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Na Kassablândia, o prefeito liberou geral

Postado por rkotscho em 06/07/2011 às 16:04 em Sem categoria | 21 Comments

Em tempo (atualizado às l6h30 de 6.7):

enquanto eu escrevia o texto abaixo sobre o que acontece em São Paulo, o colega Jorge Bastos Moreno, informava pelo twitter que o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, estava caindo em Brasília, como previ no post de ontem, terça-feira, dia 5:

"Das duas uma: ou Alfredo Nascimento era conivente ou era omisso com a situação, já que todo o seu primeiro escalão foi afastado por ordem da presidente Dilma. De qualquer forma, não tem mais condições de ficar. É só uma questão de tempo".

***

Tem dinheiro sobrando para dar aumentos de até 178% para toda a turma do prefeito. Agora, os 31 subprefeitos, quase todos coronéis reformados da PM, que já ganham uma fortuna, vão receber o mesmo que os secretários municipais, ou seja, R$ 19.294,10 por mês.

Tem dinheiro de impostos que não precisam ser pagos para jogar pela janela R$ 450 milhões no imaginário estádio do Corinthians em Itaquera.

Tem área verde demais na cidade para ceder 20 mil metros quadrados no Itaim a uma construtora que vai erguer monumentais prédios no lugar de equipamentos públicos e, em troca, entregar as 200 creches que o prefeito Gilberto Kassab prometeu construir na última campanha eleitoral.

Nos últimos dias, nossa cidade virou uma festa do caqui, um escracho geral. Na Kassablândia que está surgindo no lugar da antiga e orgulhosa cidade de São Paulo, agora vale tudo. Com a oposição dizimada na Câmara Municipal e uma imprensa dócil, desde o tempo em que era vice de José Serra, o prefeito Kassab resolveu liberar geral.

"Aí fica clara a dupla incompetência da gestão Kassab. Além de ser incapaz de manter um terreno que empresta alguma dignidade urbanística à capital, assume de público ser incompetente para construir creches. É um atestado de inépcia, arrogância e burrice que vai entrar para a história da falência do poder público neste país", como escreveu aqui mesmo no R7 o jornalista Marco Antonio Araújo, em sua excelente coluna "O Provocador".

O que é feito e para que serve, então, o dinheiro dos altos impostos e taxas municipais que todos nós pagamos, se na hora de construir creches o poder municipal tem que vender seu patrimônio, privatizando uma poucas áreas livres públicas em meio a uma floresta de prédios em que o trânsito já está parando até em final de semana?

Seria mais ou menos como a TAM ou a Gol venderem seus hangares nos aeroportos para comprar pequenos aviões ou o Pão de Açucar ceder suas lojas para ficar com o Carrefour.

A impressão que dá é que a Prefeitura de São Paulo virou um ente autônomo que não precisa mais dar satisfações a ninguém. Como Kassab não pode ser reeleito e não tem candidato viável para sua sucessão, ele resolveu criar um novo partido, o PSD, e aproveitar o tempo que lhe resta de mandato para fazer da cidade de São Paulo seu trampolim político.

Chamado de Partido Socialite das Dondocas paulistanas, o PSD surge sem qualquer traço ideológico ou programático, apenas para recolher, sem o risco de perda de mandato, os insatisfeitos de outros partidos em busca de uma boquinha para as próximas eleições. É o partido que mais cresce no país às custas da inanição dos demais.

Não que o quadro seja mais animador do lado da oposição paulistana. Se o sucessor de Serra na Prefeitura não achou até agora um candidato, o mesmo acontece com os outros partidos.

Sem nomes novos capazes de empolgar a torcida, o PT volta a falar nos eternos Marta e Mercadante, que já cansaram de ser derrotados pelos demotucanos na cidade e no Estado.

No arraial tucano, como de costume, discute-se se José Serra será ou não candidato. O pior é que não tem outro. O secretário estadual de Energia, José Anibal, mais uma vez quer ser candidato, mas o partido não quer José Anibal e ameaça fazer prévias. Com quem?

E o PMDB, que há tempos não apresentava candidato nenhum, agora tem dois recém-convertidos ao partido com o único objetivo de disputar a próxima eleição municipal: os ex-socialistas Gabriel Chalita, cria de Geraldo Alckmin, e Paulo Skaf, o presidente da Fiesp.

Reproduzo aqui o final do texto do "Provocador", que resume bem a ópera em cartaz na Kassablândia:

"Como só está para brincadeira, Kassab, o boneco Chucky da administração municipal, na mesma semana, conseguiu que a Câmara reajustasse o próprio salário e os de seus secretários. O cara é um Highlander, um Freddy Krueger, um Coringa!

Nada mal, para quem veio do nada, chegar assim a lugar nenhum. Ainda bem que ele não pode mais se reeleger. Era até capaz. O paulistano, quando vai às urnas, é um pesadelo. Só elege vilões".

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