Mais graves do que os estragos na porta da garagem causados pela bomba caseira lançada contra o Instituto Lula na noite de quinta-feira, foram as reações de alguns vândalos midiáticos nas redes sociais.

Assim que a notícia foi divulgada no dia seguinte, os blogueiros black blocs, empenhados em convocar a população para os protestos do dia 16 de agosto, desandaram a disparar novos ataques virtuais contra o ex-presidente Lula.

Não vou aqui reproduzir as barbaridades que eles escreveram para não dar cartaz a bandidos homiziados na internet. Quem estiver interessado pode procurar os de sempre, assim como a polícia especializada em crimes cibernéticos, se quiser investigar quem está por trás da bomba caseira lançada contra o IL.

"O atentado contra o Instituto Lula é filho da impunidade das manifestações de ódio", escreveu o colega Paulo Nogueira, do "Diário do Centro do Mundo". E explica: "A impunidade leva a novos degraus. Primeiro você xinga, calunia, massacra nas redes sociais. Depois começa a jogar bombas. O Brasil tem que adotar uma política de tolerância zero contra o ódio".

É o que devemos fazer antes que as bombas virtuais ou reais comecem a matar gente e assassinar reputações.

Ao afirmar que o ataque ao Instituto Lula foi estimulado pelo "massacre midiático" contra o ex-presidente, o líder petista Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul, constata que "os fascistas se sentem legitimados". Tarso prestou solidariedade a Lula, "como teríamos com Fernando Henrique Cardoso, se o seu Instituto fosse atacado. Isso é unidade democrática contra o ovo da serpente".

Espera-se agora que os principais líderes da oposição também se manifestem contra o atentado, que não deixou vítimas, mas que, se nada for feito,  amanhã poderá se repetir contra outros alvos nesta batalha insana que só faz se tornar mais perigosa a cada dia, desde a campanha eleitoral do ano passado.

"A intolerância é o caminho mais curto para destruir a democracia", alertou a presidente Dilma Rousseff, na manhã deste sábado, em suas contas nas redes sociais.

Pois é exatamente o que está em jogo neste momento: a nossa jovem democracia, vilipendiada pelos que não aceitam o resultado das urnas e querem voltar ao poder na marra, disseminando o medo e o ódio.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

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 Corremos o risco da perda de confiança no país

Comércio com portas fechadas (Foto: Alessandro Costa / Ag. O Dia)

Os números da nova pesquisa Ibope com o Índice de Confiança Social, antecipados pelo colega José Roberto de Toledo em sua coluna no Estadão, mostram que houve uma preocupante perda de credibilidade em todos os níveis de poder, com exceção do Judiciário.

A desconfiança é generalizada e crescente, mostra a pesquisa de 2015, que foi a campo entre os dias 16 e 22 de julho, em 142 municípios de todo o país.  Da Presidência da República e do Congresso Nacional até chegar aos prefeitos e partidos, todos perderam pontos na escala, que vai de 0 a 100. Vejam os índices:

* A instituição Presidência da República caiu para 22 pontos, metade do que tinha no ano passado.

* É o mesmo índice do Congresso Nacional, que perdeu 13 dos 35 pontos registrados em 2014. "Uma votação de impeachment da presidente será o roto decidindo o destino do esfarrapado", conclui Toledo.

* A população também acredita menos nos prefeitos. Os poderes executivos locais perderam 9 dos 42 pontos, o que aponta para dificuldades aos que tentarem disputar a reeleição no próximo ano.

* Partidos políticos são a instituição pior avaliada: em um ano, a confiança nas 30 e tantas siglas que temos atualmente caiu 13 pontos, batendo no índice de 17. Ou seja, 83 em cada 100 não confiam em nenhum deles.

* Em compensação, o Judiciário, com o protagonismo da Operação Lava Jato, é a única instituição que mantem o índice: teve 46 pontos, em 2013, subiu para 48, no ano passado, e voltou agora aos 46.

Marcia Cavallari, a CEO do Ibope Inteligência, constata que "houve uma diminuição da confiança nas instituições políticas como um todo", em consequência dos escândalos envolvendo políticos de todas as latitudes.

É este o resultado da política do toma-lá-dá-cá, do dá ou desce, do é dando que se recebe, que continua imperando em nosso país. Tivemos nesta quinta-feira, no mesmo dia da reunião da presidente Dilma Rousseff com 26 governadores, mais um exemplo de como funciona este sistema político falido, que está na raiz de todas as crises: em agosto, o governo federal vai lotear 200 cargos para partidos aliados e, até o final do ano, entregará R$ 4,9 bilhões em emendas parlamentares.

O risco que corremos agora é a perda da confiança dos brasileiros não apenas nos atuais ocupantes dos cargos públicos e dos mandatos parlamentares, mas nas próprias instituições. Sinto que estamos perdendo, na verdade, a confiança no nosso país, como mostram os comércios fechando suas portas e a queda dos investimentos e dos empregos na indústria. Por toda parte, multiplicam-se as faixas de "Passa-se o ponto" e placas de "Aluga-se".

Enquanto isso, partidos e políticos, do governo e da oposição, dedicam-se à disputa do poder pelo poder a qualquer preço.

 

 

 

 

 

 

 

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governadores Estados querem grana e Dilma apoio político

Dilma e governadores em encontro de 2011 (Foto: Julia Chequer/R7)

Escrevo antes de começar a aguardada reunião da presidente Dilma Rousseff com todos os governadores, marcada para as 16 horas desta quinta-feira, no Palácio do Planalto.

A grana acabou e a arrecadação de todos está caindo. Em resumo, este é o ponto em comum entre o governo federal e os estaduais neste momento.

O que podemos esperar deste encontro, além da foto oficial com todos juntos e sorridentes, que certamente tem um peso político próprio?

Os governadores vão pedir mais recursos a Dilma, o que a presidente não tem como atender, por conta do ajuste fiscal. Dilma vai pedir apoio político a eles para barrar as "pautas bomba" na Câmara prometidas por Eduardo Cunha, como o aumento de 70% para os servidores do Judiciário, parcelado nos próximos quatro anos, que custaria R$ 25 bilhões aos já combalidos cofres federais.

Fala-se em "pacto federativo" e "agenda positiva", mas é difícil descobrir como isso será possível, já que os governadores não têm controle sobre suas bancadas para impedir a aprovação de projetos que aumentem os gastos públicos, com impacto também nos Estados, muito menos a instalação de novas CPIs.

Entre os acordos possíveis, está a criação de fundos de compensação para a reforma do ICMS, que prevê a unificação das alíquotas em 4%, para evitar a guerra fiscal. Outra demanda dos governadores é a sanção do projeto de lei que permite a Estados e municípios o uso como receita de parcela dos depósitos judiciais.

Limitar as discussões a questões financeiras, fiscais e administrativas, passando ao largo das polêmicas políticas, como a votação das contas do governo pelo TCU em agosto, é uma forma de evitar atritos com os governadores de oposição, mas não contribuirá em grande coisa para o estancamento da crise.

Em política, as ações simbólicas por vezes valem mais do que os resultados. Desta forma, o simples fato de conseguir promover esta reunião com todos os chefes dos executivos estaduais, contrariando os líderes da oposição, num momento delicado do seu governo, pode servir para a presidente Dilma retomar o folego e a iniciativa da pauta política, dominada no primeiro semestre pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Afinal, agosto vem aí, e é preciso reforçar a defesa para enfrentar os obuses colocados no horizonte. Todo cuidado é pouco nesta hora.

 

 

 

 

 

 

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piaui Após 127 anos, Lei Áurea ainda é desrespeitada

Foi às horas três da tarde do dia 13 de maio de 1888, um domingo, no Rio de Janeiro, que a princesa Isabel, bisneta de D. João VI, assinou a Lei Imperial nº 3.353, mais conhecida como Lei Áurea, que extinguiu a escravidão. Pelo menos, foi isso que aprendemos nos livros de História do Brasil.

Até hoje, no entanto, 127 anos depois, voltamos a ser lembrados que esta lei ainda não é cumprida. Fiquei chocado ao ver as imagens da Rede Record, reproduzidas aqui no R7, mostrando as condições de vida dos trabalhadores tratados como porcos no município de Luis Correa, no norte do Piauí. Não é força de expressão. Os alojamentos foram instalados em chiqueiros onde os empregados dividiam os espaços com os animais nas fazendas dedicadas à extração de carnaúba para a produção de cera.

"Situação degradante análoga à escravidão", registraram os agentes do Ministério Público do Trabalho durante a fiscalização feita em 12 propriedades rurais. Segundo o procurador do MPT, José Wellington Soares, "é uma situação que desfigura totalmente a dignidade do ser humano, transforma o ser humano em animal também".

Obrigados a comer no chão, junto a fezes de animais, trabalhando sem equipamentos de proteção, sem carteira assinada e sem as mínimas condições de segurança, higiene e saúde, 130 escravos do século 21, entre eles três adolescentes calçando chinelos, foram encontrados nestas condições pelos fiscais durante os trabalhos do Projeto Palha Acolhedora, entre os dias 20 e 24 deste mês.  A água era armazenada em tonéis utilizados para embalar agrotóxicos e a comida servida em latas.

No Piauí, cerca de 12 mil trabalhadores, a maioria vindos do Ceará, são empregados na extração da palha de carnaúba e recebem diárias que variam entre R$ 30 e R$ 60. Boa parte da cera produzida no Estado é destinada à exportação e utilizada nas indústrias de cosméticos e de computação.

Diante desta triste realidade, que permanece camuflada em largas regiões do nosso território, até a Lei Áurea corre o risco de ser revogada na fúria legiferante do Congresso Nacional, que ameaça direitos sociais e trabalhistas duramente conquistados no último século. Na prática, é uma lei até hoje ignorada por velhos coronéis donos de terra e gente, sempre bem representados nos parlamentos.

O Brasil foi um dos últimos países do mundo a libertar os escravos, mas a escravidão ainda não foi extinta.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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aecio Aécio reaparece em cena pronto para a guerra

Mais para Carlos Sampaio, o Bolsonaro do PSDB, do que para seu avô Tancredo, o conciliador, Aécio Neves reapareceu em cena na segunda-feira com a corda toda, dando apoio às manifestações de rua contra o governo marcadas para o próximo dia 16.

"Aqueles que estiverem indignados ou até mesmo arrependidos mas, principalmente, cansados, devem se movimentar, ir às ruas", disse Aécio, ao anunciar que o PSDB vai usar suas inserções no rádio e na TV, a partir da próxima semana, para convocar a população a participar dos protestos que pedirão o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Com receio de perder o protagonismo da oposição para Eduardo Cunha, depois de passar alguns dias sumido, o presidente do PSDB voltou à cena antes do final do recesso julino, pronto para deflagrar a grande ofensiva contra o governo prevista para agosto, o mês do cachorro louco, de tão tristes lembranças na vida política brasileira. "Se simplesmente desconsiderarmos que as manifestações existem, acho que estamos fugindo da realidade. A cobrança dos nossos eleitores é enorme", justificou.

Aécio só não decidiu ainda se, desta vez, vai sair às ruas para participar dos protestos. "Meu cuidado maior é que, a partir do momento em que eu disser que vou, isso dá uma impressão de que é um movimento do partido. Não é. Se eu decidir ir, vou como cidadão".

Ou seja, o PSDB vai apoiar, mas deixar a organização por conta de grupos como Revoltados On Line, Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua. É como aquele sujeito que fica batendo palmas para ver louco dançar. Se tudo der certo, os tucanos faturam; se não, a responsabilidade não foi deles.

O grande perigo para Aécio e os tucanos em geral, sem paciência para esperar 2018, é esticar demais a corda e entregar o poder de bandeja para o PMDB, que tem o vice-presidente, caso os protestos ganhem grandes dimensões e Eduardo Cunha cumpra suas ameaças de infernizar a vida do governo com a ajuda dos tribunais e da mídia hegemônica.

Com a palavra de ordem "Não vamos pagar a conta do PT", os protestos dos movimentos de oposição vão centrar suas críticas na política econômica do governo, mas o presidente do PSDB não apresentou até agora nenhuma proposta alternativa para melhorar a vida dos brasileiros neste momento de crise.

Desde a quarta derrota seguida nas eleições presidenciais, o PSDB limita-se a tentar um terceiro turno com ataques ao governo. Aécio quer que a presidente Dilma admita ter mentido durante a campanha eleitoral, ao negar a necessidade de se fazer um ajuste fiscal e, por isso, vive "uma grave crise de confiança".

O governo e o PT, por sua vez, em seu programa de rádio e TV, marcado para o dia 6 de agosto, vão reconhecer as dificuldades pelas quais os brasileiros estão passando neste momento, mas Dilma e Lula dirão que antes, no governo tucano, era pior. No caso dos petistas, o perigo é provocarem um novo panelaço, que possa servir de estímulo às manifestações de rua previstas para apenas dez dias depois.

Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. Estamos numa situação em que essa mesma ameaça vale tanto para o governo como para a oposição. Ninguém a esta altura sabe ao certo qual direção tomar. E a população, perplexa, perdeu as referências, já parece não acreditar em mais ninguém.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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flechas Até onde o PIB pode cair e a inflação subir?

Toda segunda-feira é a mesma coisa. Abro o computador e está lá: a pesquisa Focus, do Banco Central, informa que a aumentou a previsão de inflação e se acelerou a queda do PIB em 2015.

É a 15ª semana seguida que isso acontece. Nem dá mais manchete, virou rotina.

Desta vez, a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou para 9,23% (era de 9% um mês atrás). Ao mesmo tempo, a previsão do PIB caiu de menos 1,70% para 1,76% negativo.

Até onde, até quando vamos assistir a esta dança macabra das curvas da economia?

Com a palavra, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que ainda na semana passada garantiu que o pior já passou. O pior é que não há no horizonte nenhum sinal de que isso possa mudar tão cedo.

Eu não me arrisco a fazer previsões para responder ao título deste texto. Se tivesse competência para isso, já estaria rico, pois é o que todos querem saber neste momento.

 

 

 

 

 

 

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Quando a velhice chegar

Eu não se se terei

Tanto amor pra te dar

("Os Velhinhos", música de José Messias, que foi gravada por Roberto Carlos no começo dos anos 70).

Em tempo (atualizado às 9h30 de domingo, 26.7):

o domingo amanheceu ensolarado, o frio deu uma trégua, hoje é Dia dos Avós e tem festa de aniversário do grande cidadão Audálio Dantas (idade indefinida), no 38 Social Clube, na Lapa, com música ao vivo e churrasquinho. Viva a vida!

Nada como um dia após o outro.

***

Sabadão de inverno, bem frio e chuvoso. Dia bom para ficar em casa e ler um livro. O primeiro que vi na estante foi um que ganhei no ano passado do bom amigo Eros Grau, o ex-ministro do STF, uma grande figura, que encontro vez ou outra no bar da esquina.

Dei sorte. O livro dele "Paris _ quartier Saint-Germain-des-Prés" é um passeio afetivo de quem ama e conhece bem a cidade e sua vila mais charmosa, onde tem passado boa parte do ano. Já li quase cem páginas, mas resolvi dar uma parada para escrever este texto.

Não tem nada a ver com o livro nem com o autor, mas venho pensando neste tema da velhice já faz algum tempo. "Você não é velho", retrucam parentes e amigos quando toco no assunto. Eles não entendem que a mesma idade cronológica não é igual para todo mundo. Tem gente com 80 anos que parece estar com 70 _ e vice-versa.

A sensação do tempo passado vem vindo de mansinho, aos poucos, sem aviso prévio. Não marca dia. Vai se insinuando pelas frestas da alma e dos joelhos, cada dia mais um pouco. A família brinca comigo sobre esta mania de falar que estou ficando velho desde quando era moço.

Só que agora não é mais brincadeira. Aos 67 anos, mais de meio século trabalhando como jornalista, depois de dar várias voltas por todos os Estados brasileiros e por meio mundo, passar por umas 15 cirurgias e por quase todas as grandes redações brasileiras, sinto-me como um maratonista, feliz pelo percurso vencido, quando olho para trás, mas cada vez mais cansado, sem saber quanto falta para chegar.

Cansado de fazer, ouvir e falar as mesmas coisas; de dar murros em ponta de faca; de nadar contra a maré; de sonhar sonhos impossíveis; de acreditar em quem não merece; de jogar tanto tempo fora com coisas que não valem a pena.

Pois chega a hora em que dá mesmo uma certa "lebensmüde", expressão alemã que não tem tradução em português, e significa mais ou menos cansaço da vida ou bateria fraca. O problema não é só físico, mas mental. A gente sabe que precisa fazer caminhadas, nadar, correr, cuidar do corpo, do espírito e da cabeça, mas cadê força de vontade para fazer o que o geriatra manda?

No último aniversário, ganhei até uma bicicleta ergométrica que fica aqui no escritório só me olhando, pedindo para ser usada. Fica sempre para amanhã, enquanto passo o tempo todo lendo ou escrevendo, gastando a cabeça e o que me resta de neurônios. Para quê?

Se algum leitor está passando pelo mesmo problema e tem a receita para enfrenta-lo, envie, por favor, aqui para o Balaio.

Apesar de tudo, vida que segue.

Bom final de semana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Estes últimos dias não têm sido fáceis para ninguém. Somos sufocados pelos fatos que nos carregam muitas vezes para onde não queremos e nos obrigam a tratar de assuntos sobre os quais não gostaríamos de falar nem de escrever, em defesa do que nos resta de bom humor e sanidade mental, atropelados muitas vezes pelas diferentes versões dos conflitos cotidianos.

Faço este trabalho no Balaio já há quase sete anos (entrou no ar no dia 11 de setembro de 2008) e não me lembro de ter enfrentado tantas dificuldades na relação com os leitores/comentaristas/internautas como agora.

Com a radicalização partidária, nunca me vira obrigado a excluir tantos comentários para manter um mínimo de civilidade neste democrático espaço de debates, desde o primeiro dia aberto a todas as correntes políticas para discutir os rumos do nosso país. E ainda tem alguns que escapam, mas quando outros leitores me alertam são deletados. Só de ter um comentarista da qualidade e do caráter do Enio Barroso Filho, parceiro da primeira hora, já vale a pena continuar fazendo este blog.

No meio do agito para não deixar a peteca cair, a gente acaba se esquecendo até de falar de coisas boas, que também acontecem. Na semana passada, saiu o resultado da primeira fase da 13ª edição do Prêmio Comunique-se, conhecido como o Oscar do Jornalismo Brasileiro, pois os vencedores são eleitos em votação direta pelos próprios jornalistas.

Já não sou um garoto, vocês sabem, para me bacanear com estas coisas, mas é sempre gratificante ver o nosso trabalho reconhecido pelos colegas de profissão, ainda mais depois de completar 51 anos neste ofício de repórter.

Mais uma vez, meu nome foi indicado em duas categorias _ "Blogs e Tecnologia" e "Opinião/Articulista" _ pelo meu trabalho aqui no R7 e no Jornal da Record News. Dez profissionais concorrem agora em cada categoria, na segunda fase de votação, que termina dia 8 de agosto. Três serão escolhidos para ir à final que anunciará os vencedores numa grande festa.

Para votar, é preciso ser cadastrado no site, que tem a relação completa dos 260 profissionais classificados:

www.comunique-se.com.br

Ganhei várias vezes este prêmio nos últimos anos, em diferentes categorias das várias mídias, participei de quase todas as festas como finalista, mas não vim aqui para pedir votos. Quero apenas agradecer a todos os leitores, telespectadores e internautas que acompanham meu trabalho, aos companheiros do portal e da TV e, em especial, aos colegas jornalistas que me honraram com seus votos na primeira fase. Não levo o menor jeito de cabo eleitoral de mim mesmo. Só de ter sido lembrado novamente, já está bom demais.

E vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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lula1 Será possível um encontro de Lula com FHC?

Pode não dar em nada, pode nem acontecer, mas não custa tentar. Alguma coisa precisa ser feita com urgência pelas principais lideranças políticas do país na busca de caminhos comuns capazes de contribuir para o enfrentamento desta guerra sem fim que já ninguém aguenta mais.

É o que penso da notícia publicada pela Folha desta quinta-feira repleta de novas más notícias na economia sobre um possível encontro entre os ex-presidentes Lula e FHC para discutir a crise.

Diz o jornal: "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou amigos em comum a procurar seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso. O objetivo imediato do movimento é conter as pressões pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff".

A assessoria do Instituto Lula apressou-se em desmentir a informação e afirmou que o ex-presidente não tem interesse em conversar com Fernando Henrique Cardoso. É pena. Como Lula não dá entrevistas, seus assessores criticam "relatos anônimos que servem apenas para alimentar especulação".

Por sua vez, FHC, que está passando férias na Europa, enviou e-mail à Folha mostrando-se disposto ao diálogo:

"O presidente Lula tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se desejar discutir objetivamente temas comuns, como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente. Basta haver uma agenda clara e de conhecimento público".

É o primeiro sinal de civilidade e de esperança que encontro nos últimos meses nesta insana luta entre petistas e tucanos que se arrasta e acirra desde a última campanha eleitoral, uma batalha em que todos saímos perdendo.

Se não houver um mínimo entendimento entre governo e oposição, afinal, a reforma política continuará nas mãos dos Eduardo Cunha da vida e sua tropa de choque do baixo clero, enquanto os juros e a inflação disparam, e o PIB e o emprego despencam.

Repito o que escrevi aqui na semana passada quando Cunha ameaçou explodir tudo: "É hora de baixar a bola e pensar no país".

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

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mesa Toalha e marmitex, o andar de cima e o de baixo

No andar de cima, toalhas de linho e finas iguarias. Para o andar de baixo, marmitex.

Na perfeita imagem criada pelo jornalista Elio Gaspari, temos um resumo das divisões da sociedade brasileira, bem estampado num e-mail no qual o empreiteiro Marcelo Odebrecht comunica à mulher, Isabela, que uma sindicalista participaria de um jantar na casa deles. Em resposta, escreve Isabela, segundo o Painel da Folha desta quarta-feira, que reproduziu mensagem encontrada pela Polícia Federal no celular do empresário:

"Se sujar minha toalha de linho ou pedir marmitex... vou pirar. Saudações sindicais? Não mereço".

Muito antes da Operação Lava-Jato, em maio de 2012, Marcelo organizou este jantar, reunindo sindicalistas e grandes empresários em torno do ex-presidente Lula, para discutir a conjuntura econômica. A sindicalista a que os Odebrecht se referem é Juvandia Moreira Leite, presidente dos bancários de São Paulo.

Entre os 15 convidados, segundo documento vazado nas investigações da Lava Jato e reproduzido no blog do jornalista Renato Rovai, também estavam presentes João Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo, Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, Eike Batista, do então Grupo EBX, Jorge Gerdau, Emilio Odebrecht, Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco, e Sergio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Em seus oito anos de mandato, como sabemos, Lula procurou aproximar os andares da sociedade brasileira, governando para todos, mas uma parte da elite brasileira jamais aceitou o ex-metalúrgico na Presidência da República e seus companheiros reunidos na mesma mesa.

Esta resistência persiste até hoje, como se pode mais uma vez constatar neste e-mail tratando do jantar de 2012 e todos os dias nas crescentes manifestações de intolerância e preconceito contra pretos, pobres, petistas e nordestinos. Boa parcela do andar de cima ainda divide o mundo entre quem manda e quem obedece, cada um no seu lugar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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