Pelos números da pesquisa boca de urna do Ibope nas maiores cidades do país, que a TV Globo acaba de anunciar, deu a lógica, como dizem os comentaristas esportivos: Gilberto Kassab (60 a 40), em São Paulo, Márcio Lacerda (56 a 44), em Belo Horizonte, e Fogaça (57 a 43), em Porto Alegre. A votação em Salvador só termina às seis da tarde. 

Nenhuma surpresa, e apenas uma eleição indefinida, no Rio de Janeiro, onde, segundo o Ibope, só se saberá o vencedor quando acabarem as apurações. A boca de urna deu 51 para Paes e 49 para Gabeira, repetindo a pesquisa da véspera. "Os indecisos vão decidir...", concluiu o comentarista Alexandre Garcia, e até William Bonner teve que rir.

Escrevi acima que deu a lógica porque acabaram ganhando os candidatos que tinham a seu lado a máquina e que, montados nelas, foram capazes de construir as alianças mais amplas, assegurando maior tempo para seus programas na televisão.

Kassab e Fogaça foram reeleitos com o apoio das máquinas municipais e estaduais de São Paulo e Rio Grande do Sul, à frente de um balaio de partidos em que o denominador comum, para variar, foi o PMDB (de Pedro Simon, em Porto Alegre; de Orestes Quércia na capital paulista).

Em Belo Horizonte, o até outro dia desconhecido Márcio Lacerda, do PSB, atropelou a onda de outro desconhecido, Leonardo Quintão, do PMDB. Juntando a fome com a vontade de comer, Lacerda reuniu no mesmo palanque o PSDB do governador Aécio Neves e o PT do prefeito Fernando Pimentel e do presidente Lula, mais um saco de gatos de partidos menores.

A zorra de alianças destas eleições, a começar pela mais emblemática de Belo Horizonte, reunindo na mesma chapa em mais de metade dos municípios brasileiros partidos de situação e oposição no plano federal, levou o leitor Braga a mandar um desencatado comentário para o Balaio, às 13h46:

"Eu não sei qaual é o pior partido do país, PT, PSDB, PMDB, DEM, etc (...) Para mim, são todos farinha do mesmo saco. A direita deste país está de costas para o futuro e a esquerda de frente para o passado".

Em outras palavras, foi mais ou menos o que escreveu Jânio de Freitas, um dos mais respeitados e experientes jornalistas brasileiros, em sua coluna da Folha de hoje:

"A maior peculariedade destas eleições (supondo que haja outras) é uma contradição: baseada, como impõem as regras em vigor, na divisão do corpo político em partidos, as eleições formalizaram o atestado de óbito da identidade destes partidos. Os quais, por definição, só podem ter sentido em razão da sua identidade".

A partir de amanhã, podem anotar os leitores do Balaio, líderes de todos os partidos voltarão a falar na necessidade premente de uma reforma política. Que, mais uma vez, não virá, por um motivo muito simples: a reforma política depende dos políticos.

E eles não querem mudar nada porque estão muito satisfeitos com as regras atuais, em que podem nadar de braçada e garantir a sua sobrevivência de um jeito ou de outro, dando uma banana para a coerência, a lei e a ética.  

 

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