A coisa está ficando feia para os lados do prefeito paulistano Gilberto Kassab, que deixou o DEM (antigo PFL) e vinha trabalhando na surdina para criar um novo partido, o PSD, com o objetivo de atrair descontentes de todas as latitudes e se lançar como uma nova liderança nacional.

Definido por ele mesmo como um partido que "não é de esquerda, nem de direita, nem de centro", nem de cima nem de baixo, nem governo nem oposição, ou seja, um verdadeiro frankstein do fisiologismo político nacional, o PSD logo ganhou adeptos.

Tudo vinha bem, só que o partido começou a crescer demais e a incomodar antigos aliados de Kassab, um legítimo produto do conservadorismo paulistano.

Protegido pela blindagem da imprensa paulista aos governos municipal e estadual, grandes anunciantes, o prefeito paulistano se sentiu acuado diante das primeiras denúncias de falcatruas que vazaram esta semana e pela movimentação dos ex-aliados do DEM para impedir na Justiça a criação do novo partido.

Descobriu-se primeiro que Kassab vinha usando a estrutura da Prefeitura para recolher as 490,3 mil assinaturas necessárias para a criação do PSD. Para poder concorrer nas próximas eleições, o partido precisa conseguir o registro até o dia 30 de setembro. Daí a pressa e a falta de cuidados para conseguir as assinaturas.

Na quinta-feira, em São Paulo, o presidente do PT municipal, vereador Antonio Donato, recolheu as assinaturas necessárias para pedir a criação de uma CPI.

Em Santa Catarina, o Ministério Público começou a investigar a lista de adesões ao PSD depois da denúncia de que cinco eleitores mortos foram incluídos na relação.

Como já havia acontecido em outras ocasiões, Kassab perdeu a paciência e partiu para o contra-ataque. Sob o título "Faroeste Paulista", a coluna Painel da "Folha" revela os bastidores de uma brigalhada que aconteceu dois dias atrás,  mas só veio a público nesta sexta-feira.

"Vocês querem acabar comigo, mas sou eu que vou acabar com vocês", ameaçou um Kassab fora de controle, ao invadir o gabinete do ex-aliado íntimo Rodrigo Garcia, secretário de Desenvolvimento Social do governo estadual.

Sem se importar com a presença de dois prefeitos do interior, Kassab cobrou lealdade de Garcia e lembrou que tem munição contra ele. Seria bom mesmo que os dois contassem tudo o que sabem um sobre o outro e o que acontece nos bastidores da política paulista protegida por uma cortina de silêncio.

Segundo Garcia, o governador, a quem Kassab também foi se queixar de que pretendem acabar com ele, foi informado de tudo.

Para se ter uma ideia de como a imprensa local trata de resguardar os seus governantes, preocupada apenas em investigar atos do governo federal e de parlamentares de outros Estados, basta lembrar um episódio ocorrido na última semana.

Durante quatro dias, São Paulo foi governada por Guilherme Afif, do PSD, que rompeu com Geraldo Alckmin e está ajudando Kassab a montar o novo partido, mas só os leitores deste Balaio foram informados sobre esta breve mudança no Palácio dos Bandeirantes.

Por acaso, fiquei sabendo na sexta-feira passada que o governador Alckmin viajara para o México _ foi visitar seus netos gêmeos que tinham acabado de nascer _ e só voltaria na terça-feira. Não li esta notícia em mais lugar algum.

Expostos à luz do sol, os bastidores da política paulista não são muito diferentes daqueles que imperavam nos sertões nordestinos nos tempos dos coronéis de antigamente.

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