Quarta, 1/6: "Palocci: ou fala ou pede para sair".

Quinta, 2/6: "Palocci fala nesta sexta: agonia completa 18 dias".

Sexta, 3/6: "Palocci fala: anatomia de uma queda anunciada".

Domingo, 5/6: "Fim de linha para Palocci".

Segunda, 6/6: "Caso Palocci: questão é política, não jurídica".

Para quem acompanhou este Balaio na última semana, não chegou a ser uma surpresa a demissão do ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci, na tarde desta terça-feira, mas apenas a consequência natural dos fatos aqui relatados.

Surpresa para todo mundo foi a indicação para o seu lugar da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), e o modo como aconteceu: foi uma escolha solitária da presidente Dilma Rousseff, que não ouviu ninguém antes de anunciar a decisão. Limitou-se a comunicar o nome da escolhida ao ex-presidente Lula e ao vice Michel Temer.

Gleisi, uma afável, bela e firme filha de família alemoa de Santa Catarina, vai ser uma espécie de "Dilma de Dilma", uma gerentona gestora de projetos do governo, como a própria presidente lhe pediu na conversa em que a convidou, para surpresa também da própria nova ministra.

Após a primeira grave crise que enfrentou, e que se arrastou por longos 23 dias, pode-se dizer que neste dia com apenas um gesto Dilma assumiu pessoalmente o comando político do governo, sem intermediários, dando uma nova cara à equipe: a sua cara.

Ao contrário do que boa parte da imprensa andou escrevendo, desta vez o presidente Lula não teve  participação no desfecho da crise, bem diferente do que aconteceu há duas semanas, quando passou dois dias pontificando em reuniões e roubando a cena em Brasília, na tentativa de salvar Palocci e recompor a articulação política do governo. Não pegou bem.

Muito jornalista anda falando e escrevendo em nome de Lula sem falar com ele. Eu falei com o ex-presidente no final de semana e ele já havia decidido não ir a Brasília.

Depois de participar na segunda-feira de uma hora de bate-papo com os leitores aqui no R7; em seguida, de um debate de duas horas com estudantes da ECA/USP, na Cidade Universitária; mais duas horas ao vivo na Record News, ao lado de Heródoto Barbeiro, comentando a saída de Palocci e a indicação de Gleisi Hoffmann, e uma outra participação no jornal das nove da noite da emissora, cheguei em casa tarde e cansado, mas com uma sensação de alívio pelo desfecho da crise. Já não aguentava mais falar e escrever sobre este assunto.

Repórter sempre corre o risco de errar se não falar apenas sobre o que já aconteceu, quando se mete a escrever sobre o que ainda pode acontecer. Correndo o risco, de vez em quando a gente acerta. Não que o Balaio tenha publicado informações muito diferentes de outros blogs e colunas de política. Afinal, os fatos são os mesmos. A única diferença é que o Balaio publicou antes.

Agradeço às minhas fontes, que me colocaram no rumo certo, e aos leitores que confiaram nas informações publicadas.

Página virada, vida que segue. Boa sorte ao amigo Antonio Palocci na sua volta à planície.

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