kassab psd 400 PSD de Kassab já está bichado antes de existir

Doutor Gilberto Kassab, o prefeito paulistano eleito pelo DEM, que está liderando a criação de um novo partido chamado PSD (o velho PDS dos tempos fardados com as letras trocadas), foi chamado na capa da revista "Piauí" de "O político apolítico", como se existisse esta espécie na fauna, na flora e no folclore brasileiros.

É mais ou menos como saci-pererê de duas pernas e capeta sem chifre. Da mesma forma, o novo partido é apresentado como não sendo "de direita, de esquerda e muito menos de centro" e anuncia que pretende apoiar, ao mesmo tempo, a presidente petista Dilma Rousseff e o ex-candidato tucano José Serra.

A nova jaboticaba partidária  brasileira ainda nem existe oficialmente, mas já nasce bichada. A cada semana, surgem novas denúncias contra o PSD sobre a lista de assinaturas que está recolhendo em todo o país para pedir o seu registro no TSE.

Kassab e sua turma alojada em governos municipais e estaduais correm contra o tempo para conseguir as 490 mil mil assinaturas necessárias, recolhidas em pelo menos nove estados, que devem ser apresentadas até setembro para que o PSD possa disputar as eleições do próximo ano. Na reportagem da "Piauí", Kassab "informou" que já dispunha de 1,2 milhão de apoiadores.

Acusado de utilizar funcionários da Prefeitura para recolher assinaturas em São Paulo, o partido de Kassab está sendo investigado por fraudes em Santa Catarina, Amazonas e Paraná. O caso mais pitoresco é o de Santa Catarina, onde o PDS está conseguindo a adesão até de pessoas que já morreram. Como o partido não existe oficialmente, ninguém pode ser responsabilizado por isso.

Com a exótica legislação eleitoral brasileira, em que basta apenas pegar alguns milhares de assinaturas e adquirir o apoio meia dúzia de parlamentares e outras nobres excelências para criar um novo partido, que nem programa tem, muito menos qualquer vínculo com a sociedade civil organizada, estas aberrações vão acontecendo dentro de um clima de absoluta normalidade.

Assim, não me surpreendi ao ler na manhã desta quinta-feira a manchete da "Folha de S. Paulo":

"Perícia atesta fraude na criação da sigla de Kassab _ Assinaturas em listas vieram da mesma pessoa; coordenador sugere ação de rivais".

Do jeito que as coisas estavam indo no artificial processo de criação do PDS de Kassab, mais dia, menos dia, só podia dar nisso mesmo: sair das colunas políticas e virar caso de polícia. As listas bichadas, em que a mesma pessoa assina por diferentes eleitores, foram encontradas na zona leste de São Paulo e em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Na reportagem assinada por Daniela Lima e Catia Seabra, o ex-deputado Indio da Costa, que saiu e voltou para o anonimato no ano passado como candidato a vice na chapa de José Serra, e hoje é o principal líder do PDS no Rio, conta que já descartou 36 mil das 82 mil assinaturas coletadas, após "uma checagem primária para evitar erros".

Ou seja, quase metade das assinaturas foram para o lixo. Mesmo assim, escaparam as encontradas pelo perito Orlando Garcia nas listas de Duque de Caxias. Quem estaria cometendo este crime de falsificação de assinaturas?

A tese levantada por Indio da Costa é instigante: "Adversários, incomodados, podem estar agindo de má-fé para dificultar o trabalho".

E eles querem ser levados a sério...

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