A semana política começa agitada em Brasília com focos de tensão em várias áreas, a começar pelo PMDB, o principal partido aliado do governo de Dilma Rousseff.

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre qual será o próximo ministro a ir para a guilhotina, após a defenestração de Nelson Jobim na semana passada, as novas denúncias de corrupção e aparelhamento partidário no Ministério da Agricultura, de Wagner Rossi, do PMDB, agora todo mundo já sabe qual é a bola da vez.

Cada vez que um minisro cai _ foram três nos últimos três meses _ sempre me perguntam no Jornal da Record News quem será o próximo.

Este é o clima que se vive em Brasília desde a queda de Antonio Palocci, que exercia na prática as funções de primeiro-ministro e articulador político do governo. Os outros ministros todos, uns 40 se não estou enganado, devem pensar: se até o todo-poderoso Palocci, do PT, já dançou, que segurança eu tenho?

Para não ser o próximo, Wagner Rossi, que é da cota pessoal do vice-presidente Michel Temer, só tem um trunfo: a união do PMDB contra o PT, os dois maiores partidos da conflagrada base governista.

Já escrevi aqui outras vezes e é preciso repetir sempre para entender a tal da "governabilidade" do presidencialismo de coalização em Brasília: ninguém governa o país impunemente sem o PMDB e é quase impossível governar com o PMDB.

É sempre bom lembrar que o PMDB é o PMDB, um partido que será sempre base de sustentação do governo, de qualquer governo. Não é o PR.

Um exemplo claro  disso: quando surgiram as denúncias de maracutaias no Ministério dos Transportes, feudo do PR, jogaram ao mar o ministro Alfredo Nascimento e colocaram em seu posto o secretário executivo Paulo Passos.

Agora, fizeram exatamente o contrário: com a bateria de denúncias contra a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), orgão do Ministério da Agricultura, que tem a mesma importância do já famoso Dnit nos Transportes, o governo negociou a saída do secretário-executivo Milton Ortolan, acusado pela "Veja" de cumplicidade com um lobista, para preservar o titular Wagner Rossi.

Ortolan se autoimolou no sábado, mesmo dia em que circulou a revista, mas no domingo e nesta segunda-feira a "Folha" abriu nova frente contra Rossi, mostrando como o ministro abrigou em seu gabinete a parentalhada dos caciques peemedebistas e desguarnecendo postos improtantes da Conab.

Na semana passada, Wagner Rossi saiu aplaudido da Câmara depois de um longo e amigável interrogatório e esta semana deve voltar para dar explicações no Senado.

Ao mesmo tempo, a oposição já está novamente recolhendo assinaturas para pedir a abertura de uma CPI, desta vez no Ministério da Agricultura, ou seja: a semana começa como as outras terminaram, com o governo na defensiva, em reunião permanente de Dilma e suas principais ministras no Palácio do Planalto, tentando administrar as suas várias crises.

Para se ter uma boa ideia do que se passa em Brasília neste momento, vale a pena ler a coluna do colega Melchiades Filho, "Desenho colorido", na página dois da "Folha":

"Sozinha, ou ladeada de poucos assessores de confiança _ que, entre o entusiasmo e a resignação, batem continência _ a presidente faz o que quer e do jeito que quer (...). Derrubados Antonio Palocci e Nelson Jobim, não há no primeiro escalão, ninguém com trânsito nos outros poderes nem currículo para fazer contraponto à presidente (...) Aqui e ali começam a surgir as comparações com Collor".

Há, porém, uma diferença brutal entre os dois casos: Collor caiu por corrupção e Dilma enfrenta problemas políticos exatamente pelo combate à corrupção, que é apoiado pela opinião pública.

Se não bastassem as dificuldades na articulação política do governo, a nomeação de Celso Amorim, que toma posse hoje, para o lugar de Nelson Jobim, abriu uma nova frente de atritos, agora na área militar, já que são notórias as divergências entre diplomatas e generais.

Outro dia, quando o Heródoto Barbeiro me perguntou no Jornal da Record News se eu tinha alguma solução para o Ministério dos Transportes, depois da demissão de duas dúzias de funcionários suspeitos de corrupção, sugeri que convocassem um general para limpar o Dnit ou importassem um engenheiro alemão de ficha limpa.

Era apenas um comentário bem humorado, claro, e não sei se alguém do governo viu o nosso jornal. O fato é que a presidente Dilma já nomeou um general para o Dnit, mas isso poderá não ser suficiente para acalmar os militares que  fizeram cara feia para a nomeação de Amorim.

No fim de semana, o único refresco para Dilma foi a divulgação do novo Datafolha, em que a aprovação do seu governo continua estável, com 48% de ótimo e bom, confortável índice para um início de mandato tão tumultuado na área política e em meio à crise econômica mundial.

O novo Ibope que deve sair na quarta-feira, segundo me disse Carlos Augusto Montenegro na semana passada, também mostrará estabilidade, talvez com uma leve alta nos números favoráveis.

Mais do que os políticos e os militares, são os mercados que podem abalar estes altos índices de popularidade e tirar o sono da presidente, que não tem um dia de trégua no noticiário.

Seria bom aproveitar este momento favorável na opinião pública para fazer uma arrumação geral da casa e retomar a iniciativa política do governo fora do Palácio do Planalto.

São Paulo ganha, apesar

de Juvenal e Adílson

Alguns amigos tricolores me cobram um comentário sobre a vitória do São Paulo contra o Avaí, domingo, em Florianópolis, que deixou o time em terceiro lugar no Brasileirão. Dizer o que?

Que o São Paulo penou para ganhar de virada no final, com dois gols de Cícero, de um time que está na zona de rebaixamento? Vimos em campo o mesmo São Paulo atrapalhado, sem personalidade, com apenas Dagoberto na frente, nenhum esquema tático, jogando na sorte. 

Que estreou, quase sem treinar com o time,  um novo zagueiro, de nome João Filipe (alguém já ouviu falar?), descoberto por Juvenal Juvêncio na reserva do Botafogo? Isto é planejemanto para levar o São Paulo a disputar o título e não apenas cumprir tabela?

Reconheço que fui áspero no comentário da semana passada, quando sugeri ao presidente do São Paulo pedir para sair e levar junto o técnico Adilson Batista. Continuo achando a mesma coisa.

Por falar nisso, bem que poderiam voltar a falar com o Dorival Júnior, agora que ele está desempregado, depois de ter montado no ano passado o vitorioso time do Santos. Mas reconhecer e consertar os erros não é muito o estilo do eterno presidente.

Em tempo: continuo torcendo para o São Paulo ser campeão. Eu acredito em milagres.



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