28042011G00011 MEU PALPITE: PALOCCI FICA

Até onde Palocci resiste e Dilma segura Palocci?

Pelas condições de tempo e temperatura no momento em que começo a escrever, meio dia desta terça-feira, meu palpite é que o ministro Antonio Palocci fica na Casa Civil _ pelo menos, até a próxima crise, ou seja, se alguma nova denúncia contra ele for feita pela imprensa.

Mas, depois de tudo o que já foi revelado, como o faturamento extraordinário de R$ 10 milhões da consultoria do então coordenador da transição do governo Lula para o governo Dilma, em apenas dois meses, o que de mais grave pode aparecer?

A presidente Dilma Rousseff sabe que, se for obrigada a abrir mão de Palocci agora, antes de completar seis meses no cargo, seu governo ficará fragilizado muito cedo.

Por isso, acredito que ela fará de tudo para mantê-lo no cargo, apesar de todo o desgaste que o governo já vem sofrendo. Esta semana é decisiva na luta do governo para segurar Palocci e mudar de assunto. Faz mais de duas semanas que não se fala em outra coisa.

O problema é que o silêncio de ambos joga contra a credibilidade do governo e, em algum momento, o ministro e a presidente Dilma vão ter que dar explicações ao país.

Uma das muitas perguntas que todo mundo se faz é a quem interessa enfraquecer o ministro-chefe da Casa Civil. Palocci não é um ministro qualquer. É o pau da barraca deste governo.

Se não interessa à oposição, com Aécio e Serra, os dois principais líderes tucanos, até saindo em defesa de Palocci, só pode ser o popular “fogo amigo”. E quem será este amigo?

Por trás de tudo, a meu ver, está a disputa fratricida da base aliada por mais cargos e mais poder no governo. Só o PT tem uma lista de mais de 100 nomes aguardando uma boquinha no segundo escalão. E quem decide tudo nesta área é justamente Antonio Palocci.

Quatro senadores de quatro partidos diferentes, dois deles da base aliada, sem maior expressão, pediram segunda-feira a demissão de Palocci, o que não quer dizer nada.

O gigante oposicionista ACM Neto, líder do DEM, um partido em franco processo de desintegração, e o ex-comunista Roberto Freire, do PPS, são os mais empenhados na abertura de uma CPI. Também vão ficar esperando.

Depois de um fim de semana sem novidades, o jornal O Globo de terça-feira dá como manchete que o “principal assessor de Palocci mantém consultoria privada”. Perto do que a Folha já publicou sobre o fenômeno da sua multiplicação patrimonial por 20 em apenas quatro anos, a denúncia contra o seu assessor Branislav Kontic, que o acompanha desde 2006, não acrescenta muito combustível à fogueira.

A cada enxadada da imprensa, aparecem mais minhocas de variados tamanhos, mas não se pode falar numa campanha para derrubar Palocci. Ao contrário, a grande mídia está procurando preservar até onde pode o ministro e a maioria dos seus colunistas tem lhe dado um tratamento gentil diante da gravidade da situação em que se encontra. Fosse outro qualquer, a ofensiva certamente seria muito maior.

A grande ironia da história é que, com esta propaganda toda, o passe de Antonio Palocci fica mais valorizado no mercado, para usar uma expressão dele mesmo.

Com a sua queda, no momento improvável, quem mais sairia ganhando seria o próprio Palocci, que só está perdendo dinheiro com o salário de ministro.

O que todos se perguntam é até onde Palocci resiste e até onde Dilma segura Palocci. Acho mais fácil o ministro jogar a toalha do que a presidente demití-lo. Até o final da semana, saberemos o final da novela.

Tudo vai depender das explicações que Palocci vai dar à Procuradoria Geral da República. Se forem convincentes, estará mais uma vez absolvido e permanece no cargo. Caso contrário, não restará outra alternativa a Dilma do que procurar um substituto para Palocci, o que não será fácil.

De qualquer forma, com o ministro ficando ou saindo, a verdade é que o episódio rendeu um grande desgaste ao governo, que vivia uma lua de mel com a imprensa e a opinião pública. Isso não é bom para ninguém, nem para a oposição, num momento em que a economia enfrenta um período de dificuldades aqui dentro e lá fora.

Só nos resta torcer para que a presidente Dilma recupere plenamente sua saúde física, depois de uma forte pneumonia, e a saúde política do seu governo, que está apenas começando. Afinal, estamos todos no mesmo barco em meio a um mar revolto.

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