Demorou, mas aconteceu o inevitável: na segunda-feira, antes de embarcar para uma viagem de três dias ao Caribe, a presidente Dilma Rousseff resolveu finalmente tirar Mário Negromonte do Ministério das Cidades, pelo conjunto da obra, e já comunicou a decisão ao presidente do PP, Francisco Dornelles.

O problema ainda é encontrar um substituto no partido de Paulo Maluf, o que não será fácil. O próprio Dornelles não quer mais saber de ser ministro (já o foi por três vezes). Dilma gostaria de promover a volta de Márcio Fortes, que o PP não quer, e Dilma não aceita o nome de Ciro Nogueira, do PP do Piauí.

Deve sobrar para Aguinaldo Ribeiro, da Paraíba, líder do PP na Câmara. O desenlace de Montenegro e a indicação do seu substituto estão previstos para quinta ou sexta-feira, quando Dilma retornar da viagem a Cuba e ao Haiti.

Desta forma, os novos lances da minirreforma ministerial ficaram mesmo para fevereiro, como previsto aqui no Balaio, quando da troca de Fernando Haddad por Aloizio Mercadante no Ministério da Educação.

Montenegro é o nono ministro a sair em pouco mais de um ano de governo Dilma. Quem serão os próximos?

O mais provável é que a presidente vá fazendo as trocas no varejo, atendendo às circunstâncias, e não de uma vez só, como a imprensa vinha anunciando desde o ano passado.

Nada de grandes surpresas. No Ministério do Trabalho, o PDT deverá indicar o substituto de Carlos Lupi, que deixou um interino em seu lugar e ontem reassumiu a presidência do partido. Dilma poderá escolher entre dois nomes sugeridos: Vieira da Cunha (RS) e o secretário-geral do partido, Manoel Dias. Deve escolher o gaúcho.

E ninguém fala mais nos nomes de Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, e Fernando Bezerra, da Integração Nacional, os outros dois ministros que vinham balançando junto com Mário Negromonte no final de 2010.

A aparente calmaria da semana em Brasília pode acabar na quinta-feira, quando o Congresso reabre e Dilma vai encaminhar sua mensagem com os planos do governo para 2012.

Estão todos curiosos para saber como volta o PMDB do líder Henrique Eduardo Alves, que não gostou das trocas promovidas por Dilma no segundo escalão e ameaçou virar a mesa.

Na Câmara e no Senado, já estão protocolados requerimentos pedindo a convocação de Fernando Pimentel para explicar as suas consultorias em Minas Gerais. O líder tucano Álvaro Dias está todo animado com uma possível, mas improvável, rebelião no principal partido aliado do governo.

É a única chance de a oposição conseguir aprovar qualquer medida contra os interesses do governo no Congresso. Com a popularidade de Dilma nas alturas, será que alguém, além do impagável Álvaro Dias, ainda acredita nisso?

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