Em tempo:

leitores apontaram várias incorreções factuais no texto abaixo.

Por isso, é melhor ler primeiro os comentários que corrigem o que escrevi.

Há tempos não errava tanto num texto só... 

Agradeço as correções feitas pelos leitores e peço desculpas pelos erros.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho

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Enquanto Muammar Gaddafi, o déspota de chanchada (ver post anterior), continua desaparecido em Trípoli, e reina uma aparente trégua nas intermináveis escaramuças políticas entre os aliados em Brasília, vamos falar de futebol que é melhor.

Vejam só quanta empáfia, quanta arrogância nesta declaração do diretor de futebol amador do São Paulo Futebol Clube de tantas glórias e tradições. Seu autor, Marcos Tadeu Novais dos Santos, é um dos doutores do "elenco de sábios" reunido por Juvenal Juvêncio, o Ricardo Teixeira do futebol paulista, que não larga o osso e não dá o braço a torcer:

- Temos uma tese que foi elaborada pelo nosso jurídico e amplamente discutida. Não vamos abandoná-la por pouco.

Pouco? A tese são os "contratos de gaveta" com cinco anos de duração impostos às revelações das categorias de base, que já fizeram o São Paulo perder, entre outros, o meia Oscar.

A grande revelação do Morumbi, ainda dos tempos de Muricy Ramalho, que o anunciou como "novo Kaká" no final de 2008, ganhou na Justiça o direito de ir jogar onde quisesse, sem que o clube recebesse um mísero real pelo jogador que formou.

Autor de três gols na decisão do Mundial sub-20, que deu o pentacampeonato ao Brasil, Oscar voltou a formar dupla com Henrique, artilheiro e melhor jogador da disputa, que agora também ameaça ir embora do Tricolor.

Os dois brilharam naquele belo time do São Paulo campeão da Taça São Paulo de Juniores, em 2009, ao lado de Casemiro e Lucas, e outros garotos de muito futuro que sumiram do Morumbi.

Reportagem de Rafael Reis, publicada hoje no caderno de esportes da Folha, mostra que o São Paulo insiste no erro, desrespeitando regras da Fifa com esses contratos que acabam sendo derrubados na Justiça do Trabalho.

O clube gasta uma pequena fortuna na sua fábrica de jogadores do CT de Cotia e, quando eles estão prontos para entrar no mambembe time de cima, os sábios comandados por Juvêncio preferem investir em craques como Carlinhos Paraíba, que não marca, não arma, não chuta, só cisca e erra quase todos os passes, e ex-jogadores em atividade como Rivaldo.

O problema não é só querer dar um chapéu financeiro nos meninos, mas a falta de oportunidade de conseguir uma vaga de titular.

Lucas e Casemiro já eram craques na Taça São Paulo de dois anos e meio atrás, mas tiveram de esperar um tempão para entrar no time de cima e, assim mesmo, só conseguiram bons aumentos de salário quando também ameaçaram ir embora.

O artilheiro Henrique não aceita mais ser o último dos reservas no banco de um time que não tem ataque e quer receber um salário igual ao dos seus companheiros já promovidos.  Muito justo. O empresário dele é o mesmo Giuliano Bertolucci que liberou Oscar para o Internacional de Porto Alegre e ele está certo, tem mais é que valorizar os seus meninos.

Quem não os valoriza é Juvenal Juvêncio, que briga até hoje na Justiça para se eternizar na presidência do clube, mas não consegue preservar o seu maior patrimônio, os jovens jogadores formados em Cotia.

O São Paulo se baseia na Lei Pelé, que não prevê o limite da Fifa de três anos para acordos com atletas menores de 18 anos, e já obrigou outras duas revelações, Rodrigo Caio e Mirrai, ambos de 17 anos, a assinar os mesmos contratos de Henrique e Oscar.

Só o "nosso jurídico" é que está certo? Os diretores do São Paulo devem se achar os únicos espertos do futebol e acabam levando um baile dos meninos no campo deles, o tapetão do jurídico.

Em campo com grama, os meninos levaram o Brasil a mais um título mundial, mas não têm lugar na equipe do grande estrategista Adilson Batista, que domingo passado enfrentou o Palmeiras com apenas um atacante, Dagoberto, outro que também está querendo pedir o boné porque não aguenta mais a solidão.

Desse jeito, é melhor colocar os doutores em campo e chamar a garotada para cuidar do "nosso jurídico"...

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