kotscho 1 Exclusivo: Graziano acredita que fome no mundo pode acabar

Entrevista com José Graziano da Silva - Foto: Manoel Marques/Revista Brasileiros

Hoje, faz um mês que ele foi eleito em Roma e ainda não havíamos conversado. Ao contrário do que acontece nas vitórias esportivas, a imprensa foi bastante discreta ao noticiar a sua vitória e eu estava curioso em conhecer seus planos, agora que o amigo se tornou o cidadão brasileiro a ocupar o cargo mais importante fora do país.

Com o mesmo otimismo e a determinação que o levaram a conquistar para o Brasil a primeira vitória importante em organismos internacionais nos últimos anos, o ex-ministro do Fome Zero José Graziano da Silva, novo diretor-geral da FAO (Organização para Alimentação e Agricultura), que assume este cargo na ONU em janeiro, conversou comigo por mais de duas horas na tarde de segunda-feira. Ao final da entrevista garantiu-me que é possível, sim, acabar com a fome no mundo.

Perguntei-lhe a certa altura:

- O senhor acredita mesmo que seja possível acabar com a fome no Brasil e no mundo? Ou a tendência é aumentar o número de miseráveis em decorrência das crises econômicas e das guerras?

A resposta veio na lata:

- É possível. Pela primeira vez na história da humanidade, temos as condições para acabar com a fome no mundo. Temos recursos tecnológicos que nos permitirão dobrar a produção de alimentos em poucos anos sem prejudicar o meio ambiente. Mais do que aumentar a produção, o nosso grande desafio será melhorar a distribuição e o uso destes alimentos. Precisamos enfrentar ao mesmo tempo o problema da fome e o da obesidade.

Os números atuais: para uma população de 7 bilhões de pessoas, em que um bilhão ainda passa fome, o mundo produz anualmente 2,5 bilhões de toneladas de cereais, tendo no momento 500 milhões de toneladas em estoque.

Depois que sua candidatura foi lançada pelo ex-presidente Lula em novembro do ano passado, o agrônomo José Graziano da Silva, 61 anos, visitou mais de 30 países pregando a descentralização da FAO, que concentra três quartos do seu orçamento (1,5 bilhão de dólares para o biênio 2012/13) em Roma, onde trabalham 80% dos seus funcionários.

Com o apoio da presidente Dilma Rousseff e do Itamaraty, Graziano concentrou sua campanha na internet, com a prestimosa ajuda da jornalista argentina Paola Ligasacchi, sua atual mulher, com quem vive desde 2006 em Santiago, no Chile, onde era diretor regional da FAO.

A primeira providência de Graziano depois de eleito foi abrir mão da residência oficial na Via Apia, uma das mais chiques e caras de Roma, e pedir para morar num apartamento funcional  perto da sede da FAO para pegar menos trânsito. Combina mais com o cargo.

A íntegra da entrevista com José Graziano da Silva será publicada na edição de agosto da revista Brasileiros. Participaram também da nossa conversa no café da Fnac, em Pinheiros, o diretor de redação Hélio Campos Mello e o fotógrafo Manoel Marques.

Em tempo:

Na mesma varanda em que conversamos com Graziano, Bruna Lombardi concedeu uma entrevista ao Estadão, o que deixou a mulher que se apresentou como "dona" do café bastante irritada com o trabalho dos fotógrafos.

Falando alto, ela não quis nem saber quem eram seus ilustres clientes e a todo momento vinha incomodar quem estava trabalhando na varanda, onde não havia nenhum outro freguês.  Conviria que a direção da Fnac acalmasse a distinta senhora.

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