Nos muitos debates e nos milhões de panfletos contra Gabeira distribuídos pelo Rio nas últimas semanas e ainda hoje, baixarias à parte, Eduardo Paes usou a mesma arma: o apoio declarado pelo prefeito César Maia ao seu adversário.

Se para Fernando Gabeira, com toda sua história de guerrilheiro a político de esquerda  defensor das causas ecológicas e libertárias, já era difícil explicar ao eleitor mais progressista sua aliança demo-tucana nesta eleição, aparecer nos panfletos ao lado de César Maia pode ter sido fatal numa eleição disputada voto a voto.

Ainda ontem, a Justiça Eleitoral apreendeu milhares de panfletos espalhados nas bocas de urna com fotografias dos dois e o texto: "Diga não à continuidade de César Maia. Pense nisso". Curioso é que só assinam o panfleto o PT, o PDT, o PSB e o PCdoB, que apoiaram Paes no segundo turno, e não o PMDB, seu sexto e atual partido.

Logo no começo do segundo turno, quando César Maia veio a público para dar seu apoio a Gabeira, escrevi aqui no Balaio que, se ele quisesse mesmo a vitória do candidato do PV, teria feito o contrário, anunciando sua adesão a Eduardo Paes, que foi sua cria.

Prefeito de capital mais rejeitado do país, a ponto de deixar sua candidata Solange Amaral, do DEM, entre os nanicos do primeiro turno, César Maia acabou sendo o grande eleitor no Rio, dando a vitória à campanha mais suja e fisiológica destas eleições.

Foi um final triste para a bela cidade do Rio de Janeiro.  Fernando Gabeira, apesar das suas alianças exóticas, poderia dar um novo alento aos cariocas, abrir a janela para novos cenários, ao menos uma esperança de que ainda é possível virar o jogo há décadas dominado pelo que há de pior e mais atrasado na política brasileira.

Gabeira provou que é possível fazer uma campanha limpa, com poucos recursos, levada apenas na base de novas propostas e velhas utopias _ e quase chegou lá. Poderia mudar a cara do Rio, mas vai ficar aquele retrato de sempre, que não é bonito.    

 

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