De vez em quando, pegam um para ser a Geni da vez e o linchamento, como diziam os repórteres nas antigas coberturas de Carnaval, não tem hora para terminar.

Com a internet, as brincadeiras de futebol, que antes não duravam mais do que 24 horas, ganham rapidamente o país inteiro, são cada vez mais impiedosas, não dão tréguas, tornam-se um verdadeiro massacre.

O próprio autor do clássico "Joga bosta na Geni", nosso grande Chico Buarque de Holanda, está sentindo na pele, esta semana, o lado malvado da força da internet, que ele não conhecia, ao lançar seu novo disco na grande rede. Antes chamado de unanimidade nacional, está assustado com a quantidade de gente que não gosta dele e a baixaria das ofensas nos comentários.

Desde que Rogério Ceni, com suas mãos de alface, tomou um frangaço histórico no quinto gol do Corínthians, domingo passado, no Pacaembu, só para não cair de quatro, o maior goleiro da história do São Paulo está apanhando sem dó. Ainda por cima, depois de guardar outra penosa no primeiro gol do Botafogo, quarta-feira, em pleno Morumbi.

Tudo bem, sou são-paulino, mas também já ri muito com o Zé Simão esta semana, que anda inspirado:

"Um corintiano disse que vai fazer uma vaquinha pra comprar o passe de Rogério. Cada um dá R$5, compra o passe e deixa no São Paulo mesmo. Avícola Bambi! Já tem até a promoção: Ceni MacChicken!".

Tudo, porém, tem que ter um limite para não humilhar ainda mais o cidadão. Tem muito malaco tendo orgasmos múltiplos com o sofrimento alheio _ entre outros motivos, porque Rogério Ceni sempre fez questão de se mostrar superior aos outros jogadores simples mortais, vestiu a camisa do São Paulo com a fúria de nenhum outro e transformou o resto das torcidas em inimigas de morte.

O grande goleiro, artilheiro e capitão, responsável direto por muitas vitórias e conquistas do Tricolor nas últimas duas décadas _ embora para mim o argentino José Poy tenha sido melhor goleiro do que ele _, está agora pagando o preço do sucesso e da arrogância.

Tom Jobim já disse certa vez que fazer sucesso no Brasil é sentido pelos concorrentes como ofensa pessoal, só que não precisavam exagerar.

Rogério Ceni pode aproveitar este seu momento "Geni" para pensar seriamente em pendurar as luvas e seguir outra carreira. Está visivelmente com o prazo de validade vencido, embora vez ou outra ainda faça grandes defesas que lembrem o grande milagreiro de antigamente.

A esta altura, com o nome feito e o burro na sombra, Rogério Ceni poderia zelar mais pela sua biografia, deixando em todos apenas boas lembranças. Não precisa mais disso.

Enquanto o pequeno ditador Juvenal Juvêncio, que já deveria ter se aposentado há muito tempo, estiver à frente do nosso São Paulo, e não pagar logo a multa de R$700 mil para o Carpegiani largar o osso, Ceni corre o sério risco de passar por novos vexames. E nós também.

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