Por mais que nos desagradem, certos fatos, depois de checados e confirmados, não podem deixar de ser publicados, ainda que gerem críticas e protestos dos leitores do Balaio, como aconteceu com o texto sobre a CPI do Cachoeira publicado nesta segunda-feira.

Os leitores podem se basear apenas no que encontram nas redes sociais ou ouvem nos botecos das esquinas, mas os jornalistas somos obrigados a cultivar as nossas próprias fontes, ouvindo todos os lados envolvidos numa questão, ler todo o noticiário disponível, para só então tirarmos as próprias conclusões sobre o rumo dos ventos e o movimento das marés.

Podemos acertar ou errar, é claro, como qualquer cidadão, mas o que está sempre em jogo é a nossa credibilidade, que pode ou não ser confirmada, diariamente, pelas informações publicadas ao longo do tempo.

No caso do post que gerou críticas iradas de leitores, algumas até falando em traição e desqualificando a pessoa do blogueiro, infelizmente os fatos confirmaram o que previa ontem: a base aliada resolveu dar um tempo para criar a CPI, cuja instalação estava prevista para esta terça-feira.

Sou absolutamente favorável à criação da CPI o mais breve possível, mas isto não depende de mim nem da vontade de nenhum colega de profissão. Acusaram-me até de ser corporativista por não entrar na onda de acusações, ainda não comprovadas, contra veículos e profissionais de imprensa.

Não escrevo para agradar nem desagradar a ninguém, e nunca pretendi fazer deste blog uma seita de seguidores obrigados a concordar comigo em tudo que escrevo, como acontece em outros sítios. Pretendo apenas sempre ser honesto com as pessoas que me lêem, pois vivo disso há muitos anos.

Desde 2005, quando comecei a escrever na internet, este é um espaço que respeita a liberdade da opinião alheia, só não admite baixarias.

Leitores podem ter só um lado, defender a camisa do seu time e bater da cintura para baixo nos adversários, o que não fica bem para quem exerce o ofício de repórter, obrigado a contar o que está de fato acontecendo, da forma mais precisa e isenta possível.

A leitura do noticiário de hoje, em todos os jornais e portais da internet, comprova que o governo está, sim, preocupado com possíveis danos políticos provocados pela CPI, mas se mantém afastado do processo parlamentar, nada tendo feito para criá-la ou para evitar que isto aconteça.

Tanto PT como PMDB parecem agora mais interessados em adiar a formação da CPI, pois as bancadas dos dois partidos continuam divididas sobre a conveniência da sua criação.

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, esteve ontem em São Paulo para se aconselhar com José Sarney, que continua internado no hospital Sírio-Libanês, e o ex-líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza, visitou o ex-presidente Lula.

Na saída do encontro, Vacarezza definiu o clima: "O Lula acha que a CPI tem avaliar os fatos, e não servir de instrumento de luta política. Tem que ter sobriedade".

Em Brasília, o presidente da Câmara, Marco Maia, foi na mesma linha, defendendo que a CPI investigue os negócios de Cachoeira e não se transforme numa disputa política entre governo e oposição.

"Queremos é desmantelar esta rede de poder paralelo que foi constituída por esse cidadão chamado Cachoeira e que vai desde o Legislativo, passa pelo Executivo e pelo Judiciário, pelo setor privado e pela imprensa brasileira".

O problema, como todos sabemos, é que em CPI, não basta definir o que nós queremos. É preciso saber o que o outro lado quer e de qual munição dispõe. O processo é imprevisível.

A temperatura amainou no Congresso, mas continuam sendo vazados grampos seletivos de diálogos comprometedores que envolvem os governadores de Goiás, o tucano Marconi Perillo, e de Brasilía, o petista Agnelo Queiroz, e o empresário Fernando Cavendich, dono da empreiteira Delta, que tem negócios com governos de todos os partidos.

Nesta breve trégua na disputa política, os líderes da base aliada procuram se entender sobre a indicação de nomes de copnfiança para a CPI, caso ela seja realmente instalada, mas dificilmente haverá uma definição antes da volta de José Sarney para Brasília.

É assim que as coisas são, nem sempre exatamente como a gente quer.

Esclarecimento do TJ-SP

A respeito da nota publicada neste blog na quarta-feira passada, dia 11, sobre a "flexibilização" da lei que impede a nomeação de parentes de integrantes da corte para as vagas recentemente criadas, recebi a seguinte mensagem de Rosangela Sanches, asessora de imprensa do presidente do Tribunal de Justiça, Ivan Sartori:

"O que houve foi o seguinte. Esse projeto de lei é de 2009 (redação do próprio Ivan Sartori) e, na época, a intenção era a criação de cargos comissionados em aberto (isto é, qualquer pessoa poderia ser nomeada). Daí a necessidade de não se permitir a nomeação de parentes.

Agora, a Leu Complementar nº 1.172/12, aprovada no dia 10 de abril de 2012, é para cargos em comissão preenchidos exclusivamente por servidores concursados do TJSP. O que o presidente Ivan Sartori disse, ao afirmar que haveria a necessidade de flexibilização, é que não é possível deixar de nomear um escrevente concursado de Presidente Prudente, por exemplo, para o cargo de assistente judiciário, só porque ele tem um parente que (também concursado) trabalha em São Paulo. Em momento algum o presidente Ivan Sartori defendeu o nepotismo, muito ao contrário".

Melhor assim.


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