O que o caro leitor sentiu ao ler a manchete da "Folha" deste sábado: "Lixo hospitalar dos EUA é vendido em loja do país"?

Não, não era mais uma capa fake, a exemplo de tantas que vêm sendo publicadas ultimamente como informe publicitário. Relata o repórter Fabio Guibu:

"Lençóis com nomes de hospitais dos EUA - iguais aos apreendidos pela Receita Federal no porto de Suape e classificados como lixo hospitalar _ são vendidos por quilo em uma das principais vias de Santa Cruz do Capibaribe, cidade de 87,5 mil habitantes de Pernambuco".

Em mim esta inacreditável notícia provocou um sentimento misto de nojo, revolta e vergonha. Já era grave o fato de hospitais americanos mandarem para cá seu lixo hospitalar. Vendê-lo, então, revela a que ponto pode chegar a degração humana.

O repórter da "Folha" comprou nove peças numa loja de tecidos e retalhos chamada Império do Forro de Bolso. O quilo é vendido a R$10,00. Parte delas tinha manchas e referências a unidades de saúde dos EUA, como Baltimore Washington Medical Center ou Medline Industries Inc.

Nenhuma autoridade sanitária do governo de Pernambuco ou do governo federal apareceu até agora para informar as providências adotadas ou ao menos alertar a população sobre a ameaça deste lixo hospitalar à saúde pública.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) limitou-se a emitir uma nota burocrática  na qual informa que "não é permitida a reciclagem hospitalar", segundo norma estabelecida por uma resolução de 2004, e é proibida a entrada de lixo hospitalar no país desde o ano passado. Beleza. E daí? Fora isso, o Ministério da Saúde não vai tomar nenhuma outra providência?

Além da apreensão do lixo hospitalar encontrado por acaso em dois contêineres no porto de Suape, nada foi feito. Ninguém foi denunciado ou preso por este crime. Se o material estava sob a guarda da Receita Federal, como é que foi parar em Santa Cruz do Capibaribe?

Pior: segundo a Receita Federal, daqui a uma semana devem chegar mais 14 contêineres encomendados pela mesma empresa responsável pela importação dos lençóis, cujo nome, estranhamente, até hoje não foi revelado.

Não seria o caso de determinar à Marinha que aborde este navio assim que entrar em águas territoriais brasileiras e ordene seu regresso aos Estados Unidos?

Questão de soberania nacional é isso, não esta besteira de confronto com a Fifa por causa da meia entrada para os jogos da Copa 2014.

O que o mundo vai pensar de nós?

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