Nos últimos quatro dias, peguei uma maratona de três palestras e debates para públicos diferentes sobre um mesmo tema: as relações da mídia com o poder e a sociedade.

Que eu me lembre, a imprensa brasileira nunca se viu tão questionada por sua freguesia _ quer dizer, todos nós ouvintes, leitores e telespectadores _ como nestes últimos tempos. Basta dar uma olhada nos comentários enviados para este Balaio e outros blogs de caráter jornalístico.

Sabemos que a mídia não gosta de falar da mídia, muito menos questionar a si própria, como faz com todos os outros setores da sociedade. São muito raros os espaços abertos nos veículos tradicionais para discutir seu próprio produto.

Mesmo nas seções reservadas aos leitores nos nossos jornalões, com exceção da "Folha", conta-se nas orelhas as correspondências com críticas à própria publicação.

Na manhã de sábado, ao lado de cinco colegas com diferentes experiências (Augusto Nunes, Pedro Cafardo, Josemar Gimenez, André Luiz Azevedo e Marco Damiani), participei de um workshop organizado para altos executivos do Bradesco interessados em saber como agir nas suas relações com a imprensa.

Ontem à noite, participei com o professor Eugenio Bucci, ex-presidente da Radiobras, sob a mediação de Suzana Singer, da "Folha", de um debate com alunos e ex-alunos do Colégio Santa Cruz, onde estudei, em que falamos da nossa experiência na área de comunicação do governo federal.

Acabei de chegar agora de um animado debate da Semana de Jornalismo num lotado auditório da Faculdade Cásper Líbero junto com a jovem repórter Gabriela Lian, da equipe de Caco Barcellos na TV Globo, sob a mediação do professor Igor Fuzer.

Nos três encontros, notei um grande interesse do público em saber não só como são produzidas as notícias, mas também quais as consequências da revolução provocada pela internet na vida dos orgãos da mídia tradicional, que andam com sua credibilidade seriamente questionada em diferentes ambientes.

Não é de hoje que venho notando uma crescente desconfiança de quem vai a estes debates promovidos por empresas e instituições de ensino em relação aos velhos dogmas de imparcialidade, neutralidade, objetividade e apartidarismo, historicamente defendidos pela chamada grande imprensa.

Se é que isto em alguma época existiu, o fato é que hoje o brasileiro já não aceita o prato feito que lhe é servido como verdade absoluta pela grande mídia e quer discutir, questionar, participar dos debates sobre como são feitas as salsichas da indústria da informação.

Sem querer ensinar o Pai Nosso ao vigário, penso que está mais do que na hora desta indústria criar novos canais de comunicação e participação que permitam ao seu leitorado e à sua audiência interagir com o produto de forma mais aberta e permanente, como já acontece nas novas mídias eletrônicas.

Mas não basta apenas ouvir. Acho que já está na hora de tomar alguma providência concreta antes que o bonde da história atropele os retardatários.     

 

 

 

 

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