais água do volume morto dos reservatórios do Alto Tietê, o que dará uma sobrevida de dois meses ao abastecimento da região leste da área metropolitana. Como diria o Milton Leite, que beleza!

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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promotor Hora da verdade: governo Dilma quebra dois tabus

O promotor Deltan Dallagnol

Tínhamos, até outro dia, dois tabus inamovíveis:

* Nunca saberemos quem cometeu os crimes de lesa-humanidade durante a ditadura militar porque os generais não vão deixar mexer neste assunto.

* A turma do colarinho branco, que pode pagar bons advogados, nunca irá para a cadeia.

Nesta semana histórica que está chegando ao fim, o governo da presidente Dilma Rousseff quebrou os dois tabus de uma vez. Quem me chamou a atenção para este fato foi a carta de um leitor _ e, cada vez com maior frequência, as seções de leitores dos jornalões me servem de pauta, mais do que o noticiário. Na Folha desta sexta-feira, o Claudio Janowitzer, do Rio de Janeiro, escreveu:

"A divulgação do extenso relatório da Comissão Nacional da Verdade deve ser saudada por todos os brasileiros. Finalmente são trazidos à tona atos escabrosos que foram encobertos por mentiras e dissimulações. A apuração da verdade é sempre benvinda e esperemos também que esta mesma busca ajude o Brasil a sair do atoleiro de podridões financeiras que estão sendo reveladas pela operação Lava Jato. Jamais seremos um país justo e forte se negarmos isso".

Em tudo que li até agora sobre o relatório final da Comissão Nacional da Verdade e as ações da Operação Lava Jato, Janowitzer foi o único a juntar estas duas pontas, que podem significar o início do fim da impunidade em que viviam os poderosos deste país, civis ou militares, de colarinho branco ou fardados, desde a vinda de D. João 6º ao Brasil.

Um dia apenas depois da CNV nominar os 377 responsáveis por torturas praticadas pelo regime militar, o Ministério Público Federal denunciou criminalmente 36 pessoas, sendo 24 delas ligadas a seis das maiores empreiteiras do país envolvidas no escândalo da Petrobras, e determinou o ressarcimento de mais de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos.

Nunca antes, como diria o Lula, isto havia acontecido na nossa história. Claro que não foi Dilma sozinha, como pessoa física, quem derrubou de uma penada estes dois antigos tabus, mas foi o seu governo quem criou a CNV, dando-lhe plena autonomia para atuar, e garantiu ao Ministério Público, ao Judiciário e à Polícia Federal a mesma autonomia para investigar quem quisesse, em absoluto respeito à independência entre os poderes, algo antes não muito comum em nossa vida republicana.

"Começamos a romper com a impunidade de poderosos grupos que têm se articulado contra o interesse do país há muitos anos", anunciou o procurador Deltan Dallagnol, um dos responsáveis pelas investigações da Operação Lava Jato. "As investigações não param por aqui".

É a primeira vez que não apenas corruptos são denunciados, mas também os corruptores, até aqui sempre preservados nos casos de corrupção que há séculos abalam e sangram as instituições nacionais.

Com todos os problemas que enfrenta na política, na economia e na montagem do seu novo ministério, finalmente a presidente Dilma Rousseff tem todos os motivos do mundo para comemorar estas duas vitórias, que poderão representar um divisor de águas na vida brasileira para que, daqui para a frente, todos sejam, de fato, como determina a Constituição, iguais perante a lei.

Pode ser o fim do "sabe com quem está falando?" e do "leve vantagem em tudo". Em uma semana, o país mudou. Pelo menos, perdeu o medo de enfrentar a dura realidade.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilma Vamos virar a página da vergonha e olhar para o futuro

Depois de 2 anos e 7 meses de trabalho, o maior mérito do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, entregue nesta quarta-feira à presidente Dilma Rousseff, foi o de ter sido divulgado agora, exatamente no momento em que neogolpistas e viúvas da ditadura militar estão se assanhando nas ruas e nas redes sociais, querendo trazer de volta um período de triste memória, esta página de vergonha da nossa História, que está na hora de ser virada.

Alguns leitores, editores e amigos estranharam que eu não tivesse tratado mais deste tema aqui no Balaio, mas tenho mesmo uma grande dificuldade para ficar remoendo um passado de sofrimento, tanto na vida do país como na minha vida familiar, que gostaria de sepultar na lembrança, para poder me ocupar melhor do presente e do futuro.

Tanto por parte de pai como de mãe, sou filho de famílias que foram perseguidas nos seus países de origem, na Europa, sobreviveram às atrocidades das duas grandes guerras mundiais e vieram parar aqui no Brasil em busca de paz.

Sou o primeiro brasileiro da família, nascido apenas duas semanas após meus pais desembarcarem de um navio de refugiados no porto de Santos, e tenho muito orgulho disso. Na minha infância, em casa, os mais velhos evitavam falar dos tempos de guerra para evitar que os sofrimentos deles passassem para os filhos e netos.

Por isso, ao escrever meu livro de memórias, Do Golpe ao Planalto, em meados da década passada, tive muita dificuldade para resgatar minhas origens familiares, cavoucando documentos e cartas amarelecidos pelo tempo que meus pais guardaram, mas nunca haviam me mostrado.

Até hoje, evito lembrar da morte de meu pai, muito jovem, quando eu tinha 12 anos. Lido muito mal com estas lembranças e entendo perfeitamente o choro da presidente Dilma neste trecho do seu discurso no Palácio do Planalto, ao receber o relatório histórico:

"Afirmei que o Brasil merecia a verdade, que as novas gerações mereciam a verdade, e, sobretudo, mereciam a verdade aqueles que perderam familiares, parentes, amigos, companheiros e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo, e sempre, a cada dia".

É exatamente isto que sinto quando me pedem para relembrar, em repetidas entrevistas para documentários e trabalhos acadêmicos, os tempos do golpe cívico-militar-midiático de 1964, que este ano completou 50 anos, o mesmo tempo que tenho de jornalismo.

Sim, o Brasil merecia a verdade, cara presidente Dilma, e agora a temos por inteira, com a identificação dos responsáveis pelas atrocidades cometidas e a descrição da cadeia de comando de uma política de Estado, a começar pelos cinco generais-presidentes (Castelo, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo), como eram chamados os ditadores naquele tempo, todos já mortos.

Cabe agora a nós, sobreviventes, cuidarmos do presente e olharmos para o futuro, sem revanchismos nem ódios, mas também sem medo de enfrentar os inimigos da democracia, que continuam à espreita, esperando só uma chance de voltar ao poder.

Pena que tenhamos demorado tanto para enfrentar o que outros países, que enfrentaram a mesma tragédia, já resolveram há muito tempo. Antes tarde do que nunca, Dilma em boa hora criou a coragem que os presidentes civis que a antecederam não tiveram para mandar investigar os crimes de lesa-humanidade aqui perpetrados e nominar 377 pessoas como responsáveis por eles.

Devemos isso ao trabalho incansável, do qual sou testemunha, de seis brasileiros da melhor qualidade humana e honradez profissional, cujos nomes devemos guardar para sempre: Pedro Dallari, José Carlos Dias, José Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria Cardoso da Cunha.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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