Antes do juiz apitar o final do jogo em que o Vasco bateu o São Paulo sem dó, por 2 a 0, nesta tarde de domingo, em pleno Morumbi, a torcida perdeu de vez a paciência, disparando uma das maiores vaias já ouvidas desde a inauguração do estádio (eu estava lá), no longínquo ano de 1960, acompanhada do refrão:

"Time sem vergonha!".

Nada poderia definir melhor este time do São Paulo que perdeu mesmo o rumo e a vergonha na cara, já faz tempo. De nada adiantou o Corinthians dar moleza em Florianópolis, perdendo por 3 a 2 para o Avaí. O São Paulo, mais uma vez, conseguiu perder para ele mesmo.

Para quem não sabe, este Juvenal aí do título é Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo pela terceira vez, cuja última eleição até hoje é contestada na Justiça.

É uma espécie de Ricardo Teixeira do futebol paulista, só um pouco mais velho e mais gagá.  Depois do almoço costuma ficar fora de combate. Os dois se odeiam, mas são muito parecidos: como Teixeira, Juvêncio também se acha insubstituível.

Desde que demitiu Muricy Ramalho, depois da conquista do tricampeonato brasileiro, Juvenal Juvêncio não acertou mais nenhuma contratação, nem de técnico nem de jogador (o último foi Luis Fabiano, que já foi operado duas vezes, custou R$ 20 milhões, e até agora não jogou, ganhando um  salário de R$ 350 mil por mês).

Muricy não aceitava palpites de Juvenal, fazia questão de ficar distante dos diretores e tinha absoluto controle sobre o time dentro e fora do campo. Quem mandava era ele.

Por isso, de lá para cá, Juvenal só contratou técnicos de perfil baixo, com um currículo perdedor, como este Adilson Batista, que em apenas três jogos já mostrou a que veio.

Na estreia, empatou com o poderoso Atlético Goianiense, por 2 a 2, no Morumbi; na sequência, ganhou do Coritiba, por 4 a 3, em Curitiba, depois de abrir 3 a 0 no primeiro tempo, e hoje mostrou toda sua competência assistindo ao passeio que o Vasco deu no São Paulo.

Adilson Batista era a pior das opções para assumir o lugar de Paulo Cesar Carpegianni, outro técnico triste, sem personalidade, que não ganhou nada no São Paulo e saiu achando que foi injustiçado.

Juvenal Juvêncio só não pode dizer que foi enganado. Adilson já tinha fracassado seguidamente no Corinthians e no Santos, depois de ser demitido do Cruzeiro. Por isso, aceitou um contrato de apenas seis meses com o São Paulo, algo inimaginável para qualquer treinador que se dê o mínimo de respeito.

Ou seja, isto prova que nem o todo poderoso presidente do clube acredita nele. Está mais do que na hora de Juvenal Juvêncio pegar o boné, pedir para sair, e levar junto com ele o Adilson Batista para casa, onde poderão passar o dia todo e o resto da vida falando sobre futebol.

Se tiver vergonha na cara, depois de ouvir o que ouviu da torcida no Morumbi, Adilson Batista também pediria para sair e levaria o Juvenal Juvêncio junto com ele.

Os dois se merecem. O meu São Paulo, de tantas glórias e tradições, merece coisa melhor.

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