Pedem-me para escrever sobre os 10 anos do 11 de setembro. Confesso que nem sei por onde começar, depois de tudo o que li, vi e ouvi nestes últimos dias sobre o atentado que mudou o mundo e deixou um sentimento de perplexidade, medo e impotência em todos nós.

As imagens dos dois aviões explodindo contra as torres gêmeas do WTC em Nova York já foram repetidas à exaustão milhões e milhões de vezes pelas TVs de todo mundo. Desde a chegada do homem à Lua, não se via cobertura jornalística tão massacrante, onipresente, comentada.

Em 1969, sentimos orgulho da nossa condição de humanos; em 2001, vergonha. O protagonismo americano se fez presente nos dois episódios que marcaram a última metade do século.

Como é impossível ignorar o marco histórico que hoje completa 10 anos, reproduzo abaixo uma pequena lista do que mudou e do que não mudou no mundo neste período, que preparei para me servir como roteiro no programa especial comandado pelo Heródoto Barbeiro, gravado na sexta-feira e que vai ao ar hoje, às 22 horas, pela Record News.

O que mudou

** Os Estados Unidos elegeram o primeiro presidente negro para o lugar de George Busch, o senhor da guerra, e o Brasil elegeu a primeira mulher presidente da República para suceder o primeiro operário.

** Ficou mais difícil entrar e sair dos Estados Unidos. Depois do que passei no começo do ano para ir com os netos à Disney, desisti de viajar para lá. Sou um perigo a menos...

** Bin Laden foi jogado ao mar e não deixou sucessor. A al-Quaeda sumiu do mapa e só voltou ao noticiário por conta dos 10 anos do 11 de setembro. O mundo parece mais seguro para quem tem dinheiro para pagar pela sua segurança.

** Tivemos duas guerras, com as invasões, pelas tropas de Bush, do Iraque e do Afeganistão.

** Vivemos, em consequência, duas graves crises econômicas, a de 2008 e a de agora, com os Estados Unidos e a Europa endividados e a China surgindo como o maior credor das grandes potências.

** A China e o Brasil, entre outros emergentes, reunidos no G-20, ganharam importância nas discussões sobre a economia mundial e mudou o mapa do poder geopolítico no mundo.

** O povo nas ruas derrubou velhos ditadores bancados pelos Estados Unidos no Norte da África e no Oriente Médio.

** A internet promoveu a maior revolução nas comunicações humanas desde a invenção da imprensa por Gutenberg mais de 500 anos atrás.

O que não mudou

** A fome continua matando na Somália e em outros países do Chifre da África.

** A corrupção endêmica continua corroendo o Brasil.

** Os Estados Unidos continuam vendendo armas para garantir o abastecimento de petróleo e não conseguem viver sem guerra.

** O islã continua ameaçando os Estados Unidos e o mundo por motivos territoriais e religiosos, praticando o terrorismo.

** Apesar de tudo, continuo otimista sobre o futuro do Brasil e do mundo.

Três anos de Balaio no ar

"Vô, posso te ajudar?", pergunta a mais velha quando comunico aos três netos, depois de um belo café de domingo, que agora preciso escrever.

Agradeci a oferta, mas expliquei à neta que cuidar de um blog é atividade absolutamente solitária em que ninguém pode nos ajudar, a não ser depois de escrever, quando cometemos algum erro e precisamos corrigir o texto.

Tem sido assim desde que o Balaio foi ao ar pela primeira vez no dia 11 de setembro de 2008, então no portal iG, com entrevistas exclusivas concedidas por quatro dos cinco presidenciáveis na época: Aécio Neves, Ciro Gomes, Dilma Rousseff e Marina Silva. Apenas José Serra até hoje não respondeu às perguntas do Balaio.

De lá para cá, muitas outras entrevistas, notícias e reportagens exclusivas foram publicadas neste Balaio onde cabe qualquer assunto. Até a manhã de hoje, estavam no arquivo 810 matérias e foram publicados 113.807 comentários de leitores, enviados de diferentes regiões do Brasil e do mundo.

Neste sábado,  o grupo de leitores que criou o Boteco de Balaio (uma espécie de filial do blog abrigado no Google só para bater papo) promoveu o 3º Encontrão em torno de uma bela feijoada, muito chope e conversa jogada fora. Ali o mundo virtual torna-se real pelo menos uma vez por ano.

Aos que foram e aos que não puderam ir ao North Beer, em Santana, zona norte de São Paulo, agradeço a participação nos debates promovidos diariamente neste espaço, que desde o primeiro dia permanece democrático, livre e independente.

Parece que deu certo esta experiência _  para mim, significou nova vida na carreira de jornalista que completa 47 anos de estrada no próximo mês. Numa idade em que muitos dos meus colegas estão se aposentando ou só pensando nisso, comecei tudo de novo.

Depois de passar quase a vida todas nas redações da mídia impressa, virei profissional multimídia por absoluta falta de opção. Logo no primeiro ano, com poucos meses no ar, o Balaio conquistou, em eleição direta, o Prêmio Top Blog na categoria política. No ano passado, ganhei o Prêmio Comunique-se como melhor jornalista de mídia impressa.

Este ano, também em eleição direta da qual participaram 60 mil jornalistas, o blog Balaio do Kotscho  foi indicado como um dos três finalistas nesta categoria do Prêmio Comunique-se 2011, que será entregue na próxima terça-feira, dia 13.

Com apenas três meses e meio na nova atividade (comentarista político do Jornal da Record News), também concorro como finalista na categoria Jornalista de Mídia Eletrônica. Nem preciso provar nem ganhar mais nada: só de poder participar como finalista desta grande festa que é o Prêmio Comunique, já está bom demais. O importante é estar no jogo.

Blogueiro é uma atividade tão solitária que é preciso lembrar estas coisas porque, se você não o fizer, ninguém mais vai fazer. Tem que bater o escanteio e correr na área para cabecear...

Como diria o Roberto Carlos, são muitas emoções, mas vale a pena correr os riscos de escrever e dar opinião sobre todos os assuntos quase todos os dias. De vez em quando, a gente acerta; noutras, erra.

Obrigado a todos vocês.

Vida que segue.

Bom domingo.

http://r7.com/iU9O