Por isso que é bom sair de casa e andar por aí. Se não tivesse ido ao supermercado na terça-feira não ficaria sabendo, por exemplo, por que o colunista Nelson Motta deixou abruptamente a coluna carioca da "Folha" nas sextas-feiras.

Em sua lacônica coluna de despedida, quando aproveitou para dar mais um pau na TV pública, tema recorrente dos neo-cons da imprensa, Motta nada esclareceu, e o jornal também não se preocupou em dar uma satisfação aos leitores.

Foi o seguinte, como me contou um velho amigo testemunha dos fatos com quem cruzei no supermercado.

Na coluna anterior, "O rei e o leão", o jornalista, compositor e produtor musical Nelson Motta criticou a crítica do jornal que criticou o show de Caetano Veloso e Roberto Carlos em São Paulo.

Até aí, não teria nada demais, até porque o jornal bem que gosta de uma polêmica. Acontece que a direção do jornal foi informada que Nelson Motta havia trabalhado na produção deste show.

Cobrado por seus superiores por ter omitido esta informação, ele se aborreceu e disse tchau, não admitindo que colocassem em dúvida a sua ética profissional.

O caso Motta-"Folha" pode nos recomendar uma reflexão sobre os caminhos e interesses cruzados entre jornalismo e entretenimento, cada vez mais comuns.

Em um dos seus livros, o jornalista e professor José Arbex já definiu esta prática como "shownalismo" .  

 

 

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