A antecipação da troca no Ministério da Educação para liberar logo Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura paulistana, e a intensa agenda de viagens da presidente Dilma Rousseff para os próximos dias, indicam que a minrreforma ministerial só deverá ser completada em fevereiro, limitando-se a algumas mudanças pontuais, sem grandes novidades.

Antes, Dilma deverá ir a Salvador, Porto Alegre (Fórum Social Mundial), Cuba (dois dias) e em seguida ao Haiti, voltando ao país no começo de fevereiro.

A decisão de apenas efetuar a troca de não mais do que meia dúzia de ministros, sem mexer no condomínio partidário que dá sustentação ao seu governo, confirma o que a própria presidente disse no final do ano passado em café da manhã com os jornalistas que fazem a cobertura do Palácio do Planalto.

Para ela, esta história de reforma ministerial sempre foi mais um assunto da imprensa do que do governo. Dilma parece satisfeita com os resultados do seu primeiro ano na Presidência da República _ e os números de todas as pesquisas lhe dão boas razões para isso _, embora se queixe da lentidão dos investimentos em infraestrutura na execução das ações do PAC.

Nas reuniões setoriais que terá a partir desta quinta-feira, começando pela área social, antes da reunião ministerial marcada para a próxima semana, Dilma já avisou que não quer relatórios sobre o que já foi feito, mas quais os planos de cada um para 2012, mesmo sabendo que este será um ano de restrições orçamentárias.

A escolha de um técnico para o Ministério da Ciência e Tecnologia, o físico Marco Antônio Raupp, que vai para o lugar de Aloísio Mercadante, deslocado para a Educação, sinaliza que a presidente pretende dar um caráter mais gerencial do que político ao perfil do governo daqui para a frente.

As outras mudanças previstas atingem ministérios de menor importância. O PP deverá continuar com Cidades, o PDT com o Trabalho e o PT com as secretarias de Mulheres e Igualdade Racial, que também terão novos ministros indicados por estes partidos. Da cota do PMDB, para não criar marola em ano eleitoral, ninguém entra e ninguém sai.

É este o cenário visto do Planalto ao final da terceira semana do novo ano, não muito diferente daquele que passou: sem pressa, seguindo seu próprio ritmo, conversando com pouca gente e falando apenas o mínimo necessário, Dilma imprime um estilo próprio em que a gestão administrativa ocupa um espaço mais importante do que a articulação política.

Até agora, que se saiba, Dilma conversou sobre as mudanças no ministério apenas com o ex-presidente Lula, em encontro de três horas esta semana, e com o vice Michel Temer. Tudo indica que não haverá surpresas. A troca de Haddad por Mercadante já era prevista desde dezembro e foi comunicada por uma nota oficial da Secretaria de Imprensa.

Nada poderia haver de menos emocionante para jornalistas sempre ávidos por um furo de reportagem. Vida que segue do jeito que Dilma gosta, sem atropelos.

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