Uma das melhores coisas da internet é permitir esta interação online entre quem escreve e quem lê. Já tive uma experiência anterior muito gratificante no falecido NoMínimo, um site publicado também aqui no iG .

Mas lá escrevia apenas uma coluna semanal ou quinzenal e conseguia ler e responder quase todos os comentários enviados. Agora, neste nosso Balaio, um blog que entrou no ar há apenas seis semanas, ficou impossível.

Só ontem foram mais de 700 comentários enviados para os dois posts que escrevi sobre eleições. Como à noite fui assistir a uma palestra do monge Naradananda sobre "Paz e felicidade em um mundo em transição", no encontro da Self-Realization Fellowship, do mestre Yogananda, apenas hoje de manhã consegui dar uma olhada no que os leitores escreveram.

Já que não dá mais para dar respostas a cada um, aproveito esta manhã de sábado para dar uma geral nos comentários enviados para o post "O checão de Kassab e a nova baixaria de Paes", que está logo aí abaixo no Balaio.

Em toda minha já longa carreira de jornalista, nunca fui tão questionado, xingado, esculhambado. No vale-tudo da guerra sem quartel entre petistas e anti-petistas em geral às vésperas da votação do segundo turno, sobrou para mim, mas não escrevo para reclamar.

Ao contrário, o fato de ser criticado pelos dois lados, mostra apenas que este Balaio é um espaço jornalístico e democrático em que as preferências do autor tanto na política como no futebol não se sobrepõem aos fatos.

Às 18h12, logo que o post entrou no ar, Paulo Borchio questiona: "Ou você por ser do partido (...) os "cumpanheiros" ainda influenciam o seu noticiário mesmo agora fora da casa da viúva?"

Não caro Paulo, não influenciam, como você mesmo pode ver pela mensagem que recebi na sequência, também às 18h12, do leitor Cláudio Márcio:

"A impressão que dá é que você foi pautado para jogar lenha na fogueira da opinião de direita. Sei que você não seria capaz de se corromper a este ponto, mas é esta a impressão que se tem lendo seus últimos comentários".

Pode ficar tranquilo, caro Cláudio, não seria capaz mesmo. Até porque a direita não teria dinheiro para me comprar. Não tem preço que pague a minha independência e muito menos a credibilidade que conquistei em mais de 40 anos de carreira.

Cláudio, a exemplo de outros leitores, também critica minhas "análises simplistas" e "o raso nivel das opiniões, focados apenas em episódios isolados ou declarações e atitudes menores dos candidatos".

Neste ponto, o leitor não deixa de ter razão porque a natureza e o ritmo de um blog, em que escrevo várias vezes por dia, são diferentes de um jornal ou uma revista que comportam análises com maior profundidade. Quando quero escrever tudo que penso, faço um novo livro.

Às 18h24, Reinaldo Castro me entrega: "O Kotscho, é sabido, é petista". Mas não convenceu Leonor Rego Monteiro, que ainda estava em dúvida, às 18h33: "Eu não entendi bem sua posição. Critica, com certeza, mas para que lado?"

O leitor Ricardo E., por sua vez, foi na lata e já se dirigiu a mim assim: "Caro Chapa Branca Kotscho..." Às 19h37, Enio Barroso Filho parece que ficou com dó de mim: "Caro Kotscho, quem mandou você se meter a blogueiro? Tá vendo? É uma enxurrada de bobagem por minuto nos comentários..."

Às 19h44, o comentário do leitor Ruy parece lhe dar razão: "Esse tal de Kotocho (ele escreve meu nome assim mesmo) é parcial. Petista assumido, logo não tem moral para comentar absolutamente nada no que se refere a política". Por que não tenho? Será que você acredita que os jornalistas não-assumidos são mais confiáveis?

Às 21h13, Carlos vai na direção oposta e mete bronca: "RK, você é tão azarado que mesmo tendo virado casaca ainda tem tucanos e democratas que acreditam em seu petismo".

Depois dessa, só me resta procurar um psiquiatra na segunda-feira. Afinal, quem sou eu?  

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