Muita gente me xingou quando escrevi aqui no Balaio na segunda-feira que, diante de todas as informações disponíveis, as eleições estavam praticamente decididas com a vitória por ampla margem do demo-tucano Gilberto Kassab em São Paulo. O quadro me parecia mesmo irreversível.

Fazer o que? Lamento que alguns amigos não tenham gostado do que escrevi, mas não posso brigar com os fatos. Agora mesmo, ao final de bom almoço com amigos no restaurante Sujinho, na rua da Consolação, passou por mim um dos coordenadores da campanha de Marta Suplicy e me virou a cara.

Na banca de jornais ao lado do restaurante, a manchete da "Folha" explicava o motivo da reação contrariada do robusto dirigente petista: "Kassab mantém vantagem sobre Marta _ Pesquisa Datafolha, a 1ª após a volta do horário eleitoral, mostra o prefeito 16 pontos à frente da ex-prefeita".

Logo na manhã seguinte à votação do primeiro turno, já escrevi aqui no Balaio que três ondas estavam se formando no fundo do mar eleitoral: Kassab, em São Paulo; Gabeira, no Rio, e Quintão, em Belo Horizonte. Claro que corria o risco de quebrar a cara, sabendo que muitos leitores poderiam confundir a análise dos fatos com meus desejos pessoais.

Agora, a oito dias da votação do segundo turno, o Datafolha confirma as ondas. Além de São Paulo, onde nada indica no momento qualquer possibilidade de mudança radical no cenário, também em Belo Horizonte os índices estão longe da margem de erro, com Leonardo Quintão, do PMDB, mantendo 10 pontos de vantagem sobre Márcio Lacerda, do PSB/PSDB/PT.

Apenas no Rio a situação está indefinida. O verde tucano Fernando Gabeira continua os mesmos dois pontos à frente de Eduardo Paes, do PMDB/PT, mas em situação de empate técnico (44 a 42).

O festival de baixarias promovido por Paes na campanha carioca, no melhor estilo Collor de preconceitos e ataques pessoais, não modificou a ordem dos fatores, assim como acontece com Marta Suplicy em São Paulo, que continua com os mesmos 37 pontos da pesquisa anterior, apesar de colocar em debate até o estado civil do adversário.

Quando parecia que já se haviam esgotado todos os recursos encontrados na sarjeta da política para virar o jogo a qualquer preço, leio no blog do Ricardo Noblat que a campanha de Marta gravou um depoimento com Nicéia Pitta, a rancorosa ex-mulher do ex-prefeito, de quem Kassab foi secretário, para detonar o adversário que lidera a pesquisa.

Não posso acreditar que esta gravação seja mesmo colocada no ar no programa do PT, reeditando o que fez Collor com uma ex-namorada do então candidato Lula, em 1989, às vésperas do ultimo debate dos dois na televisão. 

Por coincidência, amanhã à noite, Marta e Kassab voltam a ficar frente a frente em debate promovido pela TV Record. Quase 20 anos depois, o fantasma de Collor continua assombrando as eleições municipais de 2008. É muito triste.  

  

 

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