Só agora, noite de domingo, depois de um belo final de semana com sol e sem internet na praia de Toque Toque Pequeno, em São Sebastião, já de volta a São Paulo, tropeço na manchete deitada na porta do meu apartamento: "Dilma mantém aprovação apesar de Palocci e inflação".

Depois de todo o tiroteio das últimas semanas, a presidente Dilma Roussef não só não caiu na pesquisa do Datafolha, como ainda subiu dois pontos: foi de 47 para 49% de ótimo e bom. Nada mal. Um índice de aprovação desses é difícil a gente conseguir até na própria casa.

Posso imaginar com que dor no coração meus amigos editores da Folha chegaram a esta conclusão diante dos mais recentes números da pesquisa. "Crise política não abala imagem do governo(...)", admite o jornal, para logo em seguida acrescentar: "(...) mas país está pessimista com a economia, indica Datafolha". Claro, um dia tudo pode piorar. Ou não.

Que diabo de povo é esse que não se abala mais com as denúncias e previsões catastróficas da velha mídia anunciando crises do fim do mundo todo dia?

Eu mesmo acabei entrando nesta onda, como se o país dos jornalistas fosse o mesmo habitado pelos seus leitores, ouvintes ou telespectadores, quer dizer, o povo brasileiro.

Cada vez que vejo uma pesquisa destas mais me convenço de que, nós, jornalistas, nos afastamos da realidade em que vive a maioria da população e estamos escrevendo só para nós mesmos.

Outro número do Datafolha que deve ter surpreendido a maioria da nobre categoria dos profissionais da imprensa foi sobre o ex-presidente Lula. Ao contrário do que escreveram seus blogueiros e colunistas mais medalhados e bem pagos, 64% dos brasileiros querem, sim, que o ex-presidente Lula participe das decisões do governo Dilma.

Segundo a pesquisa, para que ninguém fique muito contente, "o país está mais pessimista com a situação da economia, especialmente com a inflação". Em três dos quatro itens pesquisados, piorou a avaliação pessoal de Dilma.

Nos dois dias que passei na praia, encontrei um monte de amigos, alguns até bem informados, mas não ouvi ninguém comentando a pesquisa nem falando de crise. Entre eles, não havia nenhum jornalista.

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