Posts de 03/06/2011

Em tempo: atualizado às 10h35 de 4/6.

As duas páginas com a defesa de Antonio Palocci que a Folha de S.Paulo publica na sua edição deste sábado praticamente reproduzem com os mesmos termos e argumentos a entrevista concedida na noite de sexta-feira à Rede Globo e comentada no texto abaixo.

A começar pelo título, logo se vê que não há novidades: "Dilma não sabe quem foram meus clientes, diz Palocci" - aliás, nem a presidente nem ninguém. Parte da entrevista à Folha, o jornal que fez a primeira denúncia sobre o gordo patrimônio do ministro há três semanas, foi concedida por escrito.

E o que vai acontecer agora?

Tudo dependerá das pesquisas sobre a atuação de Palocci na TV e no jornal, que já devem estar chegando ao Planalto, da repercussão das entrevistas na mídia e no Congresso, e dos planos da presidente Dilma para reconstruir a articulação política do governo que desmoronou na crise da Casa Civil.

Nos próximos dias haverá uma intensa especulação sobre possíveis nomes para os lugares tanto de Palocci como de Luiz Sergio, o apagado ministro de Relações Institucionais, mais conhecido por "garçom" porque se limita a anotar os pedidos da base aliada.

***

Se já estava insustentável, a situação de Antonio Palocci, ministro-chefe da Casa Civil, ficou ainda pior, depois que ele quebrou, nesta sexta-feira, por determinação da presidente Dilma Rousseff, o silêncio sobre as acusações de enriquecimento ilícito que  pesavam contra ele.

Palocci, finalmente, falou nesta sexta-feira, como antecipamos ontem à noite aqui no Balaio, mas não convenceu ninguém, que eu saiba.

O caminho que ele escolheu - dar uma entrevista exclusiva ao Jornal Nacional da TV Globo - foi um completo desastre.

Não por culpa do repórter Júlio Mosquera, que cumpriu seu papel, e fez todas as perguntas que todos nós gostaríamos de lhe fazer, mas pelas respostas evasivas de Palocci, que não explicou nada.

O ministro foi muito mal preparado pelos profissionais do mídia training que ele contratou. A meu ver, não convenceu ninguém da sua inocência, nada explicou, só fugiu das perguntas.

Ao contrário do que se planejou, Palocci  só aumentou as desconfianças de todo mundo. Mais do que suas palavras, o constante gaguejar nas respostas e a expressão do seu rosto o condenaram.

No acerto feito entre a emissora e a assessoria do ministro, tudo foi preparado para que o ministro saísse da entrevista mais forte do que entrou, juntando forças para ficar no cargo. Deu tudo errado, mas mesmo assim foi levado ao ar.

O primeiro bloco inteiro do JN, ao contrário do que vimos desde a primeira posse de Lula, em 2003, não mostrou nenhuma desgraça. Só tinha notícia boa, tudo melhorando, na sequência da escalada, em que foi anunciada a entrevista exclusiva, na linha "Palocci explica tudo para nós".

O que era feio, de repente ficou bonito, tudo em nome da liberdade de expressão. Sem ser contestado, Palocci afirmou que não fez tráfico de influência, não há uma crise de governo, não colocou o cargo à disposição da presidente e ainda teve tempo para elogiar várias vezes as perguntas, deixando claro que não falaria em clientes nem valores dos contratos da sua consultoria.

"Meu papel é cumprir a lei", proclamou o ministro, já no final. Foi, certamente, a mais longa entrevista já colocada no ar pelo Jornal Nacional -  talvez, um desastre de audiência, tanto para o ministro como para a emissora, mas, sem dúvida, um furo de reportagem programada.

Não digo isso porque hoje trabalho numa emissora concorrente da Globo, onde trabalhei até outro dia, e para onde posso voltar amanhã.

É apenas em respeito aos fatos desta noite, com os quais não posso brigar. Não, não queria que Palocci desse uma entrevista exclusiva à Rede Record, em vez de falar apenas à Rede Globo. Queria apenas que ele falasse, ao mesmo tempo, para toda a imprensa brasileira numa entrevista coletiva.

Se a presidente Dilma Rousseff ainda tinha alguma dúvida sobre a manutenção ou não do ministro Antonio Palocci na Casa Civil, tenho certeza que, depois desta entrevista, não tem mais. Precisa arrumar logo alguém para ficar no lugar dele.

Dilma tem mais é que se livrar, o mais rápido possível, de todas as amarras que a impedem de dar início ao seu próprio governo com a equipe que ela mesma escolher. A crise, afinal, pode ser boa conselheira.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

A presidente Dilma Rousseff perdeu a paciência com o ministro Antonio Palocci na quinta-feira e deu um prazo para ele falar e se explicar sobre a espantosa evolução do seu patrimônio. Esse prazo termina hoje, sexta-feira, dia 3 de junho, à meia-noite.

O governo não poderia continuar sangrando por mais um fim de semana, depois de ficar 18 dias paralisado pela crise na Casa Civil.

A partir daí, começaram intermináveis reuniões de Palocci com a sua asssessoria direta, outra assessoria contratada da agência FSB, especializada em gerenciamento de crises, advogados criminalistas e com outros ministros do Palácio do Planalto.

O grande problema não era só decidir o que falar sobre os R$ 20 milhões que a consultoria do ministro faturou no ano eleitoral de 2010, mas como, onde e quando dar à sociedade brasileira as satisfações que a presidente cobrou dele.

Desde o começo, um ponto era inegociável para ele: Antonio Palocci não se exporia numa entrevista coletiva.

A outra opção era fazer um pronunciamento em rádio e televisão, sem direito a perguntas de jornalistas. Mas, como se trata de assunto particular, e não de governo, pegaria muito mal convocar as emissoras para a formação da rede. Restava-lhe escolher para qual veículo ou veículos daria entrevistas separadamente.

Às oito da noite de quinta-feira, recebi o retorno de uma ligação que fizera ao Palácio do Planalto, e imediatamente publiquei aqui no blog, com a  informação de que o ministro Antonio Palocci falaria nesta sexta-feira por ordem da presidente Dilma.

O Balaio foi o primeiro a dar essa notícia, a seguir também veiculada no Jornal da Record e no Jornal da Record News, onde eu trabalho.

Naquele momento, ainda não haviam decidido de que forma isso aconteceria. Às dez da noite, outro ministro com gabinete no Palácio do Planalto me confirmou que Palocci falaria hoje e estava ainda estudando a forma de atender à ordem da presidente Dilma.

Entre as alternativas apresentadas pelos estrategistas de Palocci, estava conceder entrevistas para a Folha de S.Paulo, exatamente o jornal que o denunciou há quase três semanas, e a William Bonner e Fátima Bernardes, da TV Globo, na bancada do Jornal Nacional.

Parecia-me um suicídio, mas eles seguiram em frente: às quatro da tarde de hoje, foi confirmada a entrevista exclusiva ao JN, mas não mais ao vivo para Bonner e Fátima.

A última informação do bunker palocciano dava conta de que o ministro daria uma entrevista gravada para Júlio Mosquera, repórter da Rede Globo em Brasília. Não se falou mais da entrevista à Folha.

Os leitores podem até não acreditar no que escrevi acima, como eu também duvidei que pudesse ser verdade. Depois de ser rifado pelo PT e enquadrado pela presidente Dilma, parece que o todo-poderoso Palocci perdeu o rumo e resolveu antecipar um desfecho para a novela da sua queda anunciada.

Qualquer coisa que ele diga agora à TV Globo não lhe devolverá o mais importante para exercer a função de ministro-chefe da Casa Civil: o respeito.

Na encruzilhada, podendo escolher entre vários caminhos, meu amigo e ex-colega de governo Lula escolheu o pior. Depois do longo silêncio, Palocci escolheu a guilhotina.

Veja mais:
+ Navegue pelo Jornal da Record News
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A