Em tempo:

Estarei daqui a pouco na redação, a partir das 16h30, à disposição de vocês no bate papo com os leitores promovido pelo portal R7, que publica este Balaio. Até lá. Por favor, mandem suas perguntas.

Abraços,

Ricardo Kotscho

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Escrevo antes que o Congresso Nacional reinicie de fato seus trabalhos na tarde desta terça-feira (2). É grande a expectativa sobre a reação do PR, especialmente do seu presidente, o ex-ministro Alfredo Nascimento, e dos demais partidos aliados do governo sobre a "faxina geral" que a presidente Dilma Rousseff resolveu promover durante as férias deles na Esplanada dos Ministérios, a começar pelos Transportes.

Como ninguém sabe até onde a presidente tem vontade e força política para levar às últimas consequências o seu combate à corrupção, é importante saber o que pensam os "russos" que mandam no nosso Poder Legislativo, ou seja, a turma do PMDB, do PT, PTB, PP, etc.

Pelo que ouço nas ruas, no barbeiro e nos botecos, e leio na imprensa, a presidente Dilma Rousseff conta com amplo apoio popular para fazer uma completa limpeza no governo federal.

Afinal, como já escrevi aqui, todo mundo é a favor da energia elétrica, da água encanada e do combate à corrupção. Você conhece alguém que é contra, além daqueles que já foram demitidos?

Da mesma forma, todos sabemos que é melhor ser rico, feio e bonito do que pobre, feio e doente. Até aí, estamos todos de acordo.

Falta apenas conhecer um dado importante para resolver a equação entre o apoio popular e midiático, e o apoio da base de sustentação do governo no Congresso: a publicação das próximas pesquisas. Estou achando estranho este silêncio, pois há um bom tempo não saem números novos nem do Ibope, nem do Datafolha, nem de outros institutos.

Tentei falar hoje de manhã com Carlos Augusto Montenegro, o homem do Ibope, mas ainda não tive retorno. O desdobramento da infindável crise política que começou com a queda do ministro Antonio Palocci tem muito a ver com estes números.

Se Dilma mantiver os altos índices de aprovação do seu governo registrados até agora, e mesmo conseguir aumentá-los, como indicam as especulações do noticiário político, nenhum parlamentar do governo ou da oposição vai ser louco de desafiar a presidente da República e botar fogo às vestes.

Neste ponto, resta saber também até onde a cada vez mais grave crise econômica americana e a europeia atingirão o Brasil, na parte mais sensível do nosso corpo, quer dizer, o bolso, na brilhante definição de Delfim Netto.

São muitas as variáveis na reabertura dos trabalhos legislativos. Como já comentou o Heródoto Barbeiro, no Jornal da Record News, é brutal o contraste entre o comportamento dos congressistas americanos e o dos nossos nestas últimas semanas.

Enquanto democratas e republicanos atazanaram a vida de Barack Obama e colocaram o mundo em suspense até no final de semana, na votação do orçamento, os nossos voltam tranquilamente de mais um recesso parlamentar, sem muita pressa, como se o Brasil e o mundo tivessem parado de girar na ausência deles. Na quinta-feira, como de costume, a semana pós-férias, que começa hoje, já acaba.

Se fosse perguntado, que resposta o caro leitor daria ao Ibope: Dilma deve continuar na "faxina geral" ou é melhor, antes de continuar, acalmar os "russos"?

Só sei que eu não gostaria de estar sentado na cadeira dela.

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