Duas importantes capitais brasileiras vivem climas opostos nesta antevéspera da votação do segundo turno: em Salvador, esquenta o clima com a entrada em cena do governador petista Jaques Wagner, enquanto em Porto Alegre a grande diferença nas pesquisas tira a emoção das campanhas na reta final.

Na mesma noite de quarta-feira em que eram divulgados os novos números do Datafolha, dando 10 pontos de vantagem para o atual prefeito João Henrique, do PMDB, sobre Walter Pinheiro, do PT (50 a 40), Wagner apareceu de surpresa no último comício do seu candidato e soltou os cachorros.

O habitualmente cordato governador baiano não gostou de ser chamado de "lerdo" por João Henrique durante um debate na televisão e revidou: chamou o prefeito de "covarde, mentiroso e traidor".

Wagner, que vinha se mantendo afastado da guerra baiana, já que o PMDB faz parte da base aliada de Lula e do seu governo, foi em frente e disse que João Henrique não governa. "Quem comanda não é ele. Não sei quem é", disparou, e todo mundo entendeu.

O alvo dos seus ataques era o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, patrono e avalista de João Henrique, que conseguiu um acordo com o governo federal para manter Lula e seus ministros longe do palanque de Pinheiro, que fez uma campanha solitária.

Por trás da disputa municipal, está a sucessão de Wagner em 2010, pois com a provável vitória do seu afilhado, Geddel se cacifa para disputar o cargo com o atual governador. Mas é bom tomar cuidado com as pesquisas. Em Salvador, o eleitorado gosta de contrariá-las no dia da votação.

Já em Porto Alegre, ao contrário, a divulgação das novas pesquisas jogou um balde de água fria na tentativa de Maria do Rosário, do PT, virar o jogo contra José Fogaça do PMDB.

Com os números praticamente estabilizados no segundo turno, Fogaça mantém uma vantagem de 14 pontos no Datafolha (51 a 37). Há um outro problema para a candidata do PT: 93% dos eleitores disseram estar totalmente decididos, quer dizer, não mudarão mais o voto até domingo.

Esta semana, Maria do Rosário ganhou gravações para seu programa de TV enviadas peplo presidente Lula e por Chico Buarque, mas parece que este apoio chegou tarde demais.

Restam agora os últimos os debates na Rede Globo na noite desta sexta-feira para que o PT reverta o quadro nestas duas capitais. Pelo jeito, vai ser muito difícil.  

http://r7.com/jqRM