Escrevo na tarde desta terça-feira, no momento em que Orlando Silva começa a depor na Câmara dos Deputados, e o PM João Dias Ferreira, que delatou o esquema de malfeitos no Ministério do Esporte, está reunido com a bancada da oposição no gabinete do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O ambiente está pesado em Brasília.

O leitor poderia me perguntar: não seria melhor esperar o desfecho destes eventos? Não acho, por um simples motivo: a esta altura do campeonato, pouco importa o que os dois vão contar. O estrago para o governo Dilma e a imagem do país no exterior já está feito.

A presidente está na África, mas as manchetes dos principais jornais brasileiros só destacam a crise no Ministério do Esporte.

A questão deixou de ser jurídica, ou seja, saber qual dos dois membros do PCdoB está falando a verdade, e se transformou em mais uma crise política de grandes proporções e graves consequências para a organização da Copa e das Olímpíadas.

"Trata-se de uma fonte bandida", começou se defendendo o ministro Orlando Silva ao atacar quem o acusa _ e ninguém tem dúvidas sobre isso. Não tem santo nesta história.

Está claro que o soldado Ferreira é um tremendo de um pilantra, tanto que já foi preso e está sendo processado exatamente por desviar dinheiro público que recebeu do Ministério do Esporte dentro do programa "Segundo Tempo".

Assim como a cada dia também fica mais provado o fundamento das denúncias que ele fez à revista "Veja" sobre maracutaias envolvendo ONGs, fornecedores e dirigentes do PCdoB abrigados no Ministério do Esporte.

Não é de hoje. Faz pelo menos cinco anos que pipocam denúncias na imprensa sobre este esquema que embolsa o dinheiro do governo destinado a dar campo, bola, uniforme e comida às criancinhas carentes.

No mínimo, o ministro Orlando Silva foi omisso diante do flagrante e recorrente desvio de recursos públicos na casa de muitos milhões de reais que não chegaram ao seu destino.

Os resultados das investigações promovidas pela Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e Procuradoria Geral da República podem demorar meses, mas o fato é que o ministro Orlando Silva já não reúne condições políticas para permanecer no cargo.

Por mais que existam interesses escusos da grande imprensa que o denuncia, favorecendo a Fifa e a CBF, ao ressuscitar agora denúncias já feitas anteriormente, não vai ter outro jeito: daqui para a frente, até provar sua inocência, o ministro que se tornou um pato manco vai ter que passar todo seu tempo se defendendo e se explicando. Está sob suspeita. Já entra derrotado em qualquer discussão.

A cada dia surgem fatos novos. "ONGs do esporte têm de devolver R$ 26,5 milhões _ Devolução foi determinada pela Controladoria-Geral da União que apontou irregularidades em 67 contratos", informa a edição de hoje da "Folha", no alto da sua primeira página.

Como é que se pode chegar a tamanho descalabro? Pelo volume de recursos desviados  e o número de contratos irregulares, fica claro que não se trata de casos isolados, mas de um esquema montado para fraudar, como relata o jornal:

"Entre os problemas encontrados pelo órgão de controle interno, estão compras superfaturadas, entrega de produtos abaixo do acertado e contratação de empresas com sócios vinculados a entidades que receberam recursos da pasta".

O país não tem mais tempo a perder para acabar com esta estrutura viciada para começar tudo de novo na organização dos dois maiores eventos esportivos do mundo marcados para o Brasil em 2014 e 2016.

A presidente Dilma pode aproveitar esta oportunidade e começar uma faxina geral, não só com a imediata substituição do ministro, mas promovendo a completa reestruturação do Ministério do Esporte. A hora é agora. Já perdemos tempo demais.

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