São Paulo é uma cidade grande, mas são as pequenas histórias que melhor retratam o nosso cotidiano e nos realimentam as esperanças na boa vontade dos seus habitantes massacrados pelo concreto, a poluição e o trânsito enlouquecido. A solidariedade sobrevive.

Logo cedo, o telefone toca.

"Seu Ricardo, aqui é a irmã Devanir. Estou ligando por dois motivos: sua visita a D. Paulo vai ter que ser adiada e o senhor perdeu seu celular, mas já foi encontrado..."

Não entendi nada. Nem tinha notado a perda do celular no domingo.

"Como assim, irmã? Como meu celular foi encontrado na casa de D. Paulo, se nem fui lá e a visita ficou para outro dia?"

Com franciscana paciência, Devanir me explicou o que acontecera. Ela me ligou no celular nesta segunda-feira de manhã para falar da visita adiada e quem atendeu foi um motorista de táxi  do ponto aqui ao lado de casa, o seu Carlos.

Liguei no meu número e o taxista atendeu.

"O seu celular está comigo. Só levei três passageiros no meu carro ontem e achei o celular no assoalho do banco do passageiro. Fiquei esperando alguém me ligar..."

De fato, foi ele quem me levou ao clube Anhembi, no Alto de Pinheiros. O celular deve ter caído do bolso da bermuda. Em poucos minutos, o dito cujo estava de novo nas minhas mãos, antes que eu me dessa conta da perda.

Se não fosse por estas felizes coinciências, certamente passaria o dia como um louco procurando o aparelho, pois nunca pensaria em encontrá-lo no ponto de táxi. Mundo pequeno...

Meu celular é um objeto pré-histórico, do início do século 21, que só faz e recebe chamadas telefônicas, bem anterior a estas modernas geringonças multiuso que exigem um curso de doutorado para se poder operá-las. Foi o primeiro que comprei. Não vale nada, mas me dou bem com ele.

Além do valor sentimental, estão nele meia dúzia de telefones da família e outros tantos dos amigos do bar. Precisa mais?

Mesmo sem querer e sem saber, o franciscano D. Paulo, que acaba de completar 90 anos, acabou fazendo mais uma boa ação pelo seu semelhante.

Comecei bem a semana...

Brado Retumbante

É hoje à noite, a partir das 19 horas, em São Paulo, o lançamento do site Brado Retumbante - do golpe às diretas, "um projeto de memória coletiva", como explica seu criador, o jornalista Paulo Markun, companheiro de muitas estradas e redações da vida.

Em mais de duas mil páginas, com fotos históricas, biografia dos principais personagens e 70 depoimentos, o site www.bradoretumbante.org.br vai contar os bastidores e os resultados do "Diretas Já", o grande movimento cívico que marcou o divisor de águas entre a ditadura e a democracia no Brasil contemporâneo.

O site servirá de base para o livro do mesmo nome que está sendo produzido por Paulo Markun, com patrocínio da Universidade Nove de Julho. Os registros audiovisuais serão doados ao Museu da Imagem e do Som, local do lançamento do projeto na noite desta segunda-feira.

Museu da Imagem e do Som: Avenida Europa, 158 - Jardim Europa.

Osmar Santos, que foi o locutor dos comícios das Diretas Já, será homenageado durante o evento. Estarei lá para lhe dar um abraço. Grande Osmar Santos!

E não se esqueçam: esta semana, apesar de tudo, começa a primavera.

Boa semana e boa primavera para todos.

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