Em tempo (às 13h):

Por que a aprovação de Dilma

se mantém tão alta?

Me empolguei tanto com o novo filme do Woody Allen, que vi ontem à noite, e acabei esquecendo de comentar o novo Datafolha sobre o governo Dilma publicado hoje, que a "Folha" escondeu na edição.

Não entendi nada. Pesquisa do Datafolha costuma ser manchete do jornal. Se a aprovação de Dilma tivesse caído, o jornal teria sido tão econômico na divulgação do resultado?

Neste domingo, não teve nem chamada na capa, apenas um gráfico _ que, por sinal, está errado _ e uma tripa de matéria no primeiro caderno.

Para quem olha o desenho, parece que os índices de aprovação do governo estão oscilando bastante, com altos e baixos Na verdade, o que os números mostram é uma absoluta estabilidade: 47% em março, 49% em junho e, agora, 48% de ótimo e bom  (39% de regular e 11% de ruim e péssimo).

Ou seja, há variação de apenas um ponto entre uma pesquisa e outra nestes primeiros sete meses de governo. Pelo noticiário da mídia, os números acima deveriam estar de ponta cabeça.

A que se pode atribuir esta alta e inalterável aprovação, apesar de todas as crises reais e/ou midiáticas, dos desencontros ministeriais e da desarticulação política do governo?

Há quem atribua o resultado favorável a Dilma na mais recente pesquisa à determinação da presidente de promover uma "faxina geral" para varrer a corrupção na Esplanada dos Ministérios.

Pode ser, mas tenho outra opinião. O principal motivo, desde o segundo mandato do presidente Lula, reside, a meu ver, no bolso e na barriga do trabalhador.

Basta ir até a página A10 da mesma edição do jornal para entender as razões: "Salários sobem em ritmo maior do que o lucro das empresas".

O que significa isso? Significa distribuição de renda, meus amigos, ou seja, melhores condições de vida para a maioria dos trabalhadores _ a meu ver a principal conquista do governo Lula, que tem continuidade no governo Dilma.

***

Estava meio desconfiado da insistência com que os amigos me falavam para ver o filme "Meia-Noite em Paris",  do Woody Allen, mesmo sabendo que não sou muito chegado a cinema. Gosto mais de ir ao teatro.

"Você tem que ver este filme!". "Você não pode perder o filme do Woody Allen!". "Você vai gostar, tem tudo a ver com você!", me diziam, com ponto de exclamação e tudo.

Em poucos minutos de projeção desta obra-prima que acabei vendo no cineminha do Unibanco da rua Augusta, sábado à noite, logo entendi o motivo. Não me lembro de outro filme deste diretor de filmes-cabeça em que a platéia tenha dado tanta risada o tempo todo e aplaudido no final.

A partir de uma ideia genial, o filme é de uma simplicidade comovente. Mostra sem cansar as mais belas imagens da cidade mais bonita do mundo, o seu principal personagem.

Tem humor, e nenhuma cena de violência ou baixaria. A trilha sonora, só com músicas de Cole Porter, é maravilhosa. Ninguém precisa ser inteligente e pensar muito para entender a história. Até as piadas qualquer jornalista pode entender sem precisar de maiores explicações.

O protagonista é um sujeito meio atrapalhado, inseguro e sonhador, que ganha a vida escrevendo roteiros em Hollywood, mas gostaria mesmo era de ser romancista em Paris.

Saí do cinema enlevado, com a alma leve, feliz mesmo, rindo sozinho, agradecido aos meus amigos que insistiram tanto para não perder esse filme. Eles tinham toda razão.

Foi, de longe, o melhor filme que vi na minha já sexagenária vida. Recomendo-o com entusiasmo para quem ainda não teve esta graça de vê-lo. Como não se trata de um blockbuster, continua em cartaz em poucas salas. Corram!

O túnel do tempo que leva o roteirista americano, sempre à meia-noite, a uma encantadora Paris dos anos 20 do século passado _ em que todo mundo namora, come, bebe e fuma à vontade em todo lugar, sem pecado, tropeçando em pintores, escritores, cineastas e compositores que marcaram a época _ torna chocante o contraste com a realidade do dia seguinte.

A volta ao mundinho medíocre da sua noiva consumista, dos pais dela, legítimos representantes do "Tea Party", e de um casal de amigos americanos insuportáveis faz o roteirista-escritor tomar a melhor decisão da sua vida, mas não vou contar para não estragar a surpresa. Vocês podem imaginar qual é...

Nestas idas e vindas de um começo de século a outro, são inevitáveis as comparações entre o "american way of life" do mundo atual e o estilo de vida europeu dominando a primeira metade do século 20, assim como em breve estaremos vivendo a era chinesa.

Dá para perceber que Woody Allen aproveita o filme para se vingar de um estereótipo de americano rico, burro e ignorante, que só pensa em dinheiro, ao mesmo tempo em que faz uma declaração de amor à velha França dos gênios de todo o mundo, que se reuniam em Paris "apenas" para celebrar a vida e a arte.

O tempo todo Allen se e nos diverte, ora vingando-se dos chatos pedantes que confundem erudição com cultura e dos sogros invasivos, ora das mulheres que dão sempre razão aos outros nas discussões com os maridos e dos amigos grudentos que querem nos impor os gostos e as agendas deles.

Além de tudo, a história tem um final feliz, coisa tão difícil de acontecer hoje em dia...

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