As bolsas sobem, o dólar cai, o mundo não acabou e não tivemos novas baixarias na campanha eleitoral de ontem para hoje. Então é hora de aproveitar esta trégua para falar de coisa boa: a rádio Saudade FM 100.7.

Faz algum tempo já que descobri esta raridade. Estava correndo o dial e, por acaso, sintonizei uma rádio que tocava música muito boa de se ouvir. Depois tocou outra, e assim foi na sequência durante meia hora, até que entrou o primeiro anúncio e o prefixo da emissora.

Nem acreditei que isto ainda existisse no Brasil. Sempre gostei de ouvir rádio, principalmente nas viagens que faço pelo interior do país, mas está ficando difícil: é tudo só rádio de evangélicos, com pastores possuídos gritando o tempo todo,  ou então as emissoras que parecem tocar sempre a mesma música, aquele dum-dum-dum infernal, pancadão eletrônico, sei lá o nome disso.

A Saudade FM parece um oásis para os ouvidos em meio a esta poluição sonora que tomou conta da maioria das emissoras no Brasil. Só toca música boa das paradas de sucesso dos anos 60, 70 e 80 do século passado, com pouca falação e intervalos comerciais.

O repertório não tem preconceitos. Pega todos os gêneros da música popular brasileira, canções românticas da melhor qualidade, do Roberto Carlos de antigamente e do Caetano Veloso de sempre a Agnaldo Timóteo e Altemar Dutra, de Milton Nascimento e Quarteto em Cy a Moacyr Franco e Luiz Vieira, de Sergio Reis e Almir Satter a Dóris Monteiro e Raul Seixas, de Maria Bethania e Simone a Pena Branca e Xavantinho.

De vez em quando, entra uma música estrangeira, mas também só de qualidade, coisa de Beatles e Elvis, daí pra cima

O único problema é que só consigo sintonizar a Saudade FM na rodovia Rio- Santos a caminho do litoral norte. Nestas horas, viajo literalmente pelo espaço e pelo tempo, e me dou conta de que os bons tempos das nossas vidas não coincidem sempre com os bons momentos vividos pelo país.

Conheci minha mulher, a Mara, em 1969, na praia de Martim de Sá, em Carguatatuba, no auge da ditadura militar, na mesma semana em que o primeiro homem pisou na lua. Três anos depois, juntamos nossas coleções completas de discos do Roberto Carlos e nos casamos.

As músicas que fizeram o fundo musical do nosso tempo de namoro tocam todas nesta rádio da Baixada Santista que não consigo sintonizar em São Paulo. A estrada até fica mais bonita e nem acho ruim quando fica tudo parado nos congestionamentos.

Por isso, tenho uma sugestão a fazer aos donos da emissora, que não conheço: mudar o nome para Música Boa ou Boa Música e criar uma rede nacional para que a gente possa ouví-la no carro em qualquer lugar deste nosso Brasilzão do bom Deus. Vai ser muito bom pra nossa alma e pros nossos ouvidos, com certeza.     

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