Enquanto o mundo não submerge de vez na crise da grana americana, assunto do qual outros colegas mais qualificados se ocupam, garimpei algumas notícias menores desta terça-feira. São daquelas que o leitor olha e diz: é inacreditável!

Abrindo a série notícias inacreditáveis no "Balaio", selecionei três que são do balacobaco, como se dizia no tempo em que festiva era a esquerda, e não a direita dos neo-cons, que estão na moda agora na mídia eletrônica (na impressa já estão faz tempo). Vamos a elas:

1. O tucano verde ameaçado: 48 horas depois de se tornar a grande estrela da eleição carioca, surfando na onda de novidade da estação, meu amigo Fernando Gabeira, agora verde tucano ou tucano verde, como queiram, recebeu um apoio capaz de abalar seu favoritismo previsto por mim no "Balaio" de ontem.

Ninguém menos do que o inefável Cesar Maia, que tomou uma tunda com sua candidata Solange Amaral no primeiro turno, veio a público para declarar oficialmente o apoio do DEM ao Gabeira, justamente no momento em que ele tentava cativar o eleitorado de esquerda que ficou pelo caminho no Rio.

Se quisesse mesmo a vitória de Gabeira, Maia teria anunciado apoio oficial ao adversário dele, Eduardo Paes, o candidato do PMDB  de Cabral. Agora, ficou difícil, Gabeira.

2. A volta do promotor acusado de matar: o Supremo Tribunal Federal, sempre ele, concedeu liminar reconduzindo Thales Ferri Schoedl ao cargo de promotor de Justiça. Para quem não se lembra, o promotor foi acusado de matar um rapaz e ferir outro na saída de um luau em Bertioga, litoral de São Paulo, porque mexaram com a namorada dele.

Quem deu a liminar? Nenhuma surpresa: foi o ministro Carlos Alberto Direito, aquele mesmo que adia todas as decisões importantes do STF com a senha: "Peço vista!"

Shoedl já havia sido exonerado do cargo pelo Conselho Nacional do Ministério Público, que decretou o não vitaliciamento, e perdera o salário. Agora, embora não possa voltar à função enquanto não for julgado o mérito da ação, terá direito a receber salários mesmo sem trabalhar. 

Preso em flagrante pelo delegado de Polícia de Bertioga, o promotor alegou que atirou em legítima defesa, mas acabou denunciado ao Tribunal de Justiça de São Paulo por homicídio duplo qualificado em janeiro de 2005. Continua solto e recebendo o salário que nós pagamos. Que beleza!

3. Cansado pede um tempo: o líder popular e organizador de passeatas Paulo Zottolo deixou a presidência da Phillips do Brasil para, segundo ele, "seguir outros caminhos". Ainda não revelou quais são.

Para quem não se lembra (eu sou velho mas não esqueço de certas coisas), Zottolo tornou-se famoso em meados do ano passado quando liderou o movimento "Cansei", junto com outros líderes de massa como o empresário João Dória Júnior, em protesto contra a queda do avião da TAM  em Congonhas.

É dele a famosa frase para justificar o movimento: "Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz como tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado". Depois pediu desculpas, mas já era tarde.

Se já estava cansado em agosto de 2007, agora deve estar muito mais, o que explica sua retirada. Parece que os holandeses da Phillps também se cansaram dele.   

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