dilmacomafaixa gd1 e1328711302228 Exclusivo – Nunca Antes..., o filme: de Lula para Dilma

Paulo Whitaker/Reuters

Durante os oito anos de seu governo, Lula teve duas sombras permanentes: a cabeleira do fotógrafo oficial Ricardo Stuckert e a careca do general Gonçalves Dias, chefe da segurança presidencial. Onde um estava, sempre estavam os três.

Desde a véspera da primeira posse, em 1º de janeiro de 2003, Stuckert registrou cada movimento de Lula em milhares e milhares de fotos. No segundo mandato, passou também a filmar em vídeo digital os eventos oficiais, todas as viagens e o dia a dia do ex-presidente. Os três ficaram muito amigos.

Esta semana, enquanto Lula continuava fazendo radioterapia para tratar do câncer da laringe, e o general conhecido por GDias comandava as forças federais durante a greve da PM em Salvador, Stuckert finalizava a montagem do documentário "Nunca Antes..." nos estúdios da produtora Casablanca, em São Paulo.

Em meio ao temporal de terça-feira, o fotógrafo reuniu um grupo de amigos do ex-presidente no cineminha da Casablanca para mostrar o filme de 32 minutos, que registra todos os momentos públicos e cenas de bastidores da festa de transmissão do cargo do ex-metalúrgico Lula para a economista Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente da República do Brasil.

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Presidência

No mesmo dia, 1º de janeiro de 2010, já sem faixa e sem terno, mas ainda acompanhado de Stuckert e GDias, Lula desembarcou em São Paulo, e foi direto para o hospital Sírio-Libanês, onde estava internado o ex-vice presidente José Alencar, que viria a morrer em março do ano passado.

Já bastante debilitado após 18 cirurgias, Alencar tinha sido proibido pelos médicos de ir a Brasília para a posse de Dilma e descer a rampa junto com Lula, como tantas vezes prometeu.

As imagens da conversa entre os grandes amigos Lula e Zé Alencar nas primeiras horas fora do poder, fazendo um balanço da vida e do governo, renderam os momentos mais emocionantes do filme.

Os dois estavam felizes e pareciam realizados com os resultados alcançados pelos seus oito anos no comando do país. Sempre segurando a mão direita de Alencar ao lado da cama no hospital, Lula quase não falou. Só ficou ouvindo seu vice fazer um comovente balanço do governo que terminou naquele dia com 87% de aprovação popular.

O momento de descontração ficou por conta de dona Mariza, a mulher do vice, quando ela contou para Lula que foi obrigada a ameaçar com a separação, depois de 53 anos de casamento, se Zé Alencar insistisse em ir para Brasília naquele dia.

Como já tinha acontecido infinitas vezes durante o seu governo, a certa altura Lula soltou um "nunca antes na história deste país", que acabou se tornando o bordão preferido do ex-presidente e escolhido por Ricardo Stuckert para batizar o documentário concluído esta semana.

Lula e Dilma ainda não viram o filme. Stuckert pretende marcar o lançamento para o Teatro Nacional de Brasília e depois exibí-lo em escolas e sindicatos por todo o país.

Focado no dia da posse de Dilma e da despedida de Lula, "Nunca Antes..." registra os principais trechos dos discursos da nova presidente e os últimos momentos de Lula com sua mulher, Marisa, no gabinete presidencial, quando ela coloca nele a faixa presidencial. O documentário exibe também imagens da festa que prepararam para Lula na chegada de volta a São Bernardo do Campo.

De fato, nunca antes na história deste país tivemos um operário e uma mulher na presidência da República e uma parceria pessoal e política feita da mais absoluta lealdade e confiança mútua como a do operário pernambucano Lula com o empresário mineiro José Alencar.

Nem o mais criativo roteirista seria capaz de inventar uma história como esta e muito menos encontrar personagens como Lula, Dilma e Alencar, três brasileiros incomuns que fizeram e continuam fazendo História.

Faltam poucos dias

Falei rapidamente por telefone com Lula sobre o filme na manhã desta quarta-feira, durante mais uma sessão de radioterapia no Sírio-Libanês, e ele gostou do título escolhido.

Esta é a fase mais difícil do tratamento, que deve terminar na sexta-feira da próxima semana. O ex-presidente continua com dificuldades para falar e ingerir alimentos. Já perdeu uns cinco quilos e não vê a hora de voltar às suas atividades normais.

Afinal, já são quase quatro meses longe dos microfones e das platéias, dividindo seu tempo apenas entre a casa e o hospital. Após o encerramento da radioterapia, os médicos que cuidam dele farão mais uma bateria de exames para avaliar a evolução do tratamento.

Paciente e médicos estão otimistas, mas dificilmente Lula poderá ir, como tanto queria, ao desfile da escola de samba "Gaviões da Fiel", cujo enredo o homenageará este ano.

Valeu, Lula, agora falta pouco. Aguenta firme.

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