dilma rousseff blog Na volta da viagem, vida dura para Dilma

Com problemas na articulação política, na gestão da economia e até na área militar, este começo de 2012 não tem sido nada fácil para a presidente Dilma Rousseff. Como dizia o ex-ministro José Dirceu quando os problemas começavam a se avolumar no Palácio do Planalto, "a vida é dura".

Ao voltar no final da noite desta terça-feira da breve viagem à Alemanha, em que ela bateu de frente com a primeira-ministra Angela Merkel na questão da "guerra cambial" que tanto  prejudica a nossa economia, a presidente vai encontrar pela frente uma coleção de más notícias e desafios tanto no front interno como no externo.

Após a leitura do noticiário do dia, preparei uma pequena lista de problemas que pode ajudar Dilma a organizar a sua agenda de prioridades:

# O anúncio de apenas 2,7% de crescimento do PIB no ano passado, aliado à queda da atividade econômica neste primeiro semestre, soma-se à informação de que a China, principal destino das nossas exportações, deverá dar uma freada este ano, reduzindo a meta para 7,5%. Dilma já pediu ao Ministério da Fazenda mais um pacote de medidas para reaquecer a economia, como a redução de impostos.

# Na área política, é farto o cardápio de insatisfações e ameaças de rebelião na base aliada. Após o manifesto anti-PT divulgado na semana passada pelo PMDB da Câmara, agora é o do Senado que anda indócil. Continua sem definição a novela da volta dos descontentes do PR e do PDT aos Ministérios dos Transportes e do Trabalho, respectivamente. O PSD adiou para junho a decisão de apoiar o PT nos maiores colégios eleitorais. Até o final do mês, pelo menos, segundo seus médicos, Lula deverá continuar fora das batalhas eleitorais, bem no momento de formação de alianças.

# Para completar, a reação do Ministério da Defesa a um manifesto com críticas ao governo publicado no site de um clube de militares aposentados, determinando a punição dos responsáveis, acabou virando uma bola de neve, com a adesão cada vez maior de vivandeiras civis.

A lista vai longe. Perto do que a espera no Brasil, a queda de uma barra de ferro no seu pé durante entrevista coletiva em Hannover, na segunda-feira, foi um drama menor para Dilma. A começar pela votação do Código Florestal, já aprovado no Senado, que deverá começar nesta tarde na Câmara.

É um teste para sabermos até onde vai o descontentamento dos partidos da base aliada, em especial do PMDB. O governo gostaria muito de manter o texto do Senado, que determina a recomposição das áreas desmatadas, sem conceder qualquer tipo de anistia.

Mas o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator do Código Florestal na Câmara, já incluiu 20 emendas ao texto do Senado _ entre elas, a que permite o desmatamento de encostas para formação de pastagens.

A bancada ruralista quer mudar 66 itens do texto aprovado pelo Senado e ameaça o governo. "Vamos ver quem tem voto", desafiou o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), dando uma ideia do clima para a votação na Câmara.

Parece que agosto chegou mais cedo este ano no Brasil. Pobre Dilma, que ainda precisa perder boa parte do tempo neste segundo ano de governo pastoreando os conflitos e saciando a fome da sua indócil base aliada.

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