Como costumo dizer, de vez em quando a gente acerta... Kassab disparou em São Paulo, abrindo 17 pontos sobre Marta, e Gabeira já está na frente de Paes no Rio, segundo a primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno das eleições.

Para confirmar as três ondas apontadas aqui no "Balaio" na segunda-feira, só está faltando alguma pesquisa mostrar a situação em Belo Horizonte, onde a onda Quintão derrubou o poste Lacerda, plantado por Aécio e Pimentel, já na reta final do primeiro turno.

Também não precisava ser nenhum grande especialista em pesquisas eleitorais, adivinho ou bidú (que palavra mais antiga!) para prever estes movimentos nas três maiores cidades do país.

Em São Paulo, estava na cara que os eleitores dos candidatos derrotados no primeiro turno migrariam em sua grande maioria, sem ninguém pedir, para o demo-tucano Kassab, agora apoiado oficialmente pelo governador José Serra.

Sem conseguir fazer qualquer nova aliança, Marta ficou sozinha na estrada para enfrentar o voto anti-PT, que é historicamente forte na maior cidade do país. Agora, não há Lula nem comitiva de ministros que dê jeito de segurar a onda Kassab.

O maior problema de Marta é que ela junta três rejeições: a própria, dos que simplesmente antipatizam com sua figura, especialmente na elite cinquecentona e na classe média tradicional; os conservadores, que odeiam a estrela do PT desde sempre, e a do presidente Lula, que diminuiu, mas ainda existe.

Só lhe resta agora tirar votos do candidato favorito, batendo duro nele, como já começou a fazer. Mas tenho sérias dúvidas se, a esta altura do campeonato, funcionará a estratégia de politizar e radicalizar a campanha, mostrando as antigas ligações de Kassab com Maluf e Pitta. Isso pode até piorar a situação de Marta, como já aconteceu com Alckmin no primeiro turno. 

Os eleitores já demonstraram nesta campanha eleitoral, como constatou o governador da Bahia, Jaques Wagner, na entrevista que concedeu ontem ao "Balaio", que estão mais interesados em saber qual projeto é melhor para a sua cidade.  

Já que não existem grandes diferenças entre o que Marta e Kassab prometeram aos moradores de São Paulo no primeiro turno para melhorar a vida na sua cidade, a tendência é deixar como está para ver como fica, ou seja, reeleger o atual prefeito.

No Rio, temos outra prova de que nestas eleições pouco importam as alianças partidárias. Enquanto Eduardo Paes, do PMDB, o candidato fabricado pelo governador Sergio Cabral, aparece todos os dias em fotos nos jornais festejando novos apoios de partidos (hoje, foi a do PT), Gabeira surge cercado de eleitores nas ruas da zona oeste em redutos onde teve fraco desempenho no primeiro turno. Nem o apoio oficial do prefeito demo Cesar Maia conseguiu segurar a onda Gabeira até agora.

A nossa eterna Cidade Maravilhosa é o melhor exemplo da marca que vai ficar destas eleições municipais de 2008: o eleitor parece ter se libertado dos cabrestos de formadores de opinião, caciques e alianças costuradas nos gabinetes, e resolveu votar com a própria cabeça.

  

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