Quantos somos, afinal, os brasileiros desta classe média tão badalada nas últimas semanas, cortejada por todos os partidos políticos?

Segundo estudo do professor Marcelo Nery, da Fundação Getúlio Vargas, divulgado no final do ano passado, 29 milhões de brasileiros foram incorporados à classe C, a chamada “nova classe média”, entre 2003 e 2009, ou seja, no governo Lula. No mesmo período, a classe E, que abriga o “povão” tão falado, encolheu 11,3%.

Para o IBGE é considerado de classe média todo cidadão com renda entre R$ 1.126 e R$ 4.854, o que constitui um contigente de 94,9 milhões de pessoas e corresponde a 50,5% da população.

Pela primeira vez em nossa história, somos um país predominantemente de classe média, o que pode demonstrar o apetite demonstrado pelos partidos de todas as latitudes pela conquista desta gorda fatia do eleitorado.

Só faltava o PT. Antes, o moribundo DEM e o recém-nascido PSD, ambos herdeiros do velho PFL, já haviam adotado a classe média como público alvo. Em seguida, foi a vez do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apresentar seu manifesto “O papel da oposição”, em que recomenda ao PSDB esquecer o “povão”, já cooptado pelo PT, e investir também na nova classe média.

Só faltava o PT. Pois nesta terça-feira, reunido com 32 prefeitos do partido em Osasco, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que o PT também dispute o voto mais conservador da classe C, incluindo os orfãos do malufismo e do quercismo.

Mirando-se no bem sucedido exemplo de José Alencar, o seu vice nos dois mandatos, com quem compôs uma chapa capital-trabalho para atrair setores mais conservadores da sociedade, em 2002 e 2006, Lula quer que o PT também amplie seu leque de alianças mais à direita em São Paulo, onde a classe média tradicional se mostra refratária ao PT.

Do jeito que as coisas estão caminhado, com esta geléia geral partidária sem limites nem hora para acabar, será difícil o eleitor descobrir quem é quem nas eleições municipais no ano que vem.

Vai faltar classe média para todos. E quem vai cuidar dos ricos e dos pobres, as duas pontas esquecidas do losângo que substituiu a nossa pirâmide social? Com tanto partido, não sobrou nenhum pra dizer que é de direita?

Até outro dia, por exemplo, os eleitores tucanos e petistas devem se lembrar que malufistas e quercistas eram, afinal, seus principais adversários.

Enquanto o conservador PSD de Gilberto Kassab e Guilherme Afif incha, sonhando em se juntar ao progressista PSB no ano que vem, o DEM e o PSDB começam a debater a fusão entre os dois partidos antes que eles acabem. O PMDB, impávido, só assiste a tudo de camarote.

A perda de seis vereadores tucanos esta semana, em São Paulo, levou o PSDB a convocar uma reunião de emergência na sua sede em Brasília. Para Sergio Guerra, o presidente tucano, em dois meses a fusão com o DEM deverá estar concluída. Dos dois lados, porém, há resistências.

Com os ex-presidentes FHC e Lula de volta à ribalta, e o veterano José Agripino Maia à frente do DEM, escoltado por Ronaldo Caiado, as imagens desta salada de siglas revela um outro problema dramático da politica brasileira: a falta de renovação das lideranças, e do interesse dos jovens em participar da vida partidária.

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