SÃO SEBASTIÃO (SP) _ Alguns leitores, como o Sergio Vianna, que me deu uma esculhambada no comentário das 2h53 desta terça-feira, não gostaram do que escrevi no post anterior sobre o jogo de votos, verbas, cargos e tempo de televisão que move a política brasileira.

Também não gosto do que vejo, mas não posso fingir que a paisagem política não está cada vez mais degradada. Não adianta xingar a janela nem brigar com os fatos.

Por acaso estou em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, mas poderia escrever de qualquer um dos 5.569 municípios onde teremos eleições para escolher prefeitos e vereadores no dia 7 de outubro de 2012.

O que aconteceu por aqui na sexta-feira passada, último dia previsto pela legislação para o troca-troca partidário de quem pretende disputar as próximas eleições, deve ter se repetido na maioria das cidades brasileiras, grandes ou pequenas. Faz parte do jogo.

Um bom exemplo é o da vereadora Solange Ramos que, em 2004, era do PV. Depois mudou-se para o PTB e estava de passagem pelo PPS, até a semana passada. Agora, voltou ao PV, que é da base aliada do prefeito Ernane Promazzi (PSC), para assumir a Secretaria das Administrações Regionais.

As explicações dadas por Solange Ramos, para justificar suas constantes mudanças de partido, ao repórter Leonardo Rodrigues, do jornal "Imprensa Livre", podem não agradar ao leitor Sergio Vianna, mas são um retrato sincero das motivações dos personagens desta verdadeira feira-livre de siglas:

"Quando se é vereador, não se caminha sem o prefeito. Preciso continuar trabalhando. Não sou muito partidária. Até porque, se partido fosse bom, se chamava inteiro..."

Precisa dizer mais? O troca-troca foi generalizado, envolvendo variados partidos. No levantamento feito pelo jornal, o atual presidente da Câmara, Artur Ramirez Balut, que era do PSDC, foi para o PR. O ex-presidente da Casa, Luiz de Santana Barroso, saiu do DEM e migrou para o PSD de Kassab. O suplente Dalton José da Silva, que assumiu a vaga de Solange, trocou o PR pelo PTB.

Num caso atípico em que está na oposição ao poder municipal, o PMDB perdeu Marcos Tenório, agora no PSC da base aliada do prefeito Ernane Primazzi. Em compensação, o PMDB ganhou o passe do ex-prefeito Juan Garcia, que já foi do PPS e quer voltar ao cargo nas eleições do próximo ano.

Fidelidade partidária, o que é isso? Ninguém parece preocupado com o que vão pensar os eleitores. "Falta de espaço" no antigo partido é a singela razão dada pelos vereadores mutantes. Se é assim na alta política federal em Brasília, por que haveria de ser diferente nos municípios? Esta é a realidade, gostemos dela ou não.

Não esperem de mim que tenha soluções mágicas para resolver esta situação que amesquinha os partidos e rebaixa a política brasileira a uma feira de trocas sem qualquer compromisso com o eleitorado.

Se alguém souber o que pode ser feito para colocar um pouco de ordem e respeito neste vale-tudo, por favor, envie sua proposta ao Balaio.

Os leitores também estão convidados a contar como foi o 7 de outubro em suas cidades, o último dia previsto na lei para as mudanças de partido. Por acaso em alguma cidade não foi igual a São Sebastião?

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