Caros leitores,

viajo daqui a pouco para fazer uma reportagem sobre o mundão da Festa do Peão de Barretos que será publicada na revista "Brasileiros". Volto no domingo.

Por este motivo, peço um pouco de paciência porque não sei quando será possível fazer a moderação e atualização do Balaio.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Numa época em que muita gente sonha em comprar seu primeiro carro, eu só pensava em vender o meu último. Pensava, pensava e, na hora, desistia.

Desde o dia em que completei 18 anos, nunva vivi um dia sem carro próprio. Tinha acabado de entrar na faculdade, e ganhei o primeiro da minha mãe, que trabalhava na DKW-Vemag , tirava carro com desconto.

Sou de uma época e de uma geração em que as pessoas não podiam imaginar a vida sem ter um automóvel na garagem. Quem podia comprava carro muito antes de pensar na casa própria.

Hoje, será meu primeiro dia literalmente  a pé. Na tarde desta quinta-feira, 25 de agosto, cinquentenário da renúncia do Jânio, entreguei minha TR-4 2008, novinha, só com 15 mil quilômetros rodados, ao Nico, amigo de um dos meus genros, que tem uma loja de automóveis na famosa boca da Barão de Limeira velha de guerra, onde ficam a "Folha" e os muitos bares da vida por onde andei quando trabalhei lá.

O Nico até estranhou ao vê-lo porque, embora já tenha três anos de uso, parecia ter acabado de sair da revendedora. Até os pneus estão novos.

O leitor poderá me perguntar: e eu com isso? Está querendo me vender teu carro? Não, apenas queria deixar aqui este registro para que vocês também pensem na possibilidade de viver sem carro. É a única forma de São Paulo sair deste sufoco de congestionamentos e poluição.

Estou fazendo a minha parte. Fui deixando o carro aos poucos, mais parado no estacionamento do que andando, um tanto por preguiça de dirigir, e também por medo, confesso.

Depois de viver algum tempo fora, na Alemanha, em Curitiba e Brasília, não consegui mais me acostumar com o trânsito cada vez mais maluco desta cidade, os motoboys enlouquecidos, sem lugar para estacionar, todo mundo nervoso, malacos rondando os cruzamentos, faróis quebrados, assaltos e aquilo tudo que os paulistanos enfrentam todos os dias.

Acostumei-me a fazer a maior parte das coisas de que preciso a pé e descobri que é possível, sim, viver sem carro. Em último caso, pego um táxi ou chamo a ambulância. Tenho 35 mil motoristas à minha disposição em São Paulo, sem falar em ônibus, metrô...

Nos últimos tempos, só tirava o carro da garagem para sair de São Paulo, ir para o sítio ou a praia. Não me conformava com o desperdício de dinheiro _ impostos, taxas, estacionamento, etc _ sem quase utilizar o dito cujo.

Agora que estou livre dele me sinto mais leve.

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